Tereza Kawall

Na mitologia da Grécia antiga, os deuses habitavam o Olimpo, um lugar sagrado, que como uma grande orquestra celestial tinha como seu grande maestro ou senhor Zeus, ou Jupiter para os romanos.
Para a astrologia essas divindades, que representam a multifacetada natureza dos humanos, habitam ou “ regem” os doze signos do zodíaco. Os planetas que não por acaso têm o mesmo nome destes deuses, transitam pelos signos com ritmos muito diferentes entre si. Para termos uma simples idéia dessa velocidade, a Lua faz seu percurso inteiro em 28/29 dias aproximadamente. Já Saturno empreende sua revolução solar pelo zodíaco em 29 anos, Plutão faz o mesmo em 248 anos! Assim, cada um tem, digamos, sua própria personalidade, autonomia, ritmo e função dentro da Astrologia. Os planetas mais rápidos, como Mercurio e Vênus são chamados planetas pessoais, e refletem nossas motivações no plano interpessoal e os planetas lentos, que ficam mais tempo em cada signo e tem uma relação mais específica com a coletividade. Expressam as tendências de um grupo ou geração à qual o individuo pertence, ou seja, são chamados de planetas transpessoais ou geracionais.

Bem, mas minha pretensão aqui é fazer uma reflexão sobre a tão falada conjunção de Saturno, Plutão e Jupiter no signo de Capricórnio, que já está acontecendo, e que tem suscitado muita apreensão, preocupação e dúvidas em pessoas que conhecem ou não conhecem astrologia, mas já ouviram falar desse ciclo astrológico, sem dúvida importante.

Convém lembrar que o signo de Capricórnio é o ponto alto do zodíaco, o Zenith, a casa mais elevada da carta natal, o que chamamos, apropriadamente como Meio do Céu. É sempre representado por uma cabra montanhesa. Essas cabras habitam regiões muito frias, com montanhas íngremes e escarpadas do hemisfério Norte; com seus cascos duros conseguem subir alturas realmente incríveis. Dali certamente, elas podem ter uma visão privilegiada dos céus, dos picos, e do eterno movimento das nuvens passando por eles. Capricórnio representa assim a força de ascensão, a resiliência, a perseverança, a determinação e o controle para chegar ao cume das realizações, sejam elas profissionais, mundanas ou espirituais. O signo de Capricórnio representa no hemisfério norte a estação do inverno, quando a vida se recolhe sob o manto branco da neve que cobre a terra, e que por sua vez guarda as sementes que ali estão descansando para depois germinarem.
Faço aqui uma rápida digressão para lembrar que a solidão, sempre associada a esse arquétipo, pode ser uma grande conselheira, pois é ela que através do silêncio, permite a criação de espaços internos. Sem isso não haveria perguntas e nem reflexões importantes. Parece que nos esquecemos ultimamente do quão importante é o silêncio. Quero crer que os filósofos de todos os tempos de alguma maneira amaram a solidão. Ela é o útero, o casulo na caverna, a faísca criativa do homem, pois “descola’ o indivíduo da massa coletiva. E é nesse pensamento coletivo que o “eu” submerge rapidamente.

Mas voltemos ao signo de Capricórnio e seu regente, Saturno, que afinal é o “dono”  dele ou da décima casa, o ápice zodiacal, como já vimos. No alto da sua varanda celestial, ele recebe agora em dezembro de 2019 a visita de Júpiter neste signo, ou em sua “casa”. É muito importante lembrar que Plutão já estava lá hospedado desde o início de 2008, e que ele e Saturno já haviam tido muitas discussões importantes. Já haviam deliberado bastante sobre a necessidade de se rever ou reformular estruturas, crenças mais conservadoras, fundações já engessadas ou carcomidas por corrupção sistêmica, ou seja, em como chacoalhar instituições sociais, políticas, econômicas e mesmo religiosas pelo planeta afora. Ambos estavam muito preocupados com o que haveria de ser uma nova ordem mundial de valores e crenças, talvez mais liberais e dinâmicas, mesmo sabendo que estas não são as mesmas em todos os países ou culturas.
                                                                                                                         
Mesmo assim esses dois arquétipos ou deuses já vinham percebendo e agora mais claramente que os humanos estavam e estão procurando por áreas de escape, frente a tanto caos e desigualdades em todos os níveis. Sentados na grande varanda da casa, suas reflexões buscavam  tocar o cerne de inúmeras especulações e demandas humanas: o mundo precisa urgentemente de mais oportunidades de realização para um número muitíssimo maior de pessoas. Mas sendo Saturno e Plutão os próprios representantes arquetípicos do poder concentrado, e sabendo que sua conjunção exata se daria em janeiro de 2020 tinham lá suas noites de  sobressaltos e insônia.
E sobre o que mais ponderavam? Até quando tão poucos indivíduos terão em mãos tanto poder e dinheiro em detrimento de outros milhões que passam fome? Até quando essa situação autoritária e perversa de poder e tirania sem fim poderia ir? Qual será o tempo necessário para que reviravoltas ou mudanças possam se concretizar? Mas o que exatamente precisaria morrer para depois renascer?  Não seria melhor deixar tudo como está em nome da segurança planetária?

Já haviam mandado algumas mensagens de watzp para Urano, que agora transita pelo signo de Touro, do elemento terra, solicitando por sugestões. Esse por sua vez, ainda tentando se adequar ao elemento terra, estava também vivendo um certo conflito existencial entre segurança versus ruptura; estabilidade ou chutar tudo para o alto, ou seja, uma certa vontade quebrar os muros da inércia e da mediocridade humana. Suas respostas não foram encorajadoras; na verdade Urano andava meio estressado com as lavouras cheias de agrotóxicos, com a baixa fertilidade da terra e com a possível extinção das abelhas.

Fizeram também contato com Netuno que está agora em Peixes, bem satisfeito pela propagação das técnicas de “ mindfulness’ no mundo e pela constatação da medicina mais ortodoxa de que a fé e as orações trazem benefícios importantes para cura de enfermidades.  Saturno e Plutão o interpelaram para saber das conseqüências do aquecimento dos oceanos, do degelo das calotas polares ou inundações gigantescas. Tentaram, sem sucesso, saber se todas  as religiões iriam mesmo acabar. Mas Netuno, em seu habitual modo “ wishful thinking” foi simples e assertivo na resposta: “A mente tem poder: meditem”!

E foi nesse ínterim, dezembro de 2019, que chegou Júpiter adentrou Capricórnio, que com seu  notório entusiasmo logo deu um “up grade’ nas conversas que já iam ficando enfadonhas. Adorou a vista privilegiada,  o vento frio das montanhas, e o cheiro das flores perfumadas à noite. Júpiter, que sempre fora calorento e acabara de sair do signo de Sagitário, se adaptou logo às baixas temperaturas. Sugeriu que acendessem a lareira  no final da tarde e seu pedido foi prontamente atendido!
Disse que ia ficar alguns dias, mas ficou um ano inteiro. Já com mais intimidade em função da conjunção exata, Júpiter e Saturno ficaram muito amigos. Júpiter trouxe novas idéias e planos, ajudou Saturno e Plutão a pensarem de forma mais abstrata e filosófica, pois precisavam tomar novas decisões e todos estavam de acordo que precisavam ter os pés no chão!

Saturno às vezes ficava meio ranzinza e pessimista, pois desconfiava do entusiasmo, dos arroubos filosóficos e transcendentais de Júpiter, mas sempre dava razão a ele; afinal estavam trocando figurinhas, exercitando uma espécie de otimismo realista. Jupiter, mais arrojado sempre achava um significado para tudo e colocava as discussões em outro patamar. Plutão também por vezes ficava inquieto e insatisfeito, pois seus instintos e sua conhecida irracionalidade não davam conta de tantas reflexões. E também abstrair sobre o Bem e o Mal ou a sombra coletiva da humanidade nunca foi fácil, vamos combinar. Mas no fundo e profundo dele, sabia muito bem que aquele encontro era importante. A terra da montanha na qual estavam agora hospedados estava sendo fertilizada por novos mananciais criativos, e as sementes ainda invisíveis já estavam germinando, presentes também no coração e na consciência de muitos homens mais evoluídos aqui no planeta Terra.

E assim se passou o ano de 2020,  em que Júpiter e Saturno, muito amigos, já haviam chegado a um consenso que as mudanças viriam para muitos, mas com muita responsabilidade, dedicação e trabalho árduo, pois só a tomada de consciência não seria e não será o suficiente. Conhecimento significa responsabilidade e poder, é impossível separar as coisas. Afinal, já disse alguém, a sabedoria é a capacidade de usar o conhecimento adquirido na hora certa...

E assim, caminhando e trocando idéias pelo signo de Capricórnio, foram se despedindo de Plutão e muito imbuídos dos desafios das grandes tarefas e realizações a serem feitas pelo bem da humanidade.  Em março de 2020 Saturno até dará uma “chegadinha’ rápida em Aquario, mas volta para sua “casa” nas montanhas capricornianas em julho do mesmo ano. Em novembro ele e Jupiter vão se alinhando e chegarão juntinhos ao signo de Aquario, em 21 de dezembro de 2020, no nosso solstício de verão.

 Aquário, do elemento ar, é representado pela figura do Aguadeiro, um homem que possui uma ânfora nas mãos, da qual vertem as águas do conhecimento para todos. Fico aqui pensando que Saturno e Júpiter neste signo vão “derramar” para todos o conhecimento acumulado e estruturado no signo anterior. E imagino que vão se deleitar com as mudanças desejadas anteriormente, deliberando muito sobre liberdade, renovação, criatividade, avanços da ciência, robótica, medicina vibracional e planos para o futuro. 

Em Aquario, Saturno/Cronos e Júpiter/Zeus, que são pai e filho na mitologia grega, farão verter a “água da vida”, que fará florescer novas idéias, uma outra visão de mundo mais oxigenada, em onde haja mais espaço para os visionários, artistas e para a individualidade fraterna. Um mundo, espero, que seja mais promissor e justo, não só rápido e tecnológico, mas essencialmente mais humano e amoroso.

Serão eles os arautos da tão propalada e desejada entrada da Era de Aquario e do real início do século XXI?
Aguardemos!
Dezembro 2019


AMANHECER E O ENTARDECER DA VIDA


Sobre as etapas da vida
O neurótico é, antes, alguém que jamais consegue que as coisas corram para ele como gostaria que fossem no momento presente, e, por isto, não é capaz de se alegrar com o passado. Da mesma forma como antigamente ele não se libertou da infância, assim também agora se mostra incapaz de renunciar à juventude. Teme os pensamentos sombrios da velhice que se aproxima, e como a perspectiva do futuro lhe parece insuportável, ele se volta desesperadamente para o passado. Da mesma forma que o indivíduo preso à infância recua apavorado diante da incógnita do mundo e da existência humana, assim também o homem adulto recua assustado diante da segunda metade da vida.....
Talvez isto seja, no fundo o medo da morte? Parece-me pouco provável, porque a morte ainda está muito longe e, por isto, é um tanto abstrata. A experiência nos mostra, pelo contrário, que a causa fundamental de todas as dificuldades desta fase de transição é uma mudança singular que se processa nas profundezas da alma. Para caracterizá-la, eu gostaria de tomar como termo de comparação o curso diário do Sol.
Suponhamos um Sol dotado de sentimentos humanos e de uma consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol se eleva do mar noturno do inconsciente e olha para a vastidão do mundo colorido que se torna tanto mais amplo quanto mais alto ele ascende no firmamento. O Sol descobrirá sua significação nessa extensão cada vez maior de seu campo de ação produzida pela ascensão e se dará conta de que seu objetivo supremo está em alcançar a maior altura possível e, conseqüentemente, a mais ampla disseminação possível de suas bênçãos sobre a Terra.
Apoiado nesta convicção, ele se encaminha para o Zênite imprevisto - imprevisto, porque sua existência individual e única é incapaz de prever o seu ponto culminante. Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e este declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã. O Sol torna-se, então, contraditório consigo mesmo. É como se recolhesse dentro de si seus próprios raios, em vez de emiti-los. A luz e o calor diminuem e por fim se extinguem."
Carl Gustav Jung em: A Natureza da Psique, § 778, Editora Vozes, 1998.


ALMANAQUE DO PENSAMENTO 2020


Você conhece o Almanaque do Pensamento?
O Almanaque é uma publicação anual da Editora Pensamento. O primeiro foi publicado em 1913, e assim ele completa agora 108 anos! E é um sucesso desde então entre um público bastante diversificado e curioso sobre o milenar conhecimento astrológico.
Nele, os leitores podem saber as melhores fases para o plantio e cultivo da terra, tendo como base a passagem da Lua nos doze signos zodiacais e suas diferentes fases.

Além do calendário agrícola, você encontrará as datas e horários corretos para o início das quatro estações do ano, as fases lunares, os eclipses anuais da Lua e do Sol, e as dicas do Horóscopo Chinês.
Alem disso, os eleitores podem saber a orientação astrológica para o seu dia a dia, assim como as previsões mensais para todos os signos durante o ano inteiro.

Nesse número escrevi mais dois artigos especiais, onde poderá encontrar dicas úteis e interessantes: um sobre Astrologia e  a sua saúde e  outro que traz  ótimas dicas de Gastronomia para os doze signos, aproveite!!

O Almanaque traz também as previsões sobre as tendências relacionadas aos eventos sociais, políticos e econômicos do Brasil.
E outras novidades!
Sem dúvida , um bom companheiro para sua vida...
Bom proveito e um feliz 2020 !


Tereza Kawall
Você poderá encontrá-lo em algumas bancas de jornais, boas livrarias e também no site da editora , com um preço especial,  veja no link abaixo abaixo:
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CARPE DIEM !


Aproveita o dia 
 Walt Whitman
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…
 Walter Whitman (1819 – 1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano considerado o “pai do verso livre” e o grande poeta da revolução americana.