EQUINÓCIO DA PRIMAVERA


 Dia 22 de setembro 2020

Hoje, 10h e 32m m, teremos o equinócio de Libra e o início da primavera. Gostamos de festejar essa data pois sempre há um quê de esperança por renovação em nossa vidas.
Como viveríamos sem esperanças?

Há um mito muito expressivo sobre Demeter e Peséfone, mãe filha na mitologia grega, que nos fala das estações do ano, e da semente que precisa morrer antes de germinar.
Nos conta da dolorosa separação entre as duas, da terra que se tornou seca e estéril como consequência desse sofrimento.

A falta de alimentos para a humanidade foi o estopim para que houvesse um grande acordo entre os deuses: Zeus, o pai de Perséfone, Hades, o seu marido e a sua mãe, que ameaçou os homens com a fome irrestrita.

Ao final, acertaram que Perséfone ficaria seis meses com seu marido nos mundos subterrâneos ( como semente) e seis meses com sua mãe, no período das colheitas dos grãos, dos frutos e florações, ou seja, na primavera e no verão.

Nessa imagem vemos Mercúrio, o mensageiros dos deuses, trazendo Perséfone dos mundos subterrâneos e entregando à sua mãe.

Arte: O retorno de Perséfone
Frederic Leigton, 1891.

MARIE-LOUISE VON FRANZ E OS SONHOS

 

“ Os sonhos possuem uma inteligência superior, uma sabedoria e uma perspicácia que nos orientam. Eles nos mostram em que aspectos estamos enganados e nos alertam a respeito de perigos; predizem eventos futuros; aludem ao sentido mais profundo da nossa vida e nos propiciam insights reveladores. Se analisar sonhos de artistas  ou cientistas criativos, por exemplo, você verá que muitas vezes novas ideais lhe são reveladas através dos sonhos.Elas não são concebidas num computador. Pelo contrário , brotam do inconsciente sob a forma de idéias súbitas, como se costuma dizer. 

Vários documentos demonstram que  muitos cientistas primeiro sonharam certas soluções matemáticas e depois resolveram conscientemente. Devemos, então, concluir que existe uma matriz psíquica capaz de produzir novos insights criativos”.


“ Os sonhos não nos protegem das vicissitudes, doenças e eventos dolorosas da existência. Mas eles nos fornecem uma linha mestra de como lidar com esses aspectos, como encontrar um sentido em nossa vida, como cumprir nosso próprio destino, como seguir nossa própria estrela, por assim dizer, a fim de realizar o potencial de vida que há em nós”.

 Marie-Louise von Franz: O caminho dos sonhos, pagina 25

 

PSICOTERAPIA ONLINE

 


Resiliência e superação

Olá pessoal!

Hoje escrevo a vocês, leitores do meu blog, que aliás já está completando 12 anos!

Quero comunicá-los que a partir de agora  todos meus atendimentos serão online, via

Skype e com preços reduzidos.

Todos sabemos que nossa vida mudou e é provável que precisemos de um novo fôlego para que tudo possa ir voltando a normalidade. 

Essa mudança nos trouxe novas demandas e novos desafios para nosso dia a dia, nem sempre fáceis de serem superados.

 Assim, ofereço aqui meu trabalho como psicoterapeuta, tendo em vista as aflições ou impasses que muitos possam estar passando. Um momento de parada e oportuno para uma reflexão a respeito de nossas crenças, valores e padrões emocionais que certamente podem ser modificados. Crises são também tempos de decisões e de oportunidades para que o novo aconteça.

 Acredite: todos temos recursos internos que afloram em ciclos de perdas e transição. E uma mente positiva já é sempre um bom começo.

Continuarei fazendo meus atendimentos de astrologia, com a leitura do mapa de nascimento e mais os trânsitos e progressões para doze meses.

Colocar a vida em perspectiva é fundamental,  manter uma rotina, assim como criar ou dar forma a algum projeto adiado... ou fazer um curso online?

Caso tenham interesse ou precisem de mais informações podem me enviar um e.mail ou fazer

contato pelo watzap.

tekav@uol.com.br

(11) 9.8155.9850

Estou também no Facebook na fan Page: Ecos de Urania

 

JUNG E A ESCRITA CIRCULAR

 


  JUNG E A ESCRITA CIRCULAR

Jung era um escritor prolífico a quem as idéias vinham com facilidade. As palavras fluíam de sua pena, e ele só ficava perdido quando se encontrava bloqueado e incapaz de completar a parte dois do Wandlungen.

Quando começou a escrever, topou com a técnica que melhor se ajustava a seu temperamento e usou-a dali para frente, apesar da confusão que ela às vezes inspirava em seus leitores e as muitas críticas que atraiu dos estudiosos. Depois de velho. Já com oitenta a tantos anos, achou que precisava explicá-la, tentando fazer isso repetidamente, em todas as versões sobreviventes de entrevistas e nos rascunho que acabaram sendo aperfeiçoados e editados para se tornarem Memórias, Sonhos e Reflexões. Em cada um desses Protocolos ( como foram chamados os rascunhos iniciais). Ele começa com uma justificativa a seus leitores semelhante a esta:

“ Sinto repetir as coisas. Sempre fiz isso em meus livros. Eu enfrentava determinadas coisas várias vezes e sempre a partir de um novo “ ângulo” porque meu pensamento é circular. Circulo sempre em torno da mesma questão. Esse é o método que me agrada. De certa forma, é um novo tipo de peripatético (*) ( falta uma palavra) Simplesmente trabalho melhor desse jeito”.

Essa circularidade constitui a dificuldade de ler, não apenas qualquer trabalho em particular. Mas também a obra de Jung em sua totalidade. Muitas vezes revia um texto original para modificá-lo ou acrescentar alguma coisa, ou aprofundava o ponto inicial, ao mesmo tempo quie introduzia outros pontos relacionados para sustentar a discussão original. Esses pontos podem ter exigido discussões separadas dentro da mesma obra. Se levantasse questões muito extensas para aquele espaço, elas deveriam ser detalhadas em trabalho futuro. Havia épocas, por exemplo, como na ultima década de sua vida, os anos 1950, em que ainda estava refinando as idéias desenvolvidas em 1912. Continuavam presentes traços de trabalhos anteriores, porque ele ampliava e desenvolvia idéias, mas também às vezes as contradizia.

“ Isso era o que eu pensava naquela época” responderia ele quando se perguntava a respeito de discrepâncias, “mas isso é como eu penso agora”.

Deirdre Bair em  “JUNG – uma biografia” , Volume I.

Editora Globo.

Peripatético: É a palavra grega para itinerante ou ambulante.

 

LOUISE HAY: CURE A SUA VIDA

                                                                                     

Por Louise Hay

Somos todos 100 por cento responsáveis por nossas experiências. Cada pensamento que temos está criando nosso futuro. O ponto do poder está sempre no momento presente. Todos sofrem de culpa e ódio voltados contra si próprios. A frase-chave de todos é: "Não sou bastante bom". É apenas um pensamento e um pensamento pode ser modificado. Ressentimento, crítica e culpa são os padrões mais prejudiciais.

 A liberação do ressentimento pode remover até o câncer. Quando realmente amamos a nós mesmos, tudo na vida funciona. Devemos nos libertar do passado e perdoar a todos. Devemos estar dispostos a começar a aprender a nos amar. A auto-aprovação e a auto-aceitação no agora são a chave para mudanças positivas. Cada uma das chamadas "doenças" em nosso corpo são criadas por nós.

Na infinidade da vida onde estou, tudo é Perfeito, pleno e completo, e, no entanto a vida está sempre mudando. Não existe começo nem fim, somente um constante reciclar  de substância e experiências. A vida nunca está emperrada, estática ou rançosa, pois cada momento é sempre novo e fresco.

Eu sou uno com o poder que me criou e esse poder me deu o poder de criar minhas próprias circunstâncias. Regozijo-me no conhecimento de que eu tenho o poder de minha própria mente para usar de qualquer forma que eu escolher.

Cada momento da vida é um novo ponto de começo à medida que nos afastamos do velho. Este momento é um novo ponto de começo para mim bem aqui e agora mesmo. Tudo está bem no meu mundo.

Do livro : Você pode curar a sua vida.

HÁ 145 ANOS NASCIA CARL GUSTAV JUNG


Por Tereza Kawall 

"Jung viveu no coração da Europa, presenciou duas guerras mundiais e com elas a devastação moral e a miséria psíquica por elas produzidas. Homem de fortes convicções e fé, toda a sua obra é permeada pela questão da religiosidade humana, da ética e da busca do significado para a vida.

Jung se declarava cristão, mas do ponto de vista do cristianismo dogmático, foi sempre um outsider; suas idéias religiosas nem sempre foram bem compreendidas. 

Às vezes resmungava: Na Idade Média eu teria sido queimado”.

Escreveu a um jovem sacerdote em 1952 a respeito da própria fé:

     "Acho que todos os meus pensamentos giram em torno de Deus como os planetas em torno do Sol, e são da mesma maneira irresistivelmente atraídos por ele. Eu me sentiria como o maior pecador querer opor uma resistência a esta força” 
( MSR, pág 15).

O legado da sua extensa obra e a originalidade de seu pensamento parece estar ainda muito longe de ser plenamente reconhecidos e aceitos no mundo acadêmico. No entanto, é inegável que seus variados campos de interesse, trouxeram preciosas contribuições para a Psiquiatria, a Psicologia profunda, repercutindo na Teologia, na Antropologia, na Física atômica, entre outras.

Ao estudar intensamente a religiosidade humana, a Alquimia, a Mitologia, o I Ching, a Astrologia e as chamadas ciências herméticas, Jung imprimiu mais humanidade à sua forma de fazer ciência. 
Jung fez severas críticas à sociedade contemporânea, à massificação e à uniformidade que produzem a mediocridade no homem. Na sua visão, o culto da “deusa Razão” causou a fragmentação do conhecimento em detrimento da alma e da subjetividade do homem, afastando-o de seu mundo mítico e divino.

Jung cumpriu, assim, o seu destino leonino e aquariano, na tentativa de alcançar o “si mesmo” em cada um de nós e, ao mesmo tempo, contribuindo com o seu enorme conhecimento, às gerações futuras que certamente ainda terão muito a desvendar sobre a genialidade de seu pensamento.

Trecho do livro: "Astrologia e os doze portais mágicos", editora Talento, SPaulo.
Obs: Jung tinha o Sol em Leão e o Ascendente em Aquário.



PSICOTERAPIA ONLINE


                                                         
Resiliência e superação

Olá pessoal!
Hoje escrevo a vocês, leitores do meu blog, que aliás já está completando 12 anos!
Quero comunicá-los que a partir de agora  todos meus atendimentos serão online, via
Skype e com preços reduzidos.

Todos sabemos que nossa vida mudou e é provável que precisemos de três ou quatro meses
para que tudo possa ir voltando a normalidade. Essa mudança nos impõe novas demandas e
novos desafios para nosso dia adia.
Assim, ofereço aqui meu trabalho como psicoterapeuta, tendo em vista os desafios que muitos
possam estar passando. Esse é um momento de parada e oportuno para uma reflexão a
respeito de nossas crenças, valores e padrões emocionais que certamente podem ser
modificados. Crises são também tempos de decisões e de oportunidades para que o novo
aconteça.

Acredite: todos temos recursos internos que afloram em ciclos de perdas e transição. E uma
 mente positiva já é sempre um bom começo.

Continuarei fazendo meus atendimentos de astrologia, com a leitura do mapa de nascimento e mais os trânsitos e progressões para doze meses.
Colocar a vida em perspectiva é fundamental,  manter uma rotina, assim como criar ou dar
 forma a algum projeto adiado... ou fazer um curso online?

Caso tenham interesse ou precisem de mais informações podem me enviar um e.mail ou fazer contato pelo watzap.
(11) 9.8155.9850



MENSAGEM JEAN-YVES LELOUP

                                                                 

Mensagem de Jean-Yves Leloup

"Nós já fomos às ruas, descemos as ladeiras aos milhares para expressar nossa insatisfação, medos e raivas...

Com o coronavírus e outras "doenças da morte", agora somos obrigados a descer em nós mesmos para integrar e, talvez transformar, nossos medos, nossas raivas e nossa amargura. Isso é chamado de voltar para si mesmo (metanoia).


O face-a-face consigo mesmo e a prática da meditação podem nos ajudar, com uma lucidez que não dá lugar ao desespero, nesta transformação pessoal, social, econômica e cósmica.

_"Toda a desgraça do homem é não poder ficar tranquilo no seu quarto"_, dizia Pascal.
Seria necessário acrescentar: ficar no seu quarto sem ser entretido ou distraído por "paixões tristes".

Seria necessário fazer jejum de todos os alimentos inúteis (materiais, psíquicos e até espirituais) que nos tornam pesados, em vez de nos sustentar e de nos despertar, o que então, só poderia ser benéfico e salutar para a nossa imunidade.

"Não são só os acontecimentos que são ruins ou nos perturbam, mas também os julgamentos, os pensamentos que nós projetamos sobre eles", já dizia o velho Epicteto...

Não se pode mover um broto de erva sem incomodar uma estrela, dizem físicos e poetas. Uma vez que tudo está interligado e interdependente, não são só os vírus que atravessam as fronteiras, *mas também todas as energias e informações de saúde, luz e amor transmitidas por aqueles que praticam meditação, ou outra forma de elevação ou ampliação da matéria, da energia e da consciência*.

Mais do que nunca uma rede intercontinental, invisível e eficaz de consciências é necessária para o futuro possível e feliz do Antropoceno." (JYL)


 RH: Jung disse que "um homem deve ser capaz de dizer que fez o possível para formar uma concepção de vida após a morte, ou criar alguma imagem dela - mesmo que confesse seu fracasso". Durante essa crise, imagino que muitas pessoas estão pensando na morte. Qual é a sua visão da morte e da vida depois?
MS: Minha opinião é que, após a morte, continuamos a existir na forma de um corpo sutil, em um domínio simbólico. Nós nos tornamos símbolos, que são reais nesse domínio e impactam este de certas maneiras. Há alguma interação com o reino material, por exemplo, na forma de sonhos ou visões e eventos sincronísticos.
Deste lado, temos vislumbres e dicas. Desse lado, parece que há algo semelhante. As janelas estão um pouco abertas entre essas duas dimensões. Ambos existem na mesma realidade unificada.
Essa é a sabedoria antiga compartilhada pelos humanos em muitas culturas, antigas e novas. Somente nossa visão de mundo moderna padrão não inclui esse outro aspecto da realidade total. Jung, é claro, conhecia muito bem essa realidade, e é por isso que ele poderia dizer que não acreditava (em Deus), ele sabia - essa é a realidade total que ele experimentou pessoalmente e escreve sobre Memórias, Sonhos, Reflexões e outros textos. Também o experimentaremos se prestarmos atenção aos sonhos e visões e tomarmos nota da sincronicidade, especialmente em torno da morte.
Em tempos como esses em que estamos vivendo agora, as pessoas frequentemente experimentam revelações em seus sonhos que lhes dizem sobre essa realidade, que se estende além desta vida, e não apenas depois, mas além, em um sentido abrangente.
Um grande sonho, como Jung o chama, oferece gnose, conhecimento de um mundo simbólico subjacente, circundante e infundido no que conhecemos no corpo físico e com nossos sentidos. Nós somos mantidos e contidos nesta realidade maior. É por isso que o escritor do Salmo diz o que faz enquanto caminha pelo vale da sombra da morte. Ele sabe que está em mãos seguras.
Minhas opiniões são baseadas nas experiências que tive na minha vida pessoal e nas que passei com analisandos.
RH: Estamos perto do final de março (2020) e o número de pessoas infectadas pelo coronavírus e que morreram em todo o mundo disparou e ainda não atingimos o pior. E, no entanto, cerca de metade do país acha que o Covid 19 é uma farsa. O que há na sombra que convida a negar?
MS: A negação é uma defesa contra pensamentos e sentimentos dolorosos e é um sinal de ansiedade subjacente. A sombra do otimismo é o medo de uma catástrofe iminente. Muitos de nós querem olhar para o lado positivo, ansiosos por crescimento, saúde e prosperidade.
Os americanos são conhecidos por seu otimismo, que pode ser uma força e uma virtude ou uma recusa em reconhecer os aspectos trágicos da vida, que são reprimidos e depois se tornam sombras. A pandemia é um teste da capacidade do ego coletivo de aceitar a realidade e agir em conformidade.
Para meu conhecimento limitado, todos os países do mundo falharam neste teste até agora, com a possível exceção de Taiwan. Eu moro na Suíça, um país famoso por sua boa ordem e eficácia, mas as autoridades aqui não registraram a ameaça do coronavírus, que estava em vista desobstruída do outro lado da fronteira na Itália. Eles demoraram a agir de acordo com o conhecimento disponível; agora, esse "país seguro" tem a maior porcentagem de residentes infectados no mundo. Os Estados Unidos estão à beira de um tsunami de pacientes, desesperadamente inundando os hospitais, e o presidente promete que tudo terminará na Páscoa. Isso é imoral, porque ele e todos ao seu redor sabem que isso é uma garantia falsa.
Mas as pessoas crerão nisso, porque isso representa suas defesas contra a ansiedade avassaladora sobre a sombra da morte pairando sobre a terra. Além disso, a sombra de uma grande depressão aparece e ameaça as bases do bem-estar econômico do país. A negação faz com que a pessoa aja muito pouco e muito tarde. O vírus não hesita em explorar essa fraqueza psicológica.
Arte tibetana ligada ao Bardo Todol
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Murray Stein é graduado na Universidade de Yale (B.A. 1965), na Yale Divinity School (M.Div.1969) e na Universidade de Chicago (Ph.D. 1985). Ele recebeu seu Diploma em Psicologia Analítica do Instituto C.G Jung em Zurique em 1973. Ele teve um consultório particular em Wilmette, Illinois de 1980 a 2003 e foi analista de treinamento no Instituto C.G Jung de Chicago. Desde 2003, ele vive na Suíça e é analista de treinamento e supervisão da Escola Internacional de Psicologia Analítica / Zurique. Atualmente, ele tem um consultório particular em Zurique, na Suíça. Ele é membro fundador da Sociedade Inter-Regional de Analistas Junguianos e da Sociedade de Analistas Junguianos de Chicago e foi o primeiro presidente da Sociedade de Analistas Junguianos de Chicago (1980–1985). ). Ex-presidente da Associação Internacional de Psicologia Analítica (2001-2004) e ex-presidente do ISAP Zurich (2008-2012). Ele é o autor de In MidLife, Tratamento do cristianismo de Jung, Transformação: Emergência do eu, Mapa da alma de Jung, Minding the Self, A Bíblia como sonho e outros livros, e é o editor da Psicanálise junguiana. Murray e sua esposa, Jan, têm três filhos, Hal, Sarah e Christopher e quatro netos.
O Rev. Robert S. Henderson é poeta, psicoterapeuta junguiano e ministro protestante ordenado em Glastonbury, Connecticut. Ele e sua esposa, Janis, psicoterapeuta, são os autores do livro de três volumes, Living with Jung: “Entrevistas” com analistas junguianos. Muitas de suas entrevistas foram publicadas no Quadrante, Spring Journal, Psychological Perspectives, Jung Journal e Harvest. Correspondência: 244 Wood Pond Road, Glastonbury, CT 06033. E-mail: Rob444 @ cox.



                                                                       


RH: O que é Umbra Mundi e o que estamos aprendendo com isso?
MS: Umbra Mundi é companheira do Anima Mundi. Anima Mundi é a alma do mundo, a divina dentro do cosmos material. Umbra Mundi é a sua sombra. Você poderia dizer que é o lado sombrio de Deus, como Jung e muitos de seus alunos escreveram sobre esse tópico desagradável. Por ser arquetípico, infecta todos.
Suas características mais essenciais são invisibilidade, universalidade e numinosidade. Como o Coronavírus se move invisivelmente entre nós, é encontrado em todos os continentes e nos parece impressionante e poderoso, representa a Umbra Mundi. Não sabemos quem o possui ou se nós mesmos. Está em toda parte, em todas as partes do mundo, e instila medo na psique coletiva, que todos sentimos.
Além disso, como Rudolf Otto diz sobre a experiência numinosa, é incrível. A percepção de Umbra Mundi nos faz estremecer. É um mysterium tremendum et fascinans, e nos infecta com um terror misterioso e um senso de vulnerabilidade. Não estamos no controle, e é frio e implacável.
Estamos vivendo o que parece ser um mundo de ficção científica no momento, e o desafio é aceitar isso como uma realidade e não deixar isso de lado e descartá-lo como fantasia. Isso aconteceu tão rápido. A Umbra Mundi invadiu nosso mundo instável sem aviso prévio e silenciosamente, e ameaça desfazer o delicado tecido de nossa vida coletiva em nível global.
O que estamos aprendendo com isso? Isso continua a ser visto. Não tenho dúvidas de que nos foi dada uma oportunidade para uma vasta transformação da consciência em um nível coletivo geral. Muitas pessoas estão falando sobre essa possibilidade. Em um nível mais profundo, pode haver uma transformação em andamento no inconsciente coletivo. Considero essa aparência de Umbra Mundi sincrônica. Foi previsto por astrólogos. É oportuno e temos que descobrir seu significado. Isso surgirá por um longo período de tempo.
Lembre-se de que estamos apenas no começo da Era Aquariana. Jung pensou que levaria 600 anos para que a nova imagem de Deus fosse totalmente vista. Essa passagem pelo vale da sombra da morte é um trânsito e levará tempo. Não estamos acostumados a pensar em uma perspectiva de longo prazo. Queremos uma correção e queremos agora. Talvez a primeira lição a aprender seja a paciência. Uma nova humanidade está nascendo. Suas células cerebrais ainda não foram totalmente formadas e interconectadas. Está apenas rastejando à vista
RH: Como você disse, agora é hora de introversão. Depois de todos os seus anos de trabalho clínico, ensino e estudo, como você entende a introversão?
MS: A introversão é definida por Jung como libido (isto é, interesse, atenção) direcionada ao sujeito e não aos objetos. É auto-reflexão, olhando no espelho. Quando refletimos sobre nossos sentimentos, pensamentos, pressupostos, ou seja, sobre nossa subjetividade, estamos operando no modo introvertido. Quando direcionamos nossa atenção para objetos, pessoas, eventos ao nosso redor, estamos no modo extrovertido. O que o isolamento faz com as pessoas geralmente é levá-las a prestar atenção em como estão reagindo às coisas, como estão se sentindo sobre o que está acontecendo ao seu redor, a tomar consciência do que estão pensando - suas emoções, pensamentos, fantasias - e introvertidos, tornam-se mais conscientes de si mesmos como sujeitos.
No estilo junguiano “trabalho interno”, também usamos o modo de introversão para obter acesso ao inconsciente, que é uma grande parte do mundo interior, de fato a maior parte de longe dos dois domínios, consciência e inconsciente. A consciência do ego é pequena em comparação com o inconsciente. De fato, o inconsciente é incomensurável e inclui dimensões pessoais, culturais e coletivas (isto é, universalmente humanas e talvez até cósmicas).
Refletir sobre nossos sonhos como imagens do inconsciente e não como representações do mundo dos objetos nos leva a considerar os fatores subjacentes à nossa subjetividade consciente, fatores que chamamos de complexos e arquétipos. Também usamos a imaginação ativa para explorar o "mundo interior" da psique.
O benefício da introversão intensa nesse sentido e do uso desses métodos é que podemos estabelecer uma conexão com o mundo interior da psique que é tão forte quanto nossa conexão com o mundo dos objetos que estão disponíveis para os sentidos.
Extroversão leva ao conhecimento do mundo exterior, introversão ao conhecimento do mundo interior. O que tentamos criar é uma equivalência, ou um equilíbrio, entre nossa relação com o mundo interior, por um lado, e o mundo exterior, por outro.
Essa conquista é altamente incomum em nossas culturas basicamente extrovertidas hoje. As pessoas são muito mais treinadas e habituadas a atender o mundo ao redor - usando toda a mídia disponível para nós, especialmente em nossa condição atualmente isolada - e tendem a temer e evitar olhar para dentro de quem e o que são. De fato, essa é uma das causas do pânico que atravessa o mundo hoje, especialmente nas sociedades ocidentais. O mundo interior é o desconhecido e o inexplorado.
Pessoas de culturas asiáticas que cresceram com o budismo são muito mais hábeis em introversão do que a maioria dos ocidentais. A meditação é uma forma de introversão. Ele retira a atenção do mundo exterior e solta pensamentos que tendem nessa direção (ou seja, nossas obsessões e ruminações diárias). O Ocidente está se aproximando, e os centros de meditação são bastante populares hoje em dia.
Outra forma de introversão é a oração. Se alguém ora para um poder invisível como Deus ou os santos, por esse período retira a atenção do mundo sensível dos objetos e o direciona para uma imagem ou presença arquetípica. No trabalho junguiano, incentivamos nossos clientes a trabalhar com suas imagens simbólicas de maneira semelhante - para atendê-los, falar com eles, ouvi-los. A imaginação ativa pode ser comparada à meditação e à oração, embora haja algumas diferenças.
Imagem: Aurora Consurgens Sol e Lua embate