PSICOTERAPIA ONLINE

 Olá pessoal!

Hoje escrevo a vocês, leitores do meu blog, que aliás já está completando 13 anos!

Quero comunicá-los que continuo com meus atendimentos de psicoterapia  online, via Skype e com preços reduzidos.

 Sabemos que nossa vida mudou muito nesse último ano, e ninguém escapou de perdas e frustrações em vários setores; tenho visto  com crises de ansiedade, pânico e tristeza. É provável que precisemos de um novo fôlego para que tudo possa ir voltando a normalidade. Essa mudança nos trouxe novas demandas e novos desafios para nosso dia a dia,  e que nem  sempre  são fáceis de serem superados.

 Assim, ofereço aqui meu trabalho como psicoterapeuta, tendo em vista as aflições ou impasses que muitos possam estar passando. Um momento de parada é oportuno para uma reflexão a respeito de nossas crenças, valores e padrões emocionais, que certamente podem ser modificados. Crises são também tempos de decisões e de oportunidades para que o novo aconteça.

 Acredite: todos temos recursos internos que afloram em ciclos de perdas e transição. E uma mente mais organizada e positiva já é sempre um bom começo.

Continuarei fazendo meus atendimentos de astrologia, com a leitura do mapa de nascimento e mais os trânsitos e progressões para doze meses.

Colocar a vida em perspectiva é fundamental,  manter uma certa rotina,  cuidados com a saúde, assim como criar ou dar forma a algum projeto adiado...

Caso tenham interesse ou precisem de mais informações podem me enviar um e.mail ou fazer contato pelo watzap.

Tereza Kawall

tekav@uol.com.br

(11) 9.8155.9850

Estou também no Facebook na fan Page: Ecos de Urania e JUNG online.


 “Na verdade, as oportunidades de agir de modo apropriado, as potencialidades para realizar um sentido são afetadas pela irreversibilidade das nossas vidas. Mas também as potencialidades isoladamente são afetadas por este fato. Porque tão logo usamos uma oportunidade e realizamos um sentido potencial, isto está feito de uma vez por todas. Já o salvamos para o passado, onde foi entregue e depositado em segurança. No passado, nada fica irremediavelmente perdido, mas, ao contrário, tudo é irreversivelmente estocado e entesourado. Sem duvida, as pessoas tendem a ver somente os campos desnudos da transitoriedade, mas ignoram e esquecem os celeiros repletos do passado, que mantém guardada a colheita das suas vidas; as ações feitas, os amores amados e, não menos importantes, os sofrimentos enfrentados com coragem e dignidade.

A partir disso se pode ver que não há razão para ter pena de pessoas velhas. Em vez disso, as pessoas jovens deveriam invejá-las. É verdade que os velhos já não tem oportunidades nem possibilidades no futuro. Mas eles têm mais do que isso. Em vez de possibilidades no futuro, eles têm realidades no passado - as potencialidades que efetivaram, os sentidos que realizaram, os valores que viveram - e nada nem ninguém pode remover jamais seu patrimônio do passado.

Em vista da possibilidade encontrar sentido no sofrimento, o sentido da vida passa a ser algo incondicional - ao menos potencialmente. Esse sentido incondicional, no entanto, encontra paralelo no valor incondicional que cada pessoa, sem exceção, possui. E é isto que garante o fato indelével da dignidade humana"

Viktor E. Frankl em: “Em busca de sentido”,
Coleção Logoterapia,  pag 127, Editora Vozes,

INICIAÇÃO E RESILIÊNCIA

 A AUTO-INICIAÇÃO - TEXTO DE HUBERTO ROHDEN


ESCRITO NOS ANOS 70.

"Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados.
Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru.
Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.
Só existe auto-iniciação.
O homem só pode ser iniciado por si mesmo.
O que o mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode auto-iniciar; pode colocar setas ao longo do caminho setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre Si mesmo.
Isto pode e deve o mestre fazer - suposto que ele mesmo seja um auto-iniciado.
Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao
menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos
o caminho da iniciação, o que ele chama o "Reino dos Céus", mas não
iniciou nenhum dos seus discípulos.
Eles mesmos se auto-iniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã - como diz Lucas nos Atos dos Apóstolos.
Mas esta grandiosa auto-iniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se auto-iniciaram, sem nenhum mestre externo só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio EU divino, da sua alma do seu Cristo Interno.
E esta auto-iniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda pessoa.
Mas acima de tudo, o que quer dizer Iniciação?
Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.
O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente.
O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente com as suas emoções.
E nesta Ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isso não pode entrar na auto- realização.
O que deve um homem profano fazer para se auto-iniciar?
Para sair do mundo da ilusão sobre SI mesmo e entrar no mundo da verdade?
Deve fazer o que fez o primeiro grupo de auto-iniciados, no ano 33, em
Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar.
O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo.
Ele já encerrou as contas com o mundo.
Pode dar tudo sem perder nada.
O auto-iniciado é um místico não um místico de isolamento solitário,
mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.
Onde há plenitude, aí há um transbordamento.
O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela auto-realização
transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira.
Esta lei cósmica funciona infalivelmente.
Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo.
Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e suficiente ser bom, ser realizado e plenificado do seu EU central, conscientizar e vivenciar de acordo com o seu EU central, com o seu Cristo Interno.
A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.
Para ter laranjas - laranjas verdadeiras - não é necessário fabricá-Ias. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar a laranjeira como fazer laranjas, ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos.
Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira.
Mais importante que todos o fazer é o ser.
Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo.
Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si
mesmo. Que quer dizer ser bom?
Ser bom não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho.
Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.
Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude.
O nosso fazer bem vale tanto quanto nosso ser bom.
O ser bom é autoconhecimento e auto-realização.
Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.
Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes
vacuidades; são como bolhas de sabão - belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro.
1 % de ser bom realiza mais do que 100 % de fazer bem. Auto-iniciação é essencialmente uma questão de ser e não de fazer.
Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão.
O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.
Todo auto-iniciado consiste nesse ingredir e nesse egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.
Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação depois se auto-iniciaram.
Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções, saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora:
"Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai... o Reino dos Céus está dentro de mim. "
E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões.
Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda injustiça, de toda desonestidade, de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico do velho ego.
O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu EU verdadeiro.
O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do "Reino dos Céus".
Começa a vida eterna em plena vida terrestre.
Não espera um céu para depois da morte, vive no céu da verdade, aqui e agora - e para sempre.
Isto é auto-iniciação. Isto é autoconhecimento.
Isto é auto-realização.
Não há evolução sem resistência.
Tudo o que é fácil não é garantido; toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência.
Estagnar é fácil. Descer é facílimo.
Subir é difícil. Toda evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação."
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   TEREZA KAWALL

 No céu planetário temos hoje o especial alinhamento de Júpiter e Saturno no céu. Muito já se falou sobre esse encontro cósmico de primeira grandeza, que pode ser visto de muitas maneiras, pois o simbolismo astrológico é vasto como o próprio céu.

O que chamamos de estrela de Belém se refere à estrela que foi guia para que os Reis Magos encontrassem o menino Jesus. Segundo as tradições, há aproximadamente 2.000 anos atrás, havia no céu uma conjunção de Saturno e Júpiter, e essa junção proporcionou um brilho maior, sendo chamada como a estrela de Belém.
Poderíamos pensar que nesse nesse novo ciclo podem haver nascimentos de pessoas especiais, e que trarão contribuições significativas para a humanidade no futuro.

Aquário é a arquétipo de futuro, da visão do amanhã, do conhecimento compartilhado, da tecnologia, das inovações da ciência. A democratização do conhecimento é hoje a evidência de que já começamos a tal Era de Aquário, ou seja os primeiros passos de um ciclo que vai durar mais de 2000 anos!
Aquario é o signo os outsiders, visionários que vivem fora da casinha, que tudo questionam e não seguem os parâmetros convencionais da sociedade. O pioneirismo, o radicalismo e a busca pela autonomia das próprias idéias faz parte desse mundo aquariano.
Júpiter é um princípio de expansão e crescimento; Saturno, por sua vez é o símbolo das restrições, limites e responsabilidade. Como Cronos, é o deus do tempo que avisa: que tudo tem um começo, meio e fim.
Os novos conhecimentos que estão por chegar não deverão prescindir da ética e da responsabilidade.
Os valores humanos terão quer ser preservados, paralelamente aos avanços da ciência de da tecnologia.

Seremos seres robóticos ou seremos seres livres?
O tal do progresso pode seguir em frente sem a degradação ambiental?
Nossa hubrys civilizatória é ecológica, existencial e espiritual, e exigirá de todos muito mas consciência em relação ao próximo e à natureza, Gaia, nossa Mãe Terra.
Saturno nos ensina a sabedoria de bem usar o conhecimento, que é um atributo jupiteriano.
Saberemos estabelecer a medida certa entre avançar e saber os nossos limites?
A ganância de poder e dinheiro de poucos seguirá se sobrepondo às injustiças da desigualdade social crescente dos nossos dias?

Esse novo ciclo traz muitas esperanças por um lado e muitas perguntas que merecem respostas em forma de ação e coragem.
O início de um ciclo pressupõe o fim de outro; estamos nesse limiar, onde a escuridão se mostra de diferentes formas, e os véus se levantam diuturnamente.
Muitas revelações seguirão para que esse " despertar" aquariano" possa surgir. A luz do amanhecer também surge lentamente.

Tenhamos fé e esperança, que são, sem dúvida, nossas melhores amigas desta árdua caminhada.
E trabalhemos com convicção para que um mundo melhor surja de verdade.
Assim na Terra como Céu!
Tereza Kawall



 O Almanaque do Pensamento é uma publicação anual da Editora Pensamento e já está em sua 109º edição.

O primeiro foi publicado em 1912, e é um sucesso desde então. Ele atende a um público bastante diversificado, curioso do conhecimento astrológico.
Nele, os leitores podem saber as melhores fases para a agricultura relacionadas às fases da Lua; os calendários agrícolas são usados desde tempos remotos.
Encontrarão também as datas e horários corretos para a entrada das quatro estações do ano, as fases da Lua, os eclipses anuais do Sol e da Lua, horóscopo chinês.
Além disso, poderão saber as orientações astrológicas, que são previsões anuais para cada um  dos doze signos. 
O Almanaque traz também as previsões relacionadas aos eventos sociais, políticos e econômicos do Brasil.
Nesse ano teremos a regência astrológica do planeta Vênus, associado ao amor, beleza e artes em geral. 
Você sabia que Vênus tem doze diferentes maneiras de se expressar, pois pode estar em dos doze signos zodiacais?
Sem dúvida, o Almanaque é um bom companheiro para o seu dia a dia!
Acesse: www.grupopensamento.com.br

Bom proveito!
O Nascimento de Vênus, de Boticelli ( detalhe).



GRATIDÃO

                                                             


A NECESSIDADE DE AGRADECER


"Uma das técnicas de mudança mais eficazes é conseguir agradecer por tudo.
Esta gratidão, no caso de experiências negativas, é uma espécie de conciliação com o que “É”, para que nossa vibração possa mudar e, conseqüentemente, atrair o desejado.
O semelhante atrai o semelhante.
Assim, se nossos pensamentos e sentimentos estão mergulhados em tristeza ou raiva ou desapontamento, atrairemos mais disto, mesmo achando que queremos de fato alegria, serenidade e realização.
Agradecer pela vida é o primeiro passo, mesmo sendo um dos mais complexos de serem atingidos, uma vez que sempre temos experiências negativas, como agradecer por elas? Como agradecer por uma doença?
Como agradecer à alguém que nos fez ou faz mal?
Por vezes fingimos com palavras, mas no sentimento mais íntimo sempre conhecemos a verdade.
Algumas pessoas acrescentam luz à nossa luz, alegria à nossa alegria, aprovação à nossa auto-aprovação, enfim são aquelas pessoas ou situações harmônicas e desejadas que todos experimentamos na vida.
Experimentamos também pessoas que, de alguma forma, são o que não queremos ser, seguem caminhos que não queremos seguir, perseguem metas que não queremos ter, têm princípios divergentes dos nossos e podem nos causar dor, decepção etc.
À estes agradecemos também, pois a utilidade de tudo que sinaliza o que não nos faz bem e nos ajuda a escolher outros caminhos tem valor inestimável.
Estas pessoas e acontecimentos fazem o papel do sinal vermelho ou de placas que nos obrigam a desviar para a esquerda ou a direita.
A forma positiva de encarar situações ou pessoas consideradas negativas é vê-las como sinalizadores do que não queremos.
A dor e o sofrimento sempre indicam que de alguma forma estamos nos distanciando de nosso ser interno de nossos profundos desejos.
A gratidão é uma espécie de perdão no caso de experiências negativas e ao mesmo tempo que libertamos o outro, libertamos a nós mesmos.
Eu sou a única responsável por tudo que atraio para minha vida é uma das chaves para conseguirmos parar de responsabilizar os demais minando assim nosso poder interno."


(Corina Dohm Carvalho)

"A missão do Criando a Realidade é fornecer instrumentos, seja pela leitura dos artigos ou pelo trabalho terapêutico, que possibilitem a todos perceber seu direito inato à felicidade, ao poder pessoal e a auto-realização.
Buscamos contribuir para a percepção de que nossos pensamentos e sentimentos produzem uma qualidade vibratória com a qual atraímos tudo que nos acontece e os meios de criar uma vibração condizente com o que realmente desejamos.
Enfim pretendemos unir nossa voz a de todos aqueles que hoje trabalham para tirar a humanidade do torpor produzido pelos condicionamentos e por falsas crenças que nos colocou na situação de suplicantes, impotentes, medrosos e sofredores, supostas vítimas de tudo e de todos.
Nossa voz se une a de todos os que hoje nos mostram que somos Consciência pura fazendo uma experiência e não pecadores que precisam esforçar-se para serem novamente aceitos em outros patamares.
A era da exaltação do sofrimento (ora explicado pelo karma, ora por pecados originais ou não) como caminho terminou.
Apenas pela Alegria, pela felicidade se é Um com a Fonte."


(Corina DohmCarvalho)
http://criandoarealidade.com.br/

Arte: Alex Grey

 

LAPIS, A PEDRA FILOSOFAL


 “ Quando era escolar, Jung gostava de brincar ao ar livre, Ao lado dos muros do jardim da casa de sues pais havia um declive em que estava incrustada uma pedra, “ a minha pedra” como ele a chamava.

“ Era freqüente, quando estava sozinho, que eu me sentasse nessa pedra e começasse uma brincadeira imaginária mais ou menos assim: “ Estou em cima dessa pedra e ela está embaixo de mim. Mas e pedra poderia também podia dizer “eu” e pensar: “estou aqui nesse declive, e eles está sentado em cima de mim” Vinha então a questão: “ Eu é que estou sentado em cima da pedra ou eu sou a pedra sobre a qual ele está sentado?” essa pergunta sempre me deixou perplexo e eu me levantava, a imaginar quem era o que naquele momento”.          

... Quando Jung, que era um pedreiro habilidoso, trabalhava num anexo de sua casa de pedra no lago superior, um operário levou-lhe uma pedra angular cúbica que fora medida incorretamente e não podia ser usada na construção – “ a pedra rejeitada pelos construtores”. Ele percebeu de imediato que aquela era a pedra que ele deveria transformar numa lembrança da lapis. Na parte anterior, ele gravou um círculo e, nele, um kabir, o Telésforo ou Asclépio, com uma lanterna na mão; em torno dele, gravou em grego a inscrição:

“ O tempo é uma criança – brincando como uma criança-  sobre um tabuleiro de xadrez, o reino da criança. Eis Telésforo, que vaga pelas regiões sombrias desse cosmos e que brilha qual estrela erguendo-se das profundezas. Indica o caminho dos porões do sol e da terra dos sonhos”

E, nos outros dois lados visíveis da pedra, Jung gravou dizeres alquímicos a respeito da pedra filosofal. Um deles diz o seguinte:

“ Sou uma órfã, sozinha; mesmo assim, estou em toda parte. Sou uma, mas oposta e mim mesma. Sou ao mesmo tempo jovem e velha. Não conheci pai nem mãe, porque devem ter me arrancado das profundezas como um peixe, ou caí do céu, como uma pedra branca. Vagueio pelas florestas e montanhas, mas estou escondida no mais recôndito do homem. Para cada um sou mortal e, no entanto, a sucessão dos tempos não me atinge”.

Nessa pedra, Jung erigiu um memorial para sua torre no lago superior e para seu real ocupante, o Self, bem como para aquela vida misteriosa que ele deu o nome de inconsciente, de que de fato tão pouco se compreendeu até agora.

Texto de Marie-Louise von Franz, em C.G.Jung- seu mito em nossa época, Editora Cultrix.

SORRIA PARA O MEDO

                                                                            
 Alguns trechos do livro de autoria de Chogyan Trungpa

“Em sua vida pessoal você poder ser o soberano. Na sociedade do guerreiro, você é parte integrante de todo o mandala.

No processo de fazer surgir o cavalo de vento, o passo seguinte é contemplar o Sol do Grande Leste. Assumir nosso lugar no mundo produz um efeito quase físico. Uma grande quantidade de energia é gerada, e você começa a sentir que praticamente é o Sol do Grande Leste. Você tem uma sensação de brilho e resplendor. É uma experiência próxima ao sublime. Pode ser longa ou levar um instante. Ao sentir isso, você deve apenas tocá-la. Tocar a energia, não entregar-se a e ela nem exagerá-la. Apenas tocar”.

“O que estamos invocando é um cavalo de vento, que é um tipo especial de cavalo. Cavalos são animais maravilhosos. Qualquer escultura de um cavalo é um símbolo sagrado. Os cavalos representam os sonhos selvagens sobre os quais os seres humanos gostariam de ter domínio. O desejo de capturar um animal selvagem ou de capturar o vento, uma nuvem, o céu – tudo isso é representado pela imagem do cavalo. Se você deseja passear pelas montanhas ou dançar com as cachoeiras, tudo isso está incorporado no simbolismo do cavalo. O físico do cavalo – pescoço, orelhas, cara dorso, músculos, cascos, rabo- é a imagem idealizada de algo romântico, algo cheio de energia, algo selvagem que gostaríamos de dominar. Aqui, o cavalo é usado como analogia para essa energia e todos esses sonhos”.

“ Na tradição de Shambhala, choramos muito porque nossos corações são muito delicados. E lutamos contra o sol poente porque sentimos que a bondade fundamental merece que se lute por ela, por assim dizer. Nossos obstáculos podem ser vencidos. Por isso, devemos chorar e lutar, sabendo que o choro do guerreiro é um tipo diferente de choro e que a batalha é um tipo diferente de batalha”.

“ A dor gera o caos, o medo e o ressentimento, e temos que superar isso. É uma lógica bem simples. Quando conseguimos superar o medo, descobrimos a alegria intrínseca, e passamos a ter menos ressentimento em relação ao mundo e a nós mesmos. Ao estar aqui de modo natural, temos menos ressentimento. Quando ficamos ressentidos, transportamo-nos para outro lugar, porque estamos preocupados com outra coisa. Ser um guerreiro é estar simplesmente aqui sem distração nem preocupação. E quando estamos aqui, ficamos alegres. Podemos sorrir para nosso medo.

Assim, a coragem não é o simples resultado de superar ou dominar o medo. Para o guerreiro, a coragem é um estado de ser positivo. É pleno de prazer, alegria e brilho nos olhos”

“Como um guerreiro sem agressividade, você é destemido e bom. Basicamente, você é incapaz de cometer um erro, então por favor,  alegre-se. Mesmo na maior escuridão de uma época de trevas, sempre há luz. Essa luz vem com um sorriso, o sorriso de Shambhala, o sorriso da coragem, o sorriso de perceber o melhor do melhor do potencial humano. Todos os ensinamentos, o próprio sangue do coração de Shambhala são seus. Todos nós fazemos parte da mesma família humana. Vamos sorrir e chorar juntos”.

Livro: Sorria para o medo- o despertar do coração autêntico da coragem

Autor: Chogyam Trungpa

Editoria Gryphus, 2013, Rio de Janeiro

James Hillman: Curar a Sombra


James Hillman
 

"A cura da sombra é, por um lado, uma questão moral — ou seja, o reconhecimento daquilo que reprimimos, o modo como efetuamos essas repressões, a maneira como racionalizamos e enganamos a nós mesmos, a espécie de objetivos que temos e as coisas que ferimos (ou até mesmo mutilamos) em nome desses objetivos. Por outro lado, a cura da sombra é uma questão de amor.


Até onde poderia o nosso amor estender-se às partes quebradas e arruinadas de nós mesmos, às nossas partes repulsivas e perversas? Quanta caridade e compaixão sentimos pelas nossas próprias fraquezas e doenças? Como poderíamos construir uma sociedade interior baseada no princípio do amor, reservando um lugar para todos? E uso a expressão "cura da sombra" para enfatizar a importância do amor.

Se nos aproximamos de nós mesmos para nos curar e colocamos o "eu" no centro, isso com muita frequência degenera no objetivo de curar o ego — ficar mais forte, tornar-se melhor e crescer de acordo com os objetivos do ego, que em geral são cópias mecânicas dos objetivos da sociedade. 

Mas quando nos aproximamos de nós mesmos para curar essas firmes e intratáveis fraquezas congênitas de obstinação, cegueira, mesquinhez, crueldade, impostura e ostentação, defrontamo-nos com a necessidade de todo um novo modo de ser; nele, o ego precisa servir, ouvir e cooperar com um exército de desagradáveis figuras da sombra e descobrir a capacidade de amar até mesmo o mais insignificante desses traços.
.
Amar a si mesmo não é fácil, pois significa amar todas as partes de si mesmo — incluindo a sombra, na qual somos tão inferiores e tão inaceitáveis socialmente. Os cuidados que dedicamos a essa parte humilhante são também a cura. Amar a sombra pode começar com o trazê-la consigo, mas isso ainda não é suficiente. A qualquer momento pode irromper alguma outra coisa qualquer, como aquela introspecção que escarnece do paradoxo da nossa própria loucura — a loucura comum a todos os homens.
.
E então talvez nos chegue a alegre aceitação do rejeitado e do inferior, um acompanhá-lo e até mesmo vivê-lo parcial.
Esse amor talvez leve até mesmo a uma identificação com a sombra, a uma passagem ao ato da sombra, caindo no seu fascínio. Portanto, a dimensão moral nunca deve ser abandonada.
 E assim a cura é um paradoxo que exige dois fatores incomensuráveis: primeiro, o reconhecimento moral de que essas partes de mim são opressivas e intoleráveis, e precisam mudar; e segundo, a risonha aceitação amorosa que as aceita exatamente como elas são, com alegria e para sempre.”  

"Ao encontro da Sombra"
Organizadores: Connie Zweig e Jeremiah Abrams
Editora Cultrix, 2001


EQUINÓCIO DA PRIMAVERA


 Dia 22 de setembro 2020

Hoje, 10h e 32m m, teremos o equinócio de Libra e o início da primavera. Gostamos de festejar essa data pois sempre há um quê de esperança por renovação em nossa vidas.
Como viveríamos sem esperanças?

Há um mito muito expressivo sobre Demeter e Peséfone, mãe filha na mitologia grega, que nos fala das estações do ano, e da semente que precisa morrer antes de germinar.
Nos conta da dolorosa separação entre as duas, da terra que se tornou seca e estéril como consequência desse sofrimento.

A falta de alimentos para a humanidade foi o estopim para que houvesse um grande acordo entre os deuses: Zeus, o pai de Perséfone, Hades, o seu marido e a sua mãe, que ameaçou os homens com a fome irrestrita.

Ao final, acertaram que Perséfone ficaria seis meses com seu marido nos mundos subterrâneos ( como semente) e seis meses com sua mãe, no período das colheitas dos grãos, dos frutos e florações, ou seja, na primavera e no verão.

Nessa imagem vemos Mercúrio, o mensageiros dos deuses, trazendo Perséfone dos mundos subterrâneos e entregando à sua mãe.

Arte: O retorno de Perséfone
Frederic Leigton, 1891.