Teilhard  de Chardin

A religião não é apenas uma, são centenas.

A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência..
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em nosso Interior durante a vida.
"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual... Somos seres espirituais passando por uma experiência humana..."

~ Pierre Teilhard de Chardin


 

Por Chögyam Trungpa

O caminho espiritual não é divertido – é melhor nem começá-lo. Mas, se precisarmos fazê-lo, então sigamos até o fim porque, se começarmos e desistirmos, o trabalho inacabado e deixado para trás mos perseguirá o tempo todo. Esse caminho, tal como Suzuki Roshi menciona em Zen Mind, Beginner´s Mind. É como embarcar num trem do qual não podemos saltar; nele, a viagem nunca termina. As escrituras mahayana comparam o juramento do bodhisattva aceitando o caminho, ao ato de plantar uma árvore. Ou seja, entrar no caminho implica contínuo crescimento, o que pode ser tremendamente doloroso pois, às vezes, tentamos sair dele.

 Na verdade, não desejamos nos envolver totalmente; o caminho toca de perto o coração, e não estamos preparados para confiar no coração. Nossas vivências tornam-se penetrantes, nuas, evidentes demais. Então, tentamos escapar, mas nosso afastamento cria sofrimento que, por sua vez, nos estimula a prosseguir no caminho. Portanto nossos reveses e sofrimento fazem parte do processo criativo do caminho.

A continuidade  do caminho está expressa nas idéias do tantra da base, do tantra do caminho e do tantra do usufruir. O tantra da base é o reconhecimento da potencialidade que existe dentro de nós, que somos parte da natureza búdica pois, de outra forma, não seríamos capazes de valorizar os ensinamentos. Ele reconhece a validade de nosso ponto de partida, reconhece a nossa confusão e a nossa dor. Nosso sofrimento é verdadeiro, inteligente. O tantra do caminho implica o desenvolvimento de uma atitude de riqueza e generosidade. A confusão e a dor são olhadas como fontes de inspiração, como recursos valiosos. 

Além do mais, reconhecemos que somos inteligentes e corajosos, que estamos aptos para ficarmos fundamentalmente sós. Estamos propensos a fazer uma operação sem a ajuda de anestésicos, expondo-nos continuamente, desmascarando-nos e ab rindo-nos cada vez mais. Estamos dispostos a ser uma pessoa só uma pessoa solitária, decidida a abandonar a companhia da nossa sombra, do comentarista que nos acompanha vinte e quatro horas seguidas por dia- o observador.

Do livro:

O mito da Liberdade e o caminho da meditação

Editora Cultrix

Arquétipo do Herói e o SELF

                                                                     
 "O herói é, consequentemente, o restaurador da situação sadia, consciente. Ele é um ego que restabelece o funcionamento normal e sadio de uma situação, onde todos os egos da tribo ou nação estão desviando-se do padrão básico e instintivo da totalidade. Pode-se dizer, então, que o herói é uma figura arquetípica que representa um modelo de ego funcionando de acordo com o SELF.

Sendo um produto da psique inconsciente, ele é um modelo que deve ser observado, pois demonstra o ego funcionando corretamente, ou seja, um ego que funciona de acordo com as solicitações do SELF. Assim sendo, de certa forma, o herói parece ser o próprio SELF, pois ele serve de instrumento do SELF e realiza completamente tudo o que o SELF quer que aconteça.

Dessa forma, ele é também o SELF, pois expressa ou encarna as tendências salvadoras que ele tem. Então, o herói tem esse estranho duplo caráter. Isso é captado de maneira mais simples e ingênua pelos sentimentos. Quando se ouve um mito heroico, pode haver identificação com o herói e ser-se contaminado pelo humor do herói.

Digamos, por exemplo, que uma tribo esquimó está prestes a morrer de inanição: os resultados das caçadas têm sido ruins. Sabe-se que os primitivos muito facilmente desistem, abandonam a luta e morrem por falta de coragem, antes mesmo que isso seja física ou psicologicamente necessário. Então, surge um contador de histórias e conta que fulano teve contato com espíritos e que através disso salvou sua tribo da inanição etc. e tal. Isto pode colocá-los de pé, outra vez, simplesmente através do emocional.

O ego adota uma atitude heroica, corajosa e cheia de esperanças, que salva a situação coletiva. Isto é a razão por que as histórias de heróis constituem uma necessidade vital em condições difíceis da vida. Se você retoma o seu mito-heroico, então você pode viver. Ele dá as razões de se viver e ao mesmo tempo restaura a coragem".

Marie-Louise von Franz em " A interpretação dos contos de Fadas".

Escultura de Hércules, herói que matou o leão de Neméia, e arrancou a sua pele para cobrir-se com ela, e assim tornar-se forte e invulnerável como um leão.

PESSOAS ESPIRITUALISTAS

                                                                

PESSOAS ESPIRITUALISTAS - Wagner Borges

As pessoas espiritualistas estão no mundo, mas não pertencem a ele.
Externamente são pessoas comuns, internamente são discípulos da luz espiritual.
Têm uma missão singular na existência: viver e espalhar o conhecimento espiritual na Terra.
Possuem as mesmas qualidades e os mesmos defeitos da maioria dos homens.
No entanto, possuem uma condição especial que a maioria da humanidade ainda não tem: a sensibilidade de perceber vibrações espirituais.
São pessoas comuns, como todas, mas têm um trabalho especial a fazer.
Podem padecer de enfermidades e também enfrentam problemas pessoais, como pessoas comuns.
Contudo, há seres de luz vibrando energias sutis por elas e sustentando-as continuamente, mesmo quando tudo parece perdido.
Canalizam o amor que vem do mais Alto e, por isso, quando falam, elevam o pensamento de quem as ouve com atenção. Elevam o sentimento de quem as percebe interiormente.
Elevam o padrão energético do ambiente em que se manifestam.
São portadores da luz e, portanto, condutores de almas para o Bem Maior.
Porém, como acontece a todos os seres humanos, também são açoitados por pensamentos negativos, sentimentos discordantes e energias perniciosas.
Além disso, podem ser assediadas por rajadas energéticas das trevas ou pelas pedradas da incompreensão dos outros a respeito do trabalho espiritual que abraçaram.
Não lhes falece, porém, o auxílio do Alto, que a todo instante lhes remete energias superiores e inspirações beneficentes.
Por isso, os mentores espirituais sempre aconselham aos trabalhadores espiritualistas: discernimento, modéstia e compaixão, não só no trabalho espiritual, mas também nas coisas mais comuns da vida. Há um trabalho a ser feito e só os mais fortes e amorosos conseguem vencer as barreiras humanas e astrais que são levantadas contra o esclarecimento espiritual.
Que cada espiritualista se conscientize de que:
* O pensamento é força a ser educada;
* O sentimento é o ouro da consciência;
* A energia sadia é fruto do autodomínio sobre si mesmo.
> por Wagner Borges > do livro "Viagem Espiritual III
Eliane Scherb, Mary Alva e 1 outra pessoa

Sexta feira da Paixão de Cristo

Por Tereza Kawall

E foi essa sua missão suprema

Nos ensinar, através de sua trágica morte

A extensão do amor incondicional pelos homens

Tão bem representado por por sua Mãe Maria.

Que sua dor, com significados inúmeros

Possa confortar aqueles que ainda sofrem

Com a imensa ignorância e ganância dos maus.

Mais do que nunca precisamos de fé e alento

Pois nossa humanidade foi humilhada

E está ferida.

Mas Ele ressuscitou

E seu infinito Amor por nós e entre nós

Continuará pulsando nos bons corações.

Assim seja!

2021 ANO DE VÊNUS: AMOR E RELACIONAMENTOS

 Na Astrologia tradicional, as horas e os dias da semana estão sob a regência de algum dos sete planetas zodiacais.

 Isso vale também para o ano astrológico, que tem início no dia 20 ou 21 de março, e que equivale a entrada do Sol no signo de Áries Nessa data temos  também o equinócio da primavera no hemisfério norte e do outono no outono no hemisfério sul .

Esse ano de 2021 estará simbolicamente sob a regência de Vênus, divindade grega que preside o amor, a magia dos relacionamentos e das paixões, as artes, a beleza, a estética, a criatividade. Está associado também ao diplomacia, cooperação e a boa vontade entre os homens de boa vontade.

Eu, Tereza Kawall e a querida Lilian Gouvea, terapeuta integrativa vamos esperamos vocês para esse encontro do dia 10 de março, às 17 no canal dela

youtube.com/c/MétodoCOHERESSENCEbyLiliaGouvea

Esperamos vocês para uma conversa a respeito desse tema que todos tem curiosidade e é  tão importante em nosso dia a dia!!



 

"Espiritualidade é um termo carregado de significado. Etimologicamente esse conceito está ligado ao termo latino "spiritus= espírito" e significa " cheio de espírito" ou"inspirado/animado" - como orientação ou práxis vital intelectual-espiritual.

A espiritualidade se refere a todas as formas de religiosidade, independentemente de confissões e igreja, e é tida hoje como o conceito superior que abrange uma pluralidade de fenômenos religiosos. Sínteses e associações novas, orientais e ocidentais, surgem em muitos lugares. 

Para Raimon Panikar, a palavra "espiritualidade" é uma reação branda `calcificação das religiões. No extremo oposto de uma espiritualidade ou então religiosidade modificada e aberta para o mundo, observa-se o enrijecimento das aspirações fundamentalistas, como expressão de uma resistência a mudanças e inovações motivadas pelo medo.

A espiritualidade  abarca as religiões e independe das tradições, remetendo, desse modo, às dimensões profundas da experiência que não são perceptíveis em muitas formas de religião.

Afirma Willigis Jäger, mestre zen e monge beneditino: " A religiosidade é um traço básico da nossa natureza humana. Trata-se de tendência profundamente enraizada em nós de abrir-nos para a totalidade e a unidade. Compartilhamos essa tendência com todos os seres vivos, pois ela é força motriz da evolução. Até agora ela se manifestou nas multiformes religiões do mundo, pois fora das religiões durante milênios não houve separação entre religião e espiritualidade. Agora, porém, presenciamos como essa força religiosa está se desvinculando das religiões tradicionais, Encontro cada vez mais pessoas que são religiosas, sem confessar o credo de nenhum religião. Identifico nisso um vestígio da evolução progressiva da consciência".

As experiências espirituais põem as pessoas em contato com âmbitos situados além da consciência cotidiana. Jung fala às vezes do " transcendente-empírico". O próprio Jung precisou lutar por muitos anos  com a religião e imagens de Deus como forças eficazes. Testemunha dessa luta é também o assim chamado Livro Vermelho, o documento de um autoexperimento especial de Jung e de suas explorações do inconsciente.

A transcendência da psique permite experimentar outra "realidade por trás da realidade'. Jung se interessou por demonstrar isso reiteradamente. Trata-se do conhecimento de que tudo - o mundo físico e psíquico, corpo e espírito, o que pode ser apreendido e percebido com os sentidos e o mundo invisível do inconsciente - faz parte de uma totalidade indivisível perfazendo um campo de realidade una, chamada por Jung de unus mundus.

Como mostra o conjunto de sua obra, Jung ocupou-se durante toda a sua vida com questões espirituais, transculturais e transpessoais, Ele diz em sua autobiografia:

"Constato que todos os meus pensamentos giram em torno de Deus como os planetas giram em torno do sol, e como estes, são atraídos irresistivelmente para Ele como um sol. Eu sentiria como o maior pecador se tivesse que oferecer resistência esse poder'. E ele confessa: ' A natureza, a alma e a vida se manifestam a mim como divindade revelada"

Desenho de Jung no Livro Vermelho.

Livro: C.J.Jung -" Espiritualidade e transcendência" De Brigitte Viorst, editora Vozes.

PSICOTERAPIA ONLINE

 Olá pessoal!

Hoje escrevo a vocês, leitores do meu blog, que aliás já está completando 13 anos!

Quero comunicá-los que continuo com meus atendimentos de psicoterapia  online, via Skype e com preços reduzidos.

 Sabemos que nossa vida mudou muito nesse último ano, e ninguém escapou de perdas e frustrações em vários setores; tenho visto  com crises de ansiedade, pânico e tristeza. É provável que precisemos de um novo fôlego para que tudo possa ir voltando a normalidade. Essa mudança nos trouxe novas demandas e novos desafios para nosso dia a dia,  e que nem  sempre  são fáceis de serem superados.

 Assim, ofereço aqui meu trabalho como psicoterapeuta, tendo em vista as aflições ou impasses que muitos possam estar passando. Um momento de parada é oportuno para uma reflexão a respeito de nossas crenças, valores e padrões emocionais, que certamente podem ser modificados. Crises são também tempos de decisões e de oportunidades para que o novo aconteça.

 Acredite: todos temos recursos internos que afloram em ciclos de perdas e transição. E uma mente mais organizada e positiva já é sempre um bom começo.

Continuarei fazendo meus atendimentos de astrologia, com a leitura do mapa de nascimento e mais os trânsitos e progressões para doze meses.

Colocar a vida em perspectiva é fundamental,  manter uma certa rotina,  cuidados com a saúde, assim como criar ou dar forma a algum projeto adiado...

Caso tenham interesse ou precisem de mais informações podem me enviar um e.mail ou fazer contato pelo watzap.

Tereza Kawall

tekav@uol.com.br

(11) 9.8155.9850

Estou também no Facebook na fan Page: Ecos de Urania e JUNG online.


 “Na verdade, as oportunidades de agir de modo apropriado, as potencialidades para realizar um sentido são afetadas pela irreversibilidade das nossas vidas. Mas também as potencialidades isoladamente são afetadas por este fato. Porque tão logo usamos uma oportunidade e realizamos um sentido potencial, isto está feito de uma vez por todas. Já o salvamos para o passado, onde foi entregue e depositado em segurança. No passado, nada fica irremediavelmente perdido, mas, ao contrário, tudo é irreversivelmente estocado e entesourado. Sem duvida, as pessoas tendem a ver somente os campos desnudos da transitoriedade, mas ignoram e esquecem os celeiros repletos do passado, que mantém guardada a colheita das suas vidas; as ações feitas, os amores amados e, não menos importantes, os sofrimentos enfrentados com coragem e dignidade.

A partir disso se pode ver que não há razão para ter pena de pessoas velhas. Em vez disso, as pessoas jovens deveriam invejá-las. É verdade que os velhos já não tem oportunidades nem possibilidades no futuro. Mas eles têm mais do que isso. Em vez de possibilidades no futuro, eles têm realidades no passado - as potencialidades que efetivaram, os sentidos que realizaram, os valores que viveram - e nada nem ninguém pode remover jamais seu patrimônio do passado.

Em vista da possibilidade encontrar sentido no sofrimento, o sentido da vida passa a ser algo incondicional - ao menos potencialmente. Esse sentido incondicional, no entanto, encontra paralelo no valor incondicional que cada pessoa, sem exceção, possui. E é isto que garante o fato indelével da dignidade humana"

Viktor E. Frankl em: “Em busca de sentido”,
Coleção Logoterapia,  pag 127, Editora Vozes,

INICIAÇÃO E RESILIÊNCIA

 A AUTO-INICIAÇÃO - TEXTO DE HUBERTO ROHDEN


ESCRITO NOS ANOS 70.

"Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados.
Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru.
Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.
Só existe auto-iniciação.
O homem só pode ser iniciado por si mesmo.
O que o mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode auto-iniciar; pode colocar setas ao longo do caminho setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre Si mesmo.
Isto pode e deve o mestre fazer - suposto que ele mesmo seja um auto-iniciado.
Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao
menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos
o caminho da iniciação, o que ele chama o "Reino dos Céus", mas não
iniciou nenhum dos seus discípulos.
Eles mesmos se auto-iniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã - como diz Lucas nos Atos dos Apóstolos.
Mas esta grandiosa auto-iniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se auto-iniciaram, sem nenhum mestre externo só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio EU divino, da sua alma do seu Cristo Interno.
E esta auto-iniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda pessoa.
Mas acima de tudo, o que quer dizer Iniciação?
Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo.
O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente.
O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente com as suas emoções.
E nesta Ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isso não pode entrar na auto- realização.
O que deve um homem profano fazer para se auto-iniciar?
Para sair do mundo da ilusão sobre SI mesmo e entrar no mundo da verdade?
Deve fazer o que fez o primeiro grupo de auto-iniciados, no ano 33, em
Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar.
O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo.
Ele já encerrou as contas com o mundo.
Pode dar tudo sem perder nada.
O auto-iniciado é um místico não um místico de isolamento solitário,
mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.
Onde há plenitude, aí há um transbordamento.
O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela auto-realização
transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira.
Esta lei cósmica funciona infalivelmente.
Faz bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo.
Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e suficiente ser bom, ser realizado e plenificado do seu EU central, conscientizar e vivenciar de acordo com o seu EU central, com o seu Cristo Interno.
A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.
Para ter laranjas - laranjas verdadeiras - não é necessário fabricá-Ias. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar a laranjeira como fazer laranjas, ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos.
Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira.
Mais importante que todos o fazer é o ser.
Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo.
Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si
mesmo. Que quer dizer ser bom?
Ser bom não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho.
Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência.
Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude.
O nosso fazer bem vale tanto quanto nosso ser bom.
O ser bom é autoconhecimento e auto-realização.
Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.
Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes
vacuidades; são como bolhas de sabão - belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro.
1 % de ser bom realiza mais do que 100 % de fazer bem. Auto-iniciação é essencialmente uma questão de ser e não de fazer.
Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão.
O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.
Todo auto-iniciado consiste nesse ingredir e nesse egredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.
Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação depois se auto-iniciaram.
Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções, saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora:
"Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai... o Reino dos Céus está dentro de mim. "
E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões.
Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda injustiça, de toda desonestidade, de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico do velho ego.
O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu EU verdadeiro.
O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do "Reino dos Céus".
Começa a vida eterna em plena vida terrestre.
Não espera um céu para depois da morte, vive no céu da verdade, aqui e agora - e para sempre.
Isto é auto-iniciação. Isto é autoconhecimento.
Isto é auto-realização.
Não há evolução sem resistência.
Tudo o que é fácil não é garantido; toda evolução ascensional é difícil, exige luta, sofrimento, resistência.
Estagnar é fácil. Descer é facílimo.
Subir é difícil. Toda evolução é uma subida, e sem subida não há iniciação."
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