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Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

Miséria na cultura

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Leonardo Boff, foto da Carlos Stein Miséria na cultura: decepção e depressão Em 1930 Sigmund Freud escreveu seu famoso livro “O mal-estar na cultura”e já na primeira linha denunciava: “no lugar dos valores da vida se preferiu o poder, o sucesso e a riqueza, buscados por si mesmos”. Hoje tais fatores ganharam tal magnitude que o mal-estar se transformou em miséria na cultura. A COP-15 em Copenhague trouxe a mais cabal demonstração: para salvar o sistema do lucro e dos interesses econômicos nacionais não se teme pôr em risco o futuro da vida e do equilíbrio do planeta já sob o aquecimento que, se não for rapidamente enfrentado, poderá dizimar milhões de pessoas e liquidar grande parte da biodiversidade. A miséria na cultura, melhor, miséria da cultura se revela por dois sintomas verificáveis mundo afora: pela generalizada decepção na sociedade e por uma profunda depressão nas pessoas. Elas têm razão de ser. São conseqüência da crise de fé pela qual está passando o sistema mundial.

Cada um tem seu deserto a atravessar

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Texto de Jean-Yves Leloup O que evoca para nós a palavra deserto? Silêncio, imensidão, vento abrasador? Não apenas. Evoca também sede, miragens, escorpiões... e o encontro do mais simples de si mesmo no olhar assombrado e surpreso do homem ou da criança que brota não se sabe de onde – entre as dunas? Existem os desertos de pedras e de areias, o deserto do Hoggar, de Assekrem, de Ténéré e do Sinai e de outros lugares ainda... o deserto é sempre o alhures, o outro lugar, um alhures que nos conduz para o mais próximo de nós mesmos. Existem os desertos na moda, onde a multidão se vai encontrar como um pode tagarela, em espaços escolhidos, onde nos serão poupadas as queimaduras do vento e as sedes radicais; deles se volta bronzeado como de uma temporada na praia, mas ainda por cima, com pretensões à “grande experiência”, que nos transformaria para sempre em “grandes nômades”. ... Existem, enfim, os desertos interiores. Temos que falar deles, saber reconhecer o que apresentam de doloroso

Vênus e Júpiter no Céu

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Por Tereza Kawall "A astrologia é uma linguagem simbólica, e seu intuito é estabelecer as relações que existem entre o cosmos e a Terra. Na antiguidade o Zodíaco era considerado por astrólogos e filósofos como sendo a “ Alma da Natureza” ou a “Anima Mundi” , aquela que dá forma e ordem à vida. Os signos e os planetas guardam relação com todos reinos da natureza, seja ela humana, animal, vegetal ou mineral. É bastante comum encontrarmos em livros e revistas atuais toda esta sorte de inter-relações, incluindo aí as cores, dias de sorte, etc. Ainda que o conhecimento da Astrologia não esteja fundamentado nos moldes científicos cartesianos ou tradicionais, sabemos que desde a sua origem ela é transdisciplinar, pois caminhou ao longo dos séculos e em diferentes culturas ao lado de outras ciências, como astronomia, botânica, agricultura, medicina e da própria alquimia, que lançou as bases para a química moderna. Assim vemos que o princípio básico da A

É Carnaval!!

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Charge de Angeli

Ano do Tigre de Metal

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Jovem asiático em protesto contra a extinção dos tigres Erica Poonam 2010 Ano do Tigre de Metal Yang I Ching: "Trillhando sobre a cauda do tigre. Ele não morde o homem. Sucesso". Dizem os antigos mestres chineses que o mundo é quadrado e que nesse quadrado existem quatro grandes montanhas sagradas. No sopé de cada uma dessas montanhas vive um animal de poderes especiais. Na montanha do sul encontra-se a Fênix. Ao leste, o Dragão Celestial. Ao norte a Serpente de Fogo, e na montanha do sul encontra-se o grande Tigre Branco O Tigre, para as antigas culturas orientais, era considerado o símbolo da pura energia da natureza e, em tempos remotos, era cultuado pelos taoístas como o grande Rei da montanha. Há muitos séculos, tanto na China como na Índia, este animal vem sendo cultuado e venerado por representar a fé mais pura e a confiança inabalável capaz de atravessar grandes dificuldades sem se contaminar pelos pecados do mundo. Neste ano de 2010

A Travessia

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The Crossing, tela, 1987 Antonio Peticov "Viver no mundo sem tomar consciência do significado do mundo é vagar por uma imensa biblioteca sem tocar nos livros. " Quem sabe não existe uma verdade universal embutida na alma de todas as pessoas? Talvez todos carreguemos a mesma história dentro de nós como uma constante compartilhada em nosso DNA. Talvez esta verdade coletiva seja a responsável pela semelhança em todas as nossas histórias. A verdade tem poder. E, se todos gravitamos em torno de idéias semelhantes, talvez isto se dê porque elas sejam VERDADEIRAS... e estejam escritas no fundo do nosso ser. Revelar a verdade nunca é fácil. Plutão em Capricórnio revelará a VERDADE. Ao longo da história, todos os períodos de iluminação foram acompanhados por trevas lhe opondo resistência. Tais são as leis do equilíbrio. E, olhando a escuridão que hoje se espalha pelo mundo, somos obrigados a admitir que isso significa que uma quantidade de luz equivalente está crescendo. Est

Resiliência

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Flores do cerrado brasileiro: resiliência pura! Não podemos evitar as ondas do oceano, mas podemos aprender a surfá-las! Por Tereza Kawall Sob a tirania implacável do relógio, nosso dia a dia contemporâneo exige muita energia, competências, inúmeras e crescentes habilidades. Sobreviver é uma tarefa difícil e complexa, especialmente nos grandes centros urbanos onde vivemos de um lado para outro, sobressaltados e estressados. Muitos de nós talvez ainda se lembrem da imagem daqueles malabaristas de circo, que ofegantes, faziam girar vários pratos simultaneamente, correndo de lá pra cá, girando-os mais uma vez para eles não caíssem no chão. O capitalismo, é um modelo econômico que empurra o cidadão sem nenhuma cerimônia para o consumo desnecessário, quer ele queira , perceba ou não. Há uma felicidade artificial e inadiável que é oferecida pela mídia, um verdadeiro “ canto das sereias”, cuja melodia tem em seu refrão várias vezes a palavra “ comprar”. A competição, o tran

São Francisco, o homem ecológico

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Afresco de São Francisco, Basílica de SFrancisco, Assis, Itália "O homem ecológico, o irmão universal que se confraterniza com tudo, que religa todas as coisas, religa as mais distantes às mais próximas. Francisco casa os céus com os abismos, as estrelas com as formigas e faz uma síntese, das mais fascinantes e das generosas da humanidade, a partir de dentro. Une a ecologia interior com a ecologia exterior”. “Por que São Francisco hoje? Por que a sua relevância e sua atualidade hoje? Então trata-se de buscar além da biografia e da subjetividade de Francisco; trata-se de captar o modo de ser de Francisco que é relevante para nós. Se ele tornou-se um arquétipo, isto é, se ele penetrou no mais profundo do nosso inconsciente cultural, ocidental, global, humano, significa que ele entrou na dimensão do símbolo. Quando uma pessoa vira símbolo, ela se eterniza. Podemos até esquecer sua biografia mas ela se torna uma realidade coletiva e começa a viver no inconscien