Arquétipo do Herói e o SELF

                                                                     
 "O herói é, consequentemente, o restaurador da situação sadia, consciente. Ele é um ego que restabelece o funcionamento normal e sadio de uma situação, onde todos os egos da tribo ou nação estão desviando-se do padrão básico e instintivo da totalidade. Pode-se dizer, então, que o herói é uma figura arquetípica que representa um modelo de ego funcionando de acordo com o SELF.

Sendo um produto da psique inconsciente, ele é um modelo que deve ser observado, pois demonstra o ego funcionando corretamente, ou seja, um ego que funciona de acordo com as solicitações do SELF. Assim sendo, de certa forma, o herói parece ser o próprio SELF, pois ele serve de instrumento do SELF e realiza completamente tudo o que o SELF quer que aconteça.

Dessa forma, ele é também o SELF, pois expressa ou encarna as tendências salvadoras que ele tem. Então, o herói tem esse estranho duplo caráter. Isso é captado de maneira mais simples e ingênua pelos sentimentos. Quando se ouve um mito heroico, pode haver identificação com o herói e ser-se contaminado pelo humor do herói.

Digamos, por exemplo, que uma tribo esquimó está prestes a morrer de inanição: os resultados das caçadas têm sido ruins. Sabe-se que os primitivos muito facilmente desistem, abandonam a luta e morrem por falta de coragem, antes mesmo que isso seja física ou psicologicamente necessário. Então, surge um contador de histórias e conta que fulano teve contato com espíritos e que através disso salvou sua tribo da inanição etc. e tal. Isto pode colocá-los de pé, outra vez, simplesmente através do emocional.

O ego adota uma atitude heroica, corajosa e cheia de esperanças, que salva a situação coletiva. Isto é a razão por que as histórias de heróis constituem uma necessidade vital em condições difíceis da vida. Se você retoma o seu mito-heroico, então você pode viver. Ele dá as razões de se viver e ao mesmo tempo restaura a coragem".

Marie-Louise von Franz em " A interpretação dos contos de Fadas".

Escultura de Hércules, herói que matou o leão de Neméia, e arrancou a sua pele para cobrir-se com ela, e assim tornar-se forte e invulnerável como um leão.