MEDITAÇÃO PARA CRIANÇAS




















DOM LAURENCE FREEMAN

...  "Ou seja, o segredo é apenas esse: comece. E seja realista. Alguns começam a meditar e nunca mais param. Mas a maioria das pessoas, eu inclusive, tem vários inícios em série: começa, depois para, incia de novo, para mais uma vez. Até que um dia, algo acontece e pronto, você já está meditando. O importante é manter o foco. Se desisitir, comece de novo. A questão aqui não é a perfeição, mas perseverança. Como disse um amigo rabino: "Deus não espera que sejamos bem sucedidos, mas nós não estamos autorizados a desisitir".

Pergunta: Participar de algum grupo de meditação também ajuda?
 R:" Com certeza. Num grupo, uma pessoa incentiva a outra, cria-se um sentimento de comunhão, de unidade. A amizade espiritual é a chave. E se ainda persistir alguma duvida sobre o quão simples é a meditação, é só fazer um teste: medite com uma criança. As crianças gostam tanto de meditar, praticam com tanta naturalidade, que são elas que acabam nos ensinando como a meditação é algo simples e natural.

A meditação é a mesma para adultos e crianças?
R: " Sim, preicsa-se apenas ensinar as instruções a elas, incluindo o mantra maranatha. Depois é só meditar com elas, duas vezes ao dia, ao acordar e antes de dormir. Recomendamos começar com cinco minutos de meditação, mas um bom parâmetro é meditar um minuto por ano de idade - se a criança tem seis anos, medite por seis minutos, se tem sete, por sete, e assim por diante. Torna-se quase uma forma de brincar para elas. Mais que isso, elas mostram  os benefícios de meditação  muita rapidamente. Tanto que, nos ultimos anos, temos ensinado a meditação para criança em parceria com escolas, e os resultados são impressionantes.

Os professores relatam que, com poucos minutos de meditação no início da aula, o resto da classe se torna muito mais eficiente: é mais fácil de ensinar, as crianças ficam mais gentis umas com as outras, há menos bullyng, menos conflitos. Para se ter uma idéia, a diocese de uma cidade da Australia iniciou um programa de meditação com seis escolas, mas, com os resultados positivos, ele logo foi ampliado para todos os colégios da diocese. Hoje, são quase 12 mil crianças meditando juntas, diariamente. É um modelo tão bem sucedido que está sendo imitado em várias partes do mundo.

Pergunta: em relação às crianças, uma das  " doenças da moda" nos ultimos tempos é o disturbeio de déficit de atenção ( DDA), que muitas vezes, é indiscriminadamente tratado com remédios; isso vale também para jovens e adultos. O que o sr acha disso?
R: " A distração é parte da condição humana, um problema universal que nos acompanha há milenios. Os padres do deserto, como eram chamados os primeiros mongers cristãos, chegava a dizer que a distração é equivalente ao pecado original. é como se tivessemos alguma falha congênita que tornasse dificil para nós prestar atenção. Para o ser humano, sempre foi mais fácil se distrair do que permanecer atento. O problema é que hoje nós aperfeiçoamos a arte da distração, com a saturação imposta pela midia e a tecnologia, com coisas como sites de bate-papo, comunidades virtuais, mensagens instantaneas, celulares, etc. Ou seja, estamos todos cronicamente distraídos. E isso inclui as crianças, que, desde cedo, são expostas a hiperestimulação mental sem precedentes.

A filósofa francesa Simone Weil escreveu um belo ensaio sobre a relação entre a eduação e a oração; basicamente diz isso: " A essência da oração é a atenção". Nesse sentido, tudo o que fizermos em matéria de educação, para desenvolver a atenção, é, de certo modo, espiritualmente orientado, porque enriquece a nossa capapcidade de interiorização, de presença e , ainda, de compaixão - pois ter compaixão é nada mais do que verdadeiramente prestar atenção ao outro. Assim, há toda uma nova atitude que precisamos integrar em nossas vidas, aperfeiçoando a arte da quietude. Feito isso, provavelmente veremos que, muitas vezes, não precisa de remédios. Devemos pelo menos tentar: antes de medicação, a meditação".

Extraído do livro: Palavras de Poder
Autor: Lauto Henriques Jr
Editora : Leya

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