RIO + 20: A HORA É AGORA!


Por Tereza Kawall


Olhos e corações o mundo voltados para o nosso patropi.

Verdes em ebulição
Atrás, de alguma, quem sabe, solução.
Rio mais ( ou menos) vinte, o que vem a ser isso?


Nos anos 60, a “ gritaria ambiental” emitia seus primeiros gritos de ordem, com o surgimento dos primeiros movimentos ecológicos na Europa e nos EUA.
Chegavam nas vozes do movimento hyppie - abaixo o consumo, amor livre, a vivência em comunidades , a aversão pelas guerras, o recado rebelde que exigia mais conscientização em relação ao delicado equilíbrio da natureza
Obviamente nem a Internet ou as redes sociais existiam, tampouco celulares, tablets, e outros brinquedinhos típicos do nosso desvairado consumismo atual.
Tampouco as palavras e conceitos como sustentabilidade, crise ambiental, “ pegada ecológica” , biomassa e outras não eram comuns no dia a dia do nosso vocabulário.


No entanto, como sementes em processos de germinação, já estavam sendo constelados ou configurados na consciência planetária.
Um arquétipo é uma idéia e um impulso estruturante da psique humana, e a força arquetípica de Gaia, a Mãe Natureza, ganhou ressonância extraordinária nos últimos anos - disso ninguém mais duvida.
Essa consistência e urgência foram tomando forma nos anos 80, com a força dos meios de comunicação, ou seja, como não saber e conhecer algo quando uma informação entra dentro da nossa sala de estar todos os dias?
Todos mais curiosos e atentos ao efeito estufa, buracos de ozônio, radiação solar, alterações climáticas... e por aí vai.


Verdade ou mentira?


Infelizmente, nos últimos 20 anos a procrastinação venceu. Cientistas céticos, governos míopes, anemia política, interesses econômicos outros marcaram esse período em que nada efetivamente foi feito.

E quantas indagações sobre esse 2012!
Passados 50 anos, ainda pairam dúvidas e controvérsias, mas se ainda há uma falta de boa vontade, abundam milhares de fatos, eventos e seqüelas que apontam para um enorme desequilíbrio da natureza e que são de uma obviedade gritante.
Os quatro elementos, fogo, ar, terra e água, cada um a seu modo, denunciam quase que diariamente essa falta de visão e de inércia dos mandantes do mundo.
È importante frisar que não fossem a obsessão e a perseverança dos ambientalistas em todo o mundo, as coisas estariam bem piores.
E em tempos de uma “ modernidade líquida” em que tudo é dinâmico e em constante movimento, rever conceitos e portanto a visão de mundo é, sobretudo, uma necessidade. Como bem disse o teólogo Leonardo Boff: “não existe meio ambiente, só existe ambiente inteiro”


Meias decisões agora não soam mais cabíveis, e a hora de agir é agora, agora, e agora.
A chamada economia verde aí está como um contraponto a essa visão mais conservadora e obscurantista que aprecia lucros imediatos, onde o que conta é o progresso a qualquer preço.


Deve haver uma sustentabilidade de espírito!
E nesse espaço vamos “ reciclar” idéias e paradigmas, além de papel.
Vamos “ sustentar” novas propostas para uma verdadeira justiça social.
Erradicar essa miséria causada por uma criminosa distribuição de renda, que anda de mãos dadas com uma corrupção desenfreada e promíscua entre o poder político-econômico de inúmeros países.


Existem milhares de pessoas mundo afora, que mais ou menos silenciosamente, já estão atuando de forma a colaborar efetivamente por mudanças que elevem a dignidade da raça humana. Ainda que a vida possa não ter um sentido, cada um de nós precisa encontrar algum para seguir adiante.


Há muito a fazer....
Dizem por aí que o ser humano é um projeto que não deu certo.
Eduardo Galeano afirma que a utopia é necessária, e até mesmo o delírio, pois é o que nos permite continuar a caminhada.As duas premissas estão corretas.
Mas ainda acredito na magnífica criatividade humana e na sua eterna busca pelo conhecimento.


E não dá para esquecer no instinto de sobrevivência da nossa espécie que nos trouxe até aqui , assim como na milagrosa “ homeostase”, física e psíquica, presente em cada corpo humano.
Assim sendo, também a Terra, cada rio e seu peixe, cada árvore e sua flor, cada animal e seu filhote, cada montanha e seu mineral, cada céu e seu pássaro, e cada estrela, esteja ela no fundo do oceano ou brilhando no alto do céu – todos querem viver!
Todos queremos viver a vida que nos generosamente doada por uma extraordinária Inteligência superior, tenha ela o nome que for.
Saberemos honrá-la?

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