VIVER BEM COM A DOR E A DOENÇA


" Cada vez mais a meditação vem sendo vista como boa medicina. Ela é usada em muitos hospitais e clínicas nos Estados Unidos e inúmeras pesquisas demonstram a sua eficácia. Estudos de pessoas com dor crônica revelam que a atenção plena reduz o nível de dor relatado por elas e melhora outros sintomas clínicos e psicológicos. Nossa pesquisa em Breathworks mostra melhoria em todas as áreas analisadas: experiência de dir, qualidade de vida, depressão, tendência para pensar o pior, capacidade de controlar e diminuir a experiência de dor e confiança na atividade apesar da dor. O programa Breathworks permite à maioria das pessoas aceitar melhor a sua dor, melhora a capacidade de avaliar uma situação, aumenta a consciência da beleza e gentileza em relação a si próprios e aos outros, além de trazer uma sensação de escolha, especialmente em reação a experiências desagradáveis.

A atenção plena também ajuda pessoas com câncer, doença cardíaca, depressão ansiedade, compulsão alimentar e hipertensão. Um estudo recente usando imagens cerebrais mostrou que a meditação aumentou os anticorpos, sugerindo que ela fortalece o sistema imune. Ela também aumenta a atividade do hemisfério esquerdo do cérebro, que é associada a estados emocionais positivos.

... O treinamento da meditação costuma ser referido como “ prática” da mesma forma que um músico pratica as escalas musicais ou um atleta treina o corpo. A prática não só o transformará num hábil meditador como lhe permitirá se tornar um ser humano emocionalmente saudável, cuja vida inclui escolhas, iniciativa, amabilidade e sabedoria. A melhor maneira de dizer se sua prática meditativa é eficaz é observar o seu comportamento fora da meditação.”
Vidyamala Burch, em “ Viva bem com a dor e a doença”- o método da atenção plena.

“ De forma corajosa, Vidyamala Burch produziu uma obra para aqueles que procuram uma forma de lidar com a o lado desagradável da vida que combata os hábitos arraigados e vá à raiz do problema. Ela nos convida a ser gentis conosco, a aceitar que a dor está de fato presente e encará-la com uma atenção “ sábia”. Em vez de tentar acabar com a dor – ou de fingir que ela não existe Vidyamala ensina caminhos que podemos trilhar para a verdadeira natureza da situação e que revelam possibilidades antes inéditas. Sua abordagem é incrivelmente prática e clara.Ela sofre com a dor há duas décadas, e portanto, conhece o assunto por experiência própria.

... A abordagem de Vidyamala é especialmente bem-vinda porque, quando começamos a praticar a atenção plena, somos obrigados a admitir que precisamos começar onde estamos, em vez de desejar que tudo fosse diferente”.
Stephen Little, no mesmo livro.


“A segunda habilidade é focar a atenção para discernir o verdadeiro caráter de sua experiência. Às vezes, isso é descrito como “ ver” ou “ ver a natureza das coisas”. Isso significa a prender a perceber diretamente sua experiência de momento a momento como um processo, em vez de ficar preso no conteúdo. Conforme eu já disse, se você examinar a experiência que chama de “ dor” descobrirá que ela é um fluxo de sensações e reações em constante mudança, e não uma “coisa” fixa ou dura. Ao perceber a dor dessa maneira, você poderá ficar interessado nas características das sensações e não nas histórias que conta a si mesmo acerca dela – as quais costumam ser distorcidas pelo medo, pela ansiedade e pelo desespero.

Essa atitude fluida e criativa pode transformar a experiência que você tem de si mesmo e alterar radicalmente as suas percepções acerca dos outros e do mundo à sua volta. Você se sente parte do fluxo da vida. Em vez de separado e isolado; você para de se identificar com as ondas encrespadas na superfície do oceano, açoitado por tempestades passageiras. Sua consciência desce até as profundezas e você vê as ondas agitadas da perspectiva calma e estável do próprio oceano. A experiência é a mesma, mas de alguma maneira você a encara de um jeito totalmente novo.

Isso sugere outra importante dimensão de “ver”. Você não apenas se relacionará com sua experiência de uma perspectiva mais ampla e profunda, como também a meditação se tornará um treinamento de compaixão e interconexão.

À medida que você se familiariza com as nuanças de seu a experiência, também descobre o que significa ser humano. Seja qual for sua experiência, você tem certeza de que alguém mais está passando por algo semelhante neste exato momento. Embora as particularidades de sua experiência sejam únicas, a condição humana é comum a todos.
Todos queremos ser felizes e evitar o sofrimento; todos tentamos evitar o que é desagradável e prolongar o agradável; conhecemos a sensação de “ certeza” que surge quando relaxamos numa sentimento de harmonia com o modo como as coisas são.

A professora budista Pema Chödrön diz: “ Quando estiver feliz, pense nos outros; quando sentir dor, pense nos outros”.

Qualquer que seja a sua experiência, ela poder ser um momento de conexão e empatia. Quanto mais você se voltar para sua experiência na meditação e conhecer a si mesmo com amorosidade e lucidez, mas se sentirá mergulhando nas particularidades de sua experiência pessoal e tocando o universal.

A prática da meditação não apenas transforma sua relação com a dor e a doença, mas também o torna uma força mais atenciosa e gentil para o bem”.




Do livro: Viva bem com a dor e a doença – o método da atenção plena.
Autora: Vidyamala Burch
Summus Editorial, SP, 2011.



Para saber mais: http://www.atencaoplena.com.br/

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