Crise psico-espiritual

A Roda da Vida tibetana ( Bhavachakra em sânscrito), que representa o ciclo da vida, morte e reencarnação, contida nas garras do terrível Senhor da Morte. Os três animais ao centro da roda representam os "três venenos": o porco como a ignorancia, a cobra como a raiva e a agressão, e o galo retratando a luxúria e o desejo que levam ao apego.

Por Stanislav Grof

“ A história intelectual da humanidade tem triunfos incríveis. Conseguimos aprender os segredos da energia nuclear, enviar espaçonaves à lua e todos os planetas do sistema solar, transmitir sons e imagens coloridas para todo o globo e todo o espaço cósmico, romper o código do DNA e começar a fazer experiências de clonagem e engenharia genética. Ao mesmo tempo, essas tecnologias superiores estão sendo usadas a serviço de emoções primitivas e impulsos instintivos que não são muito diferentes daqueles que dirigiam o comportamento das pessoas na Idade da Pedra”.


Quantias inimagináveis têm sido gastas na insanidade da corrida armamentista e o uso de até mesmo uma fração minúscula do arsenal atômico existente destruiria toda a vida na face na terra.

A ganância insaciável está levando as pessoas à perseguição frenética de lucros e aquisições de propriedades pessoais além de qualquer limite razoável. Essa estratégia resultou em uma situação na qual, além do fantasma de uma guerra nuclear, a humanidade está ameaçada por vários outros cenários do Juízo Final, sem espetáculo, mais insidiosos e mais previsíveis.

Entre eles, estão, a poluição industrial do solo, da água e do ar, a ameaça de acidentes e lixos nucleares, a destruição da camada de ozônio, o efeito estufa, a possível perda de oxigênio do planeta através do desmatamento temerário e do envenenamento do plâncton oceânico e os perigos de aditivos tóxicos em nossa comida e bebida.
A isso, podemos acrescentar vários desenvolvimentos de natureza menos apocalíptica, mas igualmente perturbadora, tais como a extinção de espécies acontecendo em proporções astronômicas, a falta de moradia e a fome de uma porcentagem significativa da população mundial, a deterioração da família e crises de paternidade e maternidade, o desaparecimento de valores espirituais, a falta de esperança e perspectivas positivas, a perda da conexão significativa com a natureza e alienação generalizada.

Considerando o papel proeminente da violência e da ganância na história da raça humana, a possibilidade de transformar a humanidade moderna em uma espécie de indivíduos capazes de coexistência pacifica com outros homens e mulheres sem distinção de raça, cor, credo religioso ou convicção política, sem falar nas outras espécies, certamente não parece muito plausível. Estamos perante a necessidade de instilar a humanidade com profundos valores éticos, sensibilidade às necessidades alheias, aceitação voluntária da simplicidade e uma consciência aguda dos imperativos ecológicos.À primeira vista, tal tarefa parece demasiado fantástica, até mesmo um filme de ficção científica.


“ Negociações diplomáticas, medidas administrativas e legais, sanções econômicas e sociais, intervenções militares e outros esforços semelhantes têm obtido muito pouco sucesso. Na realidade, eles freqüentemente têm produzido mais problemas do que soluções. Torna-se cada vez mais claro porque estavam fadados ao fracasso. As estratégias usadas para aliviar essa crise estão desde o inicio enraizadas na mesma ideologia que a criou.

Em ultima análise, a atual crise global é basicamente de natureza psicoespiritual: ele reflete o nível de evolução da consciência da espécie humana.

É portanto, difícil imaginar que ela possa ser resolvida sem uma radical transformação interna da humanidade, em larga escala, e sua elevação a um nível mais alto de maturidade emocional e consciência espiritual.
Do livro: Psicologia do Futuro
Editora Heresis

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 15 de janeiro de 2011 21:14

    Tereza, que texto realístico! A ausência de maturidade emocional e consciência espiritual expandida, estão gerando toda uma alienação generalizada social. Lamentavelmente, isto tudo em franca evolução, trazendo catástrofes diversas (individuais e coletivas). Um olhar de esperança para uma revolução de mudança do ser para uma condição de vida, ainda é possível? Aguardemos... Beijos.