Anima Mundi




Anima Mundi
Na antiguidade o Zodíaco era chamado pelos astrólogos e filósofos a “ anima mundi”, ou seja, a alma da Natureza.Este conceito está intrinsecamente relacionado ao conceito de Inconsciente Coletivo, que abarca a memória ancestral da humanidade, onde encontramos os arquétipos, princípios universais, idéias estruturantes comuns a todos os homens. Este conceito foi criado pelo médico e psiquiatra Carl Gustav Jung, o fundador da Psicologia Analítica, que entre outras coisas, estudou mitologia comparada, religiões, alquimia, Tarot, IChing e a Astrologia.

Diz ele :
“ O homem possui muitas coisas que ele nunca adquiriu, mas herdou dos antepassados. Não nasceu “ tabula rasa”, apenas nasceu inconsciente. Traz consigo sistemas organizados e que estão prontos a funcionar numa forma especificamente humana; e isto ele deve a milhões de anos de desenvolvimento humano.
Da mesma forma como os instintos dos pássaros de migração e a construção dos ninhos nunca foram aprendidos ou adquiridos individualmente, também o homem traz do berço o plano básico de sua natureza, não apenas de sua natureza individual, mas de sua natureza coletiva.

Esses sistemas herdados correspondem às situações humanas que existiram desde os primórdios: juventude e velhice, nascimento e morte, filhos e filhas, pais e mães, acasalamento, etc, apenas a consciência individual experimenta estas coisas pela primeira vez, mas não o sistema corporal e o inconsciente”.(*)

O inconsciente coletivo é um dado “a priori” de toda experiência da humanidade, mas é também vibrante, dinâmico e atual.
Ele não é só um legado histórico, como também é a alma de tudo o que é vivo. É o fundamento da natureza como um todo, nos traz a idéia de um todo orgânico, onde todos estamos e vivemos; mundo e indivíduo, macro e microcosmos são partes de um só e mesmo todo.


Outro trecho em que Jung (ao falar do Inconsciente Coletivo), faz uso da metáfora dos peixes e do oceano:

“ Enquanto o não-ego( inconsciente) parece ser oposto a nós, naturalmente o sentimos como um oposto, mas depois entenderemos que o inconsciente coletivo é como um vasto oceano, com o ego flutuando sobre ele como um pequeno barco.
Então, quando vemos isto, surge a questão se estamos contidos no oceano(...) .. os peixes são unidades vivas no oceano; eles não são absolutamente como ele, mas estão contidos nele; seus corpos, suas funções, estão maravilhosamente adaptados à natureza da água; a água e o peixe formam um “ continuum” vivente(...)
Quando aceitamos este ponto de vista temos que supor que a vida é realmente um
“ continuum” destinado a ser como é, isto é, toda uma tessitura na qual as coisas vivem com ou por meio uma da outra.
Assim, as árvores não podem existir sem animais, ou animais sem plantas e talvez os animais não possam ser sem o homem, ou o homem sem animais e plantas, e assim por diante. E sendo a coisa inteira, uma tessitura, não é de se admirar que todas suas partes funcionem juntas (...) porque são parte de um “ continuum” vivo...

... é quase uma conexão; ele é um meio que, num modo peculiar, é também ele mesmo. Porque como o peixe pode dizer” eu sou o mar”, assim o mar pode também dizer “ eu sou o peixe”.(**)

(*) CW IV, Carl G Jung

(**) The visions Seminars, Spring Publications, 1976, Carl G Jung.


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