Carl Gustav Jung( 1875-1961)











"Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico.
Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga.
A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente".
(Jung, Cartas, volume II).


“ A ciência do I Ching não se baseia no princípio da causalidade, mas em outro princípio, até o momento sem nome –por não existir entre nós – ao qual chamei experimentalmente de princípio de sincronicidade. Minhas pesquisas no campo da psicologia dos processos inconscientes levaram-me a procurar outras explicações para esclarecimento de certos fenômenos de psicologia profunda, uma vez que o princípio da causalidade me parecia insuficiente.

Descobri, inicialmente que existem manifestações psicológicas paralelas que não se relacionam absolutamente de modo causal, mas apresentam uma forma de correlação totalmente diferente.
Tal conexão parecia basear-se essencialmente na relativa simultaneidade dos eventos, dai o termo sincronicidade...


A astrologia seria considerada como um exemplo mais abrangente de sincronicidade, se ela apresentasse resultados universalmente seguros. Existem entretanto, alguns fatos comprovados por ampla estatística, que tornam a astrologia digna de questionamento filosófico.


Sem dúvida, seu valor psicológico é inexorável, pois representa a soma de todo o conhecimento psicológico da antiguidade”.
(Jung, O segredo da flor de Ouro )

Self e suas manifestações



Texto de Roberto Gambini


" Então, se alguém me pergunta à queima roupa: " De que modo o Self se manifesta em sua vida?, respondo: o Self se manifesta na minha vida inesperadamente, quando sinto um amor no coração, quando percebo em mim uma força de lutar contra as forças antivida; quando sei que há uma clareza em minha mente; quando olho para o mundo e parece que o entendo, ou entendo as pessoas; ou sinto uma conexão com inexplicáveis fios que a tudo unem num sutil tecido de sentido; aí o Self está se manifestando na minha ou na sua vida.


Mas pensando bem, para que usar esse estranho termo mal traduzido do alemão, " Self"?

Você pode chamar do que quiser, não faz diferença. Eu acho que isso é uma experiência humana eterna.

Provavelmente, os índios do Xingu sabem o que é isso. Na Antiguidade sabiam, no Oriente bramânico e budista sabiam. Jesus sabia. Krishnamurti sabia.


Nós somos feitos assim, a pérola se faz em nossa ostra. E prefiro - é uma questão de gosto - manter o vocabulário e a teorização nos nos termos do mais simples possível. Tendo sempre como referência uma experiência vivida e vivível.


Nada de hipostatizar, de postular, de dizer; " se você fizer assim e assado, você chegará lá" - porque fica parecendo que está todo mundo tentando subir a escadaria dos escolhidos e dos iniciados... daí você começa a beirar o misticismo, o esoterismo, a religião, a ascese, criando-se inevitavelmente uma tabela olímpica de colocações progressivas, segundo grau, terceiro, quarto, e desse ponto em diante já não somos mais cuidadores e pesquisadores da alma, mas roza-cruzes e maçons. Isso jamais!!


Do livro:
A Voz e o Tempo
Ateliê Editorial