MENINOS NAS CAVERNAS


Por Tereza Kawall
Diariamente ouvimos notícias dramáticas que envolvem crianças, estejam elas em suas salas de aula aqui no Brasil, em travessias marítimas arriscadíssimas em processos migratórios humilhantes, ou em meio de cidades devastadas por guerras insanas no Oriente Médio. As imagens devastam também a nossa fé na humanidade. Ao que parece a estupidez humana vem andando no sentido inverso da extraordinária evolução tecnológica que assistimos nos últimos dois séculos. Quem pode entender esse homem das cavernas em pleno século 21?


Mas quero voltar às crianças, e em especial aquelas encontradas nas cavernas da Tailândia, que estavam desaparecidas há muitos dias, sem luz, água ou alimentos. Estavam vivas e para nossa surpresa, algumas estavam sorridentes. O seu longo e complexo resgate foi acompanhado com muita comoção pelo mundo todo. Como não torcer por aqueles 12 meninos e seu treinador? Todos puderam ver um espetáculo de solidariedade humana, que somada à engenhosa tecnologia foi multiplicada pela coragem e empenho dos voluntários que chegaram de diferentes países, e num esforço hercúleo deram tudo de si para recuperar aquelas vidas.

 Cenas emocionantes nos foram apresentadas em capítulos televisivos. Chuvas, pedras, lama, águas turvas, os cabos que guiavam os mergulhadores que carregavam oxigênio e alimentos. Orações fervorosas, máquinas trabalhando sem parar, a espera por notícias angustiante. Todos esperavam por um milagre; e ele aconteceu!
Muito se comentou do aspecto espiritual que envolveu esse “milagre”, pois o treinador responsável pelos meninos ( ex-monge budista) ensinou a eles técnicas de meditação para que pudessem superar o pânico, o stress, a fome, o desconforto, o medo, a ruptura brutal com vida cotidiana e familiar, enfim, uma situação limite para qualquer ser humano.
Já antes de seu final feliz me perguntava: mas afinal o que mais estava em jogo naquele evento dramático? Porque ele mexeu tanto com emoções de milhares de pessoas nos quatro cantos do planeta?
Com essa pergunta no coração, me reportei aos temas míticos que se encontram em estado latente em nosso imaginário coletivo ancestral e que faz parte de inúmeras culturas ditas “primitivas”. Esses temas fazem parte da psique de toda a humanidade, e montam aquilo que chamamos de Inconsciente Coletivo. Ele é a nossa matriz histórica, anímica, racial, cultural e espiritual. Nele encontramos imagens fantásticas, histórias criadas pelo espírito criativo dos seres humanos, e entre elas os mitos, os temas folclóricos, os contos de fadas. Estes últimos com sua aparente simplicidade muito nos falam dos processos que se passam na nossa psique coletiva.
Essas representações imagéticas são os arquétipos, estruturas simbólicas, comuns a todos nós. Essas idéias ou imagens estruturantes retratam,  em diferentes culturas ou civilizações e de forma muito parecida, os temas fundamentais da vida humana, como morte e nascimento, sombra e luz, nascimento, amor, casamento, sofrimento e superação, e tantos outros. Temos como os mais familiares o arquétipo do curador, do sábio, do herói, da Grande Mãe, etc.

Quem não se lembra das histórias da infância, das aventuras de Pinóquio preso dentro da barriga de uma enorme baleia? Ou de Chapeuzinho Vermelho, que deveria atravessar a floresta para ver sua avó,  mas que havia sido engolida pelo faminto Lobo Mau? Ou do conto de João e Maria, abandonados e perdidos numa floresta, às voltas com uma bruxa malvada que queria cozinhá-los dentro do seu caldeirão?

Da mitologia grega, temos também o mito de Hércules que recebeu a  difícil incumbência de matar a Hidra de Lerna, um monstro fétido com nove cabeças e que vivia dentro de uma caverna escura e pantanosa.
E não seria o fio do mito de Ariadne e o Minotauro, que a conduziu pelo labirinto, o mesmo cabeamento que permitiu aos mergulhadores entrar na caverna escura para depois voltar em segurança, com os 12 meninos vivos?

E foi assim que renasceram os doze “ Javalis Selvagens” e seu tutor, passando pelo escuro e úmido ventre da Mãe Terra, Gaia, para alcançar a luz do dia. Quase adormecidos, voltaram para a vida por caminhos estreitos e sinuosos, e guiados por heróis ou anjos que sempre vem em nossa ajuda quando são solicitados.
O tema do renascimento nos permite prospectar nossa vida a partir de um novo olhar ou patamar de consciência, repensar nossos valores essenciais num contexto mais espiritual. Nos fala da capacidade de sobreviver aos embates, tristezas e traumas da existência.

Essas imagens primordiais e universais são dinâmicas, vivas e fascinantes. E por isso mesmo se atualizam dentro de nós com novas roupagens, formas e contextos. Às vezes ficam esquecidas....mas estão sempre lá.
 Essas imagens dos meninos meditando dentro da caverna e depois renascidos, reacendem em nós a chama da esperança no ser humano, apesar de tudo, de todos e, sobretudo, de nós mesmos.

A ÁRVORE DA VIDA


Michael Meade

 "O simbolismo original da Árvore da Vida envolve um sentido mítico de um eixo do mundo, o “axis mundi” em torno do qual a criação foi criada, o centro unificado onde todas as dualidades e oposições se unem. Como ponto central, a árvore permanece eternamente tranquila; no entanto,  vivendo e respirando, Árvore da Vida  apresenta uma imagem central de constante mudança. Ela cresce das mesmas raízes invisíveis, está enraizada na imaginação da vida no sustento da Alma do Mundo.

 Ela também está enraizada na mente antiga e na alma antiga da humanidade, onde deve ser regada por sonhos e anseios e nutrida por canções e danças que faz as coisas  serem plenas, mesmo que apenas por um momento.
Cada retorno ao centro da árvore  se torna um retorno às origens da vida e, portanto, uma renovação do mundo. A relação entre árvores e pessoas é antiga. Assim, as coisas poderiam recomeçar, se aquela relação antiga e misteriosa fosse renovada e revitalizada.

A Árvore da Vida aparece em quase todas as heranças culturais; toma forma como a luminosa árvore de Natal que brilha nas longas noites do período mais escuro do ano, e é a cruz nua sobre a qual o Salvador cristão se inclina. É também a árvore sagrada que os indígenas americanos enfrentam durante o ritual de Sundance. É o centro oco do Navaho Reed of Life e da White Tree of Peace das tribos do norte.

 Ela aparece como a Árvore da Ascensão e Descida, onde os xamãs buscam as alturas do espírito e as profundezas da alma. É a Árvore do Sacrifício e a Árvore da Morte, aparecendo às vezes como a “árvore pendente”. Na forma de uma árvore bhodi ela protege o Buda e se torna a Árvore da Iluminação. É a árvore há muito esquecida enraizada no centro do paraíso, onde está a Árvore da Unidade.

A Árvore da Vida sempre esteve lá; de pé no meio do pacote arquetípico de símbolos eternos que continuam surgindo na consciência humana. Em certo sentido, é menos real do que qualquer árvore em um jardim ou floresta próxima. Em outro sentido,  tanto  mais profundo  quanto mais alto, a árvore simbólica é mais real que real.
 Nesse sentido mítico, é a árvore original, a mãe de todas as árvores, a essência, a fonte e o sentido de estar enraizado na vida e  no centro da existência.  Símbolos centralizadores são necessários para levar a mente e o coração às portas da verdade.

Certamente  a  verdade aparece de diversas maneiras  para pessoas diferentes, mas um símbolo genuíno fala de forma significativa para todo buscador.
 Um símbolo genuíno ajuda a revelar o que os buscadores de outra maneira escondem de si mesmos. "

* Tradução livre.

MITO DA CRIAÇÃO

Satã observando Adão e Eva, por William Blake.

Toda criação brota de uma plenitude. Os deuses criam por um excesso de poder, por um transbordar de energia. A criação se faz por um acréscimo de substância ontológica. É por isso que o mito que conta a manifestação vitoriosa de uma plenitude de ser, torna-se o modelo exemplar de todas as atividades humanas: só ele revela o real, o superabundante, o eficaz. 
A função mais importante do mito é “fixar” os modelos exemplares de todos os ritos e de todas as atividades humanas significativas: alimentação, sexualidade, trabalho, educação etc. Comportando-se como ser humano plenamente responsável, o homem imita os gestos exemplares dos deuses, repete suas ações, quer se trate de uma simples função fisiológica, como a alimentação, quer de uma atividade social, econômica, cultural, militar etc.
Mircéa Eliade, O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
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ECKHART TOLLE E A ENTREGA


Resignação não quer dizer entrega.

.."A entrega é  perfeitamente compatível com tomar uma atitude, iniciar uma mudança ou atingir objetivos. Mas, no estado de entrega, uma energia totalmente diferente flui naquilo que fazemos. A entrega nos religa com a fonte de energia do Ser, se as nossas ações estiverem impregnadas com o Ser, elas se tornam uma alegre celebração da energia da vida, que nos aprofunda cada vez mais no Agora. Através da não resistem cia, a qualidade da nossa consciencial, e, portanto, a qualidade do que estivermos fazendo  ou criando, aumenta sem medidas. Os resultados vão falar por si mesmo se refletir essa qualidade. 
Podemos chamar isso de " ação de entrega".

...entregar-se é a coisa mais importante que você pode fazer para provocar uma mudança positiva.
..Isso não significa que você não deva traçar um plano. Planejar talvez seja a unica coisa que você possa fazer agora. Mas certifique-se de que você não vai começar a rodar" filmes mentais", se projetar no futuro e, assim, perder o Agora. Talvez a atitude que você tomar não dê frutos imediatamente. Até que ela dê, não resista ao que é. Se não houver nada que possa fazer e você também não puder escapar da situação, use isso para poder ir mais fundo na entrega, mais fundo no Agora, mais fundo no Ser. Quando entra nessa eterna dimensão do presente, a mudança sempre acontece por caminhos estranhos, sem a necessidade de grande quantidade de atitudes da sua parte. A vida se torna proveitosa e cooperativa.

...No momento da entrega, a energia que você desprende e que passa a governar a sua vida é de uma frequência vibracional muito maior  do que a energia da mente, que ainda governa as estruturas sociais, politicas e econômicas da nossa civilização e que se perpetua através da propaganda e dos sistemas educacionais. Através da entrega, a energia espiritual penetra nesse mundo.
ao contrário da energia da mente, ela não polui a terra e não está sujeita à lei das polaridades, que diz que nada pode existir sem o seu oposto e que não pode haver o bem sem o mal. Aqueles que continuam dominados pela mente - a agrande maioria da população - não percebem a existência da energia espiritual".

Do livro: O poder do Agora, de Eckhart Tolle.
Editora Sextante
Foto: Alberto Abreu Sodré.
   

PARACELSO E OS ELEMENTAIS


“O fato de compreendermos os quatro elementos pode, como vimos, contribuir de muitas maneiras para o autoconhecimento, mostrando como podemos viver melhor em nossa própria companhia, como podemos satisfazer as nossas necessidades e revitalizar nosso campo de energia. Os elementos também nos são uma indicação a respeito de como controlar e canalizar vantajosamente as nossas energias. O médico e astrólogo medieval Paracelso,  homem que Jung considerou um precursor dos psicólogos modernos, atribuiu um espírito da natureza, específico, a cada um dos elementos. Esses espíritos, ou suas variações, são encontrados em todas as mitologias do mundo e simbolizam graficamente o modo de operação do elemento. Este não é o momento para nos alongarmos sobre a questão de quão “ reais” são tais espíritos, mas ma breve referencia, aqui, às obras de Paracelso, mostrará como podemos trabalhar com essas forças.                                                                                                                                              

 As ondinas eram consideradas os espíritos da água, e Paracelso  declarou que elas devem ser controladas por meio da firmeza. Portanto, podemos aprender que as pessoas dos signos de água precisam ser firmes consigo mesmas e que as vezes, essa firmeza é a melhor maneira de se lidar com esse tipo de pessoa, especialmente quando as suas emoções estão fora de controle. 
Dizia-se que os espíritos do ar eram as sílfides e que elas podiam ser controladas pela constancia. É evidente que uma abordagem decisiva e consistente da vida, é algo que os signos de ar poderiam muito bem cultivar. Para os signos de ar é difícil assumir um compromisso com uma determinada resolução, mas esse é um passo importante na evolução deles.
Os espíritos do fogo eram as salamandras, e podiam ser controladas principalmente pela serenidade. Em outras palavras, os signos de fogo podem moderar os usos extremos da sua energia, cultivando, conscientemente, um tranqüilo que calmo estado de contentamento. Se os signos de fogo puderem aprender esta arte e aceitar calmamente a vida no aqui-agora, evitarão muita tensão e muito desgaste de energia. 
Os espíritos da terra são os gnomos, que teriam que ser controlados pela generosidade jovial. Obviamente, a generosidade jovial não é uma qualidade comumente encontrada nos signos de terra, mas é uma coisa que trará benefícios para todos eles se for aprendida. Eu poderia aduzir que a maior força e irradiação dos signos de terra resplandece quando eles assimilam essa qualidade na sua natureza”.

Stephen Arroyo, em “ Astrologia, psicologia e os quatro elementos. Editora Pensamento.


EDUCAR O CORAÇÃO



Palavras sábias de Dalai Lama

Precisamos educar o coração

“O meu desejo é que, um dia, a educação formal preste atenção à educação do coração, ensinando amor, compaixão, justiça, perdão, atenção plena, tolerância e paz. Esta educação é necessária, desde o pré-escolar até ao ensino secundário e universitário. O que quero dizer é que precisamos da aprendizagem social, emocional e ética. Precisamos de uma iniciativa mundial para educar o coração e a mente nesta era moderna.
Atualmente, os nossos sistemas educativos são orientados principalmente para valores materiais e para o treino do nosso conhecimento. Mas a realidade ensina-nos que não chegamos à razão somente pela compreensão. Devemos colocar maior ênfase nos valores internos.
A intolerância leva ao ódio e à divisão. Os nossos filhos devem crescer com a idéia de que o diálogo, não a violência, é a melhor forma de resolver conflitos. As gerações mais jovens têm uma grande responsabilidade de garantir que o mundo se torne num lugar mais pacífico para todos. Mas isso só se pode tornar realidade se educarmos não apenas o cérebro, mas também o coração. Os sistemas educativos do futuro deveriam dar maior ênfase ao fortalecimento das competências humanas, tais como o calor humano, o sentido de unidade, humanidade e amor. 
Vejo com maior clareza que nosso bem-estar espiritual não depende da religião, mas da nossa natureza humana inata – a nossa afinidade natural pela bondade, compaixão e cuidado pelos outros. Independentemente de pertencermos a uma religião, todos nós temos uma fonte fundamental e profundamente humana de ética dentro de nós mesmos. Precisamos  cultivar esta base ética partilhada.
A ética está fundamentada na natureza humana. Através da ética, podemos trabalhar na preservação da humanidade. A empatia é a base da coexistência humana. Acredito que o desenvolvimento humano depende da cooperação e não da concorrência. A ciência nos diz isso.
Precisamos  aprender que a humanidade é uma grande família. Somos todos irmãos e irmãs: fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Mas ainda damos muita atenção às nossas diferenças, em vez darmos atenção às nossas semelhanças. Afinal, cada um de nós nasce da mesma maneira e morre da mesma maneira.”



ALQUIMIA E A INTEGRAÇÃO DOS OPOSTOS




Para que os ramos de uma árvore cheguem ao céu
Suas  raízes precisam chegar ao inferno”
Máxima alquímica medieval

“Os componentes básicos da alquimia são considerados como provas de que a natureza é composta de elementos primários, de que há uma evolução e transformação graduais da substancia existente na natureza, de que existem sistemas que podem ser utilizados para incitar e induzir essa transformação, de que existe aí uma interação entre o ser interior do individuo e os acontecimentos alquímicos ocorridos durante uma experiência, de que o conhecimento do sistema de correspondências entre planetas, ervas, minerais, animais e partes corpóreas (conhecido como a Doutrina das Correspondências) é vital para o trabalho, e de que o objetivo final é chegar à origem de uma essência espiritual que se acredita existir na matéria e que às vezes é denominada Pedra do Filósofo, ou Pedra Filosofal. Além do mais, o método utilizava pares de opostos complementares ( sol/lua, ouro/prata/enxofre/mercúrio, rei/rainha,masculino/feminino,marido/noiva, Cristo/homem) para chegar até a integração desses opostos no símbolo decisivo de reconciliação do conflito interior/exterior. Os elementos espirituais e ctônicos estavam

(...) unidos com a quintessência azul, ou com a anima mundi, extraída da matéria inerte..(...) isto é, o homem consciente total é confiado ao Si-mesmo, que se torna o novo centro da personalidade em substituição ao eu atuante até agora...(...) O filium macrocosmi, o filho dos grandes luminares e do seio escuro da Terra, se porta no domínio do psíquico e arrebata a personalidade humana não apenas na altura luminosa da consciência espiritual, mas também nas profundezas escuras, que até agora não haviam ainda compreendido a luz..”
JUNG OC, 14/2 par 364


Texto de Irene Gad, do livro "Tarot e Individuação", editora Mandarim, 1996.

MÚSICA DAS ESFERAS



                                                                              
Aquele que sabe o segredo do som, sabe o mistério de todo o universo." - Hazrat Inayat Khan

Música das Esferas


Alguns astrólogos antigos entenderam verbum como som. A base para essa interpretação estaria na sua argumentação de que, na tradição que defendiam, a criação deveria ser vista com a cristalização do canto do Criador. Pitágoras desenvolveu sua teoria a partir deste entendimento: a estrutura da música explicaria a estrutura do universo. Era através da música que da melhor maneira se poderia entrar no conhecimento do cosmos.

Essa relação entre música e matemática estabelecida pela via astrológica foi revelada a Pitágoras quando, passando diante de uma oficina de ferreiro, ouviu dois martelos batendo numa bigorna. Soavam com a diferença de uma oitava um do outro. Oitava, em música, é um intervalo que abrange oito notas da escala diatônica (que procede na sucessão natural dos tons e semitons). Oitava é sinal que indica que o trecho melódico deve ser executado oitavado, acima ou abaixo. Os outros dois soavam com a diferença de uma quarta (intervalo que abrange quatro notas de uma escala diatônica) e outros dois soavam com a diferença de uma quinta (intervalo que abrange cinco notas de uma escala diatônica, considerado a consonância perfeita). Pitágoras constatou que os que soavam em oitava estavam em relação de 1 para 2, os que soavam em quinta, numa relação de 2 para 3 e os que soavam em quarta, numa relação de 2 para 4.

A teoria pitagórica desenvolvida incorporou a idéia de que o Sol, a Lua e os demais astros giravam em torno da Terra em círculos concêntricos. As rápidas revoluções dos corpos produziam no ar um zumbido musical. Cada planeta emitia uma nota diferente que dependia da relação de sua órbita, do mesmo modo que a uma nota da lira dependia do comprimento da corda. Muito se discutiu: poesia, ciência, loucura? Esta teoria pitagórica influenciou muitos estudiosos que se voltaram para o estudo dos astros. O pensamento de Platão adotou o entendimento de que a alma do homem e os astros tinham o mesmo movimento imortal. 
Plotino foi outro que recebeu os ensinamentos de Pitágoras através do platonismo.

Séculos e séculos mais tarde, a experiência narrada por Pitágoras foi repetida (séc. XVII), o que permitiu associar os intervalos musicais aos aspectos astrológicos. Considerando-se o céu como um círculo imenso, o arco que separa dois astros tomou o nome de aspecto. Quando, por exemplo, dois planetas estão situados no mesmo grau do Zodíaco, seu aspecto é chamado de conjunção. Não há intervalo entre eles. Este aspecto, em música, recebeu o nome de uníssono musical, isto é, correspondia à emissão simultânea da mesma nota por dois cantores ou por dois instrumentos. Quando dois astros estão a 180° um do outro, temos a oposição. Os músicos comparam a oposição cósmica à oitava (relação de 1 para 2). Se essa distância corresponder a 120° (um terço do círculo ou Zodíaco), temos o trino, relacionado com a quinta (relação 2 para 3). Estes intervalos estão na base de todo o sistema de afinação dos instrumentos musicais.

Num famoso texto do século XVII, "O Livro das Consonâncias", seu autor, o Padre Marsenne, afirmou que os três números mencionados representavam, respectivamente, o Pai (unidade), o Filho (binário) e o Espírito Santo (ternário).
 Muitos astrólogos antigos chamavam indiscriminadamente a conjunção de uníssono e a oposição de oitava. Os músicos falavam da facilidade de um trino ou da dificuldade para um quadrado. O uníssono era o mais poderoso dos acordes. Comparava-se o amor ao uníssono, com justa razão.

As sete grandes consonâncias (séc.XVII) estavam relacionadas com os sete planetas: Oitava = Lua ou Selene; Sexta maior = Mercúrio ou Hermes; Sexta menor = Vênus ou Afrodite; Quinta = Sol ou Hélio; Quarta = Marte ou Ares; Terça maior = Júpiter ou Zeus; Terça Menor = Saturno ou Cronos.

Ainda segundo as correspondências do século XVII (Harmonie Universelle, do Pe.Marsenne), teríamos: o Fogo correspondendo à voz de Soprano, ao Vermelho (cor), ao Bastão (Tarô), ao Ouro (Metal), ao Oriente (ponto cardeal), ao Colérico (temperamento). Ao Ar, na mesma ordem: Contralto, Azul, Espada, Prata, Sul, Sanguíneo. À Água, na mesma ordem: Tenor, Branco, Taça, Estanho, Norte, Fleugmático. À Terra, na mesma ordem: Baixo, Negro, Dinheiro, Chumbo, Ocidente, Melancólico.

O número doze, de tanta riqueza simbólica, também inspirou os artistas-músicos que se valeram da Astrologia para estabelecer suas analogias. O doze, como sabemos, é o número das divisões espaço-temporais, produto de quatro (pontos cardeais) pelos três planos do mundo ou três dinâmicas, sendo usado para dividir o céu em doze setores em todas as antigas civilizações. É o número doze o símbolo do próprio universo no seu desenvolvimento cíclico, o número da realização, símbolo do devenir humano que continuamente se resolve.

Roger Cotte - Fonte: Blog do Cid Marcus

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LIBERTAÇÃO

"Eu liberto meus pais do sentimento de que já falharam comigo.

Eu liberto meus filhos da necessidade de trazerem orgulho para mim; que possam escrever seus próprios caminhos de acordo com seus corações, que sussurram o tempo todo em seus ouvidos.

Eu liberto meu parceiro da obrigação de me completar. Não me falta nada, aprendo com todos os seres o tempo todo.
Agradeço aos meus avós e antepassados que se reuniram para que hoje eu respire a vida.
Libero-os das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, conscientes de que fizeram o melhor que puderam para resolver suas situações dentro da consciência que tinham naquele momento. Eu os honro, os amo e reconheço inocentes.

Eu me desnudo diante de seus olhos, por isso eles sabem que eu não escondo nem devo nada além de ser fiel a mim mesmo e à minha própria existência, que caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto de vida, livre de lealdades familiares invisíveis e visíveis que possam perturbar minha Paz e Felicidade, que são minhas únicas responsabilidades.
Eu renuncio ao papel de salvador, de ser aquele que une ou cumpre as expectativas dos outros.

  Aprendendo através, e somente através, do AMOR, eu abençoo minha essência, minha maneira de expressar, mesmo que alguém possa não me entender.

Eu entendo a mim mesmo, porque só eu vivi e experimentei minha história; porque me conheço, sei quem sou, o que eu sinto, o que eu faço e por que faço.

Me respeito e me aprovo.
Eu honro a Divindade em mim e em você... Somos livres."



(Essa antiga bênção foi criada no idioma Nahuatl, falado desde o século VII na região central do México. Ela trata de perdão, carinho, desapego e libertação).

SÍMBOLOS NA ASTROLOGIA



“A Astrologia incorpora uma sabedoria antiga que propõe a interligação de todas as formas de vida, desafiando assim as modernas tendências à separação, ao excesso de especialização e à fragmentação. Ela oferece-nos uma rica linguagem simbólica, a qual nos põe em contato mais profundo e imediato como nosso mundo e nosso próprio “eu”. Por isso, a Astrologia –com seu poderoso simbolismo evocativo e séculos de experiência humana- tem muito a oferecer para a reafirmação de uma visão holística da vida e da natureza humana”.

“O que torna a astrologia única é a riqueza, a profundidade e a fluidez de sua base simbólica; cada símbolo evoca uma ampla gama de associações, enquanto mantém seu núcleo essencial. Essa é a natureza dos símbolos. Apesar do método das “palavras-chave” oferecer um ponto de partida par se começar a penetrar nesse - aparentemente- vasto território, é importante identificar as limitações e armadilhas presentes em qualquer tentativa de definir e categorizar aquilo que, por natureza, é incompreensível. Os símbolos planetários propiciam um caminho para a compreensão dos processos vitais, das forças ou deuses que vivem em nós, do nível da realidade arquetípica, das misteriosas profundezas de nosso ser que sempre escaparão do alcance da mente racional. Imagens e símbolos  são a linguagem natural da psique e exercem um impacto emocional tal, que pode nos despertar para uma nova vida”.

“Trabalhar com o simbolismo astrológico estimula nossa capacidade de criação de símbolos, fazendo com que sejamos mais capazes de captar os paradoxos e ambigüidades da vida, de construirmos uma ponte entre o conhecido e o desconhecido, de recomeçarmos a sondar o misterioso reino da psique. Jung dá à criação de símbolos o nome de “função transcendente”, pois ela nos permite realizar a transição de um estágio para outro na vida – os trânsitos e progressões da astrologia. Ele sustenta que o conflito não pode ser resolvido no sentido racional, sendo apenas ultrapassado, algo que envolve abraçar e segurar a tensão, a dor e a vulnerabilidade de não saber, até que alguma coisa cede e ocorre a transformação, como se fosse um processo químico. Com efeito, ele percebeu que, em épocas de conflito, a psique tende a evocar símbolos unificadores que atuam como veículos transformadores de energia.”

“ Portanto, nos momentos de impasse da vida, quando fracassam todos os esforços da vontade e nos sentimos frustrados e impotentes, que o poder transformador dos símbolos pode se fazer sentir”.

Christine Valentine

Imagens da Psique, Editora Siciliano,1994, São Paulo.