EDUCAR O CORAÇÃO



Palavras sábias de Dalai Lama

Precisamos educar o coração

“O meu desejo é que, um dia, a educação formal preste atenção à educação do coração, ensinando amor, compaixão, justiça, perdão, atenção plena, tolerância e paz. Esta educação é necessária, desde o pré-escolar até ao ensino secundário e universitário. O que quero dizer é que precisamos da aprendizagem social, emocional e ética. Precisamos de uma iniciativa mundial para educar o coração e a mente nesta era moderna.
Atualmente, os nossos sistemas educativos são orientados principalmente para valores materiais e para o treino do nosso conhecimento. Mas a realidade ensina-nos que não chegamos à razão somente pela compreensão. Devemos colocar maior ênfase nos valores internos.
A intolerância leva ao ódio e à divisão. Os nossos filhos devem crescer com a idéia de que o diálogo, não a violência, é a melhor forma de resolver conflitos. As gerações mais jovens têm uma grande responsabilidade de garantir que o mundo se torne num lugar mais pacífico para todos. Mas isso só se pode tornar realidade se educarmos não apenas o cérebro, mas também o coração. Os sistemas educativos do futuro deveriam dar maior ênfase ao fortalecimento das competências humanas, tais como o calor humano, o sentido de unidade, humanidade e amor. 
Vejo com maior clareza que nosso bem-estar espiritual não depende da religião, mas da nossa natureza humana inata – a nossa afinidade natural pela bondade, compaixão e cuidado pelos outros. Independentemente de pertencermos a uma religião, todos nós temos uma fonte fundamental e profundamente humana de ética dentro de nós mesmos. Precisamos  cultivar esta base ética partilhada.
A ética está fundamentada na natureza humana. Através da ética, podemos trabalhar na preservação da humanidade. A empatia é a base da coexistência humana. Acredito que o desenvolvimento humano depende da cooperação e não da concorrência. A ciência nos diz isso.
Precisamos  aprender que a humanidade é uma grande família. Somos todos irmãos e irmãs: fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Mas ainda damos muita atenção às nossas diferenças, em vez darmos atenção às nossas semelhanças. Afinal, cada um de nós nasce da mesma maneira e morre da mesma maneira.”



ALQUIMIA E A INTEGRAÇÃO DOS OPOSTOS




Para que os ramos de uma árvore cheguem ao céu
Suas  raízes precisam chegar ao inferno”
Máxima alquímica medieval

“Os componentes básicos da alquimia são considerados como provas de que a natureza é composta de elementos primários, de que há uma evolução e transformação graduais da substancia existente na natureza, de que existem sistemas que podem ser utilizados para incitar e induzir essa transformação, de que existe aí uma interação entre o ser interior do individuo e os acontecimentos alquímicos ocorridos durante uma experiência, de que o conhecimento do sistema de correspondências entre planetas, ervas, minerais, animais e partes corpóreas (conhecido como a Doutrina das Correspondências) é vital para o trabalho, e de que o objetivo final é chegar à origem de uma essência espiritual que se acredita existir na matéria e que às vezes é denominada Pedra do Filósofo, ou Pedra Filosofal. Além do mais, o método utilizava pares de opostos complementares ( sol/lua, ouro/prata/enxofre/mercúrio, rei/rainha,masculino/feminino,marido/noiva, Cristo/homem) para chegar até a integração desses opostos no símbolo decisivo de reconciliação do conflito interior/exterior. Os elementos espirituais e ctônicos estavam

(...) unidos com a quintessência azul, ou com a anima mundi, extraída da matéria inerte..(...) isto é, o homem consciente total é confiado ao Si-mesmo, que se torna o novo centro da personalidade em substituição ao eu atuante até agora...(...) O filium macrocosmi, o filho dos grandes luminares e do seio escuro da Terra, se porta no domínio do psíquico e arrebata a personalidade humana não apenas na altura luminosa da consciência espiritual, mas também nas profundezas escuras, que até agora não haviam ainda compreendido a luz..”
JUNG OC, 14/2 par 364


Texto de Irene Gad, do livro "Tarot e Individuação", editora Mandarim, 1996.

MÚSICA DAS ESFERAS



                                                                              
Aquele que sabe o segredo do som, sabe o mistério de todo o universo." - Hazrat Inayat Khan

Música das Esferas


Alguns astrólogos antigos entenderam verbum como som. A base para essa interpretação estaria na sua argumentação de que, na tradição que defendiam, a criação deveria ser vista com a cristalização do canto do Criador. Pitágoras desenvolveu sua teoria a partir deste entendimento: a estrutura da música explicaria a estrutura do universo. Era através da música que da melhor maneira se poderia entrar no conhecimento do cosmos.

Essa relação entre música e matemática estabelecida pela via astrológica foi revelada a Pitágoras quando, passando diante de uma oficina de ferreiro, ouviu dois martelos batendo numa bigorna. Soavam com a diferença de uma oitava um do outro. Oitava, em música, é um intervalo que abrange oito notas da escala diatônica (que procede na sucessão natural dos tons e semitons). Oitava é sinal que indica que o trecho melódico deve ser executado oitavado, acima ou abaixo. Os outros dois soavam com a diferença de uma quarta (intervalo que abrange quatro notas de uma escala diatônica) e outros dois soavam com a diferença de uma quinta (intervalo que abrange cinco notas de uma escala diatônica, considerado a consonância perfeita). Pitágoras constatou que os que soavam em oitava estavam em relação de 1 para 2, os que soavam em quinta, numa relação de 2 para 3 e os que soavam em quarta, numa relação de 2 para 4.

A teoria pitagórica desenvolvida incorporou a idéia de que o Sol, a Lua e os demais astros giravam em torno da Terra em círculos concêntricos. As rápidas revoluções dos corpos produziam no ar um zumbido musical. Cada planeta emitia uma nota diferente que dependia da relação de sua órbita, do mesmo modo que a uma nota da lira dependia do comprimento da corda. Muito se discutiu: poesia, ciência, loucura? Esta teoria pitagórica influenciou muitos estudiosos que se voltaram para o estudo dos astros. O pensamento de Platão adotou o entendimento de que a alma do homem e os astros tinham o mesmo movimento imortal. 
Plotino foi outro que recebeu os ensinamentos de Pitágoras através do platonismo.

Séculos e séculos mais tarde, a experiência narrada por Pitágoras foi repetida (séc. XVII), o que permitiu associar os intervalos musicais aos aspectos astrológicos. Considerando-se o céu como um círculo imenso, o arco que separa dois astros tomou o nome de aspecto. Quando, por exemplo, dois planetas estão situados no mesmo grau do Zodíaco, seu aspecto é chamado de conjunção. Não há intervalo entre eles. Este aspecto, em música, recebeu o nome de uníssono musical, isto é, correspondia à emissão simultânea da mesma nota por dois cantores ou por dois instrumentos. Quando dois astros estão a 180° um do outro, temos a oposição. Os músicos comparam a oposição cósmica à oitava (relação de 1 para 2). Se essa distância corresponder a 120° (um terço do círculo ou Zodíaco), temos o trino, relacionado com a quinta (relação 2 para 3). Estes intervalos estão na base de todo o sistema de afinação dos instrumentos musicais.

Num famoso texto do século XVII, "O Livro das Consonâncias", seu autor, o Padre Marsenne, afirmou que os três números mencionados representavam, respectivamente, o Pai (unidade), o Filho (binário) e o Espírito Santo (ternário).
 Muitos astrólogos antigos chamavam indiscriminadamente a conjunção de uníssono e a oposição de oitava. Os músicos falavam da facilidade de um trino ou da dificuldade para um quadrado. O uníssono era o mais poderoso dos acordes. Comparava-se o amor ao uníssono, com justa razão.

As sete grandes consonâncias (séc.XVII) estavam relacionadas com os sete planetas: Oitava = Lua ou Selene; Sexta maior = Mercúrio ou Hermes; Sexta menor = Vênus ou Afrodite; Quinta = Sol ou Hélio; Quarta = Marte ou Ares; Terça maior = Júpiter ou Zeus; Terça Menor = Saturno ou Cronos.

Ainda segundo as correspondências do século XVII (Harmonie Universelle, do Pe.Marsenne), teríamos: o Fogo correspondendo à voz de Soprano, ao Vermelho (cor), ao Bastão (Tarô), ao Ouro (Metal), ao Oriente (ponto cardeal), ao Colérico (temperamento). Ao Ar, na mesma ordem: Contralto, Azul, Espada, Prata, Sul, Sanguíneo. À Água, na mesma ordem: Tenor, Branco, Taça, Estanho, Norte, Fleugmático. À Terra, na mesma ordem: Baixo, Negro, Dinheiro, Chumbo, Ocidente, Melancólico.

O número doze, de tanta riqueza simbólica, também inspirou os artistas-músicos que se valeram da Astrologia para estabelecer suas analogias. O doze, como sabemos, é o número das divisões espaço-temporais, produto de quatro (pontos cardeais) pelos três planos do mundo ou três dinâmicas, sendo usado para dividir o céu em doze setores em todas as antigas civilizações. É o número doze o símbolo do próprio universo no seu desenvolvimento cíclico, o número da realização, símbolo do devenir humano que continuamente se resolve.

Roger Cotte - Fonte: Blog do Cid Marcus

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LIBERTAÇÃO

"Eu liberto meus pais do sentimento de que já falharam comigo.

Eu liberto meus filhos da necessidade de trazerem orgulho para mim; que possam escrever seus próprios caminhos de acordo com seus corações, que sussurram o tempo todo em seus ouvidos.

Eu liberto meu parceiro da obrigação de me completar. Não me falta nada, aprendo com todos os seres o tempo todo.
Agradeço aos meus avós e antepassados que se reuniram para que hoje eu respire a vida.
Libero-os das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, conscientes de que fizeram o melhor que puderam para resolver suas situações dentro da consciência que tinham naquele momento. Eu os honro, os amo e reconheço inocentes.

Eu me desnudo diante de seus olhos, por isso eles sabem que eu não escondo nem devo nada além de ser fiel a mim mesmo e à minha própria existência, que caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto de vida, livre de lealdades familiares invisíveis e visíveis que possam perturbar minha Paz e Felicidade, que são minhas únicas responsabilidades.
Eu renuncio ao papel de salvador, de ser aquele que une ou cumpre as expectativas dos outros.

  Aprendendo através, e somente através, do AMOR, eu abençoo minha essência, minha maneira de expressar, mesmo que alguém possa não me entender.

Eu entendo a mim mesmo, porque só eu vivi e experimentei minha história; porque me conheço, sei quem sou, o que eu sinto, o que eu faço e por que faço.

Me respeito e me aprovo.
Eu honro a Divindade em mim e em você... Somos livres."



(Essa antiga bênção foi criada no idioma Nahuatl, falado desde o século VII na região central do México. Ela trata de perdão, carinho, desapego e libertação).

SÍMBOLOS NA ASTROLOGIA



“A Astrologia incorpora uma sabedoria antiga que propõe a interligação de todas as formas de vida, desafiando assim as modernas tendências à separação, ao excesso de especialização e à fragmentação. Ela oferece-nos uma rica linguagem simbólica, a qual nos põe em contato mais profundo e imediato como nosso mundo e nosso próprio “eu”. Por isso, a Astrologia –com seu poderoso simbolismo evocativo e séculos de experiência humana- tem muito a oferecer para a reafirmação de uma visão holística da vida e da natureza humana”.

“O que torna a astrologia única é a riqueza, a profundidade e a fluidez de sua base simbólica; cada símbolo evoca uma ampla gama de associações, enquanto mantém seu núcleo essencial. Essa é a natureza dos símbolos. Apesar do método das “palavras-chave” oferecer um ponto de partida par se começar a penetrar nesse - aparentemente- vasto território, é importante identificar as limitações e armadilhas presentes em qualquer tentativa de definir e categorizar aquilo que, por natureza, é incompreensível. Os símbolos planetários propiciam um caminho para a compreensão dos processos vitais, das forças ou deuses que vivem em nós, do nível da realidade arquetípica, das misteriosas profundezas de nosso ser que sempre escaparão do alcance da mente racional. Imagens e símbolos  são a linguagem natural da psique e exercem um impacto emocional tal, que pode nos despertar para uma nova vida”.

“Trabalhar com o simbolismo astrológico estimula nossa capacidade de criação de símbolos, fazendo com que sejamos mais capazes de captar os paradoxos e ambigüidades da vida, de construirmos uma ponte entre o conhecido e o desconhecido, de recomeçarmos a sondar o misterioso reino da psique. Jung dá à criação de símbolos o nome de “função transcendente”, pois ela nos permite realizar a transição de um estágio para outro na vida – os trânsitos e progressões da astrologia. Ele sustenta que o conflito não pode ser resolvido no sentido racional, sendo apenas ultrapassado, algo que envolve abraçar e segurar a tensão, a dor e a vulnerabilidade de não saber, até que alguma coisa cede e ocorre a transformação, como se fosse um processo químico. Com efeito, ele percebeu que, em épocas de conflito, a psique tende a evocar símbolos unificadores que atuam como veículos transformadores de energia.”

“ Portanto, nos momentos de impasse da vida, quando fracassam todos os esforços da vontade e nos sentimos frustrados e impotentes, que o poder transformador dos símbolos pode se fazer sentir”.

Christine Valentine

Imagens da Psique, Editora Siciliano,1994, São Paulo.

SONHOS: O QUE ELES NOS REVELAM?

                                                 

Caros leitores desse blog, vai abaixo o link de um vídeo sobre a natureza dos SONHOS na visão da Psicologia Analítica no qual abordo questões relevantes sobre a natureza dos sonhos, e com muitas dicas que você pode aproveitar em seu dia a dia. Como entender essas imagens tão esquisitas que nos visitam durante a noite? Há algum sentindo nelas? E porquê todos sonhamos?


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Abraços!


Tereza Kawall

DOR DA ALMA


“ Queria acrescentar que a alma doída adquire uma força, uma radicalidade surpreendente em sua maneira de se expressar e entender as coisas. É como se, por sofrer, a alma se tornasse mais ousada e mais corajosa nos comentários que tem a fazer sobre este mundo, suas desgraças, verdades e belezas. A dor a torna mais eloqüente, mais penetrante, mais surpreendente e esse seu modo de falar, podemos reconhecer em escritores, artistas, pensadores, inovadores de todos os tipos. Não é uma eloquência retórica, não é um uso das palavras ou das emoções usadas para discutir argumentos usuais, mas é como que uma subversão da maneira de se considerar coisas costumeiras. 
                                                                                                                             
Parece que alma, ferida, ao mesmo tempo fica forte naquilo que declara; é como se isso ganhasse não uma legitimidade, mas espaço, acesso para abordar temas que não costumam ser abordados. Então, esse é um dos efeitos desse mistério que busco formular e por isso se justifica que uma terapia dê valor à dor. Porque poderia ser dito: isso é um viés depressivo da terapia, ou um gostar da dor. O que estou dizendo é exatamente o oposto. É que essa dificílima relação com a própria dor ou com a alheia promove inovações. E como venho repetindo, a mim interessam as inovações do conhecimento e do discurso da alma – distinto daquele proferido pelo intelecto e pela razão.
                                                                                                                  A razão e o intelecto podem ancorar a expressão da alma; mas a origem dessa expressão está nela mesma, e não nos primeiros. Essa força penetrante advém do fato de que só a alma que habitou o Hades consegue lançar luz sobre obscuridades que a luz da razão não ilumina. Sua luz é outra. É como se a alma que sofreu adquirisse o poder de se iluminar a si mesma, para se revelar. O que ela faz é apenas revelar-se; o resto, é com a gente. 
Quer dizer: a alma somos nós. Mas quando se revela, é o nosso ego, é a nossa consciência, é o nosso humano, demasiadamente humano que tem a tarefa de fazer alguma coisa com o que foi revelado, ou a revelação se perde.  A revelação é dada, ela é um dom. Pois ouso dizer que a origem do dom é a dor”.

Roberto Gambini em “ A voz e o Tempo” – Reflexões para jovens terapeutas”

Ateliê Editorial, 2008, São Paulo.

“ Porque motivo – perguntará o leitor – falo aqui de Cristo e de sua parte contrária? Falamos necessariamente de Cristo porque Ele é o mito ainda vivo de nossa civilização. É o herói de nossa cultura, o qual, sem detrimento de sua existência histórica, encarna o mito do homem primordial, do Adão mítico. É Ele quem ocupa o centro da mandala cristão; é o senhor do Tetramorfo, isto é, dos símbolos dos quatro Evangelistas que significam as quatro colunas de seu templo. Ele está dentro de nós e nós estamos Nele. Seu reino é a pérola preciosa, o tesouro escondido no campo, o pequeno grão de mostarda que se transforma na grande árvore; é a Cidade celeste. Do mesmo modo que Cristo, assim também o seu reino está dentro de nós. Acho que estas poucas referencias universalmente conhecidas são suficientes para caracterizar a posição psicológica do símbolo de Cristo. Cristo elucida o arquétipo do Si-mesmo”.
Cal Gustav Jung, em AION, estudos sobre o simbolismo do si mesmo, parag 69.

“A síntese não é uma coisa estática, mas algo vivo, um movimento. Sem cessar, nós temos que fazer a união entre o superior e o inferior, entre masculino e feminino, através dos conflitos, através das tristezas, a fim de vivermos estas bodas interiores.
Para os antigos Terapeutas, Jesus não era somente um personagem histórico. Ele era também um arquétipo. O arquétipo que faz em nós, a Síntese não apenas do masculino e feminino, mas também a síntese do divino com o humano”.
“ Daí vem a necessidade de encontrar o caminho do meio. Se o Cristo é somente Deus, ele não me interessa, porque ele não sabe o que é o sofrimento humano, ele não sabe o que é ser traído por seus amigos, ele não sabe o que é a morte. Se por outro lado, Cristo é simplesmente um ser humano, ele também não me interessa porque são o sofrimento e a morte que terão a ultima palavra. Se ele não ressuscitou, não manifestou essa presença do divino nele, poderá ter sido um belo sábio, um homem maravilhoso, mas sempre como um homem mortal. É preciso unir o humano ao divino, a realidade do sofrimento e da morte com a realidade da ressurreição. E assim a gente encontra o Cristo no caminho do meio”
Jean-Yves Leloup, em “ Caminhos da Realização”.                                               

“ O rei não é o Self, mas a manifestação simbólica desse arquétipo. Isso é, o rei de nossa civilização é Cristo, ele é o símbolo do Self, ele é o aspecto específico do Self que domina a nossa civilização, o Rei dos Reis, o conteúdo dominante. Eu diria que Buda é o aspecto formulado do simbolismo do Self  nas civilizações budistas. Assim, o rei não é o arquétipo, mas o símbolo do Self que tornou a representação central dominante numa civilização”
Marie-Louise von Fraz, em " A sombra e o mal nos contos de fadas".

“ Que outro líder que, apenas com 12 colaboradores, redefiniu toda a história da humanidade, e exemplo do que Cristo fez há dois milênios? Há um tratado de Clemente de Alexandria sobre o Cristo pedagogo. E há um ícone do século XIV do Cristo Psychosostes, representando-o como médico e psicólogo, pleno de sabedoria compassiva.
Cristo foi agente de cura do corpo físico, ao limpar a pele de leprosos e abrir os olhos de cegos. De cura psíquica, pela profunda e eficaz psicologia do perdão, pelas parábolas sábias que resistem aos séculos e ainda mantém o frescor original. De cura noética, ao ensinar a terapia da benção e da oração. E, finalmente, agente de conexão com a essência da vida, colocando-nos em contato com aquele que, na intimidade, ele chamava de Paizinho”.
Roberto Crema, em “Normose- a patologia da normalidade”.

“ O símbolo de Cristo” é da maior importância para a psicologia, porquanto constitui, ao lado da figura de Buda, talvez o símbolo mais desenvolvido e diferenciado do Si-mesmo. Isso pode ser avaliado pela amplitude e pelo conteúdo dos predicados atribuídos ao Cristo, que correspondem a fenomenologia psicológica da Si-mesmo de um modo incomum, apesar de não incluir todos os aspectos deste arquétipo”.
Carl Gustav Jung
Em “Espiritualidade e Transcendência”, Capítulo III, Psicologia e Religião, livro editado por Brigitte Dorst.

                                                

Tenho um presente para você que acompanha esse blog: Fiz um e.book sobre SONHOS, um tema muito precioso da escola junguiana. Com belas e inspiradora imagens, você poderá dar um mergulho nesse mundo fascinante da nossa vida inconsciente. 
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Quandro de John Anster Fitzgerald

A SOMBRA NA PSICOLOGIA JUNGUIANA

                                                                    
Por Tereza Kawall
A Sombra vem a ser uma parte constitutiva da psique humana, e é um conceito fascinante da psicologia junguiana. De modo conciso, sabemos que a sombra está relacionada com tudo aquilo que o homem não deseja ver em si mesmo. A sombra representa o lado titânico do indivíduo, seu lado pouco civilizado, infantil, que geralmente se expressa por  pensamentos marcados por inveja, ressentimento, tendências cruéis ou destrutivas, como são a ganância e a arrogância sem limites.

A sombra pode se desenvolver na infância, quando ocorrem situações de humilhação, violência ou repressão contra as quais as crianças não têm como se defender. Há também um aspecto cultural que tem a ver com o meio familiar, escolas, crenças e valores religiosos de um grupo ou sociedade.  Desta feita, a criança é refém de medos, culpas e de segredos que  podem adoecer a sua psique e seu corpo ao longo da vida. Portanto, a sombra tem um aspecto individual e coletivo, e  nesse contexto ela é a expressão de todas formas de intolerância, segregação e das guerras em geral.

Em termos mitológicos e arquetípicos, a sombra geralmente está associada aos gigantes, dragões, cavernas, porões, labirintos, demônios, anões ou feiticeiras. No conto “ A Bela e a Fera” temos o encontro da bela com seu aspecto “ feio” ou “ indesejável”; ao se apaixonar pela Fera, em termos simbólicos, ela está aceitando e integrando essa sua dimensão complexa e difícil de ser assimilada. Acolher qualidades inconscientes e detestáveis é uma ameaça ao ego, ao lado consciente da personalidade, e à auto-imagem positiva que temos de nós mesmos. No entanto, querer mostrar só a perfeição é também uma carga intolerável, com a garantia que isso com certeza, não vai funcionar. Luz e sombra habitam nosso ser, queiramos ou não.

Na Astrologia, o arquétipo de Saturno, entre outras coisas, diz respeito a sombra humana.
Liz Greene, em seu livro de mesmo nome, diz:
“ Saturno simboliza um processo psíquico, assim como uma qualidade ou tipo de experiência. Ele não é simplesmente um símbolo de dor, de restrição e de disciplina, mas também um símbolo do processo psíquico, comum a todos os seres humanos, por meio do qual um individuo poderá utilizar as experiências de dor, de restrição e de disciplina como um meio de ampliar sua consciência e desempenho”. ...”Saturno está relacionado com o valor educativo da dor e com a diferença entre valores exteriores – aqueles que trabalhamos para descobrir dentro de nós mesmos. O papel de Saturno enquanto Fera é um aspecto indispensável do seu significado, pois, conforme nos relata o conto, a Fera só pode se libertar do encantamento e se transformar em Príncipe quando for amada por aquilo que ela é”.

A sombra também guarda talentos, recursos e habilidades que estão adormecidas no porão da psique e aqui é que reside a sua beleza e riqueza. Os tesouros enterrados nos mitos lá estão à nossa espera para que possam se revelar, livres da repressão e das culpas. Da mesma forma, em analogia, as ostras fabricam as pérolas em função de um mecanismo de defesa do atrito que havia dentro delas. Essa jóia orgânica faz parte de um processo lento da natureza, é bela e delicada  tal e qual a sombra.

Para saber mais sobre esse tema e sobre ferramentas para se trabalhar com a sombra acesse:
http://escoladetransformacao.com.br/aula/mod-5-sombra-e-persona/