IMPRESSÃO CELESTIAL


Por Tereza Kawall

O mapa natal astrológico é a nossa "impressão celestial", unica e intransferível, nossa sina e nosso destino, aquilo que somos e o que não somos.
Dito de outro modo, é a vida que nos vive. 
O rio que passa sob ou sobre a ponte.
 O calor do Sol que nos aquece, e o frio da Lua que nos protege do Sol durante a noite. 
O fácil e o difícil. 
O que é intransponível e o que se transforma com o passar dos anos em superação.
 O suor da pele e o sangue  que percorre as veias.
A dualidade inexorável do bem e do mal, que habita cada célula do nosso corpo e cada átomo de nossa mente. 
Poeira cósmica que somos,
Ora importantes, ora insignificantes.

Cada simbolo astrológico aponta e contém infinitas possibilidades de entendimento de uma mesma coisa.
Para mim, a interpretação mais  "correta' é aquela que nasce no coração, que muito sabe pensar, avaliar e prospectar algo que só a razão não é capaz.


Não há um só dia em que não me encante  com a riqueza dos símbolos presentes em meus sonhos. 
Da mesma forma, ao compreender a natureza de um transito ou ciclo astrológico, devo reverenciar todos aqueles que vieram antes de mim.
 Há milhares de anos,  com infinita dedicação e paciência, eles estabeleceram as bases desse saber mágico e iniciático, ao qual devo tanto.
Saber esse que torna meu caminho mais firme e mais suave, e assim sendo, mais amoroso. Comigo mesma e com tudo o que está ao meu redor".

"  Inconsciente Coletivo - até onde nos é possível julgar - parece ser constituído de algo semelhante a temas ou imagens de natureza mitológica, e, por esta razão, os mitos dos povos são os verdadeiros expoentes do inconsciente coletivo. Toda a mitologia seria seria uma espécie de projeção de imagens, que vemos isto o mais claramente possível. Isto explica as influências dos astros, afirmadas pela Astrologia: estas influências mais não seriam do que percepções instrospectivas inconscientes da atividade do inconsciente coletivo. Do mesmo modo como as constelações forma proejtadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso, podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo"


Carl G JUNG em a "Natureza da Psique" pg 325. 




“Os  antigos contos de fadas, que nos são narrados por seus intérpretes modernos, Bruno Bettelheim, Robert Bly, Joseph Campbell e Clarissa Spinkola, são mapas antigos que oferecem a sua própria orientação para o completo desenvolvimento dos seres humanos. A sabedoria desses contos que chegam aos nossos dias vem de uma época anterior à escrita, e eles foram narrados no crepúsculo e na escuridão, ao redor de fogueiras, por milhares de anos. Embora por si mesmos sejam histórias cativantes e envolventes, também simbolizam, em grande parte, dramas com os quais nos deparamos quando buscamos plenitude, felicidade e paz.

 Os reis e as rainhas, príncipes e princesas, anões e feiticeiras não são personagens meramente “ lá de fora”. Nós os conhecemos intuitivamente como aspectos de nossa própria psique, parte do nosso próprio ser, tateando na busca da satisfação. Nós abrigamos o ogro e a bruxa, e eles têm que ser encarados e aceitos ou vão nos consumir ( nos devorar). Os contos de fadas são uma antiga orientação, contendo uma narrativa, para nossa sobrevivência instintiva, nosso crescimento e integração em face de dragões e demônios interiores e exteriores, bosques escuros e desertos. 

Essas histórias nos lembram de que vale a pena buscar o altar onde nossos próprios seres fragmentados e isolados podem se encontrar com outros e casar, trazendo novos níveis de harmonia e compreensão para nossas vidas, até o ponto a partir do qual poderemos viver realmente felizes – o que realmente importa no aqui e agora atemporais. Essas histórias são sábias e antigas, projetos surpreendentemente sofisticados para o nosso  pleno desenvolvimento como seres humanos.

Um tema recorrente nos contos de fadas é o da criança, habitualmente um príncipe ou uma princesa que perde a sua bola de ouro. Não importa se somos homem ou mulher, velho ou jovem, cada uma de nós tem um pouco tanto do príncipe quanto da princesa ( dentre outras incontáveis figuras), e houve época  em que cada um de nós brilhou com a inocência dourada e a infinita promessa contida na juventude. E nós ainda carregamos aquele brilho dourado, ou podemos recuperá-lo, se tivermos o cuidado de não deixar que nosso desenvolvimento fique preso.
.... Dialogar com esses aspectos de nossa psique que instintivamente desviamos para os confins de nosso inconsciente é um pré-requisito. Isso pode ser bastante assustador, porque a sensação que surge é a mesma de quando penetramos na escuridão, no desconhecido, em lugares misteriosos".

A esse respeito diz Marie-Louise von Franz, que estudou profundamente o simbolismo dos contos de fadas:

“ Contos de Fadas são a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo. Conseqüentemente, o valor deles para a investigação científica do inconsciente é sobejamente superior a qualquer outro material. Eles representam os arquétipos na sua forma mais simples, plena e concisa. Nesta forma pura, as imagens arquetípicas  fornecem-nos as melhores pistas para a compreensão dos processos que se passam na psique coletiva. Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fadas existe um material cultural consciente muito menos especifico e, conseqüentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique”.

Fontes: “A mente alerta”, de Jon Kabat-Zinn.Editora Objetiva,RJ 2001.

“ A interpretação dos Contos de Fadas”, de Marie Louise von Franz. Editora Achiamé, RJ, 1981.

ECKHART TOLLE - BUDA



Por Eckhart Tolle

“A realidade duplicada no universo, que consiste em objetos e espaço – materialidade e imaterialidade-, é igual à nossa. Uma vida humana sadia, equilibrada e produtiva é uma dança entre as duas dimensões que constituem a realidade: forma e espaço. A maioria das pessoas se identifica tanto com a dimensão da forma, com as percepções sensoriais, com os pensamentos e com as emoções, que a parte oculta essencial quase desaparece da sua vida. A identificação com a forma as mantém presas ao ego.

Aquilo sobre o que pensamos a respeito, vamos, ouvimos, sentimos ou tocamos é apenas a metade da realidade, por assim dizer. É a forma. Nos ensinamentos de Jesus, isso é chamado simplesmente de  “o mundo” enquanto a outra dimensão é o reino do Céus ou vida eterna”.
Assim como o espaço permite que todas as coisas existam e assim como não poderia haver som sem silencio, nós não existiríamos sem a dimensão essencial se forma que é a nossa essência. Poderíamos chamá-la de “ Deus” caso essa palavra não estivesse tão desgastada pelo uso. Prefiro denominá-la Ser. O Ser á anterior à existência. A existência é forma, conteúdo, “ o que acontece”. A existência é o primeiro plano da vida, enquanto o Ser é uma espécie de pano de fundo.

A doença coletiva da humanidade é o fato de que as pessoas estarem tão absorvidas pelo que acontece, tão hipnotizadas pelo mundo das formas em constante mutação, tão mergulhadas no conteúdo da sua vida, que se esquecem da essência, daquilo que está além do conteúdo, da forma e do pensamento. Elas se encontram de tal maneira consumidas pelo tempo que esquecem a eternidade, que é a sua origem, seu lar, se destino. Eternidade é viver a realidade de quem nós somos.

Anos atrás, quando estive na China, visitei um monumento no alto de uma montanha próxima a Guilin. Nele havia uma inscrição gravada com ouro. Perguntei ao guia chinês o que estava escrito ali.
-Está escrito “Buda”- disse ele.
- Por que há dois ideogramas gravados em vez de um? – quis saber.
-Um significa “ homem”. O outro significa “não”. E os dois juntos  significam “ Buda” – explicou.
Fiquei ali parado completamente perplexo. O ideograma correspondente a Buda já continha todo o ensinamento do mestre. E, para um bom entendedor, o segredo da vida. ali estão as duas dimensões que constituem a realidade – a materialidade e imaterialidade, forma e negação da forma -, o que é um reconhecimento de que a forma não é quem nós somos”.

Do livro: O despertar de uma nova consciência

Editora Sextante.

OS SÍMBOLOS NÃO MORREM



" Nossa psique está profundamente conturbada pela perda dos valores morais e espirituais. Sofre de desorientação, confusão e medo, porque pées forces" dominantes e que até agora mantiveram em rdem nossa vida. Nossa consciencia já não é capaz de integrar o afluxo natural dos epifenomenos instintivos que sustentam nossa atividade psíquica consciente. Isto já não é possível como antigamente, porque a própria consciencia se privou dos orgãos pelos quais poderiam ser integradas as contribuições auxiliares dos instintos e do inconsciente. Esses orgãos eram os símbolos luminosos, considerados sagrados pelo consenso comum, isto é, pela fé.

Um conceito como matéria física, despido de sua conotação numinosa de " Grande Mãe" já não expressa o forte sentido emocional de " Mãe Terra". É um simples termo intelectual, seco qual pó e totalmente inumano. Da mesma forma, o espírito  identificado com o intelecto cessa de ser o Pai de tudo e degenera para a compreensão limitada das pessoas. E a poderosa quantidade de energia emocional expressa na imagem de "nosso Pai" desaparece nas areias de um deserto intelectual.

Por causa de mentalidade científica, nosso mundo se desumanizou. O homem está isolado no cosmos. Já não está envolvido na natureza e perdeu sua participação emocional nos acontecimentos naturais que até então tinham um sentido simbólico para ele. O trovão já não é a voz de Deus nem o raio seu projétil vingador. Nenhum rio contém qualquer espírito, nenhuma árvore significa uma vida humana, nenhuma cobra incorpora a sabedoria e nenhuma montanha é ainda habitada por um grande demonio. Também as coisas já não falam conosco, nem nós com elas, como as pedras, fontes, plantas e animais. Já não temos uma alma da selva que nos identifica com algum animal selvagem. Nossa comunicação direta com a natureza desapareceu no inconsciente, junto com a fantástica energia emocional a ela ligada.



Esta perda enorme é compensada pelos símbolos de nossos sonhos. Eles trazem novamente à tona nossa natureza primitiva com seus instintos e modos próprios de pensar. Infelizmente, poderíamos dizer, expressam seus conteudos na linguagem da natureza que nos parece estranha e incompreensível. Isto nos coloca a tarefa incomum de traduzir seu vocabulário para os conceitos e categorias racionais e compreensíveis de nossa linguagem atual que conseguiu libertar-se de sua escória primitiva, isto é, de sua participação mística com as coisas. Falar de espíritos e de outas figuras numinosas já não significa invocá-los. Já não acreditamos em fórmulas mágicas. Já não restaram muitos tabus e restrições semelhantes. Nosso mundo parece ter sido desinfetado de todos esses numes " supersticiosos" como " bruxas, feiticeiros e duendes" para não falar de lobisomens, vampiros, almas da floresta e de outras entidades estranhas e bizarras que povoam as matas virgens".


OC, 18/1 cap 67 paragrafos 583 a 586

do livro:Espiritualidade e Transcendência

Carl Gustav Jung

Seleção e edição de Brigitte Dorst

PASSAGENS....JEAN-YVES LELOUP


Por Jean-Yves Leloup
Sede passantes
Este tema da passagem é o tema da Páscoa.
Pessah em hebraico, quer dizer passagem.
A passagem, no rio, de uma margem à outra margem,
a passagem de um pensamento a outro pensamento,
a passagem de um estado de consciência
a outro estado de consciência.
A passagem de um modo de vida
a um outro modo de vida.
Somos passageiros.
A vida é uma ponte e, como diziam os antigos,
não se constrói sua casa sobre uma ponte.
Temos que manter, ao mesmo tempo,
as duas margens do rio, a matéria e o espírito,
o céu e a terra, o masculino e o feminino e
fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes,
sabendo que estamos de passagem.
É importante lembrar-se do carácter passageiro de nossa existência,
da impermanência de todas as coisas,
pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar
o que não foi feito para durar.
A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna,
é a abertura do coração humano ao coração divino.
É a passagem da escravidão para a liberdade,
passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus,
do Egito para a terra Prometida.
Mas não é preciso temer o Mar Vermelho.
O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações.
Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades,
para tocar a terra da liberdade,
o espaço da liberdade que existe dentro de nós.
Sede passantes.
Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite
para continuarmos nosso caminho
a partir do lugar onde algumas vezes paramos.
Observemos o que pára a vida em nós,
o que impede o amor e o perdão,
onde se localiza o medo dentro de nós.
É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.
Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz,
não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.


FELIZ PÁSCOA!


Por Tereza Kawall

Do ponto de vista dos alquimistas, o ouro físico e o ouro psíquico eram a mesma coisa e eles não estavam interessados no “ouro vulgar”, mas sim, no “ouro filosófico”.

As diferentes fases do processo alquímico tinham uma relação direta com as posições planetárias, uma vez que as duas formas de conhecimento estava baseadas naquilo que hoje entendemos como o “ princípio das correspondências” e do “ tempo qualitativo”. Os metais transformados tinham a mesma substância ou o mesmo principio vibratório e energético dos planetas, e havia o tempo certo para as coisas acontecerem.

O Sol astrológico é o símbolo maior da identidade pessoal, da essência criativa que se manifesta na vontade humana, o esforço do homem em tornar-se o que é, e encontrar um propósito para a vida.

O pressuposto alquímico é que o Sol, simbolizado pelo ouro, é a própria imagem de Deus, assim como o coração é a imagem do sol no homem. O ouro é o símbolo solar por excelência, a revelação do plano divino na terra. Não por acaso, reis e papas têm as suas coroas e outros adornos feitos em ouro.

Em analogia, o sol alquímico é sobretudo, o símbolo do renascimento das forças espirituais, a centelha do fogo divino no homem.
A “Grande Obra” ou a “Pedra Filosofal” era a descrição de um processo bastante complexo, da transformação da natureza humana, a fim de que ela pudesse espelhar o seu aspecto divino. O objetivo da obra era achar Deus na matéria, e o metal ouro, cuja natureza nobre e brilhante era o símbolo do eu espiritual transformado. A “opus” estaria destinada a aperfeiçoar o homem, a obra inacabada de Deus.

Ao final do processo, havia a imagem da coniunctio, uma conjunção do Sol e da Lua, e que  também era simbolicamente, o casamento sagrado do Rei e da Rainha.
 Em síntese, havia uma integração dos opostos, da vida inconsciente e consciente. As imagens alquímicas, da mesma forma que os mitos ou os contos de fada, representam diferentes etapas do desenvolvimento psicológico. Da mesma maneira um mapa astrológico individual descreve uma ”opus” individual, o trabalho de toda uma vida.



https://www.facebook.com/JUNG-online-1099583936733346/?fref=ts

OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS DE JUNG



OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS (2)
“ Quando JUNG publicou “ Tipos psicológicos”, em 1921, Freud foi um dos primeiro s ler – e rejeitá-lo como “ a obra de um esnobe e místico, nenhuma idéia nova(...) Não há grande dano a se esperar desse lado”. O livro é, com Freud também notou, “ enorme, com 700 páginas”.
A principal objeção que ele levantou era que JUNG ainda estava insistindo, como fizera desde a publicação de “Símbolos da Transformação”, em 1913, que não poderia haver “ verdade objetiva” na psicologia, por causa das “ diferenças pessoais na constituição do observador”, ou, como JUNG agora a definia, na “ tipologia”. Jung escrevera Tipos Psicológicos pensando na primazia do sexo, para Freud, e do poder, para Adler, e expressou com avidez suas diferenças em relação a ambos.

Num sentido muito real, a gênese do livro ocorreu em torno de 1913, quando Jung se separou da ortodoxia freudiana; é razoável dizer que a obra inteira, até a publicação de 1921, pode ser lida como observações sobre uma teoria da tipologia unificada, que iria surgindo aos poucos. A sombra de Freud pesa sobre o trabalho, a partir do momento que a extroversão deste e a introversão do próprio Jung fornecem uma explicação conveniente para o fato de eles não terem conseguido controlar as divergências.

(...) O livro é uma espantosa compilação das leituras extensivas de Jung, mas não há referência alguma ao que ele lera antes de escrever Símbolos de Transformação. Simplesmente examina o problema dos tipos como ele ocorre nos diversos textos que serviriam de esteio durante os muitos anos futuros, as referencias-padrão que ele repisava incessantemente para sustentar suas posições teóricas. Por sorte, escolheu bem, porque selecionou obras que eram as melhores em poesia, psicopatologia, estética, filosofia moderna e biografia ( entre outras áreas).

Dedicou um capitulo aos tipos de William James, especialmente aos pares característicos de opostos, “ mentalidade rígida” e ‘ mentalidade suave” que examinou de muitos modos diferentes. Reconheceu que o problema dos tipos fascina a humanidade desde sempre, das antigas astrologia, quiromancia, frenologia, fisiognomonia e grafologia aos mais recentes, como Wilhelm Ostwald e Otto Weininger. Jung admitiu que escolhera escrever apenas sobre aquelas teorias que sustentassem a sua idéia, mas não insistiu que essa era “ única teoria dos tipos verdadeira ou possível”.

(...) Jung guardou a própria tipologia para o ultimo capitulo, que compreendia as cerca de 150 páginas finais do texto. Às “atitudes’ do introvertido e do extrovertido, ele acrescentava ainda outras quatro diferenciações chamadas de funções. Agora adotar as sugestões de Schmid e Toni Wolff, e deu ao “ sentimento” e ao “ pensamento condição igual à “ intuição” e “ sensação”. Agrupou sentimento e pensamento sob a rubrica de “ racional’ enquanto a sensação e a “ intuição tornaram-se “ não racionais”.
Reconhecia também a importância das funções não racionais para o desenvolvimento da psique, porque elas permitiam um conhecimento a priori, algo que ele captara, mas que não conseguira fisgar, no diálogo com Schmid. “ Uma teoria sobre os tipos deve ser mais sutil”, acreditava ele, e, em seu esquema, as duas atitudes e as quatro funções permitiam um total geral de oito tipos psicológicos possíveis.

Nos anos que se seguiram à publicação de 1921, várias vezes perguntaram a Jung por que ele propusera um sistema composto de dois tipos, quatro funções e oito tipos possíveis. “ Quem existam exatamente quatro, esta é uma questão de fato empírico”, era sua reposta consistente:
“As quatro funções são mais ou menos como os quatro pontos cardeais; são arbitrários, mas também indispensáveis. Nada impede que mudemos os pontos cardeais tantos graus quantos queiramos, numa direção ou na outra, e nada nos impede de lhes dar nomes diferentes. É apenas uma questão de convenção e de capacidade de compreensão”.

JUNG – uma biografia (Volume l)
Deirdre Bair, Editora Globo, pag 371
Imagem dos os 4 pontos cardeais, 4 funções, 4 estações e 4 elementos.

OS TIPOS PSICOLÓGICOS (1)


OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS
Por Tereza Kawall
O livro “ Tipos psicológicos” foi lançado no ano de 1921. No prólogo encontramos as palavras do próprio Jung:
“ Este livro é fruto de quase vinte anos de trabalho no campo de psicologia prática. Foi surgindo aos poucos no plano mental: às vezes,das inúmeras impressões e experiências que obtive na práxis psiquiátrica e no tratamento de doenças nervosas; outras vezes, do relacionamento com pessoas e de todas as classes sociais; de discussões pessoais com amigos e inimigos, e, finalmente, da crítica às minhas próprias idiossincrasias psicológicas”.
Segundo Jung, “toda maneira de ver é relativa e todo julgamento de um homem é limitado de antemão pelo seu tipo de personalidade”.

Na visão da psicologia analítica, a psique tem alguns modos básicos de funcionamento. Os conceitos junguianos de extroversão e introversão baseiam-se no movimento da libido em relação ao objeto. Por libido entenda-se que estamos falando da energia psíquica da pessoa como um todo. Na atitude extrovertida ela flui em direção ao objeto, e no caso da introversão, ela recua frente ao objeto. De um modo geral entendemos que:
As características marcantes do tipo introvertido são:
Primeiro pensa, depois age, hesitante em relação ao mundo
Mais voltado para a reflexão e a análise
Orientado por fatores internos
Tem uma postura reservada e questionadora
Prefere a comunicação escrita e ambientes calmos
Do tipo extrovertido são:
Impulso para a ação
Mais voltado para o mundo externo
É assertivo em relação ao objeto
É mais confiante, acessível e sociável
Não considera fatores subjetivos
Voltado para o agora

Nesse modo estrutural em que se percebe uma dualidade direcional psíquica, há também uma estrutura quaternária: as quatro funções da consciência, que mostram como a energia psíquica opera. São como os quatro pontos cardeais que a consciência dispõe para se organizar no mundo, e adaptar-se a ele.
São elas:
1. função sensação, que registra conscientemente fatos exteriores e interiores, de modo irracional; é atento aos detalhes do ambiente externo. Gosta dos prazeres dos sentidos, é pragmático, rotineiro.
2. função intuição, que indica a apreensão de potencialidades futuras; busca a inspiração criativa; desloca-se facilmente para o futuro, mudança ou inovação; percebe melhor o todo. É bom em projetos, tem um faro, um feeling, gosta de pesquisas, apóia idéias arrojadas. Dificuldade em concretizar.
3. função pensamento, por meio da qual o nosso ego conscientemente estabelece uma ordem lógica racional entre os objetos. Toma decisão baseada na causalidade lógica dos eventos; pode aparentar frieza em seu julgamento, valoriza o pensamento sobre o sentimento.
4. função sentimento, que seleciona hierarquias de valor para o mundo, de afeição ou rejeição pelo objeto.Sentimento aqui não é afeição, mas a dimensão valorativa das coisas, com juízos de valor, gostar ou não gostar. Valoriza o sentimento sobre a lógica , é sempre apaziguadora.
Cito Nise da Silveira em um breve resumo das funções da consciência:
“ A sensação contata a presença das coisas que nos cercam e é responsável pela adaptação do indivíduo à realidade objetiva.
O pensamento esclarece o que significam os objetos. Julga, classifica, discrimina uma coisa da outra. O sentimento faz a estimativa dos objetos. Decide o valor que têm para nós. Estabelece julgamentos como o pensamento mas a sua lógica é toda diferente. É a lógica do coração.
A intuição é uma percepção via inconsciente. É “a apreensão da atmosfera onde se movem os objetos; de onde vêm e qual o possível curso de seu desenvolvimento”.
Livro: “Jung, Vida e Obra”

Muito importante ressaltar que Jung, em sua enorme pesquisa sobre a tipologia humana sempre tomou o cuidado de nos alertar sobre o fato de sua classificação não deveria ser levada ao pé da letra, vale dizer, não era a única possível. Pessoas não devem ser rotuladas, e as tipologias não descrevem a personalidade de forma definitiva, é preciso considerar também o momento que o indivíduo está atravessando. E claro, que todos podemos mudar e desenvolver outras funções conforme o processo de individuação vai acontecendo ao longo da vida. Jung mesmo dizia que passaremos pelo oposto de nossas intenções em nome da nossa totalidade!!
Desenho: M.C. Escher, 1922
Foto de Clark Little


Sobre imagens do Sol e da água escreveu Carl G. Jung:

...“Para isto, devemos nos reportar, mais uma vez ainda, à série de símbolos de que já tratamos, mas desta vez levando em conta o seu significado. O sol, que encabeça a série, é a fonte do calor e da luz e o centro inegável de nosso mundo visível. Por isso, como dispensador da vida, ele tem sido, por assim dizer, em todos os tempos, e em todos os lugares, ou a divindade em pessoa, ou, pelo menos uma de suas imagens. Até mesmo no universo das representações cristãs é uma alegoria muito difundida de Cristo.

Uma segunda fonte da vida é, particularmente nos países meridionais, a água que, como se sabe, desempenha um papel de importância na alegoria cristã, como, por exemplo, na figura dos quatro rios do paraíso e da fonte que jorra  ao lado do monte do templo. Essa última foi comparada com o sangue que saiu da chaga de Cristo na cruz. Neste contexto quero lembrar o diálogo de Cristo com a Samaritana junto ao poço de Jacó, bem como os rios de água viva que haveriam de brotar do lado de Cristo.
                                                                                         
Uma meditação sobre o sol e a água evocará estas e outras relações de sentido, que levarão o contemplador gradualmente do plano inicial das aparências externas para o plano de fundo das realidades ou, em outras palavras, para o sentido espiritual dos objetos de sua meditação que se acha por trás dessas aparências. Com isso ele se transfere para a esfera do psíquico, onde o sol e a água são despidos de sua objetividade física, e conseqüentemente, transformados em símbolos de certos conteúdos psíquicos ou em imagens da fonte da vida dentro da própria alma.

Nossa consciência não se cria em si mesma, mas emana de profundezas desconhecidas. Desperta gradualmente na criança, e cada manhã, ao longo da existência, desperta das profundezas do sono, saindo de um estado de inconsciência. É como uma criança que nasce diariamente das profundezas do inconsciente materno. Sim, um estudo mais acurado da consciência nos mostra claramente que ela não é somente influenciada pelo inconsciente, como também emana constantemente do abismo do inconsciente, sob a forma de inúmeras idéias espontâneas. Por isso, a meditação sobre o significado do sol e da água é como uma descida à fonte psíquica, ou, em outras palavras, ao nosso inconsciente”.

Do livro: Espiritualidade e Transcendência, textos de Carl G. Jung


Seleção e edição de Brigitte Dorst, editora Vozes, 2015.

2016 E OS SÍMBOLOS SOLARES

EM 2016, A PARTIR DE 21 DE MARÇO ESTAREMOS SOB A REGENCIA DO NOSSO ASTRO REI!

Por Tereza Kawall

O ano de 2016 estará sob a regência do Sol, que por sua vez é o regente do signo de Leão.

Estão favorecidas todas as atividades que estejam relacionadas às qualidades solares: autenticidade, luz, alegria, criatividade, autoridade e generosidade. Esse ano será, portanto, mais vibrante e decisivo, pois são essas as qualidades que estarão mais disponíveis para a nossa consciência e para as   nossas ações.                                                                                            

Sol na Astrologia

 Na simbologia astrológica, o Sol representa a força vital, a luz, a criatividade, a busca pela consciência, o espírito humano, o poder, senso de autoridade, força de atração e da manutenção da vida.
Relacionados à força solar temos também o princípio paterno, o logos, a vontade, habilidade executiva, a generosidade, a fé, a coragem, o impulso por autonomia e pelo desenvolvimento físico e mental. De uma forma mais prosaica, basta pensarmos num dia de sol, em que tudo tem mais colorido e calor. Cria-se assim uma predisposição ao movimento, ao encontro, a vontade de interagir com a vida.

Neste novo ciclo, estaremos mais conscientes de nossa própria força e valor pessoal, e para isso há também temos fazer um esforço nesta direção. É importante dizer que para que possamos nos sentir mais realizados e felizes devemos expressar mais as qualidades do nosso signo solar.

Na arte de interpretação, o Sol é visto como sendo o próprio coração no mapa individual, pois é ali onde pulsa e vibra a vida do indivíduo, seus interesses e motivações fundamentais.
Assim, neste ano de 2016,  tudo poderá acontecer dentro de um contexto de mais coragem , superação e força, pois são as conquistas por nós feitas diariamente é que vão definindo ao longo da vida esse  “ eu” solar.Todos nascemos imperfeitos e inacabados e assim, esse projeto solar se estende até o fim da vida. Na psicologia profunda isso se relaciona ao processo de “ individuação” que vai até o fim de nossa vida.

 O Sol está relacionado à nossa visão, à luz e a consciência.
As coisas tendem a se  revelar aos nossos olhos de forma mais nítida, mais clara. Isso implica também em mais responsabilidade em relação a tudo o que nos cerca. Dito de outra forma, podemos muitas vezes nos enganar, mas não podemos mentir para nós mesmos. Assim, é hora de nos lançarmos em direção a verdade, pois a luz dia e do sol cumpre essa função de mostrar e revelar aquilo que antes, ainda num plano obscuro ou inconsciente, não podíamos enxergar.

Não por acaso, muitas coisas associadas aos símbolos solares nos remetem à idéia de luz, brilho, vitalidade, cores fortes:

Elemento: Fogo

Signo que rege:  Leão

Ritmo: Fixo

Função psíquica: Atração

Natureza: dramática, individualista, exuberante, emotiva, apaixonada, generosa.

Metal: Ouro

Pedra preciosa: diamante

Cores: dourado e amarelo

Animal: Leão

Flor: Girassol

Símbolo:  O Sol é a imagem do espírito concentrado. O símbolo do Sol é um círculo com um ponto em seu centro – o foco e o criador do sistema solar simultaneamente.

E quanto às atividades e profissões relacionadas ao Sol nós temos também:

Posições de poder, juízes, políticos, líderes, atividades esportivas, atividade circense, dramaturgia, joalheria, artes cênicas, música, cardiologia, oftalmologia.

Foto: Yuri Prokopenko