Boas surpresas!



As conseqüências do avanço científico e neurotecnológico são de fato imprevisíveis. O poder que o progresso técnico confere é como um avião a jato - pode ser usado para aumentar a liberdade e o bem estar ou para a realização de atentados terroristas e o bombardeio de civis indefesos. O avanço dos meios é patente, mas e os fins?

Nenhum sistema sócio-economico, salto tecnológico, descoberta científica, dogma religioso ou pacote ideológico resolverá os nossos problemas por nós. A questão fundamental que temos pela frente é de ordem ética. A velha pergunta socrática - como viver- nunca foi mais urgente.
O saldo do século XX, estamos de acordo, não foi nada animador. Mas a esquisitice do ser humano é tamanha que dela se pode esperar qualquer coisa, inclusive – porque não?- boas surpresas.

Quem sabe a banalização da felicidade não leve os homens se darem conta de que, nesta vida, nada é tudo, nem mesmo a felicidade? Foi graças ao sofrimento e à dor que o animal humano adquiriu a autoconsciência. É a consciência do sofrimento e do júbilo compartilhados que nos une e nos vincula uns aos outros.

A dor e o mistério de existir são prerrogativas das quais a humanidade jamais consentirá em abrir mão. A magia e o encanto da existência - estar vivo e viver entre os vivos - se renovam nessas fontes.
O absurdo e a inquietude têm suas compensações”.


Eduardo Gianetti
do livro: Felicidade
Companhia das Letras, SP.

Comentários

Adelia Ester disse…
A banalização da Vida está cada vez mais em alta. Quanto mais se ascende num nível tecnológico, mais se decresce em nível de princípios morais. A Ética Humana decadente, gera cada vez mais prejuízos. Isto, por sua vez, já leva à uma reflexão inquietante no sentido de se tentar reformular os padrões de vida atual. Um ótimo feriado, Tereza! Beijos. P.S. Recebeu meu mail?

Postagens mais visitadas deste blog

Labirinto de Chartres

CRISTO, ARQUÉTIPO DA SÍNTESE E DO SELF

PARACELSO E OS ELEMENTAIS