I KNOW ( HIM)


O DEUS DE JUNG.
Quando Jung fala de religião não está nunca se referindo a qualquer credo ou a qualquer igreja em particular. O que o interessa é a atitude religiosa como função psíquica natural, é a experiência religiosa na qualidade de processo psíquico. No seu trabalho de analista verificou as múltiplas manifestações do fenômeno religioso e sua importância dentro do funcionamento da psique.Somente depois da publicação póstuma das MEMÓRIAS é que ficamos conhecendo a posição religiosa pessoal de Jung. Na sua obra científica, como vimos, ele se refere ao arquétipo de Deus na psique, à imagem de Deus, mas nunca fez afirmações ou negações concernentes à existência de Deus. Mas, através das páginas das MEMÓRIAS Jung revela-se como um homem para quem Deus era “uma experiência imediata das mais certas”.

No capitulo Anos de Colégio, lemos: "Como cheguei a minha certeza sobre Deus? Apesar de todas as coisas que me haviam dito referentes ao assunto, no fundo, eu não podia crer em nada. Nada me havia convencido. Não era portanto daí que vinha minha convicção. E, aliás, não se tratava de uma idéia, de algo que fosse fruto de minhas reflexões, nada que fosse imaginado. Não era como se a pessoa imaginasse e representasse um objeto para depois crer. Por exemplo, a história do Senhor Jesus sempre me pareceu suspeita e nunca acreditei seriamente nela.

Entretanto me fora sugerida com muito mais insistência do que "Deus", que somente era evocado num plano distante. Por que Deus era para mim uma evidência? Por que certos filósofos pretendiam que Deus fosse uma idéia, uma espécie de suposição arbitrária que pudesse ser “inventada" ou não, quando é perfeitamente evidente que Ele existe, tão evidente quanto um tijolo que caia sobre a cabeça de uma pessoa? De súbito tornou-se claro que, pelo menos para mim, Deus era uma experiência imediata das mais certas."

Numa entrevista famosa concedida à BBC de Londres dois dias antes de completar 80 anos, Jung declarou: "Não necessito crer em Deus: eu sei (I know)."
Estas palavras desencadearam tão grande celeuma que Jung publicou uma carta esclarecendo-as. Não pretendeu dizer: “Conheço um certo Deus (Zeus, Jeová, Allah, o Deus Trinitário, etc), mas: sei com segurança que me confronto com um fator desconhecido em si, ao qual chamo Deus".
E algumas linhas abaixo: “Desde que experimento minha colisão com um poder superior dentro de meu próprio sistema psíquico, eu tenhoconhecimento de Deus”.

Foto: inscrição em latim na porta de entrada em sua casa, em Küsnacht, que quer dizer:
"Inovado ou não invocado Deus estará presente"

Nise da Silveira JUNG, VIDA E OBRA.
Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro,1981.


ASTROLOGIA, KARMA E BUDISMO



                                           
“O Karma não é um castigo, se sim uma missão que viemos cumprir, e é bom ressaltar que nada nos é imposto, Há condições de escolhas, há livre-arbítrio. A vida é uma nova oportunidade de refazer o que foi malfeito e realizar sua programação atual....

Um indivíduo não foi condenado pelo destino ou pelos céus a ter uma vida condicionada a erros passados. Não voltou apenas para pagar dívidas. Foi dado a todos um livre-arbítrio ((parcial, é claro), com o qual se pode criar soluções inovadoras e aproveitar todas as ocasiões para melhorar. Os budistas ensinam ainda que escolhemos nosso país, local e condições para uma nova vida. Isso inclui até a escolha do momento do nascimento.
É importante lembrar que essas escolhas “anteriores” foram restritas ao plano mental do passado. Foi “ aquela” mente antiga que decidiu, e depois que chegamos na vida material, as decisões tomadas nem sempre nos agradam.

Porém, a astrologia nos ajuda a descobrir nossas qualidades, nossos trunfos para enfrentar a vida com mais ânimo e coragem. Pelo dia de nascimento, pela família escolhida e pela idade astral que cada um traz no plano mental, nos tronamos seres únicos no universo. Ninguém se iguala a ninguém, e isso faz toda a diferença na interpretação dos mapas. Embora no mesmo dia nasçam centenas de crianças em todos os lugares do mundo, ninguém é igual, ainda que tenham mapas semelhantes ou até iguais.
Todos vêm com uma herança genética e com idades astrais diferentes. Quanto mais “idade” tivermos, mais experiências somamos. Sabe-se que os gênios mais conhecidos da humanidade, desde cedo, demonstraram ter conhecimentos incompatíveis com sua idade cronológica. Diz-se que são “almas velhas”, muito vividas, que ultrapassaram os padrões vigentes. Sabem mesmo sem aprender e têm uma criatividade muito acima da normal. A idade astral é a idade mental. Idade da consciência, é o conjunto de características que faz aquele indivíduo único.

É a reunião de dados peculiares àquela pessoa que o singulariza entre todos os outros, tais como: nível de maturidade, de sensibilidade, de percepção, de capacidade e interesse em aprender, o grau de participação no mundo e o nível de inteligência. A inteligência, assim como todos os outros dons inatos, são elementos subjetivos. Até hoje, com todo o avanço da ciência, não se pode mensurá-la quantitativamente”
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Do livro: Astrologia e Budismo - conversa entre dois saberes milenares.
M. Eugenia de Castro & Gustavo Alberto Correa Pinto
 Editora Saberes, 2011, Campinas, SP.