O FAROL



  O FAROL

Tereza Kawall

A imagem de um farol sempre nos remete aos símbolos que habitam nossa alma.
Um farol é uma espécie de inspiração para o viver,
Para as inexoráveis turbulências que nos alcançam ao longo da vida,
Quando o mar das emoções se agita, as ondas sobem e descem em vagalhões
Por vezes nos deixam sem fôlego e ou direção.
Quem nunca ficou a deriva de si mesmo, ou não se afogou nessas tempestades  psíquicas?
Mas o farol lá permanece,
Firme e aparentemente indiferente às intempéries externas e internas.
Altivo e resiliente,  bem sabe que tudo é passageiro ou circunstancial,
Pois uma hora os ventos irão se dissipar, as correntes marítimas serão apaziguadas,
O oceano retomará suas ondulações mais suaves
E sobre seu imenso verde-azul, o dia amanhecerá.
Estar em conexão com esse farol interno é ter uma genuína certeza,
De que por mais escuras que sejam as noites,
O sol sempre estará a caminho, iluminando nossa psique,
Relativizando as inquietações noturnas.
Poderia dizer que a matéria prima deste farol é a própria fé,
Mas é provável que isto soe um pouco místico e  idealista demais.
Então eu tentaria salpicar essa fé com alguns condimentos
Tais como a esperança, o otimismo e a entrega.
Ainda assim não me convenço muito desses pressupostos anímicos
Para encontrar uma definição melhor.
O farol para mim é, sobretudo, a altivez do espírito
Com a qual se atravessa uma tempestade
È também a visão do alto e de longo alcance, que nos permite ver tudo e todos
Dentro da perspectiva de que todos os fenômenos, sejam eles celestiais ou infernais
São um longo e contínuo processo de aperfeiçoamento da nossa consciência
Para melhor realizarmos essa grande aventura chamada VIDA
E assim, continuamos a travessia das águas,
Mesmo sem saber aonde exatamente ela nos levará.

28/04/2017

O QUE É UM SONHO?


O que é um sonho?

"O sonho é uma porta estreita, dissimulada naquilo que a alma tem de mais obscuro e íntimo; essa porta se abre para a noite cósmica original, que continha a alma muito antes da consciência do eu e que a perpetuará muito além daquilo que a consciência individual poderá atingir. Pois toda a consciência do eu é esparsa; distingue fatos isolados, procedendo por separação, extração e diferenciação; só o que pode entrar em relação com o eu é percebido.

 A consciência do eu, mesmo quando afloram as nebulosas mais distantes, é feita de enclaves bem delimitados. Toda consciência especifica. Mediante o sonho, inversamente, penetramos no ser humano mais profundo, mais geral, mais verdadeiro, mais durável, mergulhado ainda na penumbra da noite original, quando ainda estava no Todo e o Todo nele, no seio da natureza indiferenciada e despersonalizada. O sonho provém dessas profundezas, onde o universo ainda está unificado, quer assuma as aparências mais pueris, as mais grotescas, as mais imorais".

  “Os sonhos não são invenções intencionais e voluntárias, mas, pelo contrário, são fenômenos naturais que não diferem daquilo que representam. Não iludem, não mentem, não deformam, não encobrem, mas comunicam ingenuamente o que são e o que pensam. Só são irritantes e enganadores senão os compreendermos. 

Não utilizam artifícios para dissimular alguma coisa; dizem à sua maneira o que constitui o seu conteúdo e da maneira mais nítida possível. Mas, quer sejam originais ou difíceis, a experiência demonstra que sempre se esforçam por exprimir algo que o eu não sabe e não compreende.” 

Carl G. Jung, em Memórias, Sonhos, Reflexões, Editora Nova Fronteira, RJ.          

Quadro: O Cavaleiro do Circo, Marc Chagall, 1927       

PARACELSO NA VISÃO DE JUNG


Texto sobre Paracelso do livro : O espírito na arte e na ciência.

“ O médico não deve ser apenas um alquimista, mas também astrólogo, pois um asegunda fonte de conhecimento é o firmamento ou o céu. Em Labyrinthus Medicorum, diz Paracelso: que as estrelas no céu “ devem ser agrupadas” e o médico deveria “ tirar daí a sentença do firmamento”. Sem esta arte de interpretação das constelações astrais, o médico seria um pseudomedicus. Pois o firmamento não é um mero céu estrelado cósmico, mas um corpo que, por sua vez, é uma parte ou o conteúdo do corpo humano e visível. “ Onde está o corpo, diz ele, aí também se reúnem as águias....  e onde se encontra a medicina, si se reúnem os médicos. O corpus do firmamento é o correspondente corpóreo do céu astrológico. “E uma vez que a constelação astrológica possibilita o diagnóstico, indica também a terapia”.

Isto nos leva, sem querer, a pensar na famosa expressão de KANT: “ o céu estrelado sobre mim” e a “lei moral em mim”, cujo “imperativo categórico” psicologicamente falando, substituiu de modo perfeito a heimarmene ( compulsão dos astros) dos estóicos. Não há dúvida de quem nesses caso, a intuição de PARACELSO tenha sido  influenciada pela idéia hermética básica do “céu em cima” e “ céu embaixo”.(*) Em sua concepção sobre o céu interior, ele se baseou numa imagem eterna primordial que foi implantada nele e em todos os homens e torna a aparecer em todos os templos e lugares. Em cada ser humano, diz ele, existe um céu particular, inteiro e intacto.

                                                                                        “Então um criança que é concebida já tem seu próprio céu”  “ Assim como se apresenta o céu, assim é impresso na nascimento”. O homem tem “ seu pai.... no céu e também no ar; é uma criança feita e nascida do ar e do firmamento” Existe uma línea láctea no céu e em nós. A galáxia passa pelo ventre. Os pólos e o zodíaco estão igualmente dentro do corpo humano. “Torna-se então necessário que um médico conheça, entenda e saiba os ascendentes as conjunções, a exaltação dos planetas etc e todas as constelações: conhecendo estas coisas eternamente no Pai, irá conhecê-las em todo homem, mesmo que o numero de homens seja tão grande e que vocês ( médicos) sejam muitos: onde encontrar a saúde, a doença, o começo, a saída, o fim, a morte. Assim o céu é o ser humano e o homem é o céu, e todos os homens um só céu e o céu um só homem”. O chamado Pai do céu é próprio céu estrelado”

... A medicina moderna não pode mais entender a alma como simples apêndice do corpo e por isso começa a levar cada vê mais em consideração o assim chamado “ fator psíquico”. Aproxima-se de certa forma novamente da concepção paracélsica da matéria animada pela psique, resultando daí que todo o  fenômeno espiritual do próprio PARACELSO foi outrora o pioneiro da ciência médica, parece-nos que hoje se tornou o símbolo de uma importante modificação de nossa concepção sobre a natureza da doença e sobre a essência da vida em si”

Palestra proferida por Jung em 1929, no clube literário de Zurique.

(*) PARACELSO conhecia, em todo o caso, o texto da Tabula smaradigna, que é a autoridade máxima da Alquimia da Idade Média. O texto é o seguinte:
Quod est inferius est sicut quod est superius.
Quod est superius est sicut quod est inferius.
Ad perpetranda miracula rei unius”.

Tradução:
“O que está embaixo é como o que está em cima.
 O que está em cima é como o que está embaixo.
 Para realizar  os milagres de uma só coisa”
Carl Gustav Jung, em “ O espírito  na arte e na ciência, CW 15, editora Vozes.



O novo ano astrológico terá início no dia 20 de março, às 19 hs!

O Almanaque é uma publicação anual da Editora Pensamento. O primeiro foi publicado em 1913, e assim ele completa agora 107 anos! E é um sucesso desde então entre um público bastante diversificado e curioso sobre o milenar conhecimento astrológico.

Nele, os leitores podem saber as melhores fases para o plantio e cultivo da terra, tendo como base a passagem da Lua nos doze signos zodiacais e suas diferentes fases.
Além do calendário agrícola, você encontrará as datas e horários corretos para o início das quatro estações do ano, as fases lunares, os eclipses anuais da Lua e do Sol, e as dicas do Horóscopo Chinês.
Alem disso, os eleitores podem saber a orientação astrológica para o seu dia a dia, assim como as previsões mensais para todos os signos durante o ano inteiro.
O Almanaque traz também as previsões sobre as tendências relacionadas aos eventos sociais, políticos e econômicos do Brasil.
E outras novidades!
Sem dúvida , um bom companheiro para sua vida...
Bom proveito e um feliz 2019!
Tereza Kawall
Você poderá encontrá-lo em algumas bancas de jornais, livrarias e também no site da editora abaixo:

VON FRANZ, COLABORADORA DE JUNG


Marie-Louise von Franz a grande colaboradora de JUNG

Ele não poderia ter terminado de escrever tantos textos em relativamente tão pouco tempo sem Marie-Louise von Franz, que se tornou sua mais dedicada colaboradora nos últimos anos da guerra. Pesquisadora extremamente diligente, ela seguia trilhas vagas por todas as bibliotecas e livrarias de livros antigos na Europa, desenterrando textos alquímicos raros que permaneceram séculos sem uso.

Para colocá-los num contexto histórico, investigou a história e a biografia dos autores, esse dedicado trabalho de detetive que levou a novos autores e textos que, de outro modo poderiam ter escapado a Jung. Ela estudou para tornar-se especialista na decifração de latim medieval esotérico escrito à mão, e depois traduzia os textos obscuros para o alemão contemporâneo, fazendo com que Jung economizasse anos de trabalho. Como observadora de primeira mão do trabalho dele, Marie-Louise estava em posição única para descrever o que aconteceu aos textos quando a alquimia se tornou seu interesse principal.
 O método usual de Jung era a “ circularidade”, rondar em torno de um assunto, desviar-se para digressões e pular de um tópico aparentemente não relacionado para outro, antes de subitamente voltar a centrar-se sobre o tema principal. Os leitores o acusavam de não se capaz de expressar suas idéias com ordem, clareza e precisão, mas Marie-Louise argumentou que ele fazia isso ‘ de propósito”:
"Ele escreve com uma atitude dupla, fazendo justiça plena aos paradoxos do inconsciente. Descreve os fenômenos psíquicos a partir de um ponto de vista empírico. Buda uma vez disse que tudo o que ele falava era para compreendido em dois níveis, e os textos de Jung também têm esse duplo patamar, esses dois níveis”. Pag 156; 157

“ Todos esses escritos, por todos os homens citados acima e outros não mencionados aqui, dão um insght quanto ao desenvolvimentos das idéias maduras de Jung e à maneira pela qual ele subseqüentemente as expressou. A palavra “ homem” é usada deliberadamente, porque só houve uma mulher cujo brilho intelectual Jung respeitasse: Marie-Louise von Franz.
 Ele achava Jolande Jacobi, autora de respeitado livro publicado pela primeira vez em 1942, e ainda em catálogo hoje, The Psychology of C.G. Jung apenas sua explicadora oficial, a melhor explicadora da sua psicologia. Toni Wolff raramente escrevia, e Linda Fierz-David e Barbara Hannah eram talentos menores simplesmente porque não possuíam o conhecimento enciclopédico  de Von Franz.

Ela era uma mulher brilhante, cujos pensamentos e textos sempre começavam com seu invariável apoio às idéias de Jung; uma mulher que usava a sua inteligência feroz para se posicionar cuidadosamente como a explicadora oficial de sua psicologia, o que ela realmente se tornou depois da morte de Jung.
 Em retrospecto, todas essas relações – fracassadas ou não – enriqueceram o pensamento de Jung e alargaram sua perspectiva, mesmo que um fato permaneça claro: com a exceção de Pauli, cujas correções aceitou só porque não tinha conhecimentos de física quântica, Jung se manteve firme em seus “ conceitos”, “idéias” e “ descobertas”, e nunca se rendeu diante de outra autoridade. Todas as “ teses”, “ sistemas” ou “teorias” surgidas em seus textos eram primeiro e principalmente seus”. Pagina 257

Jung – uma biografia, Volume 2, por Deirdre Bair, Editora Globo.