CIVILIZAÇÃO OU FELICIDADE?

Os xamãs e povos indígenas sabem preservar o contato com suas raízes ancestrais e a com a força dos animais selvagens.

 Do ponto de vista da psicologia evolucionária, portanto, a escala de tempo relevante para se começar a entender a origem, formação e atual configuração do psiquismo humano não são os cerca de 6 mil anos da criação segundo o mito bíblico e a filosofia da história hegeliana, mas as centenas de milhões de anos transcorridos desde o aparecimento dos mamíferos e os cerca de 200 mil anos da trajetória do Homo Sapiens pelo planeta. Foi ao longo dessa trajetória- sob a forja silenciosa e a pressão dos milênios anônimos que precedem a escrita e o nosso calendário – que os modos básicos de sentir e agir, ou seja, que o aparelho psíquico e o repertório de instintos e emoções primárias da nossa espécie foram sendo gradualmente moldados. É abrindo a cortina do nosso passado ancestral que podemos chegar a compreender melhor quem somos e por que somos como somos. A natureza está tanto fora como dentro de nós.

A diversidade aparente não nega a unidade essencial. Assim como o organismo físico dos homens, não obstante a infinita variedade e a singularidade de cada corpo individual, apresenta uma uniformidade anatômica essencial ( todos tempos cabeça, tronco, membros, pulmões lábios, rins, fígado, etc) ; da mesma forma a mente, não obstante a extraordinária variedade de culturas, tradições e peculiaridades individuais, apresenta um uniformidade psíquica essencial que independe do processo histórico e da forma de organização social. Cada indivíduo carrega não só nos órgãos físicos de seu corpo, mas também na sua vida mental. Como uma relíquia herdada do ambiente ancestral da nossa espécie, a pré-história da humanidade.
O ponto crucial aí está. A pessoa civilizada é na verdade uma construção elaborada erguida sobe uma base animal que sempre permanece com ela. A constituição psíquica do homem, fruto de um longo processo evolutivo, é muito menos plástica ou  maleável do que supunham a vertente dominante da era iluminista e todos os adeptos da crença na perfectibilidade humana do século XIX.
.. A domesticação do animal humano tem um preço. Nossa constituição psíquica não aceita de bom grado e resiste surdamente às múltiplas interdições, pressões e ditames da convivência civilizada. O homem carrega dentro de si um universo mental com um tempo de mudança muito distinto do que preside às mudanças no campo da ciência, da técnica e do pregresso econômico. Mas assim como se constata hoje que a exploração do meio ambiente natural pelo homem vem produzindo uma séria ameaça de desastre ecológico, parece razoável supor que estejamos vivendo um espécie de crise da ecologia psíquica, produzida pelo crescente descompasso entre o ambiente interno do anima homem- a natureza humana pré-lógica e pré-civilizada que herdamos da nossa trajetória evolutiva –e o ambiente externo da civilização tecnológica.
A pergunta básica que fica é: a civilização entristece o animal humano?

Do livro: Felicidade, pagina 106
Autor: Eduardo Gianetti

Editora Companhia das Letras

SATURNO E O ANO DE 2017


VISLUMBRE PARA 2017

Saturno será o planeta regente de 2017. O que isso significa?

De que o nosso planeta está atravessando enormes desafios ninguém mais duvida. A questão que se coloca é: e o que fazer? Como cada um de nós pode contribuir para minimizar as graves conseqüências do atual desequilíbrio ambiental? Porque a solidariedade humana só se manifesta em situações extremas?

Há uma crescente consciência de que  a responsabilidade por melhorias ou soluções, seja no plano social, político ou econômico não pode mais ficar na mão de alguns poucos que detém todo o poder das decisões em suas mãos. Cada individuo pode e deve agir de forma mais consciente para não permitir abusos e injustiças, participando efetivamente de ações que visem o bem estar da coletividade.

Saturno nos mostra a importância de aceitar os limites e as dores da vida, e também de perseverar, apesar das dificuldades que chegam, inexoravelmente, para todos. Cronos, na antiga Grécia, como o Senhor do Tempo, faz-nos lembrar de que tudo na natureza tem o seu próprio ciclo, vale dizer, tudo tem um começo, meio e fim. Ele também significa a sabedoria que advém das experiências vividas e do trabalho, além da perseverança e disciplina para a que nossos ideais se realizem. É em meio as crises, turbulências e adversidades que encontramos força e resiliencia para seguir em frente.



Assim, cada vez mais, a união e o esforço coletivo em torno de um ideal comum são fundamentais para a sobrevivência de todos nós. E isso independe de raça, condição geográfica, clima, cultura, ideologias ou história, seja ela pessoal ou coletiva. Depende do sentido de urgência, da consciência e da responsabilidade do ser humano, coisas que não estão à venda em supermercados. 

Esta consciência nasce do interior e da reflexão honesta de cada um. Só apontar os culpados não basta. Estamos no mesmo barco, pertencemos a uma única família humana. Precisamos remar com mais vontade e disposição para que as mudanças que desejamos possam acontecer. De fato, não existem ventos favoráveis para aquele que não sabe seu porto de destino. Para onde a sua bússola aponta? 

Para saber mais, procure nas bancas e livrarias o  Almanaque do Pensamento para 2017!!