A SOMBRA NA PSICOLOGIA JUNGUIANA

                                                                    
Por Tereza Kawall
A Sombra vem a ser uma parte constitutiva da psique humana, e é um conceito fascinante da psicologia junguiana. De modo conciso, sabemos que a sombra está relacionada com tudo aquilo que o homem não deseja ver em si mesmo. A sombra representa o lado titânico do indivíduo, seu lado pouco civilizado, infantil, que geralmente se expressa por  pensamentos marcados por inveja, ressentimento, tendências cruéis ou destrutivas, como são a ganância e a arrogância sem limites.

A sombra pode se desenvolver na infância, quando ocorrem situações de humilhação, violência ou repressão contra as quais as crianças não têm como se defender. Há também um aspecto cultural que tem a ver com o meio familiar, escolas, crenças e valores religiosos de um grupo ou sociedade.  Desta feita, a criança é refém de medos, culpas e de segredos que  podem adoecer a sua psique e seu corpo ao longo da vida. Portanto, a sombra tem um aspecto individual e coletivo, e  nesse contexto ela é a expressão de todas formas de intolerância, segregação e das guerras em geral.

Em termos mitológicos e arquetípicos, a sombra geralmente está associada aos gigantes, dragões, cavernas, porões, labirintos, demônios, anões ou feiticeiras. No conto “ A Bela e a Fera” temos o encontro da bela com seu aspecto “ feio” ou “ indesejável”; ao se apaixonar pela Fera, em termos simbólicos, ela está aceitando e integrando essa sua dimensão complexa e difícil de ser assimilada. Acolher qualidades inconscientes e detestáveis é uma ameaça ao ego, ao lado consciente da personalidade, e à auto-imagem positiva que temos de nós mesmos. No entanto, querer mostrar só a perfeição é também uma carga intolerável, com a garantia que isso com certeza, não vai funcionar. Luz e sombra habitam nosso ser, queiramos ou não.

Na Astrologia, o arquétipo de Saturno, entre outras coisas, diz respeito a sombra humana.
Liz Greene, em seu livro de mesmo nome, diz:
“ Saturno simboliza um processo psíquico, assim como uma qualidade ou tipo de experiência. Ele não é simplesmente um símbolo de dor, de restrição e de disciplina, mas também um símbolo do processo psíquico, comum a todos os seres humanos, por meio do qual um individuo poderá utilizar as experiências de dor, de restrição e de disciplina como um meio de ampliar sua consciência e desempenho”. ...”Saturno está relacionado com o valor educativo da dor e com a diferença entre valores exteriores – aqueles que trabalhamos para descobrir dentro de nós mesmos. O papel de Saturno enquanto Fera é um aspecto indispensável do seu significado, pois, conforme nos relata o conto, a Fera só pode se libertar do encantamento e se transformar em Príncipe quando for amada por aquilo que ela é”.

A sombra também guarda talentos, recursos e habilidades que estão adormecidas no porão da psique e aqui é que reside a sua beleza e riqueza. Os tesouros enterrados nos mitos lá estão à nossa espera para que possam se revelar, livres da repressão e das culpas. Da mesma forma, em analogia, as ostras fabricam as pérolas em função de um mecanismo de defesa do atrito que havia dentro delas. Essa jóia orgânica faz parte de um processo lento da natureza, é bela e delicada  tal e qual a sombra.

Para saber mais sobre esse tema e sobre ferramentas para se trabalhar com a sombra acesse:
http://escoladetransformacao.com.br/aula/mod-5-sombra-e-persona/


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