ANIMUS E ANIMA

Quadro de Marc Chagall


“A mais importante contribuição que Jung deu em seus conceitos de anima e do animus reside no fato de que ele nos deu uma idéia da polaridade existente dentro de cada um de nós. Não somos unidades homogêneas de vida psíquica, mas possuímos uma inevitável oposição dentro da totalidade que forma o nosso ser. Existem opostos dentro de nós, podemos chamá-los do que quisermos – masculino e feminino, anima e animus, Yin e Yang – e eles permanecem eternamente em tensão e estão eternamente buscando união.

 A alma humana é uma grande arena em que o Ativo e o Receptivo, a Luz e as Trevas, o Yang e o Yin procuram unir-se e forjar dentro de nós uma indescritível unidade de personalidade. Realizar essa união dos opostos dentro de nós pode ser muito bem a tarefa da vida, tarefa que exige o máximo de perseverança e de atenção assíduas. Geralmente os homens precisam das mulheres para isso, e as mulheres precisam dos homens. E, contudo, em ultima análise, a união dos opostos não ocorre entre um homem que põe em ação o masculino e uma mulher que põe em ação o feminino, porém dentro do ser de cada homem e de cada mulher em que os opostos finalmente se conjugam.

...O desejo que a alma tem de unir-se à consciência e forjar uma personalidade indivisível e criativa é o que há de mais forte dentro de nós. A esse nível, a necessidade de plenitude ou de individuação também é chamada de Coniunctio, da união dos opostos, da junção de macho e fêmea, equivale à imagem  por excelência da junção das partes consciente e inconsciente da personalidade”

Os parceiros invisíveis
John A. Sanford

Editora Paulinas

DEUSAS MITOLÓGICAS E A ANIMA

           AFRODITE                                                                                         PALAS ATENA  

















“Vemos que a anima, bem como o animus podem aparecer sob a forma de múltiplas figuras com evidencia na mitologia. Na mitologia grega, por exemplo, existem numerosas deusas. Atenas, Afrodite, Deméter, Hera e Ártemis constituem as cinco maiores deusas do mundo superior, e há ainda Core e Hécate do mundo inferior, sem mencionarmos as deusas menores como Héstia e inúmeras ninfas e gênios. 

No seu artigo “ Goddesses in Our Midst” ( 1974, Deusas em nosso meio), Philip Zabriskie discute as cinco deusas do mundo superior, que ele encara como uma espécie de “ tipologia do feminino”. Cada deusa, sugere ele, é diferente e cada uma delas constitui “ uma imagem do estilo válido, antigo e autentico do feminino” .

Afrodite personifica o “aspecto feminino que busca incansavelmente a união com o masculino, por causa do magnetismo erótico que impele fortemente os opostos a se unirem”. Hera é o feminino que também se acha relacionado com o mundo masculino, porém “ impessoalmente”, mesmo “ institucionalmente”, mais do que intensa e individualmente, pois como a rainha do Olimpo, ela respeita as instituições santificadas do trono e do lar. Deméter relaciona-se com a criança, não com o homem, e encarna o poder elementar feminino que “ faz nascer, ama, alimenta”.

Ártemis, a deusas das amazonas, virgem, casta, auto-suficiente, é o feminino num aspecto impessoal e pode ser visto como fator dominante nas “mulheres cheias de graça, de vitalidade, de liberdade, de abnegação e talvez até de poderes psíquicos”. Atenas também nascida da cabeça de seu pai Zeus, personifica o feminino ligado ao “ mundo da consciência, do tempo, do ego, do trabalho e do crescimento”.

Nessas cindo deusas, Zabriskie vê os modelos de certos estilos tipicamente femininos de vida e de comportamento. “Todos eles são, por certo, aspectos da única Grande Deusa, porém, não obstante apresentam-se como personificações distintas”.

Extraído do livro: Os parceiros invisíveis
Autor: John A. Sanford

Edições Paulinas, 1986.

SÍMBOLOS MITOLÓGICOS DA LUA

Tereza Kawall

  Adentrando a dimensão simbólica da Lua em civilizações remotas e em inúmeras culturas, podemos dizer que ela foi adorada e cultuada de diferentes formas, sempre evocando o princípio materno e feminino, imagem do arquétipo da Grande Mãe. Entendemos que a crença de que há uma conexão bastante peculiar entre a mulher e a Lua tem sido universalmente mantida, ou, dito de outro modo, essa foi uma experiência humana arquetípica, projetada na Lua física do céu.
Em termos mitológicos, a Lua é a representação da Grande Deusa ou Grande Mãe, patrona da fertilidade, concepção e crescimento, tanto na vida vegetal, quanto animal ou humana. Como Ártemis da antiga Grécia, ou Ísis do antigo Egito, ou Shakti da cosmologia hindu, deusas mães ou divindades lunares regiam, além do ciclo anual da vegetação, o ciclo humano do nascimento, da vida e da morte.
Diz Jung sobre o arquétipo materno:
Como todo arquétipo, o materno também possui uma variedade incalculável de aspectos. Menciono apenas alguns (..) a própria mãe, avó (...), a deusa, a Mãe de Deus, a Virgem, (...) a Igreja, a Universidade (...), o Céu, a terra, a floresta, o mar, as águas quietas, o subterrâneo, a Lua. No sentido mais restrito, o lugar do nascimento, a concepção, o jardim, a gruta, a fonte, o poço (...) (Jung, 2000: 156)
O símbolo da Lua, como outros, possui uma dimensão mais universal e outra mais individual, e todas as imagens ou narrativas a ele relacionadas são auto-retratos da psique coletiva, o que dá ele um caráter multidimensional.
Um fator relevante no que diz respeito a essa simbologia lunar é a compreensão deste arquétipo ou divindade com duas faces distintas. No que diz respeito ao arquétipo materno, as imagens das deusas mães como grandes provedoras tinham também seu lado sombrio. Os poderes fertilizadores das águas das chuvas e dos rios estavam sob o domínio das grandes divindades femininas. Eram elas que poderiam produzir excelentes colheitas ou então chuvas torrenciais que significavam devastação e fome.  
Esta relação também pode ser compreendida a partir das variações do ciclo da lua no céu, ora crescendo, ora minguando.                                                                                                                            

 Afirma Liz Greene sobre essa ambivalência lunar:
Ao jogar com as imagens evocadas por essas três fases, podemos ver como a Lua nova, essa traiçoeira Lua negra, se associa à morte, à gestação, à feitiçaria, e à deusa grega Hécate, regente dos nascimentos e da magia negra. Após o escurecimento da Lua, vinha a Lua crescente, com sua virginal delicadeza e suas promessas. Sua forma é de uma tigela aberta, pronta para receber um conteúdo vindo de fora. A Lua crescente era relacionada com a deusa virgem Perséfone, raptada por Hades. A Lua cheia, por outro lado, tem uma aparência grávida; é redonda e suculenta, plena e madura, e seu parto pode ocorrer a qualquer momento. É a Lua em seu poder máximo, associada à deusa da fertilidade Deméter, a mãe de todos os seres vivos. (Greene, 1994:6)
 Esta relação misteriosa com o feminino também está presente nos contos folclóricos, com os lobos uivando,vampiros metamorfoseados nas noites misteriosas da lua cheia, com rituais mágicos, ou com a feitiçaria. Todas essas fantasias e mitos relacionam-se ao mundo lunar, que pode ser também o lado obscuro das emoções humanas, sejam elas o amor, a loucura e a magia das paixões.


UM SONHAR CONTÍNUO


"É noite. À noite ficamos mais abetos, mais românticos, mais reflexivos, porque nossa atenção não é desviada por telefonemas e coisas do gênero. É um momento de reflexão descontraída, no qual os sentimentos e os aspectos reprimidos da personalidade vêem à tona. Daí o homem olha para o céu. O céu sempre foi uma das visões mais fascinantes para ele e em épocas passadas as estrelas eram figuras divinas, eram deuses. Até mesmo os bosquímanos no deserto de Kalahari vêem nas constelações celestes o Grande Caçador ou ao Grande Deus. Segundo os mitos, é o reino das estrelas que nossa alma vem e para lá retorna após a morte.

Pense na história da astrologia, que se expandiu não só pelo Ocidente, mas também para a Índia, na China e em todas as civilizações mais elevadas. Todas têm suas tradições astrológicas. Os astros permitem que se prognostique o futuro não apenas de um indivíduo, mas da humanidade inteira. Na China, todo um grupo de astrólogos observava o céu dia e noite e relatava ao imperador os sinais percebidos, que eram interpretados no que se referia ao imperador chinês. Analogamente, na antiguidade, tudo era visto no céu.


                                                                        
 Dra von Franz, a senhora acha que há uma relação entre a constelação dos astros e o destino de indivíduos ou mesmo da humanidade?
As constelações no céu representam as constelações por trás dos grandes eventos históricos, como se na profundeza do inconsciente não estivéssemos isolados, mas de algum modo ligados ao conjunto da humanidade, que sonha um sonho ininterrupto. É isso que explica as mudanças políticas e religiosas.

Se você pensar por um momento o quanto a situação da humanidade mudou nos últimos trinta anos, perceberá a rapidez dessas grandes mudanças coletivas. Naturalmente, seres humanos inteligentes refletem sobre os processos mais profundos por trás dos eventos históricos externos.

 Olhar para o céu pode assim ser entendido como o sonhador olhando para as constelações mais profundas não só da sua própria vida, mas também da nossa sociedade. A palavra constelação vem de stella e portanto significa proximidade de estrelas, a humanidade junto com as estrelas”.

Marie -Louise von Franz
Livro: O caminho dos sonhos

Editora Cultrix










Laurens van der Post, escritor sul-africano e herói de guerra, tornou-se amigo íntimo de Carl G. Jung, freqüentava sua casa e trocavam idéias a respeito da vida, pessoas e sobre a obra do mestre de Zurique.



“ Não posso nem alimentar a pretensão de ser junguiano no único sentido que, acredito, lhe teria valido a aprovação do termo, isto é, relacionado a alguém que praticou  ou ensinou a psicologia analítica que ele liderou. Sei que Jung  o rejeitou quando usado em qualquer escala mais ampla, especialmente como um rótulo por parte de discípulos, tendo externado suas objeções repetidas vezes com o desembaraço verbal que lhe era peculiar. Não gostava da idéia de ter discípulos ou seguidores cegos, e nem mesmo uma escola, e, em sua velhice concordou relutantemente com a criação do Instituto Carl G. Jung, em Zurique, para os estudos ligados ao seu próprio enfoque de psicologia. Recordo-me bem quando afirmou que o Instituto vingaria caso não extrapolasse os objetivos para os quais fora criado no lapso de uma geração. 

Jung, acima de tudo, tinha profunda aversão aos ismos, e o adjetivo ' junguiano" quer tão facilmente poderia converter-se em "junguianismo", era descartado pelos seus próprio discípulos de psicologia. " Não quero que ninguém seja junguiano", afirmava-me. " Quero que as pessoas sejam, sobretudo, elas mesmas. Os ismos são os vírus de nossa época, responsáveis por desgraças maiores do que aquelas causadas por qualquer praga ou peste medieval. Se um dia descobrir que criei outro ismo, então terei fracassado naquilo que procurei fazer".

Atualmente, o mundo o considera quase exclusivamente psicologo e psiquiatra. Entretanto, por maior e mais original que tenha sido a sua contribuição profissional, e por mais incomparável que tenha sido o seu talento em curar pessoas psicologicamente doentes, creio que sua importância em relação ao chamado homem normal e suas sociedades sejam bem mais ampla".

...“a psicologia e sua aplicação eram o meio no qual trabalhava, o que o levou primeiramente à descoberta, e posteriormente à exploração de um mundo novo dentro do espírito humano que é maior e, em minha opinião, muito mais significativo para a vida na terra do que o mundo externo que Colombo descobriu”.

Laurens van der Post no livro : Jung e a história de nosso tempo

Editora Civilização Brasileira, 1992, RJ

ASTROLOGIA ARQUETÍPICA













ASTROLOGIA ARQUETÍPICA 
Por James Hillman
" Diferentemente do seu comportamento com o seu trabalho
( do astrólogo) e da defesa do seu campo, meu comportamento é somente com um interesse permanente, um amor até, pela astrologia como um fenômeno arquetípico, quer dizer, difundido, eterno, emocionalmente sedutor, profundamente ressonante e generativamente fértil - e também poderosamente sedutor.

Consequentemente, por causa destas qualidades, o termo arquetípico é apropriado para esse campo.
Se for arquetípica, a astrologia veio para ficar, porque não desaparece, deve ser arquetípica. E ela não desaparecerá".

...Tal convicção veio com aquela primeira leitura que fiz para estudar a astrologia. Esse interesse permanente, essa fascinação, esse amor nunca me deixou. Ao mesmo tempo devo deixar claro para vocês que não acredito nela, não a pratico, nem mesmo entendo como " funciona", embora a astrologia seja uma das minhas linguagens básicas para a reflexão astrológica.

Para mim, a astrologia simplesmente devolve os eventos para os Deuses. Ela depende de imagens tiradas dos céus. ela invoca um sentido politeísta, mítico, poético, metafórico do que é fatalmente real. é isto que torna a astrologia eficaz como um campo, como uma linguagem, como um modo de pensar.

Ela é quem traz para o pensamento popular a grande tradição que mantém todos nós que participamos de um cosmos inteligível, desta maneira dando a questões humanas repostas maiores que as humanas.
Força-nos a imaginar e pensar em termos psicológicos complexos. ela é politeísta, e consequentemente, move-se em oposição ao pensamento dominante da história ocidental".

ASTROLOGIA : SEMPRE ATUAL


Hermes, o mensageiro dos deuses, com seu capacete alado, suas sandálias aladas e o caduceu

" Não resta duvida para mim, de que a astrologia é o meio mais exato e abrangente de compreender a personalidade, o comportamento, a mudança e o desenvolvimento do ser humano.

Muitas vezes me perguntaram por que a astrologia tem presenciado tal renovação da popularidade nos últimos anos. Penso que parte da resposta está no fato de que a cultura ocidental já não tem qualquer mitologia viável para sustenta-la. Em qualquer cultura, o mito sempre atua com uma realidade maior, mais universal. 

As pessoas sempre tiveram necessidade de um modelo para  servir de guia às suas vidas coletivas e para dar significado à sua experiencia individual. Neste sentido, a astrologia contém toda uma estrutura mitológica. O professor Joseph Campbell  escreve: 
" O homem não pode se manter no universo sem acreditar em alguma arrumação da herança geral do mito. De fato, até mesmo a plenitude de sua vida pareceria estar em relação direta com a profundidade e o alcance, não do seu desenvolvimento racional, mas de sua mitologia local"

Campbell declara que o mito tem três funções essenciais: ' provocar um temor respeitoso", "originar uma cosmologia' e "iniciar o individuo nas realidades da sua própria psique". Conforme muitas pessoas estão descobrindo hoje em dia, o uso adequado da astrologia preenche todas as três funções.

Daí, se concordarmos com a definição de mito, dada por Campbell, creio que devemos concordar que a astrologia, conforme o fez durante eras do passado, oferece uma prática e vital mitologia para os nossos tempos".

Stephen Arroyo em " Astrologia, Psicologia e os quatro elementos"
Editora Pensamento

O QUE É UMA SINASTRIA?



 VOCÊ SABE O QUE É UMA SINASTRIA?

         “O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas; se     houver alguma reação, as duas serão transformadas.” Carl G Jung

A palavra SINASTRIA vem do grego  SYN , que significa “ junto” e ASTROS, que, como sabemos, são estrelas.

A Sinastria, dentro do saber astrológico, é uma técnica de análise e compreensão feita partir de dois mapas astrológicos individuais, que são analisados lado a lado.

O objetivo da Sinastria é entender como o campo vibratório de uma pessoa afeta o campo vibratório da outra. Essa interação, dada pelos símbolos astrológicos, pode se dar em vários níveis: físico ou vital, intelectual, emocional, espiritual, etc.

Essa análise pode ser feita entre casais, pais e filhos, sócios,  todas as relações ou parcerias em geral.
Em nossa vida cotidiana percebemos isso às vezes de forma mais intuitiva, quando nos sentimos compreendidos, alegres, vitalizados junto a uma determinada pessoa. E o contrário também acontece, quando nos sentimos cansados, desvitalizados e a comunicação simplesmente não funciona.

Assim, é possível analisar em mapas natais de duas pessoas os pontos de estimulação, proteção, boa comunicação tanto quanto áreas de frustração, atritos, incompatibilidades, disputas ou desencorajamento recíprocos.  Com uma sinastria, podemos compreender melhor as dificuldades da vida a dois e otimizar as áreas do relacionamento que fluem com mais dinamismo e entendimento.

O grande benefício da sinastria é favorecer o entendimento das próprias necessidades, assim como as do outros. Desta feita, é preciso que se faça a interpretação individual de cada mapa astrológico para que os dois lados estejam cientes da natureza intrínseca dos envolvidos.

Caso esteja interessada/o entre em contato:
tekav@uol.com.br


BRASIL: UM OLIMPO EM DECADÊNCIA

Por Tereza Kawall

Já disse alguém uma vez: “ Mito é uma história que nunca aconteceu, mas está sempre acontecendo”.
O que há de verdade nisso? Ao que parece, para um olhar mais distraído e imediatista, nada. Para um olhar mais reflexivo e abrangente, tudo.
O Brasil, nosso promissor e amado pais é realmente pródigo em desacontecimentos. Desde minha infância ouço que somos o país do futuro e com o passar dos anos fica claro que a premissa em questão é no mínimo, equivocada. Não poderia fazer nenhum tipo de análise sócio-político-econômica a esse respeito, pois não tenho conhecimentos para tal tarefa.

Assim, me detenho aos fatos de forma mais subjetiva, no intuito de tentar entender o que se passa no âmago da psique daqueles que, uma vez instalados no poder, de lá nunca mais querem sair. Que “ osso” é esse tão saboroso que ninguém pode largar? Como vivem esses seres humanos, será que têm remorso ou culpas por inviabilizar a vida de milhões de pessoas de diferentes maneiras? Encastelados em seu “Olimpo imaginário”, voando de jatinhos de lá prá cá, em seus carros pretos blindados, cercados de seguranças e salários milionários, moram em mansões e vivem com semi-deuses em seus mundos paralelos. Desconectados da realidade de nós pobres mortais que temos que nos contentar com suas promessas vazias e de quebra, pagar seus gordos salários.

Nosso noticiário parece transbordar diariamente com notícias tristes e chocantes, em que todo o tipo de violência acontece contra animais, a natureza, crianças, mulheres e os “ diferentes” em geral. A espécie humana involuiu?
Ou este aparente retrocesso civilizatório é o resultado da eficiência e da rapidez das mídias digitais, as quais temos acesso instantâneo?
Não saberia dizer, mas talvez por fazer parte de uma geração que  dormiu no sleeping bag e sonhou por um mundo mais pacífico e justo, afirmo: que decepção!! Onde foram enterradas as nossas bandeiras de amor ao próximo, do respeito à natureza, da negação das guerras estúpidas e do consumo desenfreado? Custo a crer que essas sementes eram devaneios de juventude  e que não produziram nenhum fruto. A bala que tirou a vida de John Lennon há quase 40 anos atrás, também matou nossos sonhos? Eles eram ingênuos demais, suponho.

Mas, devo e quero voltar a minha realidade imediata, ou seja, viver em um país em que a corrupção é sistêmica, profunda e mais se parece com um animal selvagem e indomável. Suas garras são afiadas e seu instinto de sobrevivência devora tudo e todos que se oponham a ele, especialmente quando acuado. Os estudiosos afirmam que a cultura da propina e da corrupção chegou aqui com as caravelas portuguesas.

Se isso se dá dentro de um processo histórico e longínquo, acabo então por revisitar as  matrizes antigas que montam a nossa cultura no ocidente, e assim me deparo novamente com as narrativas da exuberante mitologia grega, que tanto tem a nos oferecer. Elas nos falam da natureza humana de forma muito criativa, e não há como não se encantar com seus personagens, enredos sofisticados e mirabolantes, que tão bem definem a nossa complexa natureza humana, nossa existência. Nos mitos gregos estão desenhadas nossas aspirações, temores, desejos, paixões, conquistas e fracassos que nos transportam para uma realidade por vezes insuportável: nós mesmos. Nossos deuses, nossos heróis e heroínas cruzam mares bravios, matam feiticeiras e dragões flamejantes, se perdem em labirintos e florestas indevassáveis, fazem guerras e se matam em nome da honra e de paixões proibidas. No final das batalhas e conquistas haveria algum perdão ou redenção para seus atos?

Na mitologia grega havia um tema  relevante que os gregos chamavam de húbris, que significa “ descomedimento”. E é a partir desse conceito que faço uma analogia, uma relação com o que estamos vivenciando em relação ao nosso mundo político.
A húbris era a ação humana que não tinha medidas, nem limites, baseada na confiança excessiva, ganância, na presunção e na arrogância do poder pessoal; uma forma de transgressão contra a ordem social e contra os deuses imortais. O individuo que não respeitasse esses limites, seria duramente castigado pela ação divina. Nessa visão, nenhum mortal poderia desafiar os deuses, ou querer suplantá-los em força, beleza, inteligência ou poder. Essa transgressão era intolerável e ele seria punido com severidade pela deusa chamada Nêmesis. Ela representava a justiça distributiva, que punia os culpados pelas injustiças praticadas. Entre os castigados conhecidos destas narrativas, temos os mitos de Ixion, Sísifo e Prometeu. A húbris era uma espécie de pecado mortal, imperdoável e inaceitável.

Importante ressaltar que a nossa húbris civilizatória pode ser de natureza moral, ecológica, e mesmo científica ou tecnológica. Todos os excessos humanos de uma forma ou de outra são punidos. De forma bastante clara, freqüentemente assistimos desastres ambientais e as conseqüências das alterações climáticas que são sempre dramáticas para as classes sociais menos favorecidas, em todo o planeta.
Em nossa sociedade contemporânea paira hoje uma densa sombra que é pessoal e coletiva.
Na psicologia analítica de Carl G Jung,  o conceito de sombra é a expressão de tudo aquilo que é sombrio em nós: a crueldade, a hipocrisia, a perversidade, a ganância sem limites, o egoísmo, a frieza,  o preconceito, o abuso de poder em todas as suas dimensões.


O que estamos assistindo no Brasil atual, em paralelo com a mítica grega é que os desmandos, a frieza e o oportunismo irresponsável dos mandantes do país chegaram a pontos inaceitáveis e finalmente se deparam  com a força da justiça ou da deusa Nêmesis. A húbris embutida em todas as formas de corrupção deverá se submeter ao seu poder, e isso significa humilhação, perda de status e causa espanto naqueles que nunca imaginaram que isso aconteceria.

Nosso destino e nosso futuro duramente espoliados,  não deverão mais estar subjugado aos desmandos de poucos, que lá do alto de seu “ Olimpo imaginário”, agem como soberanos, que há muito esqueceram das mazelas e carências múltiplas de nós mortais, com a ousadia  de se intitularem, pasmem, de seres “ supremos”.
É o que todos esperamos e sonhamos,  mais justiça, igualdade de direitos e uma nova ética que possam pavimentar novos caminhos para nossos filhos e netos. Eu não quero morar em outro país, quero morar em outro Brasil.

Pata terminar, transcrevo um texto de um excelente livro, intitulado: “Ao encontro da sombra”, organizado por Connie Zweig e Jeremiah Abrams, da editora Cultrix.
   “ Hoje em dia defrontam-nos com o lado escuro da natureza humana toda vez que abrimos um jornal  ou ouvimos um noticiário. Os efeitos mais repulsivos da sombra tornam-se visíveis na esmagadora mensagem diária dos meios de comunicação, transmitida em massa para toda a nossa aldeia global eletrônica. O mundo tornou-se um palco para a sombra coletiva.

A sombra coletiva- a maldade humana – nos encara de praticamente todas as partes: ela salta das manchetes para os jornais; vagueia pelas nossas ruas, e, sem lar, dorme no vão das portas; entoca-se nas chamativas sex-shops das nossas cidades; desvia o dinheiro do sistema de financiamento habitacional; corrompe os políticos famintos de poder e perverte o sistema judiciário; conduz exércitos invasores através de densas florestas e áridos desertos; vende armamentos a líderes ensandecidos e repassa os lucros a insurgentes revolucionários; por canos ocultos, despeja poluição em nossos rios e oceanos; com invisíveis pesticidas envenena o nosso alimento.

Essas observações não constituem algum novo fundamentalismo a martelar uma versão bíblica da realidade. Nossa época fez, de todos nós, testemunhas forçadas. O mundo todo nos observa. Não há como evitar o assustador espectro de sombras satânicas mostrado por políticos coniventes, os colarinhos brancos criminosos e terroristas fanáticos. Nosso anseio interior por integração – agora tornado manifesto na máquina de comunicação global – força-nos a enfrentar a conflitante hipocrisia que hoje  está em toda parte”.

Imagem: Olimpo, de Luigi Sabatelli, 1819
Cedida por : Douglas Marnei


O SELF E A LUZ CIRCULAR



Marie-Louise von Franz

O Si-mesmo (Self)  só é real se, em cada momento – pelo menos teoricamente,pois na realidade nunca se atinge esse estágio – a pessoa estiver constantemente em ligação com ele, expressando-o constantemente e  sabendo o que é. 
Portanto, pode-se afirmar que o Si-mesmo só se torna real quando é expresso nas ações da pessoa no espaço e no tempo. Antes de ter atingido esse estágio, ele não é inteiramente real, tornando-se então uma coisa movediça.

Por exemplo: o que está certo hoje pode estar errado amanhã, sendo por isso que alguém que atingiu esse estado de consciência será imprevisível e age sempre de modo diferente nas mesmas situações. Hoje, a coisa é assim e a pessoa reagirá de uma maneira; amanhã ocorrerá a mesma situação e a pessoa reagirá de forma diferente, e, portanto o tempo adquire uma qualidade criativa; cada momento do tempo é uma possibilidade criativa e não existem mais repetições.

Assim, quando o sol e a lua se unem, começam simultaneamente a percorrer um ciclo que se relaciona com o tempo, Isso é simbolizado na alquimia oriental através do processo da circulação da luz; depois de ter descoberto a luz interna, ela começa a girar por si mesma. Em o Segredo da Flor de Ouro e na alquimia isto chama-se circulatio, a rotação, e existem numerosos textos alquímicos diferentes, nos quais se diz que a pedra filosofal tem que circular. Normalmente, isso está ligado ao simbolismo do tempo, pois esses textos afirmam que a pedra filosofal tem que atravessar o inverno, a primavera, o verão e o outono, ou tem que passar por todas as horas do dia e da noite. Ela tem que circular por todas as qualidades e todos os elementos, ou tem que ir da terra para o céu e voltar de novo à terra. 

Está sempre presente a idéia de que, depois de ter sido produzida, ela começa a circular.

Psicologicamente, isso significa que o Si-mesmo começa a se manifestar no espaço e no tempo, que não se converte em algo num certo momento com um retorno subseqüente ao modo de vida anterior do indivíduo, mas, ao contrário, tem efeito imediato sobre a vida toda; portanto, ação e reação estão constantemente de acordo com o Si-mesmo, real e manifesto em seus próprios movimentos.
 A pedra, ou a nova luz, o Si-mesmo, pode mover-se. Naturalmente, temos de prestar atenção nele mas, se assim fizermos, ele poderá movimentar-se e produzir movimentos autônomos.

Do livro: ALQUIMIA: Introdução ao Simbolismo e à Psicologia
Editora Cultrix pg 144

ARQUÉTIPOS MATERNO E PATERNO


"Não foi por acaso que escolhi precisamente o exemplo  de uma manifestação infantil do arquétipo. A imagem primitiva mais imediata é certamente a da mãe, pois ela em todos os sentidos a vivencia mais próxima e mais poderosa que atua no período mais impressionável da vida humana. Como a consciência está muito pouco desenvolvida na infância, não se pode falar propriamente de uma vivencia “individual”. Ao contrario, a mãe é uma evidencia arquetípica. A criança vivencia de modo mais ou menos consciente, e não como uma personalidade determinada, individual, e sim com a mãe, um arquétipo carregado de uma infinidade de significados possíveis. No decorrer da vida esta imagem empalidece e é substituída por uma imagem consciente, relativamente individual, considerada a única imagem materna possível. Mas no inconsciente a mãe continua sendo uma poderosa imagem primitiva, que, no curso da vida individual  e consciente, passa a colorir e até a determinar as relações com a mulher , a sociedade, o mundo dos sentimentos e dos fatos, de uma maneira tão sutil que em geral o consciente nem percebe este processo.


O arquétipo de mãe é o mais imediato e próximo a uma criança. Mas com o desenvolvimento do consciente, também o pai entra em cena e reativa um arquétipo que, sob muitos aspectos, se opõe ao da mãe. O arquétipo da mãe corresponde à definição chinesa do yin e o arquétipo do pai, à definição do yang. Ele determina a  relação com o homem, com a lei e o Estado, com razão e o espírito, com o dinamismo da natureza. A “pátria” supõe limites, isto é, localização determinada, mas o chão é solo materno em repouso e capaz de frutificar. O Reno é um pai, como o Nilo, o vento, a tempestade, o raio e o trovão. O pai é autor e autoridade, e por isso é a lei e Estado. È aquilo que se move no mundo como o vento, é aquilo que cria e dirige com idéias invisíveis – imagens aéreas. È os sopro criador do vento – pneuma, spiritus, atmã, o espírito.
Portanto, também o pai é um poderoso arquétipo que vive no íntimo da criança. Também o pai é antes de tudo o pai, uma imagem abrangente de Deus, um principio dinâmico. No correr da vida, também esta imagem autoritária vai retrocedendo ao plano de fundo: o pai se transforma numa personalidade limitada e demasiado humana. Por outro lado, a imagem do pai vai ocupando todas as dimensões possíveis. Assim como foi lento em descobrir a natureza, o homem também só descobriu aos poucos o Estado, a lei, o dever, a responsabilidade e o espírito. Na medida em que a consciência em evolução se torna capaz de compreender, a importância da personalidade parental definha. Mas no  lugar do pai surgiu a sociedade dos homens e no lugar da mãe veio a família.

Segundo penso, seria incorreto dizer que tudo tomou o lugar dos pais nada mais é do que substituição da inevitável perda das imagens primitivas dos pais. O que tomou o lugar deles não é simples substituição, mas uma realidade já vinculada aos pais e que se impôs à psique da criança através da imagem primitiva deles.
A mãe que providencia calor, proteção e alimento é também a lareira, a caverna ou cabana protetora e a plantação em volta. A mãe é também a roça fértil e seu filho é o grão divino, o irmão, e amigo dos homens. A mãe é a vaca leiteira e o rebanho. O pai anda por aí, fala com os outros homens, caça, viaja, faz guerra, espalha seu mau humor qual tempestade, e, sem muito refletir, muda a situação toda num piscar de olhos. Ele é a guerra e a arma, a causa de todas as mudanças. É o touro provocado para a violência ou para a preguiça apática. É a imagem de todas as forças elementares, benéficas ou prejudiciais”.
Carl Gustav Jung

Civilização em Transição, Editora Vozes


Parágrafos: 64,65,66,67. 

INICIO DO ANO ZODIACAL

Por Tereza Kawall


Muitas vezes, ao explicar a natureza do planeta Marte, digo que ela é a energia que tira a gente da cama pela manhã, pois é ali onde voce dá o " start", junta forças vitais e dali sai para a vida. Estou falando de Marte, pois ele é o regente de Áries, o primeiro signo do Zodíaco, e o hoje comemora-se o início do ano zodiacal. 
O Sol está no grau zero deste signo, que pertence ao elemento fogo. 


Onde está essa centelha divina dentro de você? Aquela motivação intrínseca que põe seu corpo e espírito em movimento, e que independe de circunstâncias externas?
" Estou aí na batalha",' ou "vou à luta" bem traduzem essa garra, a vontade de fazer as coisas acontecerem. Aquilo que ninguém fará por você.


Vejo o " espirito" de Áries/Marte quando alguém me conta uma conquista importante e dos seus olhos sai aquela faísca de alegria. A mesma que está presente nos olhos das crianças quando estão felizes ou fizeram alguma " arte" mais especial.
Vejo essa energia nos tons vermelhos das eritrinas, dos altivos antúrios, nas begônias, nas espatódeas, nos bicos de papagaios. Nas pinceladas flamejantes do ariano Van Gogh, nos tons alaranjados celestiais que anunciam o amanhecer.
Sem falar no grito primordial dos bebês quando aqui aterrissam e aparecem para o mundo, respirando pela primeiríssima vez...

A vida nos abençoa de muitas maneiras, todos os dias. No entanto pouco nos detemos no fato de que ela, em si mesma, é a maior das bençãos. O corpo vivo, quente, nossa respiração, o sangue passeando em nossas veias, nossos movimentos, milhões de células e sinapses cumprindo milagrosamente suas funções com o intuito de manter-nos aptos para a ação, ou seja, VIVOS.
Existe benção maior?

Não tenho dúvidas: hoje é o primeiro dia do resto de minha ou de nossas vidas!


JUNG A E ASTROLOGIA 2


Caro Prof.  Raman, 6 de setembro 1947
  "Eu ainda não recebi o “ The Astrological Magazine”, mas responderei sua carta mesmo assim.
Uma vez que você quer saber minha opinião sobre astrologia eu posso te dizer que tenho me interessado por esta atividade especial da mente humana há mais de 30 anos. Como eu sou um psicólogo, me interesso principalmente pela luz especial que o horóscopo lança em certas complicações do caráter. Em casos de difícil diagnóstico psicológico, eu normalmente obtenho um horóscopo para ter uma perspectiva mais profunda, de um ângulo totalmente diferente. Devo dizer que, muito freqüentemente, descobri que os dados astrológicos elucidaram certos pontos que eu, de outra forma, teria sido incapaz de compreender.
De tais experiências formei a opinião de que a astrologia é de particular interesse para o psicólogo, uma vez que contém um tipo de experiência psicológica que chamamos projetadas - isso significa que encontramos os fatos psicológicos como se estivessem nas constelações.
Isso nasceu originalmente da idéia que esses fatores derivam das estrelas, considerando que eles meramente estão em uma relação de sincronicidade com elas.
Eu admito que esse é um fato curioso o qual joga uma luz peculiar na estrutura da mente humana. O que eu sinto falta na literatura astrológica é principalmente o método estatístico pelo qual certos fatos fundamentais poderiam ser estabelecidos cientificamente.
Espero que essa resposta vá de encontro a sua pergunta,
fico à sua disposição,
Sinceramente seu,
C.G. Jung"
(carta que Carl G. Jung escreveu para o astrólogo hindu, B.V. Raman em 6 de setembro de 1947.
Cartas, Volume I, Editora Vozes
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 "Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico. Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga.
A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente"

* Trecho de uma carta de Jung ao astrólogo francês André Barbault, em 1954
Cartas, volume II, editora Vozes.


CIVILIZAÇÃO OU FELICIDADE?

Os xamãs e povos indígenas sabem preservar o contato com suas raízes ancestrais e a com a força dos animais selvagens.

 Do ponto de vista da psicologia evolucionária, portanto, a escala de tempo relevante para se começar a entender a origem, formação e atual configuração do psiquismo humano não são os cerca de 6 mil anos da criação segundo o mito bíblico e a filosofia da história hegeliana, mas as centenas de milhões de anos transcorridos desde o aparecimento dos mamíferos e os cerca de 200 mil anos da trajetória do Homo Sapiens pelo planeta. Foi ao longo dessa trajetória- sob a forja silenciosa e a pressão dos milênios anônimos que precedem a escrita e o nosso calendário – que os modos básicos de sentir e agir, ou seja, que o aparelho psíquico e o repertório de instintos e emoções primárias da nossa espécie foram sendo gradualmente moldados. É abrindo a cortina do nosso passado ancestral que podemos chegar a compreender melhor quem somos e por que somos como somos. A natureza está tanto fora como dentro de nós.

A diversidade aparente não nega a unidade essencial. Assim como o organismo físico dos homens, não obstante a infinita variedade e a singularidade de cada corpo individual, apresenta uma uniformidade anatômica essencial ( todos tempos cabeça, tronco, membros, pulmões lábios, rins, fígado, etc) ; da mesma forma a mente, não obstante a extraordinária variedade de culturas, tradições e peculiaridades individuais, apresenta um uniformidade psíquica essencial que independe do processo histórico e da forma de organização social. Cada indivíduo carrega não só nos órgãos físicos de seu corpo, mas também na sua vida mental. Como uma relíquia herdada do ambiente ancestral da nossa espécie, a pré-história da humanidade.
O ponto crucial aí está. A pessoa civilizada é na verdade uma construção elaborada erguida sobe uma base animal que sempre permanece com ela. A constituição psíquica do homem, fruto de um longo processo evolutivo, é muito menos plástica ou  maleável do que supunham a vertente dominante da era iluminista e todos os adeptos da crença na perfectibilidade humana do século XIX.
.. A domesticação do animal humano tem um preço. Nossa constituição psíquica não aceita de bom grado e resiste surdamente às múltiplas interdições, pressões e ditames da convivência civilizada. O homem carrega dentro de si um universo mental com um tempo de mudança muito distinto do que preside às mudanças no campo da ciência, da técnica e do pregresso econômico. Mas assim como se constata hoje que a exploração do meio ambiente natural pelo homem vem produzindo uma séria ameaça de desastre ecológico, parece razoável supor que estejamos vivendo um espécie de crise da ecologia psíquica, produzida pelo crescente descompasso entre o ambiente interno do anima homem- a natureza humana pré-lógica e pré-civilizada que herdamos da nossa trajetória evolutiva –e o ambiente externo da civilização tecnológica.
A pergunta básica que fica é: a civilização entristece o animal humano?

Do livro: Felicidade, pagina 106
Autor: Eduardo Gianetti

Editora Companhia das Letras

SATURNO E O ANO DE 2017


VISLUMBRE PARA 2017

Saturno será o planeta regente de 2017. O que isso significa?

De que o nosso planeta está atravessando enormes desafios ninguém mais duvida. A questão que se coloca é: e o que fazer? Como cada um de nós pode contribuir para minimizar as graves conseqüências do atual desequilíbrio ambiental? Porque a solidariedade humana só se manifesta em situações extremas?

Há uma crescente consciência de que  a responsabilidade por melhorias ou soluções, seja no plano social, político ou econômico não pode mais ficar na mão de alguns poucos que detém todo o poder das decisões em suas mãos. Cada individuo pode e deve agir de forma mais consciente para não permitir abusos e injustiças, participando efetivamente de ações que visem o bem estar da coletividade.

Saturno nos mostra a importância de aceitar os limites e as dores da vida, e também de perseverar, apesar das dificuldades que chegam, inexoravelmente, para todos. Cronos, na antiga Grécia, como o Senhor do Tempo, faz-nos lembrar de que tudo na natureza tem o seu próprio ciclo, vale dizer, tudo tem um começo, meio e fim. Ele também significa a sabedoria que advém das experiências vividas e do trabalho, além da perseverança e disciplina para a que nossos ideais se realizem. É em meio as crises, turbulências e adversidades que encontramos força e resiliencia para seguir em frente.



Assim, cada vez mais, a união e o esforço coletivo em torno de um ideal comum são fundamentais para a sobrevivência de todos nós. E isso independe de raça, condição geográfica, clima, cultura, ideologias ou história, seja ela pessoal ou coletiva. Depende do sentido de urgência, da consciência e da responsabilidade do ser humano, coisas que não estão à venda em supermercados. 

Esta consciência nasce do interior e da reflexão honesta de cada um. Só apontar os culpados não basta. Estamos no mesmo barco, pertencemos a uma única família humana. Precisamos remar com mais vontade e disposição para que as mudanças que desejamos possam acontecer. De fato, não existem ventos favoráveis para aquele que não sabe seu porto de destino. Para onde a sua bússola aponta? 

Para saber mais, procure nas bancas e livrarias o  Almanaque do Pensamento para 2017!!