Por Tereza Kawall

Do ponto de vista dos alquimistas, o ouro físico e o ouro psíquico eram a mesma coisa e eles não estavam interessados no “ouro vulgar”, mas sim, no “ouro filosófico”.

As diferentes fases do processo alquímico tinham uma relação direta com as posições planetárias, uma vez que as duas formas de conhecimento estava baseadas naquilo que hoje entendemos como o “ princípio das correspondências” e do “ tempo qualitativo”. Os metais transformados tinham a mesma substância ou o mesmo principio vibratório e energético dos planetas, e havia o tempo certo para as coisas acontecerem.

O Sol astrológico é o símbolo maior da identidade pessoal, da essência criativa que se manifesta na vontade humana, o esforço do homem em tornar-se o que é, e encontrar um propósito para a vida.

O pressuposto alquímico é que o Sol, simbolizado pelo ouro, é a própria imagem de Deus, assim como o coração é a imagem do sol no homem. O ouro é o símbolo solar por excelência, a revelação do plano divino na terra. Não por acaso, reis e papas têm as suas coroas e outros adornos feitos em ouro.

Em analogia, o sol alquímico é sobretudo, o símbolo do renascimento das forças espirituais, a centelha do fogo divino no homem.
A “Grande Obra” ou a “Pedra Filosofal” era a descrição de um processo bastante complexo, da transformação da natureza humana, a fim de que ela pudesse espelhar o seu aspecto divino. O objetivo da obra era achar Deus na matéria, e o metal ouro, cuja natureza nobre e brilhante era o símbolo do eu espiritual transformado. A “opus” estaria destinada a aperfeiçoar o homem, a obra inacabada de Deus.

Ao final do processo, havia a imagem da coniunctio, uma conjunção do Sol e da Lua, e que  também era simbolicamente, o casamento sagrado do Rei e da Rainha.
 Em síntese, havia uma integração dos opostos, da vida inconsciente e consciente. As imagens alquímicas, da mesma forma que os mitos ou os contos de fada, representam diferentes etapas do desenvolvimento psicológico. Da mesma maneira um mapa astrológico individual descreve uma ”opus” individual, o trabalho de toda uma vida.



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OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS DE JUNG



OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS (2)
“ Quando JUNG publicou “ Tipos psicológicos”, em 1921, Freud foi um dos primeiro s ler – e rejeitá-lo como “ a obra de um esnobe e místico, nenhuma idéia nova(...) Não há grande dano a se esperar desse lado”. O livro é, com Freud também notou, “ enorme, com 700 páginas”.
A principal objeção que ele levantou era que JUNG ainda estava insistindo, como fizera desde a publicação de “Símbolos da Transformação”, em 1913, que não poderia haver “ verdade objetiva” na psicologia, por causa das “ diferenças pessoais na constituição do observador”, ou, como JUNG agora a definia, na “ tipologia”. Jung escrevera Tipos Psicológicos pensando na primazia do sexo, para Freud, e do poder, para Adler, e expressou com avidez suas diferenças em relação a ambos.

Num sentido muito real, a gênese do livro ocorreu em torno de 1913, quando Jung se separou da ortodoxia freudiana; é razoável dizer que a obra inteira, até a publicação de 1921, pode ser lida como observações sobre uma teoria da tipologia unificada, que iria surgindo aos poucos. A sombra de Freud pesa sobre o trabalho, a partir do momento que a extroversão deste e a introversão do próprio Jung fornecem uma explicação conveniente para o fato de eles não terem conseguido controlar as divergências.

(...) O livro é uma espantosa compilação das leituras extensivas de Jung, mas não há referência alguma ao que ele lera antes de escrever Símbolos de Transformação. Simplesmente examina o problema dos tipos como ele ocorre nos diversos textos que serviriam de esteio durante os muitos anos futuros, as referencias-padrão que ele repisava incessantemente para sustentar suas posições teóricas. Por sorte, escolheu bem, porque selecionou obras que eram as melhores em poesia, psicopatologia, estética, filosofia moderna e biografia ( entre outras áreas).

Dedicou um capitulo aos tipos de William James, especialmente aos pares característicos de opostos, “ mentalidade rígida” e ‘ mentalidade suave” que examinou de muitos modos diferentes. Reconheceu que o problema dos tipos fascina a humanidade desde sempre, das antigas astrologia, quiromancia, frenologia, fisiognomonia e grafologia aos mais recentes, como Wilhelm Ostwald e Otto Weininger. Jung admitiu que escolhera escrever apenas sobre aquelas teorias que sustentassem a sua idéia, mas não insistiu que essa era “ única teoria dos tipos verdadeira ou possível”.

(...) Jung guardou a própria tipologia para o ultimo capitulo, que compreendia as cerca de 150 páginas finais do texto. Às “atitudes’ do introvertido e do extrovertido, ele acrescentava ainda outras quatro diferenciações chamadas de funções. Agora adotar as sugestões de Schmid e Toni Wolff, e deu ao “ sentimento” e ao “ pensamento condição igual à “ intuição” e “ sensação”. Agrupou sentimento e pensamento sob a rubrica de “ racional’ enquanto a sensação e a “ intuição tornaram-se “ não racionais”.
Reconhecia também a importância das funções não racionais para o desenvolvimento da psique, porque elas permitiam um conhecimento a priori, algo que ele captara, mas que não conseguira fisgar, no diálogo com Schmid. “ Uma teoria sobre os tipos deve ser mais sutil”, acreditava ele, e, em seu esquema, as duas atitudes e as quatro funções permitiam um total geral de oito tipos psicológicos possíveis.

Nos anos que se seguiram à publicação de 1921, várias vezes perguntaram a Jung por que ele propusera um sistema composto de dois tipos, quatro funções e oito tipos possíveis. “ Quem existam exatamente quatro, esta é uma questão de fato empírico”, era sua reposta consistente:
“As quatro funções são mais ou menos como os quatro pontos cardeais; são arbitrários, mas também indispensáveis. Nada impede que mudemos os pontos cardeais tantos graus quantos queiramos, numa direção ou na outra, e nada nos impede de lhes dar nomes diferentes. É apenas uma questão de convenção e de capacidade de compreensão”.

JUNG – uma biografia (Volume l)
Deirdre Bair, Editora Globo, pag 371
Imagem dos os 4 pontos cardeais, 4 funções, 4 estações e 4 elementos.

OS TIPOS PSICOLÓGICOS (1)


OS QUATRO TIPOS PSICOLÓGICOS
Por Tereza Kawall
O livro “ Tipos psicológicos” foi lançado no ano de 1921. No prólogo encontramos as palavras do próprio Jung:
“ Este livro é fruto de quase vinte anos de trabalho no campo de psicologia prática. Foi surgindo aos poucos no plano mental: às vezes,das inúmeras impressões e experiências que obtive na práxis psiquiátrica e no tratamento de doenças nervosas; outras vezes, do relacionamento com pessoas e de todas as classes sociais; de discussões pessoais com amigos e inimigos, e, finalmente, da crítica às minhas próprias idiossincrasias psicológicas”.
Segundo Jung, “toda maneira de ver é relativa e todo julgamento de um homem é limitado de antemão pelo seu tipo de personalidade”.

Na visão da psicologia analítica, a psique tem alguns modos básicos de funcionamento. Os conceitos junguianos de extroversão e introversão baseiam-se no movimento da libido em relação ao objeto. Por libido entenda-se que estamos falando da energia psíquica da pessoa como um todo. Na atitude extrovertida ela flui em direção ao objeto, e no caso da introversão, ela recua frente ao objeto. De um modo geral entendemos que:
As características marcantes do tipo introvertido são:
Primeiro pensa, depois age, hesitante em relação ao mundo
Mais voltado para a reflexão e a análise
Orientado por fatores internos
Tem uma postura reservada e questionadora
Prefere a comunicação escrita e ambientes calmos
Do tipo extrovertido são:
Impulso para a ação
Mais voltado para o mundo externo
É assertivo em relação ao objeto
É mais confiante, acessível e sociável
Não considera fatores subjetivos
Voltado para o agora

Nesse modo estrutural em que se percebe uma dualidade direcional psíquica, há também uma estrutura quaternária: as quatro funções da consciência, que mostram como a energia psíquica opera. São como os quatro pontos cardeais que a consciência dispõe para se organizar no mundo, e adaptar-se a ele.
São elas:
1. função sensação, que registra conscientemente fatos exteriores e interiores, de modo irracional; é atento aos detalhes do ambiente externo. Gosta dos prazeres dos sentidos, é pragmático, rotineiro.
2. função intuição, que indica a apreensão de potencialidades futuras; busca a inspiração criativa; desloca-se facilmente para o futuro, mudança ou inovação; percebe melhor o todo. É bom em projetos, tem um faro, um feeling, gosta de pesquisas, apóia idéias arrojadas. Dificuldade em concretizar.
3. função pensamento, por meio da qual o nosso ego conscientemente estabelece uma ordem lógica racional entre os objetos. Toma decisão baseada na causalidade lógica dos eventos; pode aparentar frieza em seu julgamento, valoriza o pensamento sobre o sentimento.
4. função sentimento, que seleciona hierarquias de valor para o mundo, de afeição ou rejeição pelo objeto.Sentimento aqui não é afeição, mas a dimensão valorativa das coisas, com juízos de valor, gostar ou não gostar. Valoriza o sentimento sobre a lógica , é sempre apaziguadora.
Cito Nise da Silveira em um breve resumo das funções da consciência:
“ A sensação contata a presença das coisas que nos cercam e é responsável pela adaptação do indivíduo à realidade objetiva.
O pensamento esclarece o que significam os objetos. Julga, classifica, discrimina uma coisa da outra. O sentimento faz a estimativa dos objetos. Decide o valor que têm para nós. Estabelece julgamentos como o pensamento mas a sua lógica é toda diferente. É a lógica do coração.
A intuição é uma percepção via inconsciente. É “a apreensão da atmosfera onde se movem os objetos; de onde vêm e qual o possível curso de seu desenvolvimento”.
Livro: “Jung, Vida e Obra”

Muito importante ressaltar que Jung, em sua enorme pesquisa sobre a tipologia humana sempre tomou o cuidado de nos alertar sobre o fato de sua classificação não deveria ser levada ao pé da letra, vale dizer, não era a única possível. Pessoas não devem ser rotuladas, e as tipologias não descrevem a personalidade de forma definitiva, é preciso considerar também o momento que o indivíduo está atravessando. E claro, que todos podemos mudar e desenvolver outras funções conforme o processo de individuação vai acontecendo ao longo da vida. Jung mesmo dizia que passaremos pelo oposto de nossas intenções em nome da nossa totalidade!!
Desenho: M.C. Escher, 1922