OUVIR ESTRELAS - 2015


Por Tereza Kawall


VISLUMBRE DE 2015


Toda nossa existência é pautada e compreendida através dos ciclos. Sejam eles determinados pelos dias da semana, do mês, dos anos ou pelos ciclos das estações. A infância, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte. Nada escapa, inexoravelmente, à passagem do tempo, vale dizer, tudo tem um início, meio e fim. Eventos relevantes em nosso dia a dia parecem estar indicando que nosso país está vivendo um final de um ciclo.

 A despeito do resultado das eleições em 2014, muito esforço terá de ser feito para o nosso país volte para uma rota de crescimento, em todos os aspectos. Os governantes deverão estar mais atentos às inúmeras reivindicações que pudemos ver durante as manifestações de rua.

 Nosso desempenho sofrível na Copa do Mundo jogou por terra a velha máxima de que: “ somos o país do futebol”, e com ela boa parte da nossa auto estima. Uma grande interrogação está suspensa no ar. Afinal, que país queremos ser?

 O Brasil, sempre apontado como o país do futuro precisa, com máxima urgência ser ou tornar-se o “ país do presente”, e, para tal, avançar, com mais ousadia e muito mais responsabilidade em direção das mudanças que tanto desejamos.
 Criticar não basta. Cada um de nós, saindo da zona de conforto e da inércia pode dar alguma contribuição significativa. Crises são oportunidades de crescimento, tempos de tomada de decisão. A sociedade civil pode e deve se apropriar de seu próprio poder, e esta parece ser a mudança mais significativa que estamos vivendo. A cidadania se constrói com a participação de cada individuo.

 Como afirmou Mahatma Gandhi: “ Seja você a mudança que deseja ver no mundo”.

Em 2015 há a promessa de um ciclo de mais consciência da população em relação aos direitos e deveres, de uma de expansão lenta da economia, e o fortalecimento das instituições deve seguir esse mesmo ritmo.

 Do ponto de vista astrológico, entre outros, teremos dois ciclos bastante significativos que acontecem sobre grau 14 do signo de Virgem, onde está localizado o Sol do mapa natal do Brasil ( 17 de setembro de 1822). Plutão em Capricornio e Jupiter em Virgem fazem ângulos positivos com essa posição, (um trígono e uma conjunção, respectivamente),manifestando um processo de conscientização, o que pode pavimentar uma possibilidade de transformação por parte de todos.
Jupiter inicia a partir de outubro deste ano, um novo ciclo de doze anos, representando os primeiros passos de uma fase de expansão, crescimento e confiança, com a busca pela legitimação de valores sociais, como a justiça e a igualdade.

 A exuberância da natureza em nosso país em muito se assemelha a um lindo e perfeito jardim. Imaginemos que a confiança será a “ água da vida”, que gradualmente, ao irrigar a terra, estará propiciando um novo ciclo de novas semeaduras. E assim esperamos, que 2015 faça florescer e frutificar uma nova identidade para o Brasil, com mais justiça e credibilidade para o nosso amado país.

Extraído do Almanaque do Pensamento para 2015
Editora Pensamento, SP.

MARTE E A MITOLOGIA


Por Tereza Kawall

Na antiga Grécia, Ares era o deus das guerras, filho de Zeus e Hera.
 Embora tivesse sua ascendência direta com deuses olímpicos, esta divindade ocupava um lugar secundário no panteão grego. Colérico, brutal e agressivo, Ares tinha dois escudeiros que o acompanhavam todo o tempo , inclusive nos campos de batalha: Deimos ( terror) e Phobos( medo).
 Posteriormente esses forma os nomes dados às atuais luas de Marte.) tinha o deus mais dois acompanhantes, que eram Eris ( discórdia) e Enyo ( o destruidor das cidades).
 Ares não era muito admirado pelos gregos, seus papel se restringia a guerrear simplesmente. Assim estava mais relacionado à coragem cega, o ódio, a crueldade. Apesar de sua tremenda força física, Ares acabava por perder muitas batalhas, tendo que se retirar humilhado e vencido.
 Entre ele e sua irmã, Palas Atena, filha de Zeus, havia uma rivalidade profética. Palas Atena representava a inteligência e acabava vencendo as batalhas pois era o símbolo da justiça e das estratégias de guerra, sempre por causas mais elevadas. Na verdade era a deusa preferida dos heróis gregos que invocavam sua presença para auxiliá-los na guerras. Na mitologia da antiga Grécia, Ares tinha o seu equivalente romano, Marte. 

Nesta cultura, ele veio a ter muito mais poderes e importância, ocupando uma posição mais elevada que Jupiter. A origem do nome Marte pode vir da raiz mas , que significa a “ força geradora” ou da raiz mar , que significa brilhar. Marte era também chamado de Marte Gradivus, da palavra grandiri, que significa ‘ tornar-se grande”, crescer.
 Acreditava-se que Marte era pai de Rômulo e Remo, os fundadores de Roma, dando assim à Marte o status de fundador da república romana. 
Além de ser o deus da guerra, era cultuado como o deus da agricultura, da primavera e da vegetação, sempre relacionado à fertilidade, ao crescimento e ao vir a ser. O Marte romano tinha dois acompanhantes com significados diferentes: Honor( honra) e Virtus( virtude). 

Os romanos acreditavam que seu destino e finalidade como povo era honroso e virtuosos, ou seja o de governar o mundo. O militarismo, o espírito de conquista estavam profundamente arraigados na cultura romana e muito ligados a figura de Marte. Esta civilização, como todos sabem, ficou conhecida por seu notável império, suas batalhas, poder bélico e por sua capacidade de dominar, qualidades essenciais de Marte tanto do ponto de vista mitológico quando astrológico.

È muito interessante lembrar que o premiado filme “ Gladiador”, retrata de forma muito expressiva o arquétipo do Marte romano. A cena da batalha inicial já nos mostra essa energia: bolas de fogo cruzam o céu, florestas ardem em chamas, o sangue jorra por entre as armaduras dos soldados feridos ou mortos por espadas. Nesta forte cena ouvimos as palavras do seu general Maximus, protagonizado pelo ariano Russel Crowe: “ Liberem o inferno”.
 Ele representa a essência deste símbolo, o soldado viril, leal, e corajoso, com energia fogosa ousada e instintiva. Em sua saga heróica, ele passa de general a escravo, a lutador, a gladiador e ao final volta a ser general vitorioso e aclamado por Roma, defendendo com honra e coragem seu imperador e seus princípios até a morte.

Os heróis de muitas mitologias são a personificação da força arquetípica de Ares/Marte.
 O herói é aquele de deve sair pelo mundo, vencer seus inimigos para poder sobreviver, que terá que matar os dragões, atravessar florestas ou oceanos, enfrentar monstros ou dificuldades aparentemente intransponíveis. Poderá ou não encontrar o amor, mas voltará ao seu lugar de origem, mais sábio e transformado por suas incríveis experiências.

 Marte não foi muito feliz nas questões de amor. 

Conta o mito que Afrodite, que era casada com Hefesto, teve inúmeros amantes, entre eles Marte. Ao entardecer os dois se encontravam às escondidas e , para não serem descobertos em seus jogos de amor, traziam consigo um menino chamado Alectryon. Este ficava na porta como sentinela, e os avisava quando o dia estava amanhecendo.

 Contudo, numa noite fatal, o vigia dormiu. E o casal foi surpreendido por Hélios, o Sol, aquele que tudo vê, que se apressou em avisar o marido traído. 
Hefesto, o deus da forja, muitíssimo irado, teceu uma rede invisível de ouro e nela prendeu Vênus e seu rival, que ainda estavam no leito. Não satisfeito com isso, chamou todos os deuses para que contemplassem o terrível adultério, acreditando que eles iriam ficar escandalizados. 

No entanto, todos se divertiram muito com a cena toda e até deram uma gargalhada tão sonora que a abóbada celeste chegou a oscilar.
 Livre da armadilha, Afrodite, envergonhada, foi para Chipre e Marte foi para a Trácia. Alectryon também foi castigado: transformaram-no em galo e assim ele foi obrigado eternamente a cantar todas as madrugadas para avisar a chegada do sol.

DISTRAÍDOS DO ESSENCIAL




Por Tereza Kawall

DISTRAÍDOS DO ESSENCIAL 

Pensando bem, nossos problemas atuais não são de natureza econômica, política, científica, ambiental, seja lá o que for.

 Nosso verdadeiro e incomensurável problema é inequivocamente o homem, nossa humanidade, assim chamada por aquilo que deveria nos definir como humanos.

 Aqui, leia-se e entenda-se “ consciência” com tudo o que ela representa, sem licença poética, em um contexto racional, ético, moral, que pode discriminar valores, e que teoricamente é o que nos diferencia das plantas, dos animais,das borboletas, dos peixes, da grama, das formigas, dos sabiás, das conchas, das pedras, dos minérios e do orvalho matinal.

 Ah, sim, fazemos rituais para nossos mortos, abraçamos a religião como suporte para o viver, fazemos filosofia, leis, manifestações artísticas de toda ordem. 

Construímos incríveis túneis aquáticos e pontes quase aéreas, maravilhas da tecnologia moderna. Aquele que chamamos de “ arranha-céu” também perfura as entranhas da Terra, fazendo-a afundar sob o peso do poder econômico e seus desvarios gananciosos. 

Artefatos da cultura? Milhares deles, dos mais sofisticados aos mais cafonas, dos mais úteis aos mais inúteis, nos deliciamos com nossos coloridos celulares, notebooks, mágicos brinquedinhos que geram rapidez, dependência e algumas inseguranças a mais.

 Claro, temos lindas naves espaciais e satélites que rasgam aos céus para desvendar os segredos do cosmos, quem sabe nossa origem. Macacos me mordam!

 Arrancamos inúmeras riquezas de nosso abençoado solo, do mar, e para não soar repetitivo demais, derrubamos florestas centenárias em alguns poucos minutos, mesmo já sabendo e vivenciando as conseqüências destes atos. 

Ninguém mais duvida: a natureza quando está irada não tem piedade de nada e ninguém, sua força é inexorável quando seus quatro elementos, fogo, ar, terra e a água intensificam a sua ação de forma extremada
 Desejo e ganância dão-se as mãos e caminham céleres rumo aos pódios dos especuladores sorridentes – nosso capitalismo é mais que selvagem, é por assim dizer, criminoso, concentrando riquezas, privilegiando poucos, e asfixiando a grande maioria. 

Bem, também já deciframos as seqüências dos códigos genéticos, para o bem e para o mal, pois bem sabemos que a Mãe Natureza tem muito ciúmes de seus segredos.

 A medicina tradicional tem feitos espetaculares, nosso cérebro é mapeado e desvendado em tempo real, bem colorido, parece até um arco-íris! 

Agora é bacana afirmarmos, com orgulho que em breve viveremos até 120 anos! Só não nos explicam para quê. Pudera,a lucrativa indústria farmacêutica não tem que ficar explicando tudo para nós; morrer e envelhecer são assuntos antiquados.
 E vamos por aí, aspirados, siliconados, contando para nós mesmos as mentiras e ilusões da eterna juventude! 

Nossa maravilhosa civilização calcada na razão e no progresso nos prometeu o conhecimento, a tecnologia e a ciência como pressupostos de bem estar e felicidade.
 Lembram do ócio criativo? Será que vingou? 

Os artefatos eletrônicos não deixam mais tempo para estados mentais mais relaxados -estamos plugados, é o que interessa. Ficar muito ocupado dá status, e ainda de quebra impede o olhar para dentro, para a reflexão óbvia: para quê tudo isso, afinal?

 Drogas potentes para todas as mazelas psíquicas: bulimia, transtornos vários, obsessões, depressões... não dão conta de silenciar e abafar os sintomas mundiais: nossa alma coletiva está doente. Existe alguma UTIBH, Unidade de Tratamento Intensivo para a Burrice Humana? 

Pobre ser humano, uma solitária alma penada, que ainda não desvendou a si mesmo, vive a mercê seus anseios, refém de seus demônios. É um herói, que inspirado por um ideal que Prometeu um dia sonhou, anda por aí, capenga e inseguro, torturado pelo medo, pelas doenças e por um futuro pouco promissor – qual é mesmo a sua nobre causa? Alguém se lembra? 

Conheço tantas coisas, mas meu eu é, freqüentemente, um abismo a espera de um amanhecer mais suave e ameno.

 Somos distraídos do essencial e atraídos, como um imã, pelo superficial? 

Sim, há um esperança!!
A consciência humana vive uma fase crepuscular, embora MUITOS, de forma muito silenciosa e menos ostensiva fazem a sua parte, cuidando de seus jardins, semeando outras formas de vida, trabalho e convivência. Cuidando da água, dos animais,das crianças, das árvores, das flores.....

Como diz Leloup, as florestas crescem silenciosamente. É urgente mudarmos este estado de coisas, é urgente fazermos uma revolução espiritual que nos faça mais serenos, e mais capacitados para o perdão, para uma vida mais amorosa e portanto, mais felizes.