OUVIR ESTRELAS - 2015


Por Tereza Kawall


VISLUMBRE DE 2015


Toda nossa existência é pautada e compreendida através dos ciclos. Sejam eles determinados pelos dias da semana, do mês, dos anos ou pelos ciclos das estações. A infância, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte. Nada escapa, inexoravelmente, à passagem do tempo, vale dizer, tudo tem um início, meio e fim. Eventos relevantes em nosso dia a dia parecem estar indicando que nosso país está vivendo um final de um ciclo.

 A despeito do resultado das eleições em 2014, muito esforço terá de ser feito para o nosso país volte para uma rota de crescimento, em todos os aspectos. Os governantes deverão estar mais atentos às inúmeras reivindicações que pudemos ver durante as manifestações de rua.

 Nosso desempenho sofrível na Copa do Mundo jogou por terra a velha máxima de que: “ somos o país do futebol”, e com ela boa parte da nossa auto estima. Uma grande interrogação está suspensa no ar. Afinal, que país queremos ser?

 O Brasil, sempre apontado como o país do futuro precisa, com máxima urgência ser ou tornar-se o “ país do presente”, e, para tal, avançar, com mais ousadia e muito mais responsabilidade em direção das mudanças que tanto desejamos.
 Criticar não basta. Cada um de nós, saindo da zona de conforto e da inércia pode dar alguma contribuição significativa. Crises são oportunidades de crescimento, tempos de tomada de decisão. A sociedade civil pode e deve se apropriar de seu próprio poder, e esta parece ser a mudança mais significativa que estamos vivendo. A cidadania se constrói com a participação de cada individuo.

 Como afirmou Mahatma Gandhi: “ Seja você a mudança que deseja ver no mundo”.

Em 2015 há a promessa de um ciclo de mais consciência da população em relação aos direitos e deveres, de uma de expansão lenta da economia, e o fortalecimento das instituições deve seguir esse mesmo ritmo.

 Do ponto de vista astrológico, entre outros, teremos dois ciclos bastante significativos que acontecem sobre grau 14 do signo de Virgem, onde está localizado o Sol do mapa natal do Brasil ( 17 de setembro de 1822). Plutão em Capricornio e Jupiter em Virgem fazem ângulos positivos com essa posição, (um trígono e uma conjunção, respectivamente),manifestando um processo de conscientização, o que pode pavimentar uma possibilidade de transformação por parte de todos.
Jupiter inicia a partir de outubro deste ano, um novo ciclo de doze anos, representando os primeiros passos de uma fase de expansão, crescimento e confiança, com a busca pela legitimação de valores sociais, como a justiça e a igualdade.

 A exuberância da natureza em nosso país em muito se assemelha a um lindo e perfeito jardim. Imaginemos que a confiança será a “ água da vida”, que gradualmente, ao irrigar a terra, estará propiciando um novo ciclo de novas semeaduras. E assim esperamos, que 2015 faça florescer e frutificar uma nova identidade para o Brasil, com mais justiça e credibilidade para o nosso amado país.

Extraído do Almanaque do Pensamento para 2015
Editora Pensamento, SP.

MARTE E A MITOLOGIA


Por Tereza Kawall

Na antiga Grécia, Ares era o deus das guerras, filho de Zeus e Hera.
 Embora tivesse sua ascendência direta com deuses olímpicos, esta divindade ocupava um lugar secundário no panteão grego. Colérico, brutal e agressivo, Ares tinha dois escudeiros que o acompanhavam todo o tempo , inclusive nos campos de batalha: Deimos ( terror) e Phobos( medo).
 Posteriormente esses forma os nomes dados às atuais luas de Marte.) tinha o deus mais dois acompanhantes, que eram Eris ( discórdia) e Enyo ( o destruidor das cidades).
 Ares não era muito admirado pelos gregos, seus papel se restringia a guerrear simplesmente. Assim estava mais relacionado à coragem cega, o ódio, a crueldade. Apesar de sua tremenda força física, Ares acabava por perder muitas batalhas, tendo que se retirar humilhado e vencido.
 Entre ele e sua irmã, Palas Atena, filha de Zeus, havia uma rivalidade profética. Palas Atena representava a inteligência e acabava vencendo as batalhas pois era o símbolo da justiça e das estratégias de guerra, sempre por causas mais elevadas. Na verdade era a deusa preferida dos heróis gregos que invocavam sua presença para auxiliá-los na guerras. Na mitologia da antiga Grécia, Ares tinha o seu equivalente romano, Marte. 

Nesta cultura, ele veio a ter muito mais poderes e importância, ocupando uma posição mais elevada que Jupiter. A origem do nome Marte pode vir da raiz mas , que significa a “ força geradora” ou da raiz mar , que significa brilhar. Marte era também chamado de Marte Gradivus, da palavra grandiri, que significa ‘ tornar-se grande”, crescer.
 Acreditava-se que Marte era pai de Rômulo e Remo, os fundadores de Roma, dando assim à Marte o status de fundador da república romana. 
Além de ser o deus da guerra, era cultuado como o deus da agricultura, da primavera e da vegetação, sempre relacionado à fertilidade, ao crescimento e ao vir a ser. O Marte romano tinha dois acompanhantes com significados diferentes: Honor( honra) e Virtus( virtude). 

Os romanos acreditavam que seu destino e finalidade como povo era honroso e virtuosos, ou seja o de governar o mundo. O militarismo, o espírito de conquista estavam profundamente arraigados na cultura romana e muito ligados a figura de Marte. Esta civilização, como todos sabem, ficou conhecida por seu notável império, suas batalhas, poder bélico e por sua capacidade de dominar, qualidades essenciais de Marte tanto do ponto de vista mitológico quando astrológico.

È muito interessante lembrar que o premiado filme “ Gladiador”, retrata de forma muito expressiva o arquétipo do Marte romano. A cena da batalha inicial já nos mostra essa energia: bolas de fogo cruzam o céu, florestas ardem em chamas, o sangue jorra por entre as armaduras dos soldados feridos ou mortos por espadas. Nesta forte cena ouvimos as palavras do seu general Maximus, protagonizado pelo ariano Russel Crowe: “ Liberem o inferno”.
 Ele representa a essência deste símbolo, o soldado viril, leal, e corajoso, com energia fogosa ousada e instintiva. Em sua saga heróica, ele passa de general a escravo, a lutador, a gladiador e ao final volta a ser general vitorioso e aclamado por Roma, defendendo com honra e coragem seu imperador e seus princípios até a morte.

Os heróis de muitas mitologias são a personificação da força arquetípica de Ares/Marte.
 O herói é aquele de deve sair pelo mundo, vencer seus inimigos para poder sobreviver, que terá que matar os dragões, atravessar florestas ou oceanos, enfrentar monstros ou dificuldades aparentemente intransponíveis. Poderá ou não encontrar o amor, mas voltará ao seu lugar de origem, mais sábio e transformado por suas incríveis experiências.

 Marte não foi muito feliz nas questões de amor. 

Conta o mito que Afrodite, que era casada com Hefesto, teve inúmeros amantes, entre eles Marte. Ao entardecer os dois se encontravam às escondidas e , para não serem descobertos em seus jogos de amor, traziam consigo um menino chamado Alectryon. Este ficava na porta como sentinela, e os avisava quando o dia estava amanhecendo.

 Contudo, numa noite fatal, o vigia dormiu. E o casal foi surpreendido por Hélios, o Sol, aquele que tudo vê, que se apressou em avisar o marido traído. 
Hefesto, o deus da forja, muitíssimo irado, teceu uma rede invisível de ouro e nela prendeu Vênus e seu rival, que ainda estavam no leito. Não satisfeito com isso, chamou todos os deuses para que contemplassem o terrível adultério, acreditando que eles iriam ficar escandalizados. 

No entanto, todos se divertiram muito com a cena toda e até deram uma gargalhada tão sonora que a abóbada celeste chegou a oscilar.
 Livre da armadilha, Afrodite, envergonhada, foi para Chipre e Marte foi para a Trácia. Alectryon também foi castigado: transformaram-no em galo e assim ele foi obrigado eternamente a cantar todas as madrugadas para avisar a chegada do sol.

DISTRAÍDOS DO ESSENCIAL




Por Tereza Kawall

DISTRAÍDOS DO ESSENCIAL 

Pensando bem, nossos problemas atuais não são de natureza econômica, política, científica, ambiental, seja lá o que for.

 Nosso verdadeiro e incomensurável problema é inequivocamente o homem, nossa humanidade, assim chamada por aquilo que deveria nos definir como humanos.

 Aqui, leia-se e entenda-se “ consciência” com tudo o que ela representa, sem licença poética, em um contexto racional, ético, moral, que pode discriminar valores, e que teoricamente é o que nos diferencia das plantas, dos animais,das borboletas, dos peixes, da grama, das formigas, dos sabiás, das conchas, das pedras, dos minérios e do orvalho matinal.

 Ah, sim, fazemos rituais para nossos mortos, abraçamos a religião como suporte para o viver, fazemos filosofia, leis, manifestações artísticas de toda ordem. 

Construímos incríveis túneis aquáticos e pontes quase aéreas, maravilhas da tecnologia moderna. Aquele que chamamos de “ arranha-céu” também perfura as entranhas da Terra, fazendo-a afundar sob o peso do poder econômico e seus desvarios gananciosos. 

Artefatos da cultura? Milhares deles, dos mais sofisticados aos mais cafonas, dos mais úteis aos mais inúteis, nos deliciamos com nossos coloridos celulares, notebooks, mágicos brinquedinhos que geram rapidez, dependência e algumas inseguranças a mais.

 Claro, temos lindas naves espaciais e satélites que rasgam aos céus para desvendar os segredos do cosmos, quem sabe nossa origem. Macacos me mordam!

 Arrancamos inúmeras riquezas de nosso abençoado solo, do mar, e para não soar repetitivo demais, derrubamos florestas centenárias em alguns poucos minutos, mesmo já sabendo e vivenciando as conseqüências destes atos. 

Ninguém mais duvida: a natureza quando está irada não tem piedade de nada e ninguém, sua força é inexorável quando seus quatro elementos, fogo, ar, terra e a água intensificam a sua ação de forma extremada
 Desejo e ganância dão-se as mãos e caminham céleres rumo aos pódios dos especuladores sorridentes – nosso capitalismo é mais que selvagem, é por assim dizer, criminoso, concentrando riquezas, privilegiando poucos, e asfixiando a grande maioria. 

Bem, também já deciframos as seqüências dos códigos genéticos, para o bem e para o mal, pois bem sabemos que a Mãe Natureza tem muito ciúmes de seus segredos.

 A medicina tradicional tem feitos espetaculares, nosso cérebro é mapeado e desvendado em tempo real, bem colorido, parece até um arco-íris! 

Agora é bacana afirmarmos, com orgulho que em breve viveremos até 120 anos! Só não nos explicam para quê. Pudera,a lucrativa indústria farmacêutica não tem que ficar explicando tudo para nós; morrer e envelhecer são assuntos antiquados.
 E vamos por aí, aspirados, siliconados, contando para nós mesmos as mentiras e ilusões da eterna juventude! 

Nossa maravilhosa civilização calcada na razão e no progresso nos prometeu o conhecimento, a tecnologia e a ciência como pressupostos de bem estar e felicidade.
 Lembram do ócio criativo? Será que vingou? 

Os artefatos eletrônicos não deixam mais tempo para estados mentais mais relaxados -estamos plugados, é o que interessa. Ficar muito ocupado dá status, e ainda de quebra impede o olhar para dentro, para a reflexão óbvia: para quê tudo isso, afinal?

 Drogas potentes para todas as mazelas psíquicas: bulimia, transtornos vários, obsessões, depressões... não dão conta de silenciar e abafar os sintomas mundiais: nossa alma coletiva está doente. Existe alguma UTIBH, Unidade de Tratamento Intensivo para a Burrice Humana? 

Pobre ser humano, uma solitária alma penada, que ainda não desvendou a si mesmo, vive a mercê seus anseios, refém de seus demônios. É um herói, que inspirado por um ideal que Prometeu um dia sonhou, anda por aí, capenga e inseguro, torturado pelo medo, pelas doenças e por um futuro pouco promissor – qual é mesmo a sua nobre causa? Alguém se lembra? 

Conheço tantas coisas, mas meu eu é, freqüentemente, um abismo a espera de um amanhecer mais suave e ameno.

 Somos distraídos do essencial e atraídos, como um imã, pelo superficial? 

Sim, há um esperança!!
A consciência humana vive uma fase crepuscular, embora MUITOS, de forma muito silenciosa e menos ostensiva fazem a sua parte, cuidando de seus jardins, semeando outras formas de vida, trabalho e convivência. Cuidando da água, dos animais,das crianças, das árvores, das flores.....

Como diz Leloup, as florestas crescem silenciosamente. É urgente mudarmos este estado de coisas, é urgente fazermos uma revolução espiritual que nos faça mais serenos, e mais capacitados para o perdão, para uma vida mais amorosa e portanto, mais felizes.

ALMANAQUE DO PENSAMENTO 2015



Escrevi neste número:

2015: Ano de Marte, na visão astrológica e mitológica.

Os trânsitos planetários para o Brasil em 2015

Guia astral diário

Doze lunações, mês a mês para o mesmo período.

Marte nos signos

A Origem dos calendários

A posição de todos os planetas, nos diferentes signos.

E outras curiosidades que você certamente vai aproveitar e curtir!!

Abraços!


LUNAÇÃO PARA NOVEMBRO DE 2014


LUNAÇÃO DE NOVEMBRO DE 2014

 Uma lunação é o encontro do Sol e da Lua num determinado signo. Ela representa o início de um novo ciclo, que como uma semente contém uma vida, uma idéia , um determinado impulso que vai germinar, brotar, crescer e aparecer para o mundo, para depois minguar. E um outro ciclo acontecerá no signo e mês seguinte, e assim por diante, pois a lunação acontece em todos os signos zodiacais durante os doze meses do ano.

 Os antigos diziam que a Lua Nova era o casamento do Sol e da Lua, sendo o encontro sagrado dos dois luminares, os princípios masculino e feminino presentes em todas as manifestações de vida e da natureza. Há estudiosos que afirmam ser este um momento muito auspicioso para visualizar e pedir ao cosmos aquilo que falta em nossa vida; assim estaremos criando mentalmente aquilo que queremos atrair para nossa existência. Alguém ainda duvida do poder da mente?

 Disse o mestre Jung sobre o fantasiar e o imaginar:

 “ A psique cria realidade todos os dias. A única expressão que me ocorre para designar essa atividade é a fantasia. A fantasia é tanto sentimento quanto pensamento, é tanto intuição quanto sensação. Não há função psíquica que não esteja inseparavelmente ligada pela fantasia com as outras funções psíquicas... É sobretudo da atividade criativa de onde provém todas as questões passíveis de resposta; é a mãe de todas as possibilidades onde o mundo interior e exterior formam uma unidade viva, com todos os opostos psicológicos”. ( CW VI, parag 73).


 A décima segunda Lua Nova deste ano, calculada para Brasília, terá início no dia 22 de novembro às 9h e 33m e à 0º 7’ de Sagitário, se posicionando na casa onze ao lado de Saturno no signo de Escorpião. Este setor é a casa dos amigos, planos e projetos para o futuro, arquetipicamente representado pelo signo de Aquário, símbolo da fraternidade e liberdade. Entendemos que haverá uma forte disposição para reforçar e enraizar as amizades, grupos independentes e relações sociais. Há também um expressivo aumento de interesse por novos projetos que possam beneficiar a coletividade, assim como mais energia para a disseminação destas idéias.

Saturno representa o esforço, o compromisso, a disciplina e a continuidade, favorecendo portanto, todo o empenho para que novas estruturas comecem a tomar forma. Todo cuidado é pouco, pois os luminares estão em quadratura a Netuno em Peixes, na segunda casa relacionada aos bens materiais. Isso tende a criar situações enganosas, confusas e instáveis, cuja percepção é muito fantasiosa ou decepcionante. É como se estivéssemos dentro de uma forte neblina, e numa estrada com pouca sinalização, há que se andar com cuidado para avançar com mais segurança. Assim, a aquisição de bens materiais também deverá exigir de todos mais cautela a e parcimônia, uma vez que os excessos podem levar a um alto grau de endividamento.
 Este aspecto se confirma pelo ângulo de tensão entre Jupiter, regente da lunação e Mercurio e Saturno em Escorpião, que supõe falhas no cumprimento de compromissos financeiros, ausência de planejamento e escassez de recursos.
 A austeridade é a grande pedida para que todos possamos atravessar esse momento com um mínimo de segurança. Toda forma de comunicação estará sujeita a equívocos ou interpretações unilaterais. (Obs: A lunação é calculada para Brasília, DF).


" Na realidade a astrologia floresce hoje como sempre.
Há uma biblioteca conceituada de livros e revistas de astrologia que são muito mais procurados do que as melhores obras científicas. Os europeus e americanos que solicitam horóscopos não se contam aos milhares, mas aos milhões. A astrologia é uma ocupação crescente..
Na realidade, a Christian Science inunda a America e a Europa. Centenas de milhares de pessoas, deste e do outro lado do oceano são adeptos ferrenhos da Teosofia e da antroposofia. Quem pensar que os rozacruzes são uma lenda do passado vê-los-ia ainda hoje vivos como outrora, se tivesse olhos abertos. A magia popular e as ciências ocultas também não morreram. Não acredite porém que só a ralé está ligada a essas superstições.
Todo mundo sabe que é preciso subir muito para encontrar os representantes do  outro princípio. Quem se interessar pela verdadeira psicologia humana deve considerar tais fatos. Se uma porcentagem tão grande do povo sente a necessidade inextinguível desse polo oposto ao espírito científico, então podemos estar certos de que a psique coletiva em todo o indivíduo - por mais que se incline para a ciência - possui na mesma medida esta exigência psicológica.
Um certo ceticismo e criticismo científico da nossa época não são mais do que compensações frustradas do impulso supersticioso, forte e profundamente enraizado na psique coletiva".

Carl Gustav Jung ( 1934)

Texto do livro: O eu e o inconsciente
Editora Vozes, página 141.

HORA DE REFLEXÃO E AÇÃO










Por Tereza Kawall


Os planetas Júpiter, Urano e Marte encontram-se em trígono no céu deste momento, nos signos de fogo,  Leão, Áries e Sagitário, respectivamente. O que nos diz essa configuração? Qual é o Zeitgeist ( espírito de uma época) que estamos atravessando?

Temos um excelente momento para buscar uma AÇÃO positiva e confiante na vida, a despeito de inúmeras injustiças, desmando e abusos de poder que nossa nação vem passando nos últimos anos. 
A indignação e a busca pela VERDADE devem e podem vir para fora; os excessos fazem parte do processo todo. Na real, penso que a raiva e a sensação de impotência recolhidas acabaram por produzir em muitos de nós um estado de anestesia e inércia quase generalizados.
E daí.... bem, o dragão vai sair da caverna!
Júpiter e Urano  promovem uma forte oxigenação do espírito, uma demanda de liberdade. Como arquétipos, sinalizam uma maior consciência de que os grupos sociais têm muito mais poder para mudar, e ao que parece, esta hora chegou. 
Esse é um enorme desafio para nós, uma vez que habituados a só reclamar, agora somos compelidos a agir.

As redes sociais gritam a sua revolta com veemência, e possibilitam essa interação da informação, seja ela ponderada ou pacífica.
 Mas é preciso mais; é preciso somar forças e batalhar mesmo com confiança pela verdade, por projetos menos individualistas e tacanhos.
A MUDANÇA que queremos já foi para as ruas, mas de nada resultou. Isso não significa que o desejo por ela deixou de existir, ao contrário, está aí, vivo e forte.

Essa emancipação social e política é um processo doloroso mas necessário, sempre lembrando que crise é  um tempo de oportunidades e de tomada de decisões. Antes de ser político esse, a meu ver, é  um projeto de uma outra forma de estar e atuar no mundo.
Esse projeto tem nome e tem cara: esse projeto SOMOS TODOS NÓS.

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AGUARDO VOCÊS!!


GERAÇÃO CANGURU




Por Tereza Kawall (*)

Nosso artigo tem como objetivo analisar e compreender o fenômeno da chamada “geração canguru”, que vem aumentando gradativamente no Brasil, notadamente na região sudeste , nas famílias de alta renda e na Europa desenvolvida ( MEC).
 Em 2013, foi publicado pelo IBGE estudo e apontando para essa tendência de comportamento em que jovens na faixa etária entre 25 a 34 anos relutam em sair da casa de seus pais. A combinação de vários fatores marca esta tendência do adiamento da saída de casa por parte dos jovens e de seus pais que “ carregam” seus filhos por mais tempo, graças ao aumento de renda e novos padrões familiares. Em 2000, 20% dos jovens viviam com seus pais, e em 2012 esse percentual subiu para 24%, sendo que 60% deles são homens. 

Diz Wasmalia Bivar, presidente do IBGE: “ A geração canguru é um fenômeno mundial, não necessariamente por falta de condição dos filhos saírem de casa, mas por escolha. Preferem fazer graduação, mestrado ou doutorado na casa dos pais, retardam a formação de uma nova família e também buscam mais comodidade. 

Aquilo que seria o movimento natural do jovem, ou seja alçar seu vôo, rumo a auto realização para conquistar seu espaço e autonomia vem perdendo força e postergado “ ad infinitum”. Parte destes jovens já estão formados, têm seu próprio negócio. Outros já estão empregados, alguns esperam o momento oportuno ou a pessoa certa para o casamento, e assim ter a sua própria casa. Outros se encontram sem perspectiva favoráveis de trabalho. 
As combinações desse xadrez de possibilidades são inúmeras. Mas há em todos os casos um fator comum: a resistência em perder a proteção e a segurança do “ lar doce lar”. Embalados por facilidades, conforto, proteção financeira ou emocional, esta geração parece não estar disposta a enfrentar e assumir riscos e responsabilidades da vida adulta. 

Como sabemos, na vida real não há um “ script” ou roteiro plano e linear, sem desvios ou irretocável. Cada individuo fará a sua rota de forma particular, de acordo com a sua natureza, recursos internos e externos, com suas motivações pessoais ou a falta delas. Mas é inegável que existem fases e ciclos que são mais adequados ou indicados para certas atividades ou funções a serem exercidas, sejam elas a procriação, intelectuais,sentimentais, criativas, profissionais, ou espirituais.
 Não por acaso, nossa existência é toda marcada por ciclos. Queiramos ou não, tudo o que nasce, cresce, se desenvolve, decai e terá o seu fim. Afinal, o que esta síndrome está sinalizando em nosso contemporâneo e caótico?

 Desenvolvimento e emancipação

 Desde a mais tenra idade, o bebê já nasce em busca de um seio, pois o instinto de sobrevivência ali está, intacto e pulsante. A criança, em seus primeiros anos de vida, tem pela frente uma crucial tarefa rumo a sua independência, que será gerenciada, com mais ou menos sucesso, pela mãe ou pela família. Neste processo todo, ela lentamente aprenderá a movimentar-se, utilizar os cinco sentidos, sentar, falar, andar, pensar, sentir, abandonar a sua amada chupeta, assim como as suas fraldas. 
Cito D. Winnicott, psicanalista e pediatra britânico, que se destacou por analisar profundamente a relação entre as mães e seus bebês. 
Baseando-se me suas observações, ele estabeleceu algumas premissas básicas a respeito do primeiro ano de vida do bebe, e quais as implicações destas para a sua saúde mental e física. A pedra angular de sua teoria afirma que o desenvolvimento da conquista da autonomia é central nesta fase, pois o bebe gradualmente deve sair da fase de dependência absoluta para a fase de dependência relativa.
 Ressalta que eles nascem com um potencial da força vital e que esta é a base da criatividade que irá acompanhá-lo ou não no transcorrer da vida. Winnicott cunhou a conhecida expressão da “ mãe suficientemente boa” para aquela que consegue suprir, de forma adequada, as necessidades básicas de seu filho. 
Para cada etapa vencida, uma nova se prenuncia em seu horizonte vivencial. E assim, acontece a caminhada de cada ser, o reconhecimento e a interação com os pais, irmãos, vizinhos, com a escola, os amigos, os dramas da adolescência, a magia do primeiro amor.... quem não se lembra? Estas experiências são de um lado individuais, dada a sua natureza idiossincrática e particular de cada um, ao mesmo tempo, são universais, pois pertencem a toda espécie humana, sendo, portanto, arquetípicas.

 Rituais de passagem 

Desde tempos remotos, a mitologia de inúmeras culturas nos fala dos heróis e suas jornadas exuberantes de confronto e superação rumo ao encontro deles mesmos. Eles sempre nos fazem lembrar os dragões, feiticeiras e florestas que estão em nosso caminho. Simbolizam nossos sofrimentos, alegrias, crises, perdas e ganhos do contínuo subir e descer, morrer e renascer da existência. Este belo e contraditório processo só termina no final da vida, final este temido e evitado pela maioria de todos nós. 

Ao longo da vida vamos encontrar fases de transição de um estágio para outro, situações essas chamadas de rituais de passagem.
 De forma bastante simplificada dizemos que o nascimento em si, já faz parte deste processo. Ao ser retirado do ventre da mãe, o bebe perde o conforto, o silencio e a proteção materna; sentirá a dor física, o calor, o frio e a fome que antes não existiam. 

Assim, deixar a casa dos pais também é um ritual de passagem, a separação da origem, da matriz psíquica, daquilo que é familiar e conhecido. Período fundamental para que se possa avaliar as próprias idéias, valores, necessidades e os potenciais ainda latentes. Essa experiência, como muitas outras, poderá ser tanto dolorosa quanto gratificante, mas sem dúvida, a dor da partida torna-se maior quando os pais não encorajam essa transição. Para eles, já em fase madura da vida, poderá ser um momento de avaliação de suas próprias histórias, pois êxitos e sucessos também podem estar sendo contabilizados . 

Assim, a postergação desta saída, pode correr o risco de fixar as duas gerações numa espécie de adolescência eterna, o que não é psicologicamente recomendável.
 Para os pais, esse momento é conhecido como a “ síndrome do ninho vazio”. 

Diz a psicanalista Marcia Neder sobre este a “ mãe desnecessária” que deverá substituir a mãe protetora: 
“ Ser desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza que estamos lá firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso com o peito aberto para o aconchego, para o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis....” 

Fatores de proteção e dependência 

Há muitos fatores que contribuem para que esse “ninho” permaneça sempre cheio. É preciso lançar um olhar que inclua as dimensões sociais, econômicas e psicológicas deste fenômeno. Do ponto de vista cultural, famílias de diferentes países do mundo têm a sua forma especifica de interação, e essa influencia é sempre marcante no destino de seus filhos. Do ponto de vista do jovem, inegavelmente, as facilidades financeiras são um bom motivo para essa situação. Eles se beneficiam de maior poder de consumo, pois sobrará dinheiro em suas mãos para gastar com baladas, viagens, carros, celulares, etc. A tentação de consumo fácil e a proteção familiar são praticamente imbatíveis. 
Por outro lado, esta geração parece encontrar um mercado de trabalho mais volátil e competitivo, onde a rotatividade é vista com bons olhos. No entanto, é preciso ter muita garra, autonomia e criatividade para avançar na carreira. 
Estaria ela sem condições de enfrentamento? Ou as circunstancias familiares se encarregam de embotar justamente a força e a ousadia típicas desta fase da vida? O mundo virtual exerce um fascínio sobre o jovem facilitando a interação social, mobilidade, rapidez, o prazer da informação instantânea. Essa aceleração do ritmo externo das coisas pode ter conseqüências no mundo interno, subjetivo. 
O imediatismo e a incapacidade de lidar com a frustração aumentam, na mesma proporção, a ansiedade e compulsões variadas. Há uma crise existencial evidente nesta geração.
As questões econômicas em todo o planeta se sobrepõem às questões ambientais , e portanto a sobrevivência da espécie humana. 
Há um vácuo de lideranças, crise de credibilidade no mundo político sem precedentes. Acreditar em quem? Votar para quê? Muito mais fácil focar só no presente e no prazer imediato que a alienação e os cinco sentidos podem proporcionar.

 E quanto aos pais, quais os motivos para manterem essa situação? Alguns de valem de sua própria história, ao afirmar: “ Eu tive que dar a cara para bater muito cedo, e não quero que meu filho passe por isso”. Ou “ hoje a vida está mais difícil, é melhor que ele se prepare mais, etc”. 
Estar mais próximo do convívio dos filhos estaria garantindo aos pais a sensação de juventude e beleza que eles já perderam em função da passagem do tempo? Na nossa cultura narcisista, os limites impostos pelo tempo não são bem-vindos; daí essa preocupação com aparência e vaidade excessiva que não aceitam as rugas, as doenças, gerando depressão, consumo excessivo, excesso de álcool, como formas de compensar esses vazios da alma? Assim, observamos que de ambos os lados, entre pais e filhos, há uma aliança bilateral, e possivelmente perversa, que a um primeiro olhar parece amor, mas que no limite, e por excessos, pode causar desmotivação, procrastinação e paralisia. 

É uma proteção que desprotege, um freio invisível que não prepara psicologicamente o individuo para o enfrentamento e a superação de conflitos, privações e perdas inevitáveis da vida. 

(*) Publicado na revista VORTEX MUNDI, sob direção de Lus Pellegrini.

HOMO HOSTILIS - A PSIQUE GUERREIRA


                                                                                                                                                                          Assombrados com guerras e violência sem fim entre nós mesmos é impossível não nos perguntarmos: o que isto significa? Existe realmente algum propósito em vidas ceifadas desta maneira? Onde e quando morreu a razão humana? Somos intrinsecamente doentes?

Reproduzo alguns trechos do  ótimo artigo de Sam Keen, " O criador de inimigos", do livro 
" Ao encontro da sombra" (*)

" Nós, seres humanos, somos Homos Hostilis ( homem hostil), a espécie hostil, o animal que fabrica inimigos. Somos levados a fabricar um inimigo como um bode expiatório para carregar o fardo da inimizade que reprimimos. Do resíduo inconsciente da nossa hostilidade, criamos um alvo; dos nossos demônios particulares, conjuramos um inimigo público. E, mais que tudo, talvez as guerras em que nos envolvemos sejam rituais compulsivos, dramas da sombra nos quais continuamente tentamos matar aquelas partes de nós mesmos que negamos e desprezamos.
Nossa melhor esperança de sobrevivência está em mudar o modo como pensamos os inimigos e a guerra. Em vez de sermos hipnotizados pelo inimigo, precisamos começar a observar os olhos com os quais vemos o inimigo. Vamos agora explorar a mente do Homo hostilis: vamos examinar em detalhes a maneira como fabricamos a imagem do inimigo, como criamos um superávit do mal, como transformamos o mundo num campo de matança. Parece improvável que alcancemos qualquer sucesso no controle da guerra a menos que cheguemos a compreender a lógica da paranóia política e o processo de criação de propaganda que justifica a nossa hostilidade. Precisamos tomar consciência daquilo que Carl Jung chamou de " sombra". Os heróis e líderes pacifistas do nosso tempo serão aqueles homens e mulheres com coragem  para mergulhar nas travas no fundo da psique pessoal e coletiva, e enfrentar o inimigo interior. As psicologias de profundidade nos presentearam com a inegável sabedoria de que o inimigo é construído a partir de aspectos reprimidos do self.
Portanto, o mandamento radical " Ama a teus inimigos como a ti mesmo" indica o caminho tanto para o auto conhecimento quanto para a paz. Na verdade, amamos ou odiamos os nossos inimigos na mesma medida que amamos ou odiamos a nós mesmos. Na imagem do inimigo, encontraremos o espelho no qual podemos ver a nossa própria face com a máxima clareza....

A sociedade molda a psique e vice-versa. Portanto, temos que trabalhar para criar alternativas psicológicas e políticas à guerra, mudando a psique do Homo hostilis e a estrutura das relações internacionais. Ou seja, trata-se tanto de uma heróica jornada no self quanto de uma nova forma de política compassiva. Não temos nenhuma chance de reduzir as guerras a não ser que observemos as raízes psicológicas da paranóia, da projeção e da propaganda; a não ser que deixemos de ignorar as cruéis práticas de educação dos jovens, as injustiças, os interesses especiais das elites no poder, os históricos conflitos raciais, econômicos e religiosos, e as intensas pressões populacionais que sustêm o sistema da guerra.......

O Homem hostilis é incuravelmente dualista, um maniqueu moralista:

Nós somos inocentes
    Eles são culpados
Nós dizemos a verdade  - informamos
   Eles mentem - usam propaganda.
Nós apenas nos defendemos.
    Eles são agressores.
Nós temos um departamento de defesa,
    Eles tem um departamento de guerra.
Nossos mísseis e armamentos destinam-se a dissuadir,
   As armas deles destinam-se a atacar primeiro.....

Porque dramatizarmos o guerreiro da batalha interior que luta contra a paranóia, as ilusões, a auto-indulgencia, a culpa e a vergonha infantis, a indolência, a crueldade, a hostilidade, o medo, a reprovação, a falta de sentido?Por que a sociedade reconhece e celebra a coragem daqueles que lutam contra as tentações demoníacas do self, que empreendem uma guerra santa contra tudo o que é mau, distorcido, perverso e ofensivo no self?

Se queremos a paz, cada um de nós precisa começar a desmistificar o inimigo; deixar de politizar os eventos psicológicos; reassumir sua sombra; fazer um estudo complexo das mil maneiras pelas quais reprimimos, negamos e projetos o nosso egoísmo, crueldade, avidez, etc. sobre os outros; e conscientizar-se da maneira pela qual inconscientemente criamos uma psique guerreira e perpetuamos as muitas formas de guerra".

SAM KEEN


Livro: Ao encontro da sombra - O potencial oculto do lado escuro da natureza humana
Connie Zeig e Jeremiah Abrams ( orgs)
Editora Cultriz

INTEGRANDO OS OPOSTOS






Jean-Yves Leloup

( Do livro: Caminhos da realização, editora Vozes)

Pergunta:

O que você considera uma pessoa normal?
Resposta:

"Será que vocês já encontraram uma personalidade bem estruturada? O que é uma personalidade bem integrada e bem estruturada?  É uma coisa muito rara e um grande tema de reflexão.
É semelhante à pergunta: O que é um homem normal? Será que o Buda é um homem normal? Se ele for normal, nós todos estamos muito doentes, Se Cristo é um homem normal, nenhum de nós está bem estruturado. Nós ainda não integramos bem o céu e a terra, o infinito e o finito, o rigor e a misericórdia. 
Eu creio que uma pessoa bem estruturada é alguém que está a caminho. em processo. Não podemos dizer que alguém já está estruturado porque então ele estaria acabado,completo. O homem não é um animal perfeito, mas é um animal aperfeiçoável. Nós estamos no caminho do aperfeiçoamento, estamos no caminho da estruturação. E esta estruturação é uma integração dos opostos e dos contrários a fim de que o contrário se torne complementar. 
Trata-se de integrar, em nós, o pai e a mãe, a dimensão masculina e a dimensão masculina. Trata-se de integrar, em nós, os dois hemisférios de nosso cérebro, o modo do conhecimento intuitivo e o modo de conhecimento analítico. Como eu dizia outro dia: um pássaro tem duas asas, a asa do céu e a asa da terra. e em nós falta, mais ou menos, uma asa. O nosso caminho é o de integrar o que nos falta. 

Assim não podemos propor uma imagem de um homem perfeitamente estruturado. Arriscaríamos a fazer dele um ídolo. Porque cada um de nós tem um modo próprio de se estruturar. A estrutura de uma macieira não é igual à estrutura de uma ameixeira. Não temos que imitar uma macieira, se formos uma ameixeira. Mas temos que escutar a nossa própria seiva, nos tornarmos e carregarmos os nossos próprios frutos. 

Isso pressupõe uma certa liberdade em relação aos frutos que são vendidos em nossa sociedade e que nos são apresentados como os únicos que têm valor. Porque, algumas vezes os frutos têm uma bela aparência, mas não tem sabor. Outras vezes são frutos amassados, aparentemente estragados, mas de um sabor muito doce. e a sua estrutura interior não é a aparência mas é o sabor.

Um homem bem estruturado é aquele que tem, em si mesmo, o gosto do ser, através da forma que lhe é própria. E a palavra sábio vem vem do verbo saperer, que quer dizer saborear - e o que faz com que nele, o ser saboreie o Ser. Mas não é uma estrutura que podemos medir.

Colocando a pergunta de uma outra maneira: O que me impede de ser eu mesmo? e seu eu tirar tudo o que não sou Eu? 
Um homem bem estruturado é um homem que reencontrou o seu centro, e, em torno deste centro,seus pensamentos, seus afetos, encontram sua ordem e sua estrutura. Portanto a pergunta poderia ser: a minha vida tem um centro? Uma vida sem sentido é uma vida sem centro. Podemos fazer todas as coisas estando centrados e fazermos as mesmas coisas sem estarmos centrados. Vejam a diferença.  De um lado estamos estruturados porque tudo está ligado ao seu centro  e, de outro lado, não não estamos centrados, tudo que fazemos nos dispersa, nos pulveriza, nos fragmenta".

página 76 
" Assim temos uma escolha entre uma vida perdida e uma vida doada. Tudo o que não fazemos por amor, é tempo perdido. Tudo o que fazemos por amor, é a Eternidade reencontrada. A unica coisa que não nos podem tirar, a única coisa que a morte não nos pode tirar, é aquilo que doamos. O que tivermos dado, nada, nem ninguém, pode nos tirar. É esta doação, o que fica de nós mesmos.




TODAS AS ESTRUTURAS SÃO INSTÁVEIS



ECKHART TOLLE

Seja qual for a forma que assuma, a motivação inconsciente por trás do ego é fortalecer a imagem
de quem nós pensamos que somos, o eu-fantasma que passa a existir quando o pensamento - uma enorme benção , assim como uma grande maldição - começa a obscurecer a simples, e ainda assim profunda, alegria da conectividade com o Ser,a Origem, Deus. Independentemente do comportamento que o ego manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a indessante necessidade de aparecer,, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar atenção. E, é claro, a necessidade deexperimentar a sensação de isolamento,ouseja, de oposição, de ter inimigos.
  O ego sempre quer alguma coisadas pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto,o sentimenro de " ainda não é o bastante", de insuficiencia ou falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem sucedido, nunca fica muito satisfeito por  muito tempo. Em geral, vive frustrado com seus objetivos na maior parte do tempo, a lacuna entre o que " eu quero" e " o que acontece" torna-se uma fonte cosntante de aborrecimento e angustia. A clássica canção dos Rolling Stones (I can´t get no)Satisfaction ( Não consigo ter satisfação) é a sua música.
A emoção subjacente que governa todas as atividades do ego é o medo. O medo de não ser ninguém,  o medo da não-existencia, o medo da morte. todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar este temor. No entanto, o máximo que o ego consegue fazer é encobri-lo temporariamente, seja com relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem, ou tendo um bom desempenho numa coisa ou outra. A ilusão nunca nos satisfaz.

Apenas a verdade de quem nós somos, se compreendida, nos libertará.
 Porque o medo? Porque o medo surge pela identificação com a forma, e na verdade ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.
Certa vez, quando eu caminhava com um amigo numa linda reserva natural próxima a Malibu na California, chegamos às ruínas do que fora uma casa de campo, destruida pelo fogo décadas atrás. ao nos aproximarmos da propriedade, toda cercada de plantas e árvores magnificas, vimos ao lado da trilha, uma placa que as autoridades do parque haviam colocado ali. Nela estava escrito: "Perigo: todas as estruturas são instáveis". Comentei com meu amigo: " Este é um sutra profundo" . E ficamos parados, impressionados.
Depois que compreendemos e aceitamos que todas as estruturas ( formas) são efêmeras, até mesmo os materiais aparentemente sólidos, a PAZ surge dentro de nós. Isso acontece porque o reconhecimento da impermanência de todas as formas nos desperta para a dimensão do que não tem forma no nosso interior, o que está além da morte. Jesus chamou isso de " vida eterna".

Do livro: O despertar de uma nova consciencia
Editora Sextante.

DESVENDAR A SI MESMO


Por Tereza Kawall

Num dia em que Jupiter em Cancer faz trígono com Sol e Netuno em Peixes, e com a Lua em Escorpião, imersão em águas de emoções agridoces....

E assim, vão transcorrendo os dias
Céleres como as águas do rio depois da chuva
Rápidos como nuvens levadas pelos ventos
em dias límpidos, quando
o pulmão sente o frescor do ar frio, pentrando as narinas.
Estas, por sua vez, aspiram novidades
que ainda se escondem por aí e , ainda não reveladas, mas pressentidas.

Um pássaro voa de lá prá cá
Em busca de outro galho, da volta para o ninho, quiçá um pouco de comida.

Assim também os pensamentos passeiam instáveis,
e vão pousando em nossas mentes por breves momentos,
Para depois alçar vôo.

No incansável vai e vem da existencia, dizem os mestres: " Isto também passará".
Somos passantes,
Somos nascentes, de águam, luz e escuridão.
Transeuntes das calçadas atemporais
e às vezes infernais da vida.
Os passos buscam por um quê de automatismo
Ou um quê de outros significados.
E nunca param, pois o movimento, seja para trás ou para frente é inerente
ao longo processo do viver e do morrer.

Em ziguezague, para cima e para baixo, não importa,
Um espírito inquieto
Vai chorar e se alegrar para sempre
A espreita de algum sonho ou mistério insondável

E se render aos segredos divinos
Que se mostram delicada e espontaneamente,
Mas nunca totalmente.


  
Jon Kabat-Zinn

É fácil se deixar levar pela impressão de que meditação é interiorizar-se, ou habitar dentro de si mesmo. Mas o "dentro" e o " fora" são distinções limitadas. Na tranquilidade da prática formal, realmente voltamos nossas energias para o dentro, apenas para descobrir que acomodamos o mundo inteiro no nosso corpo e na nossa mente. Habitando o interior por longos períodos, descobrimos algo da pobreza de olhar sempre para fora de nós, à procura de felicidade, compreensão e sabedoria. Não é que deus, o ambiente ou outras pessoas não possam nos ajudar a ser felizes ou encontrar satisfação. É que nossa felicidade, satisfação e compreensão, mesmo de Deus, não serão mais profundas do que nossa capacidade de conhecer a nós mesmos interiormente, de enfrentar o mundo exterior no conforto que provém de estar à vontade consigo mesmo, de uma íntma familiaridade com os caminhos do nosso corpo e da nossa mente. Permanecendo tranquilos e fazendo uma busca interior um pouco cada dia, tocamos o que há de mais real e confiavel em nós mesmos e que é muito facilmente negligenciado e não desenvolvido. Quando conseguimos nos centrar, mesmo que seja por breves períodos em função do apelo do mundo exterior, não tendo que procurar em outro lugar por algo que nos preencha e nos faça felizes, podemos ficar à vontade onde quer que estejamos, em paz com as coisas, como elas são, momento a momento.

 " Não saia de sua casa para ver as flores.
 Meu amigo, não se preocupe com esta excursão.
 Em seu corpo existgem flores.
 Uma flor tem mil pétalas que servirão como um lugar para sentar.
 Aí sentando, você terá um vislumbre da beleza Dentro e fora de seu corpo,
 Aquém e além dos jardins"
 KABIR "

 O pesado é a raiz do leve.
O imóvel é a origem de todo movimento.
 assim o mestre viaja o dia inteiro
sem deixar a casa.
 Embora a paisagem seja resplandecente, ela permanece serena em si mesma.
 Por que deveria o senhor da terra esvoaçar por aí como um tolo?
 Se você se deixa soprar para lá e para cá,
 Perde contato com a sua raiz.
 Se deixa que a impaciencia mexa como você,
 Perde contato com o que você é".
 LAO-TSÉ, Tao- te- Ching.

 " Dirija um olhar bem para dentro, e você encontrará milhares de regiões ainda por descobrir
 Em sua mente.
 Percorra-as e torne-se perito em cosmografia doméstica"
 THOREAU, Walden

TENTE: Da proxima vez que tiver um sentimento de insatisfação, de que alguma coisa está faltando, ou não está bem, volte-se para interior apenas como um experiencia. Veja se pode captar a energia desse exato momento. Em vez de pegar uma revista ou ir ao cinema, chamar um amigo ou procurar alguma coisa para comer, ou agir de outro modo, reserve um lugar para si mesmo. Sente-se e inspire, ainda que por poucos minutos. Não procure nada - nem flores, nem luz, nem uma bela paisagem. Não exalte as virutdes nem condene a inadequação de algo. Nem pense com você mesmo " Estou interiorizando agora". Apenas sente-se. Habite o centro do mundo. Deixe que as coisas sejam como elas são.

 Do livro: Mente Alerta - Título original: Wherever you go, there you are.
 Autor : Jon Kabat-Zinn
Editora Objetiva, RJ, 2001