PALAVRAS INSPIRADORAS.....


Para esses dias em que o ano vai terminando, palavras inspiradoras para lembrarmos do que é essencial em nossas vidas. Para amenizarmos o impacto do aspecto material e consumista que teima em invadir as horas do dia, nos distanciando do verdadeiro espírito do Natal, a solidariedade, o perdão, a convivência mais pacífica consigo e com os nossos iguais.


" Nós escutamos o barulho do carvalho que cai, mas não escutamos o barulho da floresta que cresce. Hoje fala-se muito das coisas que estão desmoronando, que fazem barulho, mas o mais importante é aquilo que não se ouve; é preciso  prestar atenção às sementes de consciência que estão brotando".
Jean-Yves Leloup

" Tudo o que fizermos para desenvolver a atenção é espiritualmente orientado, pois enriquece a nossa capacidade de presença, e ainda, de compaixão. Ter compaixão nada mais é que verdadeiramente prestar atenção ao outro".
Dom Lawrence Freeman

" A verdadeira natureza do amor é a atenção. Nós amamos aquilo a que prestamos atenção, e nós prestamos atenção àquilo que amamos."
Dom Lawrence Freeman


" Sabedoria é ter confiança, confiar que as coisas acontecem como têm que acontecer, confiar que, por trás de tudo, existe um movimento superior. A pessoa sábia é aquela que se alinha com esse movimento maior da vida".
Roberto Otsu

" Enquanto não tivermos perdoado, a vida não pode circular em nós. É muito importante não se deixar envenenar pelo rancor, pelo julgamento, por todas as coisas que não perdoamos em relação aos outros, e, ainda, em relação a nós mesmos."
Jean-Yves Leloup


" A coisa mais importante que aprendi na vida é que Deus não está separado do mundo, em algum lugar no céu ou no paraíso. Deus está presente m tudo o que existe. Cada ser
vivo, seja ele um mosquito, uma minhoca, ou o mais minúsculo dos seres, tudo no mundo é sagrado."
Satish Kumar

" Sinto que o meu maior aprendizado na vida foi a consciência de que nunca estou sozinha, de que, por maiores que sejam os desafios, sempre existe um ser espiritual ao meu lado, mostrando que não preciso ter medo de nenhuma situação. A consciência de que há uma instancia superior ao meu lado me dá coragem, e coragem tem a ver com o coração".
Gudrun Burkhard

" Qualquer pequeno ato pode ser a expressão de nossas aspirações mais verdadeiras. Minhas escolhas não precisam se basear em resultados espetaculares para o mundo ver, mas naquilo que sinto ter para oferecer de melhor".
Ian Mecler

" Uma crise pode ser um momento precioso em que, por causa do sofrimento, sentimos uma ruptura em nossa percepção do mundo e surge uma nova maneira de enxergar a vida, que nos leva a uma busca espiritual mais profunda. É importante ter essa consciência de que, mesmo em meio ao maior abatimento, a graça está presente".
Dom Lawrence Freeman

Extraído do livo: O pequeno livro da sabedoria
Lauro Henriques Jr.( org)
Editora Leya, SPaulo


CONFIANÇA E MUDANÇAS


LOUISE HAY

" Na infinidade de vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo, no entanto, a vida está sempre mudando. Não existe começo nem fim, somente um constante ciclar e reciclar de substancia e experiências.
A vida nunca está emperrada, estática ou rançosa, pois cada momento é sempre novo e fresco.
Eu sou uno com o Poder que me criou, e esse Poder me deu o poder de criar minhas próprias circunstancias.
Regozijo-me no conhecimento de que tenho o poder de minha própria mente para usar de qualquer forma que eu escolher. Cada momento da vida é um novo ponto de começo à medida que nos afastamos   do
velho. Esse momento é um novo ponto de começo para mim bem aqui e agora mesmo. Tudo está bem no meu mundo".

" Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo. Estou sempre Divinamente protegido
 e guiado. É seguro para mim olhar para o meu interior. É seguro para mim olhar para o passado. É seguro para mim alargar a minha visão da vida. Sou muito mais do que minha personalidade - passada, presente ou futura. Agora escolho me elevar acima de meus problemas de personalidade para reconhecer a magnificência do meu ser. Estou totalmente disposta a aprender a me amar. Tudo está bem no meu mundo"


" Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo. Acredito num poder muito maior do que eu que flui através de mim cada momento de cada dia. Abro-me à sabedoria interior, sabendo que existe apenas Uma Inteligência neste Universo. Desta Inteligência vêm todas as respostas, todas as soluções, todas as curas, todas as novas criações criações. Confio neste Poder e Inteligência, sabendo que seja o que for que eu precise saber é revelado a mim, e que seja o que for que eu precise vem a mim na hora, no espaço e na sequência certos. Tudo está bem no meu mundo".

Escrito por Louise Hay

Do livro: " Você pode curar sua vida", Editora Best Seller

FELICIDADE E HUMILDADE




Texto de Mathhieu Ricard

Quantas vezes durante o dia sentimos dor porque somos feridos no nosso orgulho? O orgulho, que é a exacerbação da importancia de si mesmo, consite em ficar apaixonado pelas poucas qualidades que possuimos e em imaginar que possuimos aquilo que nos falta. ele atrapalha todo progresso pessoal´, porque para aprender devemos primeiro acreditar que não sabemos. Diz o adágio tibetano: " A água das boas qualidades não se acumulam no topo do rochedo do orgulho".

A humildade é um valor esquecido no mundo contemporâneo. A nossa obssessão com a imagem que temos que projetar de nós mesmos é tão forte, que paramos de questionar a validade das aparencias e passamos a buscar incessantemente uma aprência melhor.
Que imagem de nós mesmos devemos projetar? Sabemos que os políticos e as estrelas de cinema têm " consultores de comunicação", cujo trabalho é forjar-les uma imagem favorável para o grande público, chegando às vezes a ensinar-lhes como sorrir!!
Pouco importa se essa imagem é o oposto do que eles verdadeiramente são, desde que ela os faça elogiados, reconhecidos, admirados, adulados.
Os jornais dedicam cada vez mais espaço às colunas sociais, sobre " aspessoas que são notícia" publicando as suas avaliaçãoes sobre quem está na moda e quem não está. Diante disso, que lugar resta para a humildade , um valor tão raro que poderia ser relegado ao museu das virtudes obsoletas?

O conceito de  humildade é muitas vezes associado ao desprezo por si mesmo, à falta de confiança nas próprias capacidades, à depressão, ligada a um sentimento de impotência e até um complexo de inferioridade, um sentimento de menos-valia ou de não se digno. Isso é subestimar consideravelmente os benefícios da humildade, pois se a suficiência é privilégio do estúpido, a humildade é a virtude fecunda daquele que sabe o quanto ainda tem que aprender e a extensão do caminho a ser percorrido.
Diz S. Kirpal Singh: " A verdadeira humildade consiste em ser livre de toda consci^}encia do eu, o que implica ser livre da própria consciência da humildade. O homem de fato humilde ignora a sua humildade" Na ausencia dp sentimento de ser o centro do universo, ele está aberto para os outros e se situa na perspectiva justa da interdependência.

No plano coletivo, o orgulho se espressa na convicção de ser superior aos outros como nação, povo ou raça, ou ser o guardião dos verdadeiros valores da civilização, e na necessidade de impor esse " modelo dominante às pessoas ou  povos "ignorantes" através de todos os meios que estejam ao seu alcance.
Essa atitude muitas vezes é tomada como pretexto para " desenvolver" os recursos de países subdesenvolvidos.
Os conquistadores e seu clero queimaram sem hesitar as imensas bibliotecas maias e astecas do México, das quais não sobreviveram mais do que uma dúzia de volumes. Os manuais escolares e os meios de comunicação chineses ainda se aprazem em descrever os tibetanos como bárbaros retrógrados e o Dalai Lama como um monstro que , se, ainda estivesse no Tibete, se alimentaria de cérebros de rescém-nascidos, usando suas peles como tapete em seu quarto!!

Foi o orgulho, acima de tudo, que fez com que os chineses ignorassem os milhares de volumes de filosofia abrigados nos monastérios budistas antes de demolir seis mil destes centros de aprendizagem.
De que maneira a humildade constitui um ingrediente de felicidade?
Os arrogantes e nercisistas se alimentam de fantasmas e ilusões que entram continuamente em cinflito com a realidade. As desilusões inevitáveis que decorrem disso podem levar ódio de nós mesmos ( quando percebemos que não conseguimos estar a altura das nossas expectativas) ou a um sentimento de vazio interior.
Com uma sabedoria em que não há lugar para as fanfarrices do eu, a humildade evita esses tormentos inúteis. Diferentemente da afetação, que tem necessidade de ser reconhecida para sobreviver, a humildade está ligada a uma grande liberdade interior.

O humildade não tem nada a perder e nada a ganhar. Se recebe um elogio, sente que é sua humildade, e não ele próprio, que está sendo louvado. Se é criticado, considera que trazer as suas falhas à luz do dia é o melhor serviço que alguem poderia lhe prestar.
A humildadde é também uma atitude em essência voltada para os outros e para o em-estar deles. Estudos de psicologia sicial mostraram que as pessoas que suprrvalorizam a si mesmas apresentam tendência para a agressividade superior à média. Esses estudos também colovaram em evidência uma ligação entre a humildade e a faculdade de perdoar.
Paradoxalmente, a humildade favorece a força do caráter: a pessoa humilde toma decisões tendo por base aquilo que considera certo, justo, sem se inquietar com a sua própria imagem ou opinião dos outros.Essa determinação nada tem a ver com obstinação ou teimosia, surgindo da percepção lúcida de um objetivo significativo. É inútil tentar convencer o lenhador que conhece a floresta a tomar o caminho que leva ao precipício.
A humildade é uma qualidade sempre encontrada no sábio: podemos compara-la a uma árvore cujos galhos, carregados de frutos, se curvam para o chão. Já o homem cheio de vaidade se parece mais com uma árvore nua, cujos galhos apontam com orgulho para cima.

Testemunhar o reencontro de dois mestres espirituais é, do mesmo modo, uma fonte inesgotável de inspiração. Deiferentemente das personalidades embuídas de si, que fazem tudo para ocupar o lugar de honra, os mestres " rivalizam" na humildade.
Emocionei-me ao presenciar o encontro entre o Dalai Lama e Dilgo Khyntse Rimpoche: ambos se prostraram um diante do outro, ao mesmo tempo, tocando as cabeças quando estavam próximos ao solo. Dilgo K Rimpoche já estava bem idoso e sua Santidade, mais ágil, inclinou-se tres vezes diante de Dilgo Khyentse antes que esse tivesse tempo de se levantar da sua primeira prostração. E o Dalai Lama, com isso, rompeu em gargalhadas.

Do livro: FELICIDADE: A prática do bem-estar
Editora Palas Athena, SP, 2007.



O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA




Aquarela de Silvia Merkel

Texto de Eckhart Tolle

"Contemplar a beleza de um flor poderia despertar os seres humanos, ainda que por um breve momento, para a beleza que constitui uma parte essencial do seu próprio ser mais profundo, sua verdadeira natureza. O início do reconhecimento da beleza foi um dos acontecimentos mais significativos na evolução da consciencia da nossa espécie. Os sentimentos de alegria e amor estão ligados de modo intrínseco a isso.

Sem que percebêssemos inteiramente, as flores tornaram-se uma expressão em termos de forma aquilo que é mais elevado, mais sagrado, e, em ultima análise, informe, dentro de nós. Mais efêmeras, mais etéreas e mais delicadas do que as plantas das quais se originam, elas são como mensageiras de uma outra esfera, uma espécie de ponte entre o muindo das formas materiais e o informe. Elas não só exalam um perfume suave e agradável aos seres humanos como emanam a fragrância da esfera espiritual.

Se usássemos a palavra " iluminação" num sentido mais amplo do que o convencionalmente aceito, poderíamos considera-las a iluminação das plantas".

Do livro: O despertar de uma nova consciência
Editora Sextante, RJ.

SÃO FRANCISCO DE ASSIS






Basílica ( inferior) de São Francisco de Assis, Itália.


Por Tereza Kawall


Dante Alighieri disse que São Francisco foi “ uma luz que brilhou sobre o mundo”


Com suas vestes puídas e um cajado na mão, esse homem franzino e delicado passou parte de sua vida pregando pelas cidades italianas. De suas palavras emanava uma força extraordinária, que a todos encantava, fossem os mais miseráveis ou a mais alta nobreza de da Europa medieval.

Amou e reverenciou e exaltou o Criador e toda sua criação, pregando a simplicidade e a beleza, deixando um legado extraordinário de virtudes como a humildade e bondade que fizeram dele um ser extraordinário e inesquecível. Considerado um santo já em vida, São Francisco foi canonizado pela Igreja Católica menos de dois anos após a sua morte.



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Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como Francisco, nasceu em Assis no ano de 1182, numa família da alta burguesia italiana, que gozava de boa situação financeira.

Filho de um próspero comerciante de tecidos, o jovem Francisco gozava de boa vida, era muito popular entre seus amigos, gostava de festas,bebidas e boas roupas. Viveu neste ambiente festivo e extravagante despreocupadamente e muito jovem, já mostrava sinais de amor pelos pobres; aproveitava-se da ausência de seu pai e trazia-os para sua casa para se banquetearem.

Em 1202 alistou-se como soldado numa guerra entre Assis e Peruggia, mas acabou sendo capturado e lá ficou preso por um ano. Em 1205 engajou-se novamente na carreira das armas, e nesta época tens visões que foram os primeiros chamados para a sua grande aventura mística





Nos séculos 12 e 13, havia na Europa da Idade Média o chamado movimento pauperista, que tomou todo o sul da França, sul da Alemanha e toda a Itália – era constituído por homens leigos que levavam o Evangelho para todos, em linguagem popular.



É importante lembrar que o poder cultural e social da Igreja nesta época era absoluto, os mosteiros eram centros de cultura erudita, com suas maravilhosas bibliotecas.As ordens religiosas eram muito ricas, recebiam muitas doações do povo e da nobreza, e possuíam tesouros e grandes extensões de terra.

É neste contexto histórico que vamos encontrar o jovem Francisco, que surpreendeu a todos quando deixou para trás a herança paterna, e saiu em busca de seu próprio caminho.


Ruptura

Aos poucos foi se retraindo, já não encontrava prazer com as festas e farras, e a eles dizia-se enamorado da “ Dama Pobreza”- e por ela renunciou drasticamente às riquezas e prazeres do mundo e aos inconformados amigos.


Vai para os arredores da cidade e entra na Ordem dos Penitentes, uma dentre outras da época; veste-se apenas com um manto rústico, leva um cajado, faz orações e penitências intermináveis. Embora pertencesse a uma família abastada, Francisco era semi-analfabeto.


Mas a grande ruptura se deu quando um dia encontrou e abraçou um leproso, e ao olhar para ele em seus braços viu Jesus Cristo em seu lugar.

Daí vai morar com os leprosos ; cuida deles e come com eles, para escândalo de muitos. É importante lembrar que a lepra naquela época era símbolo do pecado, vale dizer que os leprosos, mais que doentes eram pecadores públicos, radicalmente excluídos do contato social.


Fazia sua pregação de forma itinerante dentro ou fora dos centros urbanos e nunca esteve vinculado a nenhum núcleo religioso, pois suas convicções pessoais pregavam o distanciamento das instituições, fossem elas políticas ou religiosas.Renunciou á família, renunciou `a segurança da diocese dos mosteiros enclausurados , deixando claro que a sua espiritualidade estava nos caminhos, entre os homens. Dizia: “Onde eles estão, na poeira dos caminhos, aí estaremos nós”.

Aos poucos, foram se juntando a São Francisco outros homens, que se tornaram seus discípulos e entre eles, Clara de Assis, que foi sua fiel confidente e companheira até a sua morte.
Nesta época havia uma bula papal que proibia os leigos de pregarem e Francisco era um deles, que jamais pertenceu a uma ordem religiosa, e por isso era ameaçado. Assim, pediu ao papa uma ordem de diácono que lhe permitiria pregar o Evangelho, mas não aceitava benefícios nem títulos.


Amor pelos animais
Francisco amava os passarinhos e deliciava-se com o seu canto; em especial protegia sempre as ovelhas e as árvores.
Há um episódio marcante em sua vida, que deixou muito evidente sua relação especial com os animais. Contam que São Francisco ao passar por uma cidade chamada Gubbio, soube de histórias terríveis de um lobo feroz que atacava e devorava pessoas nas estradas rurais, causando pânico e desespero entre os moradores que não saíam mais de casa.


São Francisco apiedou-se do animal, e foi desarmado em direção ao lobo; alguns malevalentes o seguiram a distancia, pela floresta. São Francisco ao aproximar-se da fera, faz o sinal da cruz e diz: “ Vem cá irmão Lobo, ordeno-te da parte de Cristo que não faças mal nem a mim, nem a ninguém”. Dizem que o animal estendeu-se aos pés de Francisco, que continuou a conversar com ele, explicando que não mais poderia continuar matando as outras criaturas de Deus; e fez a ele a promessa de que se seguisse a sua orientação ele convenceria os homens de Gubbio a alimentarem-no diariamente, pois entendia que ele atacava inocentes por estar faminto. São Francisco estendeu-lhe a mão, e o lobo,estendeu-lhe a pata dianteira, para assombro maior dos poucos que por ali ainda estavam!


Juntos, caminharam até a cidade, que já estava alertada e maravilhada com a novidade.Na praça central, São Francisco fez então uma vigorosa intermediação entre os animal e os homens da cidade, afirmando que eles também cometiam atos de violência e crueldade. E assim ficou selado um acordo entre as duas partes: o animal não atacaria ninguém e a população se comprometeria em prover o alimento para ele viver. Desta forma, ele passa a ser um cidadão com livre transito na cidade. Contam que o lobo morreu depois de dois anos e foi sepultado dentro da igreja local em homenagem ao santo.

A respeito do santo tratar todas as criaturas com afeto e respeitosa delicadeza, diz Maria Sticco:

“Acontecia-lhe por isso o que não acontece a ninguém: sentindo-se amadas, as coisas o amavam".

Não se sabe se era Francisco quem abria a inteligência dos animais ou se seriam estes que o entendiam e a ele somente, adivinhando-lhe por atração instintiva o amor e boa disposição do espírito para com eles.
Amavam-no, dando-se a ele como visivelmente o haviam feito a lebre, o faisão, o lobo, o falcão, os pássaros e como invisivelmente faziam as flores, as ervas, a água e o sol.”


Francisco viveu com sua comunidade, e suas premissas espirituais e morais o impediam de ter ou acumular bens, dinheiro, roupas; desapegado ao extremo, em várias situações tirou o seu próprio manto para alguém que estivesse com frio.

Amava profundamente a natureza em toda a sua extensão e complexidade, fosse uma abelha, uma minhoca, um pássaro, o fogo, a nuvem e a chuva; para São Francisco todos eram irmãos, filhos de um só e mesmo Pai.

A idéia de totalidade ou visão “ holística” da natureza e da criação estar intimamente inter-relacionada e integrada, a qual todos temos fácil acesso hoje, para São Francisco foi concebida numa íntima e apaixonada comunhão com natureza que para ele era a expressão onipresente da divindade.

Cito Leonardo Boff ao analisar essa “ filiação divina”:

“ Somos da casa de Deus, somos da sua família, somos filhos de Deus. A mística da filiação nos leva a viver uma dignidade fantástica.

Os filhos juntos são irmãos e irmãs. Essa é a novidade espiritual de Francisco. Francisco não deduz isso racionalmente. Ele vive a filiação como experiência, como uma comoção do coração. Vive a experiência do irmão e universaliza essa experiência. Se todos vêm de Deus e todos são filhos, todos são irmãos, o sol, a lua , as árvores, as rochas”.

Salvaguardando o contexto histórico, podemos pensar que São Francisco foi uma espécie de hyppie da Idade Média. Era um ser livre, carismático, valores humanitários sempre voltados para os pobres e excluídos.

Renunciou à riqueza da família, pregou e viveu na mais absoluta simplicidade em comunidades com aqueles que o seguiam e partilhavam de sua forma de pensar. Profundamente inspirado pelas palavras de Jesus, seu amado mestre, praticou e ensinou até o final de seus dias a máxima cristã do amor ao próximo, fosse este de natureza humana, mineral , animal ou vegetal.


Ao final de sua vida já tinha mais de dois mil seguidores, e tinha dificuldades para aceitar que precisaria haver uma instituição em seu nome; mesmo assim, foi criada a Ordem Terceira dos Franciscanos.

Morreu em 1226 com 44 anos, estava cego e tinha dores terríveis no corpo. Pressentindo a chegada da “ Irmã Morte” pediu para ficar nu sobre a terra, e antes de morrer, em profundo êxtase, cantou o Cântico das Criaturas ( abaixo), ou para muitos, o Cântico do Irmão Sol.


Atualidade e legado de São Francisco

A figura de São Francisco vive em nós em sua dimensão simbólica ou arquetípica, e a comovente história de sua vida, e sua profunda identificação com as palavras de Jesus Cristo mantém vivo até os dias de hoje, o verdadeiro espírito cristão.

É um símbolo do homem cordial, que nos inspira a prática da tolerância e da compaixão por todas as formas de vida. Tudo e todos foram tocados pela força de seu carisma e pela delicadeza de suas palavras.

São Francisco é reverenciado como o patrono da Itália e em 1987 foi proclamado por João Paulo II como o patrono da Ecologia e do Meio Ambiente, anualmente festejado no dia 4 de outubro.

Construiu com suas próprias mãos a minúscula capela da Porciúncula, que está dentro de uma grande catedral chamada Santa Maria dos Anjos em Assis; o contraponto entre a simplicidade de uma e a riqueza de outra traduzem a grandeza de sua alma e de seu espíritoA ética e a mística franciscana são sinônimos de bondade, simplicidade, gentileza e fraternidade. Não por acaso a importância de seu legado espiritual vem crescendo, uma vez que vem ao encontro das demandas do homem contemporâneo, cada vez mais distanciado da natureza, em busca de uma felicidade equivocada, onde o “ ter” é mais importante do que “ ser”. Se estivesse vivo certamente poderia afirmar aos quatro cantos do planeta que “menos é mais”!


Bilbiografia:

Terapeutas do deserto

De Filon de Alexandria e Francisco de Assis e Graf Dürckheim

Jean-Yves Leloup e Leonardo Boff

Editora Vozes


São Francisco de Assis

Maria Sticco

Editora Vozes



Artigo editado por Luis Pellegrini, em sua revista virtual, OÁSIS, confiram.


"COMPARTILHANDO"




Por Tereza Kawall

Como isso aconteceu?


A mãe de L. levantou-se e deixou seu notebok de lado por 10 minutos. Ao voltar viu esta cena e tirou essa foto tão instigante....

( L , seu filhote tem dois anos e meio, e dispôs os seus bonequinhos em frente da telinha)

A foto acima nos remete a algumas reflexões.

Crianças pequenas já sabem manusear o IPad e seus divertidos aplicativos com muita

Facilidade e familiaridade..

Como podemos entender esse lindo imaginário infantil

Que cada vez mais se funde a esse mundo virtual

Cheio de botõezinhos coloridos, que ao toque de dedos

Fazem deslizar imagens de lá para cá, como num passe de mágica.

E como serão os desdobramentos ou influências deste universo instanâneo nos indivíduos

Que usa mais o cérebro do que os sentidos ou outras aptidões corporais?

Muita gente já está se perguntando e certamente pesquisando este tema.

Hipóteses, palpites mas por ora, ninguém  sabe, certamente.

Quanto a mim, ficou, além de um sorriso e óbvia a curiosidade por essa atitude,

Uma espécie de alegria e cumplicidade, pois L me pareceu estar

Querendo ‘curtir” e “ compartilhar” com seus amiguinhos as novidades

Que poderiam a qualquer momento surgir na telinha amiga.

Da mesma forma que nós, adultos fazemos ao clicar e interagir nas redes sociais nosso

Apreço ou interesse por imagens, filmes, fotos, mensagens e dicas

que os “ amigos” virtuais nos enviam.

Independentemente da idade,temos as mesmas motivações e desejos afinal?

Esta forma de comunicação é satisfatória? É compensatória?

Como disse alguém , é uma solidão compartilhada?

Não sei realmente, mas adorei essa foto e essa iniciativa tão criativa e amigável de meu neto!!

LIZ GREENE E A DEPRESSÃO




“A alquimia, a escuridão e desintegração que vão tomando conta e envolvem o imaginário da caveira, ou “ crânio”, são chamadas de nigredo. Este estágio do processo alquímico reflete o rompimento da velha substancia em seus componentes essenciais. Sem nigredo não há a possibilidade de a velha substância básica ser transformada, pois primeiramente ela tem de ser revelada, limpa e reduzida à sua essência; e isso não pode ser realizado se a decadência ou a morte. Sem a nigredo não há a possibilidade de que algo novo cresça....


Portanto a nigredo da alquimia é uma imagem de uma fase específica do processo alquímico, que é, em sua inteira realidade, uma descrição do desenvolvimento e da transformação psicológicas.

Ela reflete os problemas de ser apanhado n a experiência da mortalidade e do mundo mais escuro da sombra. Muitas vezes essa fase, quando experimentada por um adulto, é uma espécie de regressão a fase da infância, em que o ego maduro destrói todos os sentimentos primitivos e infantis que vêm borbulhando à superfície. O termo “sombra” é muito amplo, e pode cobrir um numero de dimensões da experiência – nossa fraqueza, nossa inferioridade, nosso mal, nossa deformidade e cegueira, nosso primitivismo. Quem é você sem a sua máscara, sem a sua persona agradável? Por trás dela há a caveira. Podemos dizer que quem caiu na depressão não é mais capaz de usar a persona para esconder o que há´por baixo, o corpo mortal com todos os seus pecados e trevas”.


“O que vem depois da depressão? Esperançosamente, uma das coisas que acontecem é que o potencial individual e as aptidões do indivíduo que antes não podiam ser alcançadas se integram `a consciência e a vida. Habitualmente, isso inclui a capacidade de lidar com a separação e com a solidão, a qual o individuo pode ter previamente deixado de sentir. Fortalece-se o ego, o que significa a intensificação da auto-confiança, da auto-valorização e da fé na vida.

Por fim, há o desapego dos pais e o indivíduo pode viver, portanto, a própria vida sem ser levado, inconscientemente, no mínimo, pelo anseio de descobrir o pai ideal, e pelo terror de que sem aquele pai não se poderá sobreviver. Isso não parece muito, em termos de garantia de felicidade. Mas penso que é o que definimos como liberdade. Se obtivermos isso ao sairmos de uma depressão até muito longa, teremos recebido uma grande dádiva que valerá o preço que foi pago. Esse é o ouro alquímico de Saturno e Plutão, embora eles também sejam paradoxalmente, os planetas que parecem refletir especialmente a propensão individual para começar, de resolver-se em tal estado sombrio.

Penso que os presentes dados por Saturno são muito visíveis neste contexto. Eles incluem uma aceitação verdadeiramente serena da realidade, um reconhecimento imparcial dos próprios limites, e a capacidade de aceitar as próprias experiências difíceis sem ser derrotado por elas. Saturno providencia o elemento Terra e, e muitas vezes, um melhor relacionamento com o corpo surge quando se sai da depressão. A riqueza de Plutão parece estar relacionada com a capacidade de enfrentar a própria sombra, de aceitar o destino , de desistir da tentativa de controlar a vida, e de confiar que aquele Ouro interior invisível desenvolva nosso caminho na vida a despeito de nós mesmos. Torna-se possível viver abraçando a vida com maior plenitude, porque não existe mais o medo do que ela possa fazer. Esse é os significado psicológico do simbolismo da alquimia – que da nigredo surge o elixir, o ouro indestrutível".



Do livro: A dinâmica do inconsciente – Seminários de Astrologia Psicológica

Autores: Liz Greende Howard Sasportas

Editora Pensamento
                      
O homem zodiacal( século XV)

Os quatro elementos da astrologia ( fogo, ar, terra e água) são os blocos básicos para a construção de todas as estruturas materiais de todos orgânicos. Cada elemento representa um tipo básico de energia e consciência, operando em cada um de nós.
Assim como a física moderna demonstrou que energia é matéria, os 4 elementos se entrelaçam e combinam para formar toda a matéria”.


“ Assim como muda a compreensão do homem a respeito de suas religiões e de seus deuses, muito embora eles ainda continuem a existir de uma forma ou outra, assim também a astrologia ainda existe, como existe a necessidade que o homem tem dela, a despeito de todas as tentativas para racionalizá-la fora da existência.

Devemos, porém, reavaliar nossa forma de abordá-la, vendo-a não simplesmente como uma disposição ordenada de pistas celestiais que indicam o nosso fado imutável, conforme tem sido tradicionalmente encarada, mas antes utilizando-a como um meio que nos levará a compreender a nossa natureza fundamental, a descobrir o nosso lugar no universo, e assim nos ajudar a viver de maneira plena e criativa.

Em outras palavras, a Astrologia pode ser vista como uma mitologia que pode ser usada conscientemente. O ocidental contemporâneo evoluiu a tal ponto que já não se contenta em viver inconscientemente, de acordo com mitos obsoletos, dogmas rígidos tradições arcaicas. Todavia, ele foi longe demais no seu esforço para libertar-se das limitações e das tradições. Perdeu o contato com as bases arquetípicas do seu ser e com a fonte de sustentação e de alimentação espiritual e psicológica que essas bases fornecem. A astrologia pode ser usada como um recurso para reunir o homem ao seu eu interior, à natureza e ao processo evolutivo do universo”.

“ Se os arquétipos são a base de toda a vida psíquica e se são, realmente, transcendentes em si, isto é, demasiadamente sutis ou imateriais para uma compreensão consciente imediata, então é muito importante termos uma linguagem para descrever – ou pelo menos para indicar – a sua realidade. E, se não podemos conhecer essas realidades conforme elas são, pelo menos podemos compreender como elas funcionam e o que elas significam para nós, recorrendo ao estudo da única ciência que trata de tais forças: a Astrologia. Não importa qual o rótulo que possa ser usado para designar estes princípios universais – arquétipos, essências ou princípios formativos – permanece o fato de que tais forças existem no universo e influenciam cada um de nós, tanto partindo do inteiro quanto do exterior. Esta é a razão porque alguns psicólogos, psiquiatras e conselheiros já começaram a usar a astróloga como instrumento principal, para compreender a dinâmica inteiro dos clientes.
JUNG disse que usou muito a astrologia, especialmente com pessoas com as quais tinha um entendimento difícil:

“ Como sou psicólogo, estou principalmente interessado na luz particular que o horóscopo derrama sobre certas complicações existentes no caráter. Nos casos de diagnóstico psicológico difícil , eu normalmente providencio um horóscopo para poder ter um ponto de vista partindo de ângulo inteiramente diferente. E digo que muitas vezes descobri que os dados astrológicos elucidam certos pontos que eu de outro modo não teria sido capaz de entender”

Jung, numa carta para o Professor B V. Raman, set de 1947.


E cito também:

“ Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um transito astrológico. Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga. A Astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente”

Jung numa carta ao astrólogo Francês André Barbault, em 1954.


Textos extraídos do livro “Astrologia, Psicolgia e os quatro elementos


Autor: Stephen Arroyo


Editora Pensamento, SP




APRENDIZADOS COM SATURNO






" A ação de Saturno mostra-nos claramente o custo dos nossos desejos, revela-nos, sem margem para dúvidas, as limitações do nosso ego, e prova-nos que uma consciência psicológica altamente concentrada e uma compreensão profunda são as principais riquezas que podemos levar deste mundo quando partirmos. Mostra-nos o valor do trabalho, visto que  todos os ideais e crenças maravilhosas desde sempre pensados pelos seres humanos de pouco valeram se não forem aplicados, através do esforço, à vida cotidiana." 
Stephen Arroyo

" A Astrologia, Saturno, o planeta regente de Capricórnio caracteriza-se pelas qualidades de austeridade, profundeza, perseverança e racionalidade. Frequentemente é representado por um velho de barbas e cabelos brancos, empunhando uma foice e uma ampulheta, representando uma pessoa idosa e sábia; é também a passagem do tempo, como Cronos, o senhor do tempo. Aparece nos contos de fada como afigura do " velho sábio" ou do espírito da montanha" que geralmente mora num castelo ou numa caverna. suas características convergem para um só ponto: a preocupação apaixonada e contínua com o seu próprio destino, concentração, resiliência e paciência  responsabilidade no cumprimento do dever".
Tereza Kawall

No livro " Palavras de poder", encontrei em uma entrevista com  Yehuda Berg, algumas explicações muito interessantes que fizeram associar ao poder de Saturno, em seu aspecto mais difícil,  que são os momentos de queda, sofrimento, isolamento, ou a culpa pelos erros cometidos. Transcrevo aqui:

Pergunta:
Esse tipo de crítica em relação aos outros é parte do que você chama de comportamento reativo, não é? De que se trata essa reatividade à qual estamos submetidos e como transformar isso?

Resposta YB:
Muito do nosso comportamento acontece simplesmente porque não mudamos o modo do a como agíamos como crianças. Na infância  em geral, não temos muita escolha. quase todos nós nos comportamos de forma reativa, chorando ou gritando caso alguma não aconteça como queremos. O problema é que, na vida adulta, mantemos esse mesmo tipo de atitude diante de várias situações, por exemplo, ao xingar algum no transito. Nesse sentido, um dos propósitos da vida é deixar de ser uma pessoa reativa para ser uma pessoa proativa. Isso significa perceber que o problema nunca está numa situação em si, mas na nossa reação a ela. Tudo o que acontece em nossa vida, tudo o que está diante de nós tem um motivo para ser assim.

A chave para a felicidade é assumir a responsabilidade por nossas reações a cada uma das experiencias que vivemos. Mesmo que um evento em sua vida não faça o menor sentido para você, que você o enxergue apenas como um obstáculo, é preciso compreender e aceitar que esse acontecimento, seja ele qual for, está aí por causa de uma lição importante que precisa ser aprendida. Com essa consciência, você deixa de ser reativo, vendo-se como uma vítima das situações, e passa a enxergar qualquer situação e qualquer obstáculo como uma oportunidade de crescimento.

Pergunta: 
Isso me lembra de outro dos princípios da Cabala ensinados por você: " quanto maior o  obstáculo, maior o potencial de luz". O problema é que, quando estamos no meio de uma situação difícil  é realmente muito difícil vê-la como aliada.

YB:
Sim, é muito difícil ter essa consciência quando estamos no meio da situação. Mas esse é um dos principais ensinamentos da Cabal: tudo em nossa vida que nos causa dor, seja física, seja emocional, ocorre para que possamos transformar algo em nós que precisa ser transformado. Um bom exercício para enxergar essa verdade é olhar retrospectivamente para nossa vida. Se olharmos para trás, todos nós, sem exceção, vamos encontrar ao menos um momento  em que pensávamos estar diante de uma grande adversidade, e, mais tarde, essa mesma situação acabou trazendo algum benefício ou aprendizado importante.
Por exemplo, eu frequentemente converso com pessoas que tiveram que superar situações extremamente difíceis, como uma longa batalha contra um câncer e, que, hoje, consideram que essa foi uma das partes mais significativas de suas vidas. Isso é algo que se vê o tempo todo,Uma situação que a principio é vista como uma tragédia, como algo devastador, mais tarde acaba se revelando como uma benção, pois, por causa dessa experiência, toda a existência da pessoa ganha um novo significado. Ela passa a apreciar cada detalhe de sua vida, passa a viver com um sentimento profundo de gratidão. Enfim, é algo que nunca podemos esquecer: quanto maior o obstáculo, maior o potencia de luz:quanto maior a dificuldade, maior o nosso aprendizado.

Pergunta:
De acordo com algumas tradições, nosso maior obstáculo até o Criador é a figura do diabo. sobre isso você escreveu que: " parte do ardil de Satã é nos fazer sentir como se tivéssemos falhado". Pode falar sobre isso?

YB:
eu realmente acredito que o trabalho de Satã não é nos fazer cair, pois todos nós caímos, todos nós cometemos erros, isso é da natureza humana. Ninguém  jamais viveu toda uma vida sem cometer um erro. O objetivo de Satã na verdade, é nos fazer sentir culpados, como se tivéssemos falhado diante de toda a existência, por cometer algum erro. Esse é os eu trabalho real, pois cair todos nós vamos. A sua verdadeira tarefa é nos manter para baixo, duvidando de nós mesmos, de nossa capacidade de nos levantar novamente. O trabalho do mal é nos manter para baixo, e o nosso trabalho é lutar para voltar para cima. Portanto não se trata da queda em si, mas de ser capaz de se levantar de novo, de acreditar em si mesmo.

Não há uma pessoa que, diante de uma queda, não tenha experimentado um sentimento de dúvida em relação a si mesmo e à sua capacidade de se erguer novamente. Mas não há uma pessoa  também que, em algum momento, não tenha dado a volta por cima. Se olharmos retrospectivamente, na vida de cada um de nós há algo que pode nos provar que somos capazes, que temos a força pra nos levantar e enfrentar as exigências da vida. Qualquer pessoa pode voltar a algo em sua vida, não importa o quê, e buscar nessa experiencia a confiança de que precisa para crer na sua força hoje e superar qualquer desafio.
O que precisamos é derrotar esse ardil, essa voz do diabo, que é a voz da duvida em nossa mente e que visa impedir nossa percepção dos milagres que, a todo momento, acontecem em nossa vida".

Do livro:
Palavras de Poder.
Autor: Lauro Henriques Jr
Editora Leya, SP.


ENTREVISTA COM D. LAURENCE FREEMAN
Pergunta:
Falando mais especificamente dos momentos de ação, uma questão que angustia muitas pessoas é a falta de sentido  prazer em relação à sua atividade profissional. De que forma o trabalho interior pode ajudar a trazer significado para o trabalho exterior?
Resposta
O trabalho interior é a própria base de um trabalho exterior com significado. Na história de Marta, por exemplo, Jesus não está negando a necessidade do trabalho e do serviço aos outros. O que ele está dizendo é que a experiencia de " ser" vem antes da de " fazer". O trabalho que perde a conexão com a quietude interior facilmente degenera em uma mera atividade egóica. E quando o ego está no comando, qualquer profissão se transforma em algo como " meu" trabalho , " meu" projeto, ' minha" carreira. Com isso, nos esquecemos de que, seja que atividade for, é sempre um trbalho de Deus. A todo momento, temos que colocar o ego de volta em seu lugar, nos lembrar de que Deus é a força motriz de tudo o que fazemos.
E assim, como outras formas de trabalho interior, a meditação é uma grande aliada para nos conduzir a esse centro de quietude de onde parte toda e qualquer ação benéfica. Com a meditação, percebemos que várias ferramentas essenciais para o nosso desempenho profissional - como a capacidade de raciocínio, a memória:
Falando mais especificamente dos momentos de ação, uma questão que angustia muitas pessoas é a da falta de sentido e prazer em relação à sua atividade profissional. De que forma o trabalho interior pode ajudar a trazer significado para o trabalho exterior?
R: O trabalho interior é a própria base de um trabalho exterior com significado  Na história de Marta, por exemplo  Jesus não está negando a necessidade do trabalho e do serviço ao outro. O que ele está dizendo é que a experiencia de " ser" vem antes de " fazer". O trabalho que perde a conexão com a quietude interior facilmente degenera em uma mera atividade egóica. E quando o ego está no comando, qualquer profissão se transforma em algo como "meu' trabalho, " meu" projeto, ' minha" carreira. Com isso, nos esquecemos de que , seja que atividade for, temo que colocar o ego de volta em seu lugar, nos lembrar que Deus é a força motriz de tudo o que fazemos.

E assim, como outras formas de trabalho interior, a meditação é uma grande aliada para nos conduzir a esse aginação, entre outras - todas essas ferramentas estão melhor equipadas para as demandas da vida. de novo, voltamos ao significado da história de Marta, e a "única coisa necessária": o equilíbrio entre contemplação e ação a meditação não é um refugio para os problemas do mundo, mas uma forma direta de lidarmos mais sabiamente com eles.

P: Isso me lembra de algo que o senhor diz na prece de encerramento que compôs para os grupos de meditação: " Que todos aqueles que vêm aqui oprimidos pelos problemas da humanidade partam dando graças à maravilha da vida humana". Nesse sentido, como enxergar as dificuldades como experiencias que devemos agradecer?

R: NO início da epístola de Tiago, ele fala sobre isso, ao dizer que devemos dar graças a Deus ao encarar alguma dificuldade, pois, com essa dificuldade aprendemos a aprofundar a nossa fé e a expandir o nosso amor. Claro, quando estamos no meio de uma crise, dominados pela emoção, pela dor, é difícil ver isso. Ma chega uma hora em que nasce a certeza de que algum bem virá daquilo, sobretudo de temos o apoio dos outros. Esse apoio é essencial. Com ele, mesmo que em meio a maior provação, vamos adquirindo consciência de que, um dia, essa mesma situação nos auxiliará a ajudar os outros, a servir ao próximo.

Além disso, uma crise pode ser um  momento precioso, em que, por causa do sofrimento, sentimos uma ruptura em nosso percepção do mundo - dessa rachadura, surge uma nova maneira de enxergar a vida, que nos leva a uma busca espiritual mais profunda. como diz uma música de Leonard Cohen: " Há uma rachadura em todas as coisas, é assim que a luz penetra" Oscar Wilde também fala sobre isso: " Como pode, a não ser por um coração partido, o Senhor Cristo entrar"? É importante ter essa consciência  de que, mesmo em meio ao maior abatimento, a graça está presente.

P: Agora, uma coisa engraçada em relação as crises pessoais, é que muitas pessoas relatam que viviam sem problemas, sossegadas, até que o dia que iniciaram alguma prática de autoconhecimento, como meditação ou terapia, como se os problemas tivessem começado por causa dessas praticas. O que explica esse paradoxo?

R: O que acontece, nesses casos, é que a meditação ou a terapia retiram a repressão que sempre existiu  mas da qual a pessoa não se dava conta. Jesus disse: " Não há nada de oculto que não venha s ser revelado".Quando alguém começa um trabalho interior, aos poucos vai retirando essas forças de repressão.

... Psicologicamente falando, com qualquer prática de autoconhecimento, como a meditação, fazemos o trabalho de integrar o nosso lado sombra, e todos nós temos um. somos mais fortes, mais humanos, mais amorosos, quando nossos aspectos sombrios são reconhecidos. Caso contrário, somos controlados pelas coisas que reprimimos no inconsciente e passamos a vida sem saber por que agimos desta ou daquela maneira. Ou seja, a meditação torna consciente aquilo que está inconsciente, ela nos liberta e purifica, nos ajuda a ir jogando fora aquilo que estava encoberto e não nos serve para nada.

P: Já faz muitos ano que o senhor participa de eventos em prol do diálogo inter-religioso como Dalai Lama, com quem chegou a escrever o livro Dalai Lama fala em Jesus, em que ele analisa várias passagens de vida de Cristo sob a perspectiva do budismo. qual foi o insght mais inesperado que a análise do Dalai Lama lhe trouxe?

R:
Durante um seminário que conduzimos juntos, alguém lhe perguntoi: " Se o senhor pudesse fazer uma pergunta a Jesus, o que perguntaria?
Na hora, o Dalai Lama disse:  " Qual é a natureza  do Pai?"
Esse é uma pergunta muito perspicaz e mostra que ele de fato absorveu a essência dos Evangelhos, que viu para onde Jesus estava apontando.. E, o tempo todo, levantava questões, perguntava, não estava só trazendo respostas. O fato de todos no seminário meditarmos juntos, três vezes ao dia, também ajudou a criar um silencio e um momento de partilha, que fez o diálogo ainda mais enriquecedor, pois a essência de todo diálogo é saber ouvir as diferenças, e, também, as semelhanças para crescermos juntos na verdade. e essa foi a minha experiencia em todas as ocasiões em que estive com o Dalai Lama. Aprendi com o quão profundo o diálogo poder ir.

Quando compartilhamos pensamentos e experiências, não devemos tentar convencer ou doutrinar o outro. Nosso papel é espalhar a semente, e temos   que espalhar  a semente da melhor forma que  pudermos, não apenas ao léu.


Extraído do livro: PALAVRAS DE PODER
Entrevistas com grandes nomes da espiritualidade e do auto conhecimento no
Brasil e no mundo.
AUTOR: Lauro Henriques Junior
Editora: Leya

AUTO ESTIMA






''Se um dia alguém fizer com que se quebre

a visão bonita que você tem de si,

com muita paciência e amor reconstrua-a.

Assim como o artesão

... recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão,

sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante,

você é a sua criação mais valiosa.

Não olhe para trás.

Não olhe para os lados.

Olhe somente para dentro,

para bem dentro de você

e faça dali o seu lugar de descanso,

conforto e recomposição.

Crie este universo agradável para si.

O mundo agradecerá o seu trabalho.''


Brahma Kumaris UK.