Por Carl Gustav Jung, sempre atual.

" Nossa vida compara-se à trajetória do sol. e manhã o sol vai adquirindo cada vez mais força até atingir o brilho e o calor do apogeu do meio dia. Depois vem a enantiodromia.(*)
Seu avançar constante não significa mais aumento e sim diminuição de força. Sendo assim, nosso papel junto ao jovem difere do que exercemos junto a uma pessoa mais amadurecida.
 No que se refere ao primeiro, basta afastar todos os obstáculos que dificultam sua expansão e ascensão. Quanto à última, porem, temos que incentivar tudo quanto sustente sua descida.
Um jovem inexperiente pode pensar que os velhos podem ser abandonados, pois já não prestam para nada, uma vez que sua vida ficou para trás e só servem como esocras petrificadas do passado...

O entardecer da vida humana é tão cheio de significação quanto o período da manhã. Só diferem quanto ao sentido e intenção. O homem tem dois tipos de objetivos. O primeiro é o objetivo natural, a procriação à proteção da prole; para tanto é necessário ganhar dinheiro e poisção social.
Alcançado esse objetivo, começa a outra fase: o do objetivo cultural. Para atingir  primeiro objetivo, a natureza ajuda; e além dela a educação. Para o segundo objetivo, contamos com pouca ou nenhuma ajuda.
Frequentemente reina um falso orgulho que nos faz acreditar que o velho tem que ser como o moço, ou, pelo menos, fingir que o é, apesar de no íntimo não estar convencido disso.
 É por isso que a passagem da fase natural para a fase cultural é tão tremendamente dificil e amarga para tanta gente; agarram-se às ilusões da juvenrtude ou a seus filhos para assim salvar um resquício de juventude.
Pode-se notar isso principalmente nas mães que põem nos filhos o único sentido da vida e acreditam cair num abismo sem fundo se tiverem que renunciar a eles. Não é de admirar que muitas neuroses graves se manifestem no início do outono da vida. É uma espécie de segunda puberdade ou segundo período de "impetuosidade" não raro acompanhado de todos os tumultos da paixão. Mas as antigas receitas não servem mais para resolver os problemas que se colocam nesta idade. Tal relógio não permite girar os ponteiros para trás.

O que a juventude encontrou e precisa encontrar fora, o homem no entardecer da vida tem que encontrar dentro de si".

Do livro: Psicologia do Inconsciente.
Carl Gustav Jung
Parágrafos 114 e 115
Editora Vozes

(*) Enantiodromia:
"O velho Heráclito, que era realmente um grande sábio, descobriu a mais fantástica de todas as leis da psicologia: a função reguladora dos contrários. Deu-lhe o nome de enantiodromia ( correr em direção contrária) advertindo que um dia tudo reverte em seu contrário".
Ou seja, é uma inversão da direção da libido do homem, bastante comum na fase mais madura da vida.

TRÂNSITOS E PROGRESSÕES: POR DANE RUDHYAR




“O que nos acontece é o que precisamos que nos aconteça. Conforme vamos vivendo e experimentando, nós nos relacionamos com homens, com coletividades e com um universo dinâmico e impessoal. Encontramos correntes, ressacas e marés históricas. Elas se movem de acordo com vastos ritmos sociais e cósmicos. Como rádios sintonizados neste ou naquele comprimento de onda, experimentamos essas ondas históricas em conformidade com nossa capacidade de reagir a elas – nossa seletividade.



Os “aspectos progredidos” formados pelos nossos planetas indicam mudanças na sintonia e nos nossos modos de reação. Mas só podemos captar com nossos aparelhos receptores o que está lá”.


...”Conforme iremos ver agora, as progressões tratam, teoricamente da maneira como nos sintonizamos com vários comprimentos de onda da experiência e criamos nossas oportunidades, enquanto os transito s se referem principalmente aos impactos do mundo exterior sobre nós- isto é, às realizações que nos são impostas pela nossa participação nos vários grupos, privados ou públicos, aos quais voluntariamente aderimos (ou fomos compelidos a isso). Na prática, porém, os dois tipos de fatores astrológicos estão constantemente interligados. Não podemos separar seus efeitos, não mais do que podemos separar o fato de que agimos como pessoas totais, de acordo com um ritmo individual de crescimento ou desintegração, do fato de que agimos como partes de grupos e humanos e coletividades, que nos impulsionam e modelam, tenhamos ou não percepção disso”.


... “Um ser humano isolado representa um pequeno ciclo dentro de uma série interminável de ciclos muito maiores, concêntricos e excêntricos. Todos seles se influenciam mutuamente e se interpenetram. Nada está isolado. Nenhum organismo cresce num vácuo, do nascimento à morte, de semente a semente.


Tudo o que o astrólogo pode revelar , enquanto estuda o caso de um indivíduo, é a ocasião em que o ritmo do seu ciclo será modificado por mudanças orgânicas essenciais ou pelas conseqüências dele ter se relacionado ou se exposto, consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, às energias emanadas dos outros todos orgânicos maiores, dos quais se tornou uma parte”.


“ ... O astrólogo por meio de inúmeros fatores, poderá deduzir que uma crise no desenvolvimento do indivíduo irá ocorrer durante um certo ano – um pouco antes ou um pouco depois. Poderá avaliar com bastante exatidão o caráter básico da crise, e necessidade humana que focalizará e o tipo geral de atividades individuais e de circunstâncias que nela estarão envolvidas. O que não poderá predizer são os acontecimentos exatos que colocarão a crise em foco, ou a maneira como o indivíduo reagirá ao seu desafio.


Toda crise é um desafio. Todo aspecto progredido ou transito é uma oportunidade para transformação, expansão ou purificação. É uma porta que se abre sobre o vasto oceano da vida e do inconsciente coletivo universal.


A principal tarefa da astrologia é nos ajudar a enfrentar o que chega a nós através dessa porta, e não a de especular a respeito de algumas de suas aberturas, ainda remotas, ainda irreconhecíveis. Cada passo `a frente – cada crise de crescimento- é uma perda de equilíbrio imediatamente neutralizada por um esforço para restaurá-lo. Se tentamos dar dois passos ao mesmo tempo, caímos.


O homem sensato sabe disso. Ele não se preocupa com os problemas que ainda não chegaram...Estudando a natureza e seus ciclos, ele se prepara enfrentar qualquer coisa que a natureza tenha lhe reservado, ou a qualquer outra pessoa com quem esteja relacionado. Ele aprende as leis da mudança; se recusa a se apegar às formas e a temer o desafio do que é novo.


Assim, ele também se recusa a se preocupar com o novo, que ainda não nasceu e que talvez nem sequer tenha sido concebido. Ele é sábio, porque está tão livre do futuro como do passado”.


Do livro: A prática da Astrologia como técnica da compreensão humana.

Autor: Dane Rudhyar

Editora Pensamento

MAPA ASTROLÓGICO DE PAUL McCARTNEY



Por Tereza Kawall

Interpretação básica da carta natal deste artista genial que acaba de completar gloriosos setenta anos! Vida longa `a Paul, que continue em sua trajetória de criatividade musical e profundo amor pelos animais.
Veja no link da UOL:


http://musica.uol.com.br/ultnot/multi/2012/06/18/04024C9B356CD8C12326.jhtm?o-que-dizem-os-astros-sobre-os-70-anos-de-paul-mccartney-04024C9B356CD8C12326?types=A





“A tarefa do herói consiste em combater o dragão da inércia a fim de destravar e liberar o fluxo da vida para o corpo do mundo, na direção de um lugar onde a vida secou, tornando-se uma vida estéril. Se recusamos o chamado para viver nossas próprias vidas, ficamos deprimidos sem vitalidade. O Sol simboliza a potência criativa; seus raios põem fogo no mundo, iluminam a escuridão primordial, espírito penetrando na matéria, tudo vai ganhando vida. O Sol nos liga com a força vital e bruta que existe em nós, oferecendo um canal para a sua manifestação um princípio universal superior que nos livra da dominação da natureza, liberta-nos das garras da vida instintiva.Assim, tornamo-nos recipientes para o poder fálico do Sol. O deus egípcio Atum penetra em sua criação, e o Faraó é chamado de os “ sol vivo”, o filho de Deus pelo qual o reino da eternidade penetra no tempo .



A meta da jornada do herói e nada menos do que a descoberta da imortalidade, que o alquimistas chamavam de “ Pedra Filosofal” ou “Lápis” a transformação do chumbo em ouro, o encontro do deus interior, de nosso centro criativo, do Self.

... Isso leva à descoberta de um novo centro psíquico, o Self de Jung, nossa verdadeira fonte, “como se um rio que tivesse ficado completamente poluído, alimentado por afluentes enlameados, encontrasse de súbito seu caminho de volta ao seu leito apropriado”.


Sermos indivíduos e vivermos nossas próprias vidas, no sentido do destino que nos foi confiado, significa superarmos conceitos infantis de onipotência, preferências pessoais, mágoas, ilusões acerca do bem e do mal, interesses do ego, compreendendo e aceitando a lei cósmica impessoal, desfrutando aqueles momentos em que vemos as coisas como realmente são, em vez de vermos como gostaríamos que fossem.


A posição do Sol no mapa natal mostra a área em que precisamos lutar com nossa existência mais predestinada, combater o dragão, o que significa desenvolver a nossa vontade e encontrar significado e propósito na vida.


...Esse é o processo de individuação de Jung, a descoberta do Self, e o Sol é o seu veículo. O Sol não é uma meta em si, nem uma garantia de que a meta será cumprida. É o centro da consciência, não da psique como um todo e abrange a vontade pessoal condicionada pelos desejos, apegos e considerações pessoais ou seja, nosso orgulho solar. Nas palavras de Joyce Cary. ‘ a vontade nunca é livre – está sempre ligada a um objetivo, um propósito”.


Portando, deve ser transcendida para podermos atingir uma situação de não-apego e de liberdade psíquica, além da dualidade e do interesse pessoal. Em muitas histórias do Herói, este não consegue dar esse passo, é incapaz de abrir mão de seu orgulho solar, sendo punido por isso".



Do livro: Imagens da psique

Christina Valentine

Editora Siciliano, SP.



“ O herói adentra o limiar da floresta sombria, onde ninguém ousava atravessar, ele enfrenta toda sorte de desafios simplesmente por casa de um impulso, um chamado interior para resolver algum problema pelo qual a comunidade está passando.O impulso do herói, e que deve ser o impulso de cada um de nós, não é a auto-gratificação, mas o serviço ao outro.


Pergunta: o que no fundo, deixa de ser um sacrifício, pois ele está seguindo o seu próprio chamado interior, a sua própria bem-aventurança, não é?


Isso mesmo, Você abraça a situação de bom grado, pois o impulso de ajudar o outro é algo que brota de sua essência mais verdadeira. E você também aprende a abraçar a incerteza diante do mistério a da existência. Joseph Campbell falava muito sobre o fato de que, na vida, estamos sempre em queda livre em direção ao futuro. Ninguém sabe o que virá pela frente. E a grande questão é esta: você pode enxergar essa situação como sendo uma coisa horrível, berrando desesperado enquanto cai em queda livre; ou pode acolher a situação de forma serena, como se usando uma asa-delta na descida e dizer: “ Ok, tudo bem”. Todo o quadro muda de figura, se, com consciência, você acolhe a incerteza diante da vida. Quando isso acontece você não precisa se apegar a nenhuma certeza pois você passa a não se identificar com a lâmpada que queima, e sim com a luz que flui através da lâmpada.


Todas as tradições falam sobre essa mudança de perspectiva. É uma mudança que não altera em nada a circunstancia em si, mas transforma o modo como você opta por participar na vida. Afinal, o que você quer: o sofrimento do mundo ou a participação jubilosa nos sofrimentos do mundo? A opção é sua.


Do livro: Palavras do poder

Lauro Henriques jr

Editora Leya

SABEDORIA FEMININA


Clarissa Pinkola Estés

"Dentro da psique de muitas mulheres existe algo
que entende intuitivamente que o conceito de
"curar" está incluído na palavra "saúde". Quando
ferida, ela se torna "cheia de cura" — cheia de
recursos de cura —, o que significa que algum
... filamento vibrante, gerador de vida, no seu
espírito e na sua alma se move persistentemente
na direção da nova vida, seja na busca de muitos
tipos de forças, seja na reconstituição da
integridade perdida, seja na criação de um novo
tipo de integridade, diferente da que havia antes.
Essa força interna é cheia do impulso pelo bem estar.
Ela acredita num fator de salvação que
pode resistir e há de resistir à crueldade.
O sistema radicular oculto cresce a seu próprio
modo, independentemente de projeções,
pressões e acontecimentos externos. Ele
continua literalmente em efervescência, subindo
em ebulição, fluindo para fora, para cima,
atravessando o que for preciso, não importa o
que tenha sido disposto contra ele. Aí incluídas
forças externas. Aí incluída a própria mulher.
Mesmo quando a atuação do ego é temporariamente
reprimida, a mulher oculta por baixo da
terra, a que cuida do fogo para esse fim, mantém
a atitude pela vida — por mais vida! — que está
sempre fazendo força para cima, sempre
insistindo em mais vitalidade e se desenrolando,
sempre preservando mais e sendo audaciosa e
ponderada... e então mais um pouquinho, mais
um pouquinho, até que a árvore da vida a céu
aberto equipare-se a seu amplo sistema de
raízes subterrâneas. (...)"


Trecho do livro: "Ciranda das mulheres sábias"
Clarissa Pinkola Estés
Editora Rocco