Dalai Lama

 

"Para os tibetanos, o Dalai Lama não é uma pessoa, um indivíduo ( aspecto pelo qual o biógrafo se interessa), nem mesmo o detentor de um cargo político- religioso, papa oiu patriarca ( aspecto que interessa aos homens políticos e aos historiadores). Ele é principalmente, uma espécie de " transmissor cósmico", um nó de forças através do qual as energias divinas, as energias da compaixão, são dofundidas sobre o  universo, e mais particularmente, sobre o povo tibetano. " Precioso protetor" é um dos nomes da Dalai Lama. Sua atividade é, pois, e antes de tudo, uma " atividade de presença" além do que ele possa dizer ou fazer, Nesse contexto, compreende-se o drama que pode representar o seu exílio para os tibetanos".  (*)Houston Smith. "

Como não aproximar as palavras de Siddharta Gautama, o Buda, das palabras de Yeshua de Nazaré, o Cristo? Não se trata de misturar o Dharmapada e Evangelho, nem de opô-los. Recusando sincretismo e sextarismo, permaneceremos na via do meio. ...

Quer sejamos budista, cristão, ou ateu, estamoas em busca da verdade, do caminho do despertar. Ora, o despertar não é propriedade dos budistas como o amor não é propriedade dos cristãos; a realidade não é propriedade de ninguém. A gente entra na espiritualidade a partir do lugar onde se encontra: o importante é " dar um passo a mais" avançar, tornar-se melhor.

-É necessário fazer isto de preferência àquilo? que prática seguir? perguntei ao Dalai Lama.
-Tudo o que torna melhor, é bom para tir - respondeu-me ele.

Isso é simples e cheio de bom senso. A melhor religião, ou a melhor prática, é aquela que nos torna melhores.

Não estamos aqui para dizer que os budistas são melhores do que os cristãos ou que os cristãos são melhores que os budistas; tanto uns, quanto outros -budistas, cristãos, ateus, - estão a caminho para tentar tornarem-se melhores e tornar o mundo mais habitável, para fazer com que a vida aí se torne possível.

Se as palavras de Buda entram em ressonancia com as de Cristo, isto é porque não há outra realidade a não ser a Realidade. O que é verdadeiro para um budista deve ser verdadeiro para um cristão, o que não é verdadeiro para um cristão não o é para um budista. Senão, de que verdade nós falamos? Há uma só Realidade, mas diferentes maneiras de encarnar, de encarnar a vida, de encarnar a consciência e o Amor.

Estamos a caminho pára esta Realidade, mas nós podemos ter uma afinidade com uma prática mais rigorosa que a outra, mais afeitva ou mais devocional, sabendo, no entanto, que aquilo que é melhor para nós não é forçosamente melhor para os outros. Não devemos julgar se outros devem passar pela mesma prática, mas juntos podemos trabalhar para a nossa transformação e transformção do mundo".

"Raras são as pessoas que tem o espírito aberto. Em contrapartida, certas pessoas, de quem a gente diz que têm o espírito aberto, muitas vezes não tem espírito de modo nenhum... porque elas estão prontas para crer não importa em quem, não importa em quê; isto não é abertura de espírito, isto é não ter convicções!

Ora, trata-se de ter convicções, de saber o que a gente sabe e o que não sabe. Não é porque eu amo  Buda que sou menos cristão, mas não é porque eu estou convencido da beleza e da grandeza do cristianismo que vou desprezar o Buda. Tento colocar em prática o Evangelho tal como eu o compreendi, mas não é porque sou cristão que o Buda deixa de ser interessante; pelo contrário, acontece que budistas me ensinam alguma coisa sobre a maneira de viver o Evangelho. O amor aos inimigos é o coração do Evangelho e o coração do bodhisattva; é preciso aprender a amar o inimigo, a amar aquele que nos mete medo, aquele que nos faz sofrer.

Isto não agrada todo mundo, mas eu repito: um dos cristãos amis autênticos que encontrei, que melhor coloca em prárica as palavras do Evangelho é o Dalai Lama. Porque se alguém pratica esse amor aos inimigos, é exatamente ele: nunca o percebi dizendo uma única palavra negativa contra os chineses, emitindo um único julgamento contra eles".
(**) Jean-Yves Leloup


(**)Jean Yves Leloup no livro: A montanha no oceano - Meditação e compaixão no budismo e no cristianismo, Editora Vozes, 2002. 

Eclipse Solar 20 de Maio 2012


Na Lua nova nós temos " o casamento do Sol e da Lua", segundo os antigos.

Um símbolo alquímico de uma união de substâncias desiguais; um casamento dos OPOSTOS em uma relação sexual que tem sua fruição no nascimento de um novo elemento. Isso é simbolizado por uma criança que manifesta um potencial para uma totalidade maior recombinando atributos das duas naturezas opostas .



Do ponto de vista de Jung, a coniunctio era identificada como a idéia central do processo alquímico. Ele próprio a via como um ARQUÉTIPO do funcionamento psíquico, simbolizando um padrão de relacionamento entre dois ou mais fatores INCONSCIENTES. Uma vez que tais relacionamentos são, de início, incompreensíveis à mente percebedora, a coniunctio é capaz de inúmeras PROJEÇÕES simbólicas (isto é, homem e mulher, Rei e Rainha, cão e cadela, galo e galinha, Sol e Lua).


Porque a coniunctio simboliza processos psíquicos, o RENASCIMENTO e a TRANSFORMAÇÃO que se seguem têm lugar dentro da psique. Como todos os arquétipos, a coniunctio representa dois pólos de possibilidade; um positivo, o outro negativo.
 Daí, quando ocorre, a morte e a perda, como também o renascimento, são inerentes à experiência. Trazê-la à consciência significa a redenção de uma parte anteriormente inconsciente da personalidade.
 Porém, adverte Jung, “o tipo de efeito que ele terá depende, amplamente, da atitude da mente consciente”. Com o uso da palavra atitude fica implícito que aquilo que se exige é a renovação de uma posição do ego, mais que empreender uma ação externa face ao acontecimento simbólico.




Extraído de: www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/coniunct.htm






À nossa volta, na natureza, a vida se revela conforme desígnios internos. Um botão de rosa se abre numa rosa, uma semente de carvalho cresce num carvalho e de uma lagarta em seu casulo emerge uma borboleta. É sem propósito pretender que os seres humanos partilhem essa qualidade com o resto da criação – que nós, também, nos revelamos de acordo com planos interiores.


O conceito de que cada um de nós tem uma ordem primordial de potencialidades ansiando por realização é muito antigo. Santo Agostinho escreveu que “ há alguém dentro de mim que é mais do que eu mesmo”.

Aristóteles usou a palavra intelecto para se referir à evolução e ao completo desabrochar de algo originalmente em estado potencial. Junto com intelecto, Aristóteles também falou de essência como qualidade que não se pode desperdiçar sem deixar de ser si-mesmo.

Da mesma maneira, a filosofia oriental aplica o termo dharma para designar a identidade intrínseca e a latente forma de vida presente em nós todos desde o nascimento. É dharma da mosca zumbir, do leão rugir e de um artista criar. Cada uma destas formas tem sua própria espécie de verdade e de dignidade.

A moderna psicologia atribui diversos nomes à eterna questão de “ ser aquilo que se é realmente” – o processo de individuação, a auto-realização, auto-atualização, autodesenvolvimento, etc. Seja qual for o rótulo que receba, o sentido oculto está claro: todos nós possuímos certos potenciais e capacidades intrínsecas. O que há a mais, em algum lugar dentro de nós, é um conhecimento primordial ou uma percepção pré- consciente de nossa verdadeira natureza, de nosso destino, de nossas habilidades e de nossa assim chamada vida. Não é só aquilo que temos de passar na vida, mas, num nível instintivo, aquilo que sabemos que a vida é.

Nossa realização, felicidade e bem estar dependem de descobrirmos este modelo e de cooperarmos com a sua realização. O filosofo dinamarquês Kiekegaard observou que a forma mais comum de desespero é aquela de não sermos aquilo que realmente somos, acrescentando que uma forma mais profunda de desespero aparece quando se escolhe ser outro que não nós mesmo.s

O psicólogo Rollo May escreveu: “ Quando a pessoa nega suas potencialidades e falha em realizá-las, sua condição é de culpa”.

Teólogos interpretaram o quarto pecado capital, a preguiça ou accidia, como “o pecado de falhar ao fazer de nossa vida aquilo que sabemos que poderíamos fazer dela”.

Mas, como podemos nos ligar com a parte de nós mesmos que sabe o que poderíamos fazer? Como podemos encontrar novamente a senda, quando já perdemos o caminho? Existe algum mapa capaz de nos guiar de volta a nós mesmos?

A Carta astrológica é este mapa. A fotografia do céu, como este se achava no lugar e na hora do nascimento, retrata simbolicamente a nossa única realidade, o nosso modelo inato e nosso desígnio interior. O conhecimento dessa carta nos habilita a perceber aquilo que deveríamos estar fazendo naturalmente, se não tivéssemos sido frustrados pela família, pela sociedade e talvez mais crucialmente, pela ambivalência de nossa própria natureza.
Nossa existência não só é dada a nós, mas cobra de nós, e cabe a nós fazer de nós mesmos aquilo para que fomos destinados.Enfim, só nós mesmos somos responsáveis por quilo que fazemos com a nossa vida, pelo grau com que aceitamos ou rejeitamos nossa verdadeira natureza, seu propósito e sua identidade. A carta natal é o melhor guia que temos para nos levar de volta a nos mesmos. Cada posicionamento da carta revela a maneira mais natural e apropriada para desvendar quem e o que somos.

Por que não ouvir a indicação que a carta tem a nos oferecer?”



Howard Sasportas em “As Doze Casas”


Editora Pensamento, SP





" Cada vez mais a meditação vem sendo vista como boa medicina. Ela é usada em muitos hospitais e clínicas nos Estados Unidos e inúmeras pesquisas demonstram a sua eficácia. Estudos de pessoas com dor crônica revelam que a atenção plena reduz o nível de dor relatado por elas e melhora outros sintomas clínicos e psicológicos. Nossa pesquisa em Breathworks mostra melhoria em todas as áreas analisadas: experiência de dir, qualidade de vida, depressão, tendência para pensar o pior, capacidade de controlar e diminuir a experiência de dor e confiança na atividade apesar da dor. O programa Breathworks permite à maioria das pessoas aceitar melhor a sua dor, melhora a capacidade de avaliar uma situação, aumenta a consciência da beleza e gentileza em relação a si próprios e aos outros, além de trazer uma sensação de escolha, especialmente em reação a experiências desagradáveis.

A atenção plena também ajuda pessoas com câncer, doença cardíaca, depressão ansiedade, compulsão alimentar e hipertensão. Um estudo recente usando imagens cerebrais mostrou que a meditação aumentou os anticorpos, sugerindo que ela fortalece o sistema imune. Ela também aumenta a atividade do hemisfério esquerdo do cérebro, que é associada a estados emocionais positivos.

... O treinamento da meditação costuma ser referido como “ prática” da mesma forma que um músico pratica as escalas musicais ou um atleta treina o corpo. A prática não só o transformará num hábil meditador como lhe permitirá se tornar um ser humano emocionalmente saudável, cuja vida inclui escolhas, iniciativa, amabilidade e sabedoria. A melhor maneira de dizer se sua prática meditativa é eficaz é observar o seu comportamento fora da meditação.”
Vidyamala Burch, em “ Viva bem com a dor e a doença”- o método da atenção plena.

“ De forma corajosa, Vidyamala Burch produziu uma obra para aqueles que procuram uma forma de lidar com a o lado desagradável da vida que combata os hábitos arraigados e vá à raiz do problema. Ela nos convida a ser gentis conosco, a aceitar que a dor está de fato presente e encará-la com uma atenção “ sábia”. Em vez de tentar acabar com a dor – ou de fingir que ela não existe Vidyamala ensina caminhos que podemos trilhar para a verdadeira natureza da situação e que revelam possibilidades antes inéditas. Sua abordagem é incrivelmente prática e clara.Ela sofre com a dor há duas décadas, e portanto, conhece o assunto por experiência própria.

... A abordagem de Vidyamala é especialmente bem-vinda porque, quando começamos a praticar a atenção plena, somos obrigados a admitir que precisamos começar onde estamos, em vez de desejar que tudo fosse diferente”.
Stephen Little, no mesmo livro.


“A segunda habilidade é focar a atenção para discernir o verdadeiro caráter de sua experiência. Às vezes, isso é descrito como “ ver” ou “ ver a natureza das coisas”. Isso significa a prender a perceber diretamente sua experiência de momento a momento como um processo, em vez de ficar preso no conteúdo. Conforme eu já disse, se você examinar a experiência que chama de “ dor” descobrirá que ela é um fluxo de sensações e reações em constante mudança, e não uma “coisa” fixa ou dura. Ao perceber a dor dessa maneira, você poderá ficar interessado nas características das sensações e não nas histórias que conta a si mesmo acerca dela – as quais costumam ser distorcidas pelo medo, pela ansiedade e pelo desespero.

Essa atitude fluida e criativa pode transformar a experiência que você tem de si mesmo e alterar radicalmente as suas percepções acerca dos outros e do mundo à sua volta. Você se sente parte do fluxo da vida. Em vez de separado e isolado; você para de se identificar com as ondas encrespadas na superfície do oceano, açoitado por tempestades passageiras. Sua consciência desce até as profundezas e você vê as ondas agitadas da perspectiva calma e estável do próprio oceano. A experiência é a mesma, mas de alguma maneira você a encara de um jeito totalmente novo.

Isso sugere outra importante dimensão de “ver”. Você não apenas se relacionará com sua experiência de uma perspectiva mais ampla e profunda, como também a meditação se tornará um treinamento de compaixão e interconexão.

À medida que você se familiariza com as nuanças de seu a experiência, também descobre o que significa ser humano. Seja qual for sua experiência, você tem certeza de que alguém mais está passando por algo semelhante neste exato momento. Embora as particularidades de sua experiência sejam únicas, a condição humana é comum a todos.
Todos queremos ser felizes e evitar o sofrimento; todos tentamos evitar o que é desagradável e prolongar o agradável; conhecemos a sensação de “ certeza” que surge quando relaxamos numa sentimento de harmonia com o modo como as coisas são.

A professora budista Pema Chödrön diz: “ Quando estiver feliz, pense nos outros; quando sentir dor, pense nos outros”.

Qualquer que seja a sua experiência, ela poder ser um momento de conexão e empatia. Quanto mais você se voltar para sua experiência na meditação e conhecer a si mesmo com amorosidade e lucidez, mas se sentirá mergulhando nas particularidades de sua experiência pessoal e tocando o universal.

A prática da meditação não apenas transforma sua relação com a dor e a doença, mas também o torna uma força mais atenciosa e gentil para o bem”.




Do livro: Viva bem com a dor e a doença – o método da atenção plena.
Autora: Vidyamala Burch
Summus Editorial, SP, 2011.



Para saber mais: http://www.atencaoplena.com.br/


  Roberto Carlos havia pedido uma canção à Gilberto Gil. Nas palavbras de Gil a sua reação foi:
" O que chegou a mim como tendo sido a reação dele, Roberto Carlos, foi que ele disse que aquela não era a idéia de Deus que ele tem."O Deus desconhecido". ali, a configuração não é de um Deus nítido, com um perfil claro, definido. a canção( mais filosofal, nesse sentido, do que religiosa) não é necessariamente sobre um Deus, mas sobre a realidade última: o vazio de Deus: o vazio-Deus".

" Alguma coisa desse Deus-buraco parece estar contida na letra de ' Se eu quiser falar com Deus".

" A criação do efeito veio por impulso, instintivamente: a sequência de ' nadas"( treze no total) insinunado suvessivas camadas de buraco, criando a experctativa de algo e culminando com uma luz no fim ( do túnel, da estrada, da vida), quer dizer ,deixando entrever, embutida na morte, a possibilidade de realização de uma existência num plano diferente de tudo o que se possa imaginar, mas que de qualquer maneira se imagina existir; a possibilidade de transmutação - com o desaparecimento do corpo físico, da entidade psíquica a que chamamos de alma, insconsciente,eu- para outra coisa, outra forma de consciência de todo modo imprevisível, se não for mesmo nada".

Do livro " Gilberto Gil - Todas as letras"
Organização Carlos Rennó
Companhia das Letras, SP