JUNG, O HOMEM CRIATIVO

  Desenho acima feito por Jung, em seu RED BOOK.

“ Jung estava de tal maneira à frente de seu tempo, que se pode dizer que a influência de suas idéias em nosso vida cultural ainda está engatinhando. Era uma pessoa extremamente sensível e,talvez por isso mesmo, bastante vulnerável. A esse respeito diz Von Franz:


“ Poucos homens sofreram tanto quanto ele; sua grande obra criadora foi arrancada, não apenas ao quente abismo das paixões, mas também ao sofrimento. As feridas pessoais, embora pudessem atingi-lo de maneira profunda, não o afetavam tanto quanto o sofrimento do mundo contemporâneo. A devastação da natureza, o problema da superpopulação, a guerra, a violência imposta às culturas não cristãs que floresciam com a brutalidade da moderna tecnologia. Para Jung, esses problemas eram uma agonia que o mantinha, de modo constante e incansável, à espreita de quaisquer possibilidades de uma transformação benéfica que porventura emergisse das profundezas da psique”.


Buscando uma saída para a alienação do homem moderno, Jung considerava a imaginação como a principal função da psique e, de maneira heróica e criadora, acompanhou a espontaneidade criadora do inconsciente”.

...” Ao fazer a opção existencial de viver o seu mito pessoal, acolhendo a realizando o seu Si-Mesmo e ouvindo seriamente o que a psique tinha a comunicar a respeito de si própria, com sua originalidade e criatividade, Jung influenciou diversas áreas do conhecimento, como psiquiatria, psicoterapia, física nuclear, história, literatura, antropologia, educação, etnologia, teologia, parapsicologia e, até mesmo a economia e as ciências sociais”.

...Curvando-se sem preconceitos ao que o inconsciente tinha para expressar, Jung resgatou muitos aspectos inferiorizados e até marginalizados em nossa cultura.

Entre elas estão a criança, a individualidade, o feminino, o mito, a fantasia, a introversão, a meditação e outras formas de conhecimento como a magia, o misticismo e a paranormalidade, além de outras ciências como a alquimia e a astrologia”.

....Criticando a unilateralidade do mundo moderno, com sua excessiva valorização da extroversão, do coletivo e do universal, em detrimento do mundo espiritual interior, único, do indivíduo, e colocando a responsabilidade da existência principalmente no homem, e não nos deuses ou nas instituições, Jung nos obriga a buscar caminhos autênticos e novos sentidos para a existência.

Ao pensamento moderno, muito mais que um modelo acadêmico, uma teoria ou uma técnica para lidar com o inconsciente e os mistérios da psique humana, o que Jung ofereceu foi um mito para o homem do século XX. Cada um tem a responsabilidade ética e moral consigo e com a sociedade de encontrar e dar sentido à própria vida; ou seja, construir e viver o seu próprio mito... O único objetivo da existência seria o de , nas suas palavras, “ acender uma luz na escuridão do mero Ser”. ( Jung, 1975:358)

Livro: JUNG, o homem criativo
Autor: Luiz Paulo Grinberg
Editora FTD, SP.

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