PARA 2012 EU DESEJO

Tereza Kawall


Entre diferentes pensamentos e vontades
Trago em meu coração muitos desejos para todos vocês
Muita paz, e sobretudo, TEMPO de sobra para:

OLHAR e contemplar as estrelas que bordam o céu,
A ingenuidade cativante das crianças
( seria por acaso que criança rima com esperança?)
Os animais ( todos, inclusive aqueles que dão aflição)

SENTIR o cheiro da chuva e da manhã
Do manjericão e da hortelã

O aroma da flor que sorri para você

A sombra-delícia da árvore frondosa, gostosa
O calor de um abraço amigo

OUVIR com mais atenção e gentileza
Sabendo que este é um gesto de cura
ESPERAR dois minutos antes de proferir
A palavra que fere a alma do outro
FALAR ouvindo o seu coração

ACREDITAR que sim, existem pessoas boas e generosas
Dispostas a fazer um mundo melhor, e são muitas!
PODER ser uma delas

Se ENCANTAR com as pequenas alegrias do cotidiano,
Essa é uma conquista e tanto...

RESPIRAR mais devagar, e comer também.
DESGRUDAR da TV, ler um bom livro

TREINAR um olhar de compaixão para aqueles que te decepcionam
ESQUECER e
PERDOAR como conseqüência de seu amor próprio

MUDAR o que for possível, esperar pelo melhor
AGRADECER pelo caminho já percorrido e por ajudas recebidas

PARAR de olhar para o próprio umbigo, o que nos torna interessantes,
Porque interessados pelo outro

Não DESISTIR de você, seus sonhos aparentemente inviáveis
ESPANTAR a preguiça, amiga sorrateira dos insucessos
SABER que as redes sociais são ótimas, mas o tête-a-tête é também..

TER menos razão e ser mais feliz é uma boa pedida!
ABRAÇAR oportunidades, saber- se merecedor(a) delas
EMBELEZAR o mundo

DESAPEGAR-SE da sua suposta importância
INSPIRAR-SE em bons mestres, especialmente naqueles que são bem humorados!
LEMBRAR sempre que a vida tem uma tendência
Para curvar-se às nossas expectativas!

Com muito carinho!
Texto de Howard Sasportas


“ Nem sempre a vida é fácil. É impossível viver profundamente e não sentir dor ou atravessar tempos de crises, colapsos ou mudanças e rupturas importantes. Embora tudo isso seja inevitável, o que nem sempre fica óbvio é o papel crucial que a dor e a crise desempenham no processo de crescimento e evolução. Enquanto algumas pessoas desabam completamente e nunca mais se recuperam de tempos difíceis, muitas outras emergem renovadas e transformadas de conflitos e reviravoltas- na verdade com um sentimento mais pleno de estarem vivas. Tais pessoas “ retornam à vida” com um compromisso renovado em relação a um potencia negligenciado, com um senso renovado do que poderíamos chamar de “ sagrado” na vida e com maior sensibilidade em relação às outras pessoas.

Os antigos chineses tinham uma palavra sábia para nomear “ crise”: wei-chi, uma combinação de duas outras palavras, perigo(wei) e oportunidade(chi). Pode-se ver uma crise como uma catástrofe, como algo terrível a ser evitado a qualquer custo, mas também pode-se entendê-la como uma virada, um estágio ou degrau crítico em desenvolvimento – como a possibilidade de acontecer algo novo, uma oportunidade de deixar as coisas correrem e se transformarem.
É bastante humano recuar diante de situações dolorosas, desejar ardentemente que as coisas voltem a ser como eram antes da crise ter ocorrido. E mesmo assim também é possível que tais tempos possam ser usados como oportunidades para desenvolver e crescer, mas aprender mais sobre a vida e sobre si mesmo.
Algo morre, mas algo novo nasce. Nada permanece inalterado: o velho passa, mas algo diferente pode emergir.
Roberto Assagioli, o fundador da psicossíntese, chamou isso de “ colaboração com o inevitável”. Viver plenamente significa experimentar e aceitar tanto a luz como a escuridão, a alegria e a dor.
Na maior parte dos casos, os temos de dor, crise, colapso ou mudança têm correlação com trânsitos importantes de ou para Saturno, Quiron, Netuno ou Plutão, ou progressões envolvendo esses planetas.
Cada um deles traz o seu dilema distintivo peculiar, seu tipo particular de trauma, teste ou experimentação.
Um conflito que leve a marca de Saturno é diferente em sua natureza de uma crise envolvendo Urano; a confusão netuniana não provoca o mesmo sentimento que a ruptura uraninana; e o pulverizante Plutão trabalha sobre nós de uma maneira própria e inesquecível, lembrando-nos do adágio que fala que “ a vida é como uma pedra nos tritura ou nos dá polimento”.
Mas não importa que tipos específicos de conflitos, traumas, paradoxos ou dilemas tragam esses planetas, todos eles têm uma coisa em comum: não querem deixar-nos do mesmo jeito que nos encontraram.

Dane Rudhyar escreveu certa vez que “ não é o evento que acontece à pessoa, mas a pessoa que acontece ao evento. Um indivíduo se encontra com determinados eventos porque necessita deles para tornar-se mais completo naquilo que é apenas potencialmente”.
Há pessoas que são afortunadas: mesmo em meio a uma grande confusão ou desespero, elas conseguem vislumbrar o sentido ou a relevância de uma crise em termos e seu crescimento e desenvolvimento – e essa compreensão as ajuda através de suas dificuldades.

“ Infeliz daquele que não viu mais qualquer sentido para sua vida, qualquer objetivo, qualquer propósito e, portanto, qualquer motivo para continuar. Cedo ele se perdeu”
Viktor Frankl
Do livro: Deuses da Mudança, de Howard Sasportas
Editora Siciliano
Caminho de Santiago de Compostela
Por Jean-Yves Leloup




“Ele só se tornará Jonas se for na direção de si mesmo, ousando dirigir-se para Nínve, ou seja, em direção ao outro. Porque é na relação com o outro que nós nos tornamos quem somos.
É o fato de ter uma tarefa a cumprir que torna cada um de nós insubstituível, dando um sentido `nossa existência Essa não é uma tarefa reservada apenas os grandes sábios e profetas., mas é o que cada ser humano pode realizar em sua existência. Só nos tornamos realmente quem somos se formos na direção do outro.
Não fugir do próprio desenvolvimento e não cair no conformismo patológico- o que chamamos de normose- é o resultado de um processo, de uma escolha cotidiana. O fato de ir além de si mesmo, ir além das próprias possibilidades, não é para se perder, mas para se encontrar.

Abraham Maslow fala do complexo de Jonas como sendo o medo que temos da nossa própria grandeza- o medo do Self. Se conseguirmos atravessar esse medo, se confiarmos nessa energia qe revela em nós o desejo de realização e de plenitude, então nossa missão se cumprirá.
Resta ainda, uma pequena dificuldade a ser vencida: Qual é a imagem que postulamos do Self? Que imagem temos do Absoluto que nos habita?

Normose significa estar estagnado, retido, seja numa imagem, seja num sintoma. A tarefa, então consiste em dar um passo a mais. Recordo a minha definição de espiritualidade, que é a mesma do peregrino de Compostela: dar um passo a mais.
A vida espiritual nem sempre consiste em ter grandes idéias e maravilhosos projetos, e sim, em dar um passo a mais a partir do ponto que nos encontramos. Não temos que nos comparar com ninguém. Para atingir o alvo, cada um precisa percorrer um caminho longo e único. O importante é dar um passo a mais. O ponto em que paramos é o começo do caminho que segue.É esse passo a mais que resgata a vontade da vida, que vem vindo ao nosso encontro.
Temos que escolher entre uma vida perdida e uma vida escolhida e doada. Através do dom de nós mesmos, descobrimos aquilo que nunca vai morrer em nós. Pois a única coisa que nada nem ninguém pode nos tirar é aquilo que já doamos”.

“ A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade, e que provocam sofrimento, doença e morte. Em outras palavras, é algo patogênico e letal, executado sem que os seus autores e atores tenham consciência de sua natureza patológica. Toda normose é uma forma de alienação”.
Pierre Weil

Do livro: Normose, a patologia da normalidade
Editora Verus




Foto de Alberto e Sílvia Sena, do site Caminhos de Santiago de Compostela
Por Jean-Yves Leloup


"Jonas foge da sua palavra interior. Entra num barco que está partindo para Társis e dorme no porão. O problema é que uma tempestade se precipita; enquanto ele dorme, as ondas se levantam.
Este é o primeiro ensinamento do livro de Jonas: o fato de não nos tornarmos nós mesmos pode ter conseqüências não só em nosso interior, mas em torno de nós. Precisamos lembrar que o maior serviço que podemos prestar aos outros é tornarmos nós mesmos. Se não fizermos isso, haverá tempestades e distúrbios à nossa volta.


Quem não escuta a sua voz interior pode causar distúrbios nos que estão ao redor. Então Jonas se defronta com sua responsabilidade: reconhece ser a causa de tanto transtorno e mergulha no oceano. Simbolicamente mergulha no seu inconsciente e cessa de fugir. Entra num processo de conhecer a si mesmo, suas sombras e seus medos. Isso é simbolizado pelos três dias que passa no ventre da baleia – uma descida às profundezas de si mesmo.


O livro de Jonas é muito interessante para nossa abordagem, porque o medo que Jonas sente e as razões de sua fuga fazem parte de nós. Quando recebemos o convite para levantar, para despertar do nosso sono, alguma coisa dentro de nós ainda resiste. E a essa força que resiste é que chamamos normose.

Do que Jonas tem medo?
Já evocamos o medo de fazer sucesso, de realizar o que os nossos pais não conseguiram.Isto é, efetivamente, algo que pode estagnar o nosso vir a ser. Por exemplo,ser feliz na vida afetiva quando nossos pais se divorciaram, ou algo muito difícil como vencer profissional e financeiramente podem se transformar numa fonte de inquietude.
Krishnamurti escreveu um belo livro no qual afirma que a liberdade do conhecido demanda muita coragem e maturidade. O medo de não ser como os outros desencadeia o medo de conhecer a si mesmo. Jonas tem medo de ser diferente porque essa diferença é o que ele realmente é. É isso que se tem de escutar.Quanto mais impessoal o conhecimento, mais seguro ele será; quanto mais pessoal ele se tornar, na escuta do próprio mundo interior, mais nos questionaremos a esse respeito.

É importante lembrar que o transpessoal não é o impessoal. É a passagem, a abertura do pessoal ao que o ultrapassa, sem destruir a pessoa, abrindo-a para outra dimensão. Essa outra dimensão é com a nossa própria forma que precisamos aprendê-la.



Ao medo de ser o que somos damos o nome de medo da autenticidade.Cada um de nós tem uma missão a cumprir, algo a encarnar. Essa é a pergunta de Jonas: O que tenho a fazer na vida que ninguém pode fazer por mim? E é também uma boa pergunta para cada um de nós: “ O que tenho a fazer que ninguém pode fazer por mim?”
Qual é a forma exclusiva, única, através da qual o Logos, a Inteligência Criativa, se encarna em mim? Qual é a minha forma própria de ser inteligente? Qual é a minha forma particular de amar, encarnar, e manifestar o amor no mundo?

Uma inteligência diferencia-se da outra. A maneira de amar de um não é a mesma de outro. O amor é único e a inteligência criativa é una, mas assumem formas diferentes e particulares em cada um de nós. É assim como a água que cai num canteiro. A mesma água faz que as flores se abram em diferentes cores. Uma vermelha, outra branca, outra laranja. É a mesma vida em todas, mas cada uma tem uma cor para manifestá-la e encarná-la. Uma única maneira de manifestar a vida.

do livro: Normose, a patologia a normalidade

Editora Verus.

AMAR....APESAR DE TUDO!



Áurea Vasconcellos



Amar... apesar de tudo!
Amar..... apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.
Amar.... apesar do passado, do futuro... apesar do presente.
Amar... apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.
Amar... apesar das impossibilidades.
Amar....apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.
Amar.... apesar da separação, da indefinição.
Amar... apesar da sombra.
Amar... apesar do outro.
Amar.... apesar de mim.
Amar... apesar de Deus.
Amar....
Hoje, mais do que nunca, amar.
Amar... a porta que dá acesso ao jardim.


Do livro:

Normose, a patologia da normalidade

Editora Verus