ERA DO EGOCENTRISMO


Por Martha Medeiros


Outro dia acordei com uma espécie de ressaca existencial e o alívio não viria com um simples gole de Coca-Cola: o que estava me pesando não era excesso de álcool, nem de cigarros, nem de noitadas, e sim excesso de mim.


Overdose da própria presença.


Desde que nascemos somos condenados a um convívio inescapável com a gente mesmo. Quando penso na quantidade de tempo que estou presa a esta relação, fico pasma de como consegui suportar tamanho grude. Eu e eu, dia e noite, no único relacionamento que é verdadeiramente para sempre.


Soy mi pareja perfecta. Somos um par. Só que, no meu caso, sou um par em conflito. Um eu que deseja fugir e outro que deseja ficar. Um eu que sofre e outro eu que disfarça. Um eu que pensa de uma forma e outro que discorda. Um eu que gosta de estar sozinho e outro eu que precisa amar. Nada de pareja perfecta, e sim caótica.


Uma relação tranqüila consigo mesmo talvez passe pela conscientização de que não devemos dar tanto ouvido às nossas vozes internas e que mais vale nos reconhecermos ímpares e imperfeitos por natureza.

A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro, nos nossos problemas, nas nossas vitórias, no nosso umbigo.


Até que um dia acordamos asfixiados, enjoados, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo às expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente pro espelho e de costas para o mundo.


É a era do egocentrismo.


Esquecer da primeira pessoa do singular, das nossas existências isoladas e pensar mais no que representamos todos juntos talvez seja uma boa solução.

SIMBOLISMO E MAGIA DAS FLORES






A MÃE E AS FLORES



“Para Mirra Alfassa (1878–1973), a amorosa Mãe, mestra espiritual francesa, as flores falavam.
Nos jardins, e em arranjos dentro da casa, comunicam qualidades que beneficiam a vida.
Anote algumas de suas sugestões e citações. Elas foram extraídas do livro "Flowers and their Messages".

Cores – As flores falam se soubermos ouvi-las.



Mirra Alfassa acreditava que as cores expressavam os diferentes níveis de consciência das plantas.

Assim, as flores brancas são as que realizam em si a perfeição. O branco significa “vida purificada”.
Já o laranja dourado é a cor que se sintoniza com a intuição.
As flores amarelas falam do anseio, da realização espiritual.
O azul indica a influência da graça divina.
O rosa (especialmente a levemente lilás) é a irradiação do amor incondicional.
O vermelho e as cores escuras relacionam-se ao corpo ou à matéria.

Proteção – A entrega ao Divino é a melhor proteção.
Proteção é o trabalho maior da trepadeira buganvília, ou primavera. O espaço em torno dela sugere um casulo, um “ambiente protegido”. Sua cor branca fala de proteção integral e a vermelha de proteção física.
O capim-cidreira e a citronela ancoram a terra à ajuda superior. Suas folhas pontiagudas lembram espadas, prontas a defender o lugar.
O azul das flores do plumbago, ou bela Emília, associa-se à presença divina e nos tranquiliza.

Amor Divino – Amar infinitamente todo o imenso conjunto de seres. É isso o que peço a Ti, Senhor!
As flores do amor-perfeito parecem corações sobrepostos e a mestra Mirra as considerava “cheias de bons pensamentos”. Mas, talvez por seu esplendor, é a rosa que representa a essência do Amor Divino. As orquídeas ensinam que só existe segurança naquilo que é eterno, pois a maioria delas não se enraíza na terra, mas apoia-se sobre galhos, não extraindo deles nenhum alimento.

Perseverança - A não ser que você esteja disposto a iniciar a mesma coisa mil vezes, se necessário, não chegará a lugar algum.
O amarelo da calêndula e da trepadeira alamanda estimula a perseverança e o triunfo.
O radiante girassol transmite força espiritual.
O mini crisântemo força a energia dos detalhes e sugere que nada é tão pequeno que não mereça atenção e cuidado.
A cor laranja da capuchinha vibra o encorajamento.
O azul indica a influência da graça divina.

Progresso – A melhor maneira de não envelhecer é fazer do progresso espiritual a meta de sua vida.
As flores da helicônia (bananeira de jardim) e da estrelítzia (ave do paraíso) lembram pássaros exuberantes, livres para “ser e fazer eternamente”.
As pequenas flores da violeta se escondem junto às folhas, sugerindo humildade ou “o agir sob inspiração divina”.

Beleza – A expressão da beleza exige a abdicação do egoísmo.
Todas as flores são belas, mas cada uma trabalha a beleza de jeito diferente.
O azul indica a influência da graça divina.
Os cactos, espinhosos por fora e suculentos por dentro, comunicam que a beleza maior reside nas profundezas de nosso íntimo. As dálias, rebuscadas, expressam poder e dignidade espiritual.

Serenidade – Diante das situações adversas, quanto mais calmo você estiver, mais forte se tornará.
As coníferas (árvores que jamais perdem as folhas, como o pinheiro e a tuia) comunicam a vitalidade perpétua, nunca afetada pelas circunstâncias externas.
A força dos lírios reside na paz que irradiam.
A pureza das flores brancas do jasmim foi traduzida com sinceridade perfeita.


Todas as flores são belas, mas cada uma trabalha a beleza de jeito diferente.
A floração exuberante do gerânio parece expressar uma felicidade espiritual que nada pode perturbar.

Para Mirra, as flores são bênções da natureza, manifestações da alma do cosmo, sorrisos do amor divino, preces silenciosas ao Criador.
Quando lhe perguntaram como melhor receber influência benéfica das flores, ela simplesmente respondeu: “amando-as”.



INCONSCIENTE HISTÓRICO

Foto de Greg Semendinger, 11 de setembro, NY
Por Arnaldo Jabor

"Hoje em dia as coisas têm vida própria, e seus criadores não controlam mais os produtos. Somos levados por uma tumultuada marcha de fatos sem causa aparente, de acontecimentos sem origem, de objetos sem sujeitos.

Cada vez temos mais ciência e menos entendimento.
Temos um acesso à informação infinita, mas nada se fecha em conclusões coerentes, nada acaba, nada se define.

O socialismo não deu certo, o capitalismo global não trouxe paz, tudo o que depende da vontade dos homens e de seus sonhos de controle não chega a um final feliz.
Pensadores sofrem porque vêem que é impossível mudar o curso da vida que se transforma sozinha, pouco se lixando para nós, assim como a lama das encostas, as cinzas dos vulcões e as marés assassinas.

" ESPERANDO GODOT " é mais profético do que cem anos de esperança política.
Viramos objetos de um "sujeito" imenso, sem nome, sem olho, misterioso, secreto, que talvez só vamos entender depois do tempo esgotado, quando for tarde demais.
Não temos mais culpados nítidos pelo mal.
Talvez sejamos obrigados a confiar que haja uma razão dentro da loucura.
Talvez haja uma espécie de " inconsciente histórico" dentro da marcha das coisas.