A pedra no rio

Rio Franklin, Austrália.

A pedra no rio

Mike George

Na filosofia daoísta, o rio é uma metáfora da vida por estar em fluxo constante. Em seu caminho, o rio pode carregar seixos imensos, desgastar um banco pedregoso e mover enormes turbinas. Nada detém a passagem do rio, pois a água é suficientemente fluida para envolver e ultrapassar qualquer obstáculo.
Para viver uma vida de contentamento, podemos aprender lições com o rio, obtendo força pela via de menor resistência.
Nas palavras contidas no Dao de Jing, a coleção clássica de aforismos que compõe a base do daoísmo, “a gentileza prevalece sobre a rigidez”.

Muitas pessoas acreditam que o caminho mais rápido seja o melhor: quanto mais rápido conseguirmos completar uma tarefa, mas cedo iniciaremos a seguinte. Assemelhamo-nos menos aos rios que fluem calmamente e mais às quedas d’água, que formam rodamoinhos e espirram, como violência suas brancas espumas sobre os obstáculos que encontram pela frente...
Quando alcançamos a nossa meta, estamos desgastados e exaustos de tanta luta pelo sucesso.

Os daoístas acreditam que a tentativa de a humanidade impor ordem na Terra é o caso de um intelecto em luta vã contra a natureza. O resultado é o estresse. De acordo com a ordem natural das coisas, um rio e tudo que um rio carrega fluirão em direção ao mar. Para conseguir tal relaxamento, devemos aceitar o fluxo natural da vida ( nós somos esse fluxo) e nos deixar conduzir – e não lutar nadando contra a correnteza ou querendo que o fluxo se mova mais rápido.
Se nos rendermos ao fluxo do rio, a vida nos conduzirá aonde queremos ir.
Talvez leve um pouco mais de tempo do que esperávamos e a experiência pode parecer estranha no início.
Com o tempo, porém, e confiando no fluxo do rio, aprenderemos a arte da aceitação.
Quando paramos de lutar contra os obstáculos, nosso potencial para o crescimento se amplia.

Estraído do livro:Aprenda a relaxar

De: Mike George

Editora Gente,SP

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