Crise: Tempo de decisão

As mudanças são inexoráveis, fazem parte da vida de todos nós, temos que fluir com elas e acreditar que em tudo há um propósito maior, e que será compreendido mais tarde.
Nas crises, temos que, nas sábias palavras de Roberto Assagioli, " colaborar com o inevitável".

O QUE É UMA CRISE?
Os ciclos são medidas de mudança. Para que qualquer propósito se realize, devem ocorrer mudanças e, necessariamente, mudanças envolvem crises. Muitas pessoas interpretam mal a palavra crise; confundem-na com “ catástrofe”. Elas estudam astrologia, acreditando que o conhecimento antecipado dos “ maus aspectos” ou dos “aspectos maléficos”, fará com que possam evitar as crises.
Contudo, uma crise não é uma calamidade terrível. Ela deriva da palavra grega KRINO, “decidir”, e significa, simplesmente, um momento de tomar uma decisão. Uma crise é um momento decisivo – aquele que precede a MUDANÇA.
Para evitar uma crise, teríamos que evitar a própria mudança, o que constitui uma impossibilidade óbvia.

Embora toda matéria, tanto viva quanto inanimada, esteja mudando constantemente, somente o homem tem a capacidade de tomar uma decisão consciente. Com o fito de evoluir, ele deve abandonar o comportamento instintivo, que serve apenas para a sobrevivência ou as compulsões sociais, em favor da escolha consciente. A barreira para a escolha consciente é ver o “ego”, aquilo que a sociedade disse ao individuo que ele deveria ser, em oposição à experiência do Eu, que lhe diz o que ele realmente é.
É na adaptação social que o indivíduo assume padrões de comportamento habituais.Assim, quando chega o momento de tomar uma decisão ( crise) permitimos que esses padrões determinem a nossa escolha, em vez de seguirmos as linhas de orientação emanadas da nossa própria verdade pessoa.

Infelizmente, está sempre presente a tentação de se evitar o ato de tomar ma decisão, na esperança de que a necessidade desapareça e as coisas permaneçam num confortável estado “normal”. Às vezes esta técnica da á impressão que funciona, e o fio do status quo parece não ter sido rompido; contudo, não importa quão pequenina a decisão ou quão insignificante a crise, este ato de evitar representa, de qualquer modo, uma derrota espiritual.

O fato de recusar-se a decidir, não exime o indivíduo da responsabilidade. Toda vez que uma decisão deixa de ser tomada, os padrões inconscientes e instintivos tornam-se mais profundos.
O que na infância era uma ranhura transforma-se, mais tarde, num sulco e finalmente, numa cova.
Esta repetida ausência de decisão consciente pode, numa determinada circunstancia, aumentar a tensão, fazendo-a finalmente explodir.
O indivíduo será então obrigado a reagir a circunstancias difíceis ou dolorosas, que poderiam ter sido evitadas, caso tivesse ele enfrentado as crises anteriores e menores com objetividade e coragem.
A catástrofe resultante não é uma conseqüência inevitável das crises, mas sim das decisões evitadas.Assim sendo, para os astrólogos humanisticamente orientados, as crises não são eventos externos, embora os eventos externos possam precipitá-los ao condicionar o seu desenvolvimento.

As crises, tanto as grandes como pequenas, representam essencialmente, oportunidades para o desenvolvimento – as únicas oportunidades que realmente temos”.

Ciclos de Evolução
Alexander Ruperti
Editora Pensamento, SP.

1 comentários:

  • Katia Bueno | 27 de agosto de 2011 10:20

    Amei o post Tereza, o texto é muito esclarecedor e diz muito sobre o que penso a respeito.
    Nos processos de Coaching busco alinhar a tomada de decisões de cada pessoa com a verdade da sua alma / essência.
    Obrigada por compartilhar!
    Beijos