O Bálsamo da simplicidade








































" A nossa vida é desperdiçada em detalhes.... Simplifique, simplifique", escreveu o pensador americando David Henry Thoreau.

Renuncia envolve simplificar os nossos atos, a nossa fala e nossos pensamentos para livrar-se do supérf Simplificar as nossas atividades não significa mergulhar na preguiça, mas adquirir uma liberdade cada vez maior e combater o aspecto mais sútil da inércia - o impulso que nos leva a, mesmo sabendo o que realmente conta na vida, preferir nos envolver em mil atividades secundárias e triviais, uma após a outra

Simplificar a fala significa diminuir o fluxo de palavras inúteis que saem de nossa boca. É acima de tudo, abster-se de dirigir aos outros observações negativas ou danosas, de lançar flechas que atingem o coração alheio.

As conversações comuns, lamentava o eremita Patrul Rinpoche, são " ecos dos ecos".


Não se trata de isolar-se em um silêncio arredio e desdenhoso, mas de tomar consciência do que é uma fala adequada e o que representa o valor do tempo.



A fala adequada evita as mentiras egoístas, as palavras cruéis e as fofocas, cujo único efeito é nos distrair e semear a discórdia.

É sempre adaptada às circunstancias, suave ou firme conforme a necessidade, e provém de uma mente controlada e altruísta.


Ter uma mente simples não é o mesmo que ser simplório. Ao contrário, a simplicidade mental é acompanhada pela lucidez e pela clareza do pensamento. Como a água limpa e transparente, que nos permite ver até o fundo do lago, a simplicidade permite ver a natureza da mente por trás do véu dos pensamentos errantes.



André Comte-Sponville encontrou um modo inspirador de descreve-la:

" A pessoa simples vice da mesma maneira que respira, sem grandes esforços ou glórias, sem grandes afetações e sem vergonha.... A simplicidade não é uma virtude que se deve adicionar à existência. É a existência em si, desque nada lhe seja adicionado....Sem outra riqueza que tudo. Sem outro tesouro que nada.


A simplicidade é liberdade, leveza, alegria, transparência.



Tão simples quanto o o ar, tão leve como o ar....

A pessoa simples não se leva demasiadamente a sério, nem faz de qualquer coisa uma tragédia. ela segue o seu caminho sde bom humor, com o coração leve, a alma em paz, sem um objetivo, sem nostalgia, sem impaciência.

O mundo é o seu reino, e isso lhe basta.

O presente é a sua eternidade, e a pessoa se delicia com ela.
Não precisa provar nada, já que não precisa manter as aparencias, e não busca nada, já que tudo está diante de si.


Há algo mais simples do que a simplicidade?Mais leve?

A simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos".(*)


(*) Pequeno tratado das grandes virtudes.

Editora Martins Fontes


Extraído do livro

Felicidade, a prática do bem estar.

Autor: Mathhieu Ricard

Editora Palas Athena, SP

1 comentários: