Mães e filhas


Texto de Carl Jung

Deméter e Kore, mãe e filha, ampliam a consciência feminina para cima e para baixo.
Acrescentam a ela uma dimensão de “ mais velha e mais nova”, “ mais forte e mais fraca”, e alargam os limites estreitos da mente consciente presa ao espaço e tempo, dando-lhe conotações de uma personalidade maior e mais abrangente, com seu quinhão no curso eterno das coisas...

Portanto, poderíamos dizer que toda a mãe contém em si sua filha, e toda filha contém a sua mãe, e que todas as mulheres abarcam, para trás, a mãe, e para frente a filha...

A experiência consciente desses laços produz o sentimento de que a vida se espalha por gerações – o primeiro passo em direção à experiência imediata e a convicção de estar fora do tempo, o que traz consigo um sentimento de imortalidade”.


Carl G Jung,em Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, parágrafo 316

Obs: Texto sobre o mito de Demeter e Perséfone, da mitologia grega que evidencia a delicadeza e a complexidade da relação mãe e filha, simbolizando também os ciclos da vegetação e das colheitas, as quatro estações do ano.
Deméter é a Grande Mãe, a terra cultivada, e Kore representa a semente, caracterizando uma recíproca e criativa dependência.

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