PARA 2012 EU DESEJO

Tereza Kawall


Entre diferentes pensamentos e vontades
Trago em meu coração muitos desejos para todos vocês
Muita paz, e sobretudo, TEMPO de sobra para:

OLHAR e contemplar as estrelas que bordam o céu,
A ingenuidade cativante das crianças
( seria por acaso que criança rima com esperança?)
Os animais ( todos, inclusive aqueles que dão aflição)

SENTIR o cheiro da chuva e da manhã
Do manjericão e da hortelã

O aroma da flor que sorri para você

A sombra-delícia da árvore frondosa, gostosa
O calor de um abraço amigo

OUVIR com mais atenção e gentileza
Sabendo que este é um gesto de cura
ESPERAR dois minutos antes de proferir
A palavra que fere a alma do outro
FALAR ouvindo o seu coração

ACREDITAR que sim, existem pessoas boas e generosas
Dispostas a fazer um mundo melhor, e são muitas!
PODER ser uma delas

Se ENCANTAR com as pequenas alegrias do cotidiano,
Essa é uma conquista e tanto...

RESPIRAR mais devagar, e comer também.
DESGRUDAR da TV, ler um bom livro

TREINAR um olhar de compaixão para aqueles que te decepcionam
ESQUECER e
PERDOAR como conseqüência de seu amor próprio

MUDAR o que for possível, esperar pelo melhor
AGRADECER pelo caminho já percorrido e por ajudas recebidas

PARAR de olhar para o próprio umbigo, o que nos torna interessantes,
Porque interessados pelo outro

Não DESISTIR de você, seus sonhos aparentemente inviáveis
ESPANTAR a preguiça, amiga sorrateira dos insucessos
SABER que as redes sociais são ótimas, mas o tête-a-tête é também..

TER menos razão e ser mais feliz é uma boa pedida!
ABRAÇAR oportunidades, saber- se merecedor(a) delas
EMBELEZAR o mundo

DESAPEGAR-SE da sua suposta importância
INSPIRAR-SE em bons mestres, especialmente naqueles que são bem humorados!
LEMBRAR sempre que a vida tem uma tendência
Para curvar-se às nossas expectativas!

Com muito carinho!
Texto de Howard Sasportas


“ Nem sempre a vida é fácil. É impossível viver profundamente e não sentir dor ou atravessar tempos de crises, colapsos ou mudanças e rupturas importantes. Embora tudo isso seja inevitável, o que nem sempre fica óbvio é o papel crucial que a dor e a crise desempenham no processo de crescimento e evolução. Enquanto algumas pessoas desabam completamente e nunca mais se recuperam de tempos difíceis, muitas outras emergem renovadas e transformadas de conflitos e reviravoltas- na verdade com um sentimento mais pleno de estarem vivas. Tais pessoas “ retornam à vida” com um compromisso renovado em relação a um potencia negligenciado, com um senso renovado do que poderíamos chamar de “ sagrado” na vida e com maior sensibilidade em relação às outras pessoas.

Os antigos chineses tinham uma palavra sábia para nomear “ crise”: wei-chi, uma combinação de duas outras palavras, perigo(wei) e oportunidade(chi). Pode-se ver uma crise como uma catástrofe, como algo terrível a ser evitado a qualquer custo, mas também pode-se entendê-la como uma virada, um estágio ou degrau crítico em desenvolvimento – como a possibilidade de acontecer algo novo, uma oportunidade de deixar as coisas correrem e se transformarem.
É bastante humano recuar diante de situações dolorosas, desejar ardentemente que as coisas voltem a ser como eram antes da crise ter ocorrido. E mesmo assim também é possível que tais tempos possam ser usados como oportunidades para desenvolver e crescer, mas aprender mais sobre a vida e sobre si mesmo.
Algo morre, mas algo novo nasce. Nada permanece inalterado: o velho passa, mas algo diferente pode emergir.
Roberto Assagioli, o fundador da psicossíntese, chamou isso de “ colaboração com o inevitável”. Viver plenamente significa experimentar e aceitar tanto a luz como a escuridão, a alegria e a dor.
Na maior parte dos casos, os temos de dor, crise, colapso ou mudança têm correlação com trânsitos importantes de ou para Saturno, Quiron, Netuno ou Plutão, ou progressões envolvendo esses planetas.
Cada um deles traz o seu dilema distintivo peculiar, seu tipo particular de trauma, teste ou experimentação.
Um conflito que leve a marca de Saturno é diferente em sua natureza de uma crise envolvendo Urano; a confusão netuniana não provoca o mesmo sentimento que a ruptura uraninana; e o pulverizante Plutão trabalha sobre nós de uma maneira própria e inesquecível, lembrando-nos do adágio que fala que “ a vida é como uma pedra nos tritura ou nos dá polimento”.
Mas não importa que tipos específicos de conflitos, traumas, paradoxos ou dilemas tragam esses planetas, todos eles têm uma coisa em comum: não querem deixar-nos do mesmo jeito que nos encontraram.

Dane Rudhyar escreveu certa vez que “ não é o evento que acontece à pessoa, mas a pessoa que acontece ao evento. Um indivíduo se encontra com determinados eventos porque necessita deles para tornar-se mais completo naquilo que é apenas potencialmente”.
Há pessoas que são afortunadas: mesmo em meio a uma grande confusão ou desespero, elas conseguem vislumbrar o sentido ou a relevância de uma crise em termos e seu crescimento e desenvolvimento – e essa compreensão as ajuda através de suas dificuldades.

“ Infeliz daquele que não viu mais qualquer sentido para sua vida, qualquer objetivo, qualquer propósito e, portanto, qualquer motivo para continuar. Cedo ele se perdeu”
Viktor Frankl
Do livro: Deuses da Mudança, de Howard Sasportas
Editora Siciliano
Caminho de Santiago de Compostela
Por Jean-Yves Leloup




“Ele só se tornará Jonas se for na direção de si mesmo, ousando dirigir-se para Nínve, ou seja, em direção ao outro. Porque é na relação com o outro que nós nos tornamos quem somos.
É o fato de ter uma tarefa a cumprir que torna cada um de nós insubstituível, dando um sentido `nossa existência Essa não é uma tarefa reservada apenas os grandes sábios e profetas., mas é o que cada ser humano pode realizar em sua existência. Só nos tornamos realmente quem somos se formos na direção do outro.
Não fugir do próprio desenvolvimento e não cair no conformismo patológico- o que chamamos de normose- é o resultado de um processo, de uma escolha cotidiana. O fato de ir além de si mesmo, ir além das próprias possibilidades, não é para se perder, mas para se encontrar.

Abraham Maslow fala do complexo de Jonas como sendo o medo que temos da nossa própria grandeza- o medo do Self. Se conseguirmos atravessar esse medo, se confiarmos nessa energia qe revela em nós o desejo de realização e de plenitude, então nossa missão se cumprirá.
Resta ainda, uma pequena dificuldade a ser vencida: Qual é a imagem que postulamos do Self? Que imagem temos do Absoluto que nos habita?

Normose significa estar estagnado, retido, seja numa imagem, seja num sintoma. A tarefa, então consiste em dar um passo a mais. Recordo a minha definição de espiritualidade, que é a mesma do peregrino de Compostela: dar um passo a mais.
A vida espiritual nem sempre consiste em ter grandes idéias e maravilhosos projetos, e sim, em dar um passo a mais a partir do ponto que nos encontramos. Não temos que nos comparar com ninguém. Para atingir o alvo, cada um precisa percorrer um caminho longo e único. O importante é dar um passo a mais. O ponto em que paramos é o começo do caminho que segue.É esse passo a mais que resgata a vontade da vida, que vem vindo ao nosso encontro.
Temos que escolher entre uma vida perdida e uma vida escolhida e doada. Através do dom de nós mesmos, descobrimos aquilo que nunca vai morrer em nós. Pois a única coisa que nada nem ninguém pode nos tirar é aquilo que já doamos”.

“ A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade, e que provocam sofrimento, doença e morte. Em outras palavras, é algo patogênico e letal, executado sem que os seus autores e atores tenham consciência de sua natureza patológica. Toda normose é uma forma de alienação”.
Pierre Weil

Do livro: Normose, a patologia da normalidade
Editora Verus




Foto de Alberto e Sílvia Sena, do site Caminhos de Santiago de Compostela
Por Jean-Yves Leloup


"Jonas foge da sua palavra interior. Entra num barco que está partindo para Társis e dorme no porão. O problema é que uma tempestade se precipita; enquanto ele dorme, as ondas se levantam.
Este é o primeiro ensinamento do livro de Jonas: o fato de não nos tornarmos nós mesmos pode ter conseqüências não só em nosso interior, mas em torno de nós. Precisamos lembrar que o maior serviço que podemos prestar aos outros é tornarmos nós mesmos. Se não fizermos isso, haverá tempestades e distúrbios à nossa volta.


Quem não escuta a sua voz interior pode causar distúrbios nos que estão ao redor. Então Jonas se defronta com sua responsabilidade: reconhece ser a causa de tanto transtorno e mergulha no oceano. Simbolicamente mergulha no seu inconsciente e cessa de fugir. Entra num processo de conhecer a si mesmo, suas sombras e seus medos. Isso é simbolizado pelos três dias que passa no ventre da baleia – uma descida às profundezas de si mesmo.


O livro de Jonas é muito interessante para nossa abordagem, porque o medo que Jonas sente e as razões de sua fuga fazem parte de nós. Quando recebemos o convite para levantar, para despertar do nosso sono, alguma coisa dentro de nós ainda resiste. E a essa força que resiste é que chamamos normose.

Do que Jonas tem medo?
Já evocamos o medo de fazer sucesso, de realizar o que os nossos pais não conseguiram.Isto é, efetivamente, algo que pode estagnar o nosso vir a ser. Por exemplo,ser feliz na vida afetiva quando nossos pais se divorciaram, ou algo muito difícil como vencer profissional e financeiramente podem se transformar numa fonte de inquietude.
Krishnamurti escreveu um belo livro no qual afirma que a liberdade do conhecido demanda muita coragem e maturidade. O medo de não ser como os outros desencadeia o medo de conhecer a si mesmo. Jonas tem medo de ser diferente porque essa diferença é o que ele realmente é. É isso que se tem de escutar.Quanto mais impessoal o conhecimento, mais seguro ele será; quanto mais pessoal ele se tornar, na escuta do próprio mundo interior, mais nos questionaremos a esse respeito.

É importante lembrar que o transpessoal não é o impessoal. É a passagem, a abertura do pessoal ao que o ultrapassa, sem destruir a pessoa, abrindo-a para outra dimensão. Essa outra dimensão é com a nossa própria forma que precisamos aprendê-la.



Ao medo de ser o que somos damos o nome de medo da autenticidade.Cada um de nós tem uma missão a cumprir, algo a encarnar. Essa é a pergunta de Jonas: O que tenho a fazer na vida que ninguém pode fazer por mim? E é também uma boa pergunta para cada um de nós: “ O que tenho a fazer que ninguém pode fazer por mim?”
Qual é a forma exclusiva, única, através da qual o Logos, a Inteligência Criativa, se encarna em mim? Qual é a minha forma própria de ser inteligente? Qual é a minha forma particular de amar, encarnar, e manifestar o amor no mundo?

Uma inteligência diferencia-se da outra. A maneira de amar de um não é a mesma de outro. O amor é único e a inteligência criativa é una, mas assumem formas diferentes e particulares em cada um de nós. É assim como a água que cai num canteiro. A mesma água faz que as flores se abram em diferentes cores. Uma vermelha, outra branca, outra laranja. É a mesma vida em todas, mas cada uma tem uma cor para manifestá-la e encarná-la. Uma única maneira de manifestar a vida.

do livro: Normose, a patologia a normalidade

Editora Verus.

AMAR....APESAR DE TUDO!



Áurea Vasconcellos



Amar... apesar de tudo!
Amar..... apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.
Amar.... apesar do passado, do futuro... apesar do presente.
Amar... apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.
Amar... apesar das impossibilidades.
Amar....apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.
Amar.... apesar da separação, da indefinição.
Amar... apesar da sombra.
Amar... apesar do outro.
Amar.... apesar de mim.
Amar... apesar de Deus.
Amar....
Hoje, mais do que nunca, amar.
Amar... a porta que dá acesso ao jardim.


Do livro:

Normose, a patologia da normalidade

Editora Verus

MÚSICA DAS ESFERAS

A música das esferas



artigo de Marcelo Gleiser

A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta. Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.


Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro 'O Fim da Terra e do Céu'.


A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais.A física explica como ondas sonoras se comportam, suas frequências e amplitudes.
A biologia e as ciências cognitivas explicam como o aparelho auditivo transforma essas vibrações em impulsos elétricos que são propagados ao longo de nervos para os locais apropriados do cérebro.Mas daí até entender por que um adágio faz uma pessoa chorar, enquanto outra fica indiferente ou até acha aquilo chato, o pulo é enorme.


A música fala diretamente ao inconsciente, criando ressonâncias emotivas que são únicas. É bem verdade que um poema ou um quadro também afetam pessoas de modo diferente. Mas a mensagem é mais concreta, mais direta.


Existe algo de imponderável na música, um apelo primordial, algo que antecede palavras ou imagens.Não é por acaso que a música teve, desde o início da história, um papel tão fundamental nos rituais.



Ritmos evocam transes em que o eu é anulado em nome de algo muito mais amplo. Quando um grupo de pessoas escuta o mesmo ritmo, as separações entre elas deixam de existir, e um sentimento de união se faz presente. Mais explicitamente, todo mundo gosta de sambar com uma boa batucada. E todos no mesmo ritmo, ou seja, indivíduos se unificam por meio da dança.


A dança dá realidade espacial à música, tornando-a concreta.A música foi o primeiro veículo de transcendência do homem. Daí sua presença tão fundamental nas várias religiões. E ela foi, também, a primeira porta para a ciência.

Tudo começou em torno de 520 a.C., quando o filósofo grego Pitágoras, vivendo na época no sul da Itália, descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, prazerosos, obedecem a uma relação matemática simples.Usando uma lira, uma espécie de harpa antiga, ele mostrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, portanto satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto.



Com isso, Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros. Como essa escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece a relações simples entre os números inteiros.E foi aqui que eles deram o grande pulo: não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Afinal, formas podem ser aproximadas por triângulos, quadrados, esferas etc., e essas figuras podem ser descritas por números.


Portanto, do mesmo modo que a corda da lira gera música harmônica para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza, e a matemática, a linguagem com que essa harmonia é expressa.


Som, forma e número são unificados no conceito de harmonia.Pitágoras não deixou as suas harmonias apenas na Terra. Ele as lançou para os céus, para as esferas celestes.


Embora os detalhes tenham se perdido para sempre, segundo a lenda apenas o mestre podia ouvir a música das esferas.Na época, ainda se acreditava que a Terra era o centro do cosmo. Os planetas eram transportados através dos céus grudados nas esferas celestes.


Se as distâncias entre essas esferas obedeciam a certas razões, elas também gerariam música ao girar pelos céus, a música das esferas.

Pitágoras e seus sucessores não só estabeleceram a essência matemática da natureza como levaram essa essência além da Terra, unificando o homem com o restante do cosmo por meio da música como veículo de transcendência.

(Folha de SP, 14/12)

JAMES HILLMAN E A ASTROLOGIA -2

James Hillman " A necessidade governa os movimentos da Alma, bem como os das estrelas. Assim como a Alma passa por baixo de seu centro, assim também em seu regaço gira o fuso que rege os movimentos planetários. O que acontece à Alma e às estrelas encontra-se na mesma trama.
Assim, as pessoas tentam decifrar as necessidades prementes da Alma consultando os movimentos dos planetas.


Porém, os astrólogos interpretaram essa correspondência de modo literal, em vez de fazê-lo através de imagens.

Com efeito, nem as estrelas, nem os planetas astrológicos são regentes da personalidade.

A astrologia é uma maneira metafórica de mostrar que os regentes da personalidade são, na verdade, poderes arquetíppicos situados além de nossa esfera pessoal e que, no entanto, estão necessariamente envolvidos em todas as nossas vicissitudes". ( Facing Gods)

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" Antes que vocês cheguem à conclusão de que minha ênfase nos Deuses, divindades, céus invisíveis é imponente e precipitada, lembremo-nos de que os planetas estão inseridos, na maioria das vezes, em constelações de animais.

Porque os confins dos céus são designados por uma mapa com forma de animais? - e estes tão terrestres: não são falcões corujas e pombas, ou azulões e águias, mas cobras e escorpiões, peixes e caranguejos, porcos e bodes, cavalos e touros. O que essa preponderãncia de animais significa?

Para nossas mentes arrogantes , costumeiras, ocidentais e recentes, "animal" significa bruto, besta, estúpido, inferior na escala evolutiva.

Apesar disso, na maior parte do mundo antes de nossa era e ainda em muitos lugares do mundo hoje em dia, os animais são os verdadeiros professores da humanidade, espíritos guardiões e constantes companheiros da alma.Algumas terapias estão tentando despertar novamente essa conexão arcaica com o animal, mas a astrologia faz isso para nós da maneira mais simples!

Nascido no ano do Tigre - uau! Sol em Caranguejo - oooh! Marte em Touro e Vênus em Escorpião: cuidado!"

Do paper: "O céu retém em sua esfera metade de todos os corpos e enfermidades"
James Hillman




" Para mim, a Astrologia simplesmente devolve os eventos para os Deuses. Ela depende de imagens tiradas dos céus. Ela invoca um sentido politeísta, mítico, poético, metafórico do que é fatalmente real. É isto que torna a astrologia eficaz como um campo, como uma linguagem, como um modo de pensar. Ela é quem traz para o pensamento popular a grande tradição que mantém que todos nós participamos de um cosmo inteligível, desta maneira dando a questões humanas respostas maiores que as humanas. força-nos a imaginar e pensar em termos psicologicos complexos. Ela é politeísta e consequentemente, move-se em oposição ao pensamento dominante da história ocidental".



" Quero enfatizar essa idéia de lugar. Um ser humano está posicionado; um mapa está posicionado. O momento atual se dá sempre em algum lugar. Esse lugar não é um mero conjunto geográfico de coordenadas, longitudes e latitudes. Esse lugar é também uma cultura, uma natureza, uma história, uma política, uma geografia, uma linguagem, um estilo de caráter.


O lugar não é um acidente de nascimento, mas aquele lugar particularmente singular que, disse o neoplatonico Plotino, a alma escolheu como uma de suas quatro escolhas básicas: seus pais, seu corpo, suas circunstâncias, e seu lugar de entrada nesse muindo. Onde alguém está e onde alguém entrou no mundo parece ser de importância para a alma. E este "onde" relaciona-se distintamente com toda generalidade e aspectos comuns que os astrólogos usam ao ler um mapa".


Extraído do paper:


" O Céu retém em sua esfera metade de todos os corpos e enfermidades" ( Paracelso)


JEAN-YVES LELOUP



" Estamos bem no coração do Evangelho, isto é, da " metanóia",- em grego significa ir além do nous, mudar de nous, de consciência, o que se traduz por " convertei-vos" ou dito de outra maneira: mudai de mentalidade, mudai vossa interpretação do mundo, mudai vossa maneira de ver.

Mudar o olhar é mudar o mundo!"


" Nós somos o que pensamos, e o que nos sómos depende do estado de nosso espírito, do estado de nossa consciência.

Nossos pensamentos fazem o mundo no qual vivemos, aquele que fala e age com um espírito doentio, o sofrimento o segue como a roda segue o casco do boi que puxa a carroça"

( Dhammapada)


" Estes momentos de meditação, de observação de si mesmo não são simplesmente para si, mas para o bem estar de todos: um espírito doente só pode aumentar a miséria do mundo.

Antes de amar, é necessário procurar não prejudicar, por nosso pensamento,por nosso estado de espírito. Respeitar os outros com esta vontade de não prejuízo é, sem dúvida, primeiro ato de amor que a gente pode oferecer a alguém- ahimsa, a não violência, que bem poderia se traduzir por "não- prejuízo"


Livro: A Montanha no Oceano

capítulo 5: As impurezas do espírito

Editora Vozes,RJ

EMOÇÕES E A SAÚDE



SOBRE SENTIMENTOS


Entrevista com o Dr. Jorge Carvajal
Médico cirurgião da Universidade de Andaluzia


Qual adoece primeiro: o corpo ou a alma?

A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende. Na realidade, boa parte das enfermidades são exatamente o contrário: são a resistência do corpo emocional e mental à alma. Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.


Há emoções prejudiciais à saúde? Quais são as que mais nos prejudicam?

70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade, o denominador comum de boa parte das enfermidades que temos hoje. Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico.


Então nos fazemos de fortes e descuidamos de nossa saúde?

De heróis os cemitérios estão cheios. Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.


Como é que a raiva nos afeta?

A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.


Então a alegria, ao contrário, nos ajuda a permanecer saudáveis?

A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.


A alegria acalma os ânimos?

Sim, a alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.


E a tristeza?

A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo.Tornamo-las negativas quando as reprimimos. Convém aceitarmos essas emoções que consideramos negativas como parte de nós mesmos?Como parte para transformá-las, ou seja, quando se aceitam, fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Que difícil! Sim, é muito difícil. Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.


Como prevenir a enfermidade?

Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.


E se aparecer a doença?

Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que crêem que adoecer é fracassar.O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais.


E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.


Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?

Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.


O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?

A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.


O que é para você a felicidade?

É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.


É importante viver no presente? Como conseguir?

Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade.

E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão.


Na sua opinião, estamos tão confusos assim?

Temos três ilusões enormes que nos confundem:Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.

Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.

Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia.

Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco.Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura.

Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga.

Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me.

O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor.

Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor .


Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?

Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre.

Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração.

Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro.

Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.-- -----------------------------------------------------------------------------
"Uma pessoa que gosta de música, que gosta de ler, nunca está sozinha!
Ela terá sempre a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores
que ela ama, ao longo dos séculos." (Drummond)

UTOPIA É CAMINHAR













Eduardo Galeano, escritor uruguaio com mais de 70 anos, afirma que temos o direito de sonhar e o direito de delirar.

Que tal se delirarmos por um tempinho
Que tal fixarmos nossos olhos mais além da infâmia
Para imaginar outro mundo possível?

O ar estará mais limpo de todo o veneno que
Não provenha dos medos humanos e das humanas paixões.

Nas ruas, os carros serão esmagados pelos cães.
As pessoas não serão dirigidas pelos carros
Nem serão programadas pelo computador.
Nem serão compradas pelos supermercados
Nem serão assistidas pela TV,
A TV deixará de ser o membro mais importante da família,
Será tratada como um ferro de passar roupa
Ou uma máquina de lavar.

Será incorporado aos códigos penais
O crime da estupidez para aqueles que a cometem
Por viver só para ter o que ganhar
Ao invés de viver simplesmente
Como canta o pássaro em saber que canta
E como brinca a criança sem saber que brinca.

Em nenhum país serão presos os jovens
Que se recusem ao serviço militar
Senão aqueles que queiram servi-lo.
Ninguém viverá para trabalhar.
Mas todos trabalharemos para viver.

Os economistas não chamarão mais
De nível de vida o nível de consumo
E nem chamarão a qualidade de vida
A quantidade de coisas.

Os cozinheiros não mais acreditarão
que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
Os políticos não acreditarão que os pobres
Se encantam em comer promessas.

A solenidade deixará de acreditar que é uma virtude,
E ninguém, ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de rir de si mesmo.

A morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes
E nem por falecimento e nem por fortuna
Se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria
Nem a comunicação um negócio
Porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome
Porque ninguém morrerá de indigestão.

As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo
Porque não existirão crianças de rua.
As crianças ricas não serão como se fossem dinheiro
Porque não haverá crianças ricas.

A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la
E a polícia não será a maldição daqueles que podem comprá-la

A justiça e a liberdade, irmãs siamesas
Condenadas a viver separadas
Voltarão a juntar-se, bem agarradinhas,
Costas com costas.

Na Argentina, as loucas da Plaza de Mayo
Serão um exemplo de saúde mental
Porque elas se negaram a esquecer
Os tempos da amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja corrigirá
Algumas erratas das Taboas de Moisés,
E o sexto mandamento mandará festejar o corpo.
A Igreja ditará outro mandamento que Deus havia esquecido:
“ Amarás a natureza, da qual fazes parte”

Serão reflorestados os desertos do mundo
E os desertos da alma
Os desesperados serão esperados
E os perdidos serão encontrados
Porque eles são os que se desesperaram por muito esperar
E eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos
De todos o que tenham
A vontade de beleza e vontade de justiça
Tenham nascido quando tenham nascido
Tenham vivido onde tenham vivido
Sem importarem nem um pouquinho
As fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos
Porque a perfeição continuará sendo o aborrecido privilégios dos deuses
Mas neste mundo, trapalhão e fodido,
Seremos capazes
De viver cada dia como se fosse o primeiro
E cada noite como se fosse a última.

SIGA SEU CORAÇÃO: STEVE JOBS

"Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama".

"Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz".

"Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue".


"O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.
Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas".

"Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.
E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário".
Rio Franklin, Austrália.

A pedra no rio

Mike George

Na filosofia daoísta, o rio é uma metáfora da vida por estar em fluxo constante. Em seu caminho, o rio pode carregar seixos imensos, desgastar um banco pedregoso e mover enormes turbinas. Nada detém a passagem do rio, pois a água é suficientemente fluida para envolver e ultrapassar qualquer obstáculo.
Para viver uma vida de contentamento, podemos aprender lições com o rio, obtendo força pela via de menor resistência.
Nas palavras contidas no Dao de Jing, a coleção clássica de aforismos que compõe a base do daoísmo, “a gentileza prevalece sobre a rigidez”.

Muitas pessoas acreditam que o caminho mais rápido seja o melhor: quanto mais rápido conseguirmos completar uma tarefa, mas cedo iniciaremos a seguinte. Assemelhamo-nos menos aos rios que fluem calmamente e mais às quedas d’água, que formam rodamoinhos e espirram, como violência suas brancas espumas sobre os obstáculos que encontram pela frente...
Quando alcançamos a nossa meta, estamos desgastados e exaustos de tanta luta pelo sucesso.

Os daoístas acreditam que a tentativa de a humanidade impor ordem na Terra é o caso de um intelecto em luta vã contra a natureza. O resultado é o estresse. De acordo com a ordem natural das coisas, um rio e tudo que um rio carrega fluirão em direção ao mar. Para conseguir tal relaxamento, devemos aceitar o fluxo natural da vida ( nós somos esse fluxo) e nos deixar conduzir – e não lutar nadando contra a correnteza ou querendo que o fluxo se mova mais rápido.
Se nos rendermos ao fluxo do rio, a vida nos conduzirá aonde queremos ir.
Talvez leve um pouco mais de tempo do que esperávamos e a experiência pode parecer estranha no início.
Com o tempo, porém, e confiando no fluxo do rio, aprenderemos a arte da aceitação.
Quando paramos de lutar contra os obstáculos, nosso potencial para o crescimento se amplia.

Estraído do livro:Aprenda a relaxar

De: Mike George

Editora Gente,SP

IMPERMANÊNCIA



A verdadeira consciência do eu é ver e aceitar o completo ciclo de vida de mudanças - que é a lagarta, o casulo, e então, a borboleta; assim como o alquimista que usa o chumbo para fazer ouro e a luz do dia que sempre segue a noite.
Uma perspectiva espiritual dá uma compreensão dessa história completa e o permite ver a história de algum lugar "fora de" ou "além de" você, sem se prender muito a qualquer pormenor.
Isso lhe permite ver fraqueza e força com equanimidade e estabilidade: vendo a fraqueza como uma realidade temporária, mas não a parte final da verdadeira identidade; é ver a fraqueza como o avesso da força e estar sempre fazendo a escolha para se mover de encontro à luz, movendo-se para o ouro e movendo-se para o vôo.

Lesley Edwards
www.bkwsu.org/brasil

A natureza tem a solução













Para celebrarmos a entrada da PRIMAVERA, sábias palavras de Satish Kumar:

"A natureza tem a solução"Satish Kumar tem 75 anos e viajou de comboio de Londres até Lisboa para dizer que temos de ir mais devagar para chegar mais longe. A semana passada, este professor no Schumacher College, no Sul de Inglaterra, e diretor da revista Ressurgence esteve na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para falar do livro Small is Beautiful, de E. F. Shumacher. Na mala trouxe a inspiração da Natureza e das palavras de Mahatma Ghandi e Martin Luther King.

Acredita que a solução para a crise no mundo está no respeito pela Natureza, no amor e na confiança. Caminhou 13 mil quilômetros, sem dinheiro, numa das maiores peregrinações de sempre pela paz mundial.

- Quantas vezes já o chamaram naif ou irrealista?- Muitas, muitas vezes. Políticos, presidentes de empresas, estudiosos, até jornalistas... (risos). Dizem-me que as minhas palavras são impossíveis e que sou demasiado inocente e idealista. Mas a minha resposta é: o que têm feito os realistas? O mundo tem sido governado por eles e hoje temos crise econômica, crise ambiental, guerras no Afeganistão, Iraque e Líbia, pobreza. O nosso realismo não é sustentável. Pusemos um preço em tudo. A floresta tem preço, os rios, a terra, tudo se tornou uma mercadoria. Talvez tenha chegado a altura de os idealistas fazerem alguma coisa. Esta é a minha resposta. Se sou idealista, não faz mal. A sustentabilidade exige um bocadinho de idealismo, de inocência.

- Então qual a resposta de um idealista à crise atual?- Esta não é uma crise econômica, é uma crise do dinheiro. E o dinheiro é apenas uma idéia, um número no computador. Os realistas criaram este problema artificial e estão preocupados com a crise, voam pelo mundo, vão a Bruxelas, reúnem-se com banqueiros. Mas a terra continua a produzir alimentos, as oliveiras a dar azeite, as vacas a dar leite e os seres humanos não perderam as suas capacidades. Eu diria, regressemos à Natureza. A Natureza tem a solução, dá-nos tudo o que precisamos, alimentos, roupas, casas, sapatos, amor, poesia, arte.- Como se põe essa idéia nas mãos dos líderes políticos?- Por exemplo, Portugal devia ter mais dos seus próprios alimentos, roupas, sapatos, mobília, tecnologia. A globalização da economia é um problema. Estamos a importar tantos produtos da China... Tudo isso se traduz em combustíveis fósseis para o transporte, com efeitos no clima. Além do mais, estamos a chegar a um pico do petróleo. Quando se esgotar o que faremos? A economia local deveria ser a verdadeira economia; a economia global seria como a fina cobertura de açúcar em cima de um bolo, com entre dez a 20% da economia.

- Mas em muitos casos é mais barato importar...- Sim, mais barato em termos de dinheiro, mas não em termos de Ambiente porque não adicionamos todos os custos. Este é um desafio que lanço aos políticos, empresas, cientistas e jornalistas: o valor deve ser colocado no solo, nos animais, árvores e rios, nas pessoas, não no dinheiro. Se não o fizermos, dentro de cem anos teremos uma crise ainda maior. O dinheiro é apenas um bocado de papel ou de cartão, uma conta no banco. É uma medida da riqueza, como quando usamos uma fita métrica e dizemos que esta mesa tem dois metros de comprimento por um de largura. É da mesa que precisamos, mas para nós a fita métrica é mais importante. O dinheiro é útil, claro, mas é só isso.

Parece uma idéia difícil de concretizar. Por onde começar?- Mudando a forma de pensar. Podemos imprimir notas, criar dinheiro criando mais dívida. Mas se poluirmos os nossos rios e envenenarmos as nossas terras, não os podemos substituir. Devemos viver como peregrinos, não como turistas. O turista é egocêntrico, quer algo para ele próprio, bons hotéis, restaurantes e lojas. A sua atitude é a exigência, quer sempre mais e melhor. O hotel, o táxi ou o serviço não era bom o suficiente. O peregrino é humilde, deixa uma pegada leve na Terra, respeita a árvore e agradece-lhe pela sombra e frutos. A mente egocêntrica tem de mudar para respeitarmos a Natureza.- Hoje conhecemos melhor as marcas dos automóveis do que os nomes das árvores...- Exatamente. Por isso, antes de mais, precisamos trazer a Natureza para a cidade, promover uma literatura ecológica. Não conhecemos a Natureza porque a exilamos, temos medo dela. Não saímos de casa porque está demasiado frio, neve ou chuva. Precisamos de estar confortáveis, civilizados. Na verdade, somos demasiado civilizados... (risos). As pessoas das cidades, como Lisboa, precisam abrir o coração à vida selvagem, caminhar na Natureza. O fim-de-semana devia ter três dias para que, pelo menos, um dia pudéssemos andar a pé no campo. Mas não de carro porque assim não se vê nada. Quando caminhamos vemos as flores, a erva, as borboletas, as abelhas. Vemos e experienciamos tudo, não é um conhecimento dos livros.

- Mas podemos estar na Natureza e não reconhecer a importância de uma borboleta ou de uma abelha.

- Não chega observar a Natureza como um objeto de estudo. Isso é uma separação muito dualista. Só valorizamos a Natureza se a experienciarmos, se nos tornarmos parte dela. A Natureza não está só lá fora, nas árvores, montanhas, rios e animais. Nós somos a Natureza. E ela tem valor intrínseco. Falamos de direitos humanos, mas também precisamos de falar dos direitos da Natureza. Os rios têm o direito de se manterem limpos, as florestas têm o direito a permanecer de pé.- Quando tinha quatro ou cinco anos, a sua mãe disse-lhe para começar a andar e aprender com a Natureza. Para nós será demasiado tarde?- Tal como a minha mãe me ensinou a andar na Natureza, gostaria que o mesmo acontecesse na nossa sociedade. Devemos educar as nossas crianças no amor pela Natureza, aprendendo na Natureza e não sobre a Natureza, com livros e computadores. Gostaria de ver os pais a levar os filhos para a Natureza e a deixá-los subir às árvores, escalar montanhas e nadar nos rios. Para as crianças não é tarde de mais, estão prontas para isso. Talvez para os adultos seja tarde, até porque têm medo da Natureza. Mas até eles podem descobrir que passariam a estar mais inspirados, teriam mais poesia, música e arte. A nossa sociedade está a tornar-se demasiado banal e prosaica.

- Toda a sua vida caminhou. Qual foi a viagem mais importante?- A mais importante caminhada, da Índia para a América [de 1962 a 1965], foi inspirada pelo filósofo britânico Bertrand Russell, que protestou contra as armas nucleares. Quando tinha 90 anos foi preso por isso. Uma manhã, tinha eu 25 anos, estava a beber café numa esplanada com um amigo e disse-lhe: "Aqui está um homem que, aos 90 anos, vai para a prisão pela paz no mundo. O que estamos, nós, jovens, a fazer aqui sentados a beber café?". Isso foi a inspiração. Eu e o meu amigo fomos aconselhados a partir sem dinheiro porque a paz vem da confiança e a raiz da guerra é o medo. Se queremos paz temos de ter confiança nas pessoas, na Natureza, no universo. Durante dois anos e meio caminhei 13 mil quilômetros sem qualquer dinheiro.

- E como o conseguiu?- Fiquei em casa de pessoas que ia conhecendo. Quando não tinha dinheiro dizia que era a minha oportunidade para fazer jejum. Se não tinha um teto, era a oportunidade para dormir sob as estrelas. Antes de partir, na Índia, disseram-me: "Vais a pé, sem dinheiro, podes não regressar". E respondi: "Se morrer enquanto caminhar pela paz isso será a melhor morte que poderei ter". Assim caminhei pelo Paquistão, Afeganistão, Irão, Azerbaijão, Arménia, Geórgia, Rússia, Bielorrússia, Polónia, Alemanha, Bélgica. Em França apanhei um barco, apoiado pelos habitantes de uma pequena localidade, e fui até Inglaterra, onde conheci Bertrand Russell. Ele ajudou com os bilhetes de barco para Nova Iorque. Daí caminhamos até Washington, onde conhecemos Martin Luther King. Foi uma demonstração de que podemos viver sem dinheiro e fazer a paz conosco, com as pessoas e com a Natureza. Neste momento, a Humanidade está em guerra com a Natureza, estamos a destruí-la. E seremos perdedores se vencermos. A menos que façamos a paz com a Natureza não poderá haverá paz na Humanidade.

- Qual a sua maior preocupação?A minha maior preocupação é que a Humanidade não acorde a tempo de resolver os desafios. Talvez estejamos demasiado obcecados com os nossos padrões de vida, com a dívida, o dinheiro. A sociedade industrial tem lutado pelo crescimento econômico a todo o custo. Mas também tenho esperança na Humanidade, num despertar de consciências. Cada vez mais jovens me dizem que temos de cuidar da Terra e que o crescimento econômico não é suficiente, precisamos de bem estar. Se as pessoas não estão bem, de que serve o crescimento econômico? É um bom começo. Até porque há abundância na Natureza. Quantas azeitonas dá uma oliveira? De uma única semente, lançada à terra centenas de anos antes, obtemos milhões de azeitonas. Isso é a abundância e generosidade da Natureza.- O alerta para a crise do Ambiente tem mais de meio século. E hoje o problema está longe do fim. É uma mensagem difícil?- As grandes mudanças constroem-se lentamente. Quanto tempo demorou o apartheid a acabar? Nelson Mandela esteve preso 27 anos. Mas o apartheid acabou. O mesmo se passa com os direitos humanos. Quando estive com Martin Luther King, em 1964, os negros não tinham direito ao voto. Hoje temos um homem negro na Casa Branca. E quanto tempo demorou o muro de Berlim a cair? Muito tempo, uma luta longa. Não sabíamos quando o muro iria cair, quando o apartheid iria acabar. Não precisamos de saber. Estamos a construir um movimento ambiental e o momento vai chegar.
De queprecisamos para ser felizes?

- Aprender uma única palavra: celebração. Temos de celebrar a vida, a Natureza, a abundância humana. As pessoas não são felizes porque não têm tempo para celebrar. Estão sempre ocupadas, vivem demasiado depressa. Os maridos não têm tempo para as mulheres e as mulheres não têm tempo para os maridos. Os pais não têm tempo para os filhos. As pessoas não têm tempo para celebrar a Natureza. É preciso abrandar para chegar mais longe, apreciar o que temos em vez de o ignorar e querer mais. Temos muita roupa no armário, mas ignoramo-la e vamos comprar mais. O mundo tem o suficiente para as necessidades das pessoas, mas não para a sua ganância, disse Mahatma Ghandi. O universo é um grande presente para nós todos.

Fernando Pessoa e os Símbolos

Vitral em forma de mandala, Catedral de Chartres, França.


Este texto está na introdução do livro: " Tipos e a diversidade humana", de José Zacharias, pautado na psicologia analítica e na tipologia de Carl G Jung, onde analisa com muita clareza as quatro funções da consciência: sentimento, pensamento, intuição e sensação.(*)


" Não há possibilidade de compreendermos a nós mesmos, sem percebermos que temos diferenças e semelhanças; isto faz parte da vida humana- somos ao mesmo tempo seres individuais e coletivos, e esta é a beleza da existência humana.


Acrescento nesta introdução um texto de Fernando Pessoa ( 1888-1935), no qual transparecem as quatro funções psíquicas de maneira muito poética.

No entanto, há no texto de Pessoa um quinto elemento que, talvez possamos dizer assim, é indicador do processo de individuação, para que cada um de nós realize o seu caminho e chegue a ser o que realmente é".


O entendimento dos símbolos e dos rituais simbólicos exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a de simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe a interpretar. A atitude cauta, a irônica, e deslocada – todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo: tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, e o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está em baixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese: e a compreensão é uma vida.
Assim certos símbolos não podem ser entendidos se não houver antes, ou ao mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é menos definível. Direi, talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros que é a mão do superior incógnito.
Falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas que são a mesma maneira como as entendem aqueles que delas usam falando ou escrevendo".
Fernando Pessoa, 1978 , p. 43-44

(*) Vetor Editora, SP
Objetivos do Curso Astros e Arquétipos
Fazer aproximações e entrelaçamentos entre os fundamentos da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e os fundamentos da Astrologia Psicológica.
Do ponto de vista teórico, quais seriam os pontos que existem em comum entre estes dois abrangentes campos de conhecimento?

Tópicos teóricos da Psicologia Analítica
Apresentação dos temas gerais- Fundamentos da Astrologia fundada na visão arquetípica e breve biografia de Carl G Jung.

A- Inconsciente Coletivo e Arquétipos

B- Quatro Tipos Psicológicos ou Quatro funções da consciência: sentimento, pensamento, intuição e sensação.

C- Complexos e Sombra

D- Processo de Individuação

E- Sincronicidade: coincidências “ acausais” que contém um significado.


Tópicos teóricos da Astrologia:
A- Zodíaco, Signos , Planetas .

B -Os Quatro Elementos Zodiacais: Fogo, Ar, Terra e Água.

C - Subpersonalidades da carta natal; Saturno e Plutão como arquétipos do inconsciente e da sombra.

D- Ciclos Planetários e o desenvolvimento da personalidade

E - Sincronicidade e tempo qualitativo.


OBS: Os tópicos A,B,C,D,E serão apresentados em paralelo, facilitando as aproximações e analogias entre as duas matérias.

Apresentação:
A) Introduzir os conceitos do Inconsciente Coletivo e arquétipos; em seguida estabelecer as relações entre o Zodíaco, os doze signos e os planetas, seus significados simbólicos e astrológicos.

B) Os quatro tipos psicológicos da Psicologia Analítica (sentimento, pensamento, intuição e sensação) guardam uma semelhança interessante com os quatro elementos astrológicos ( fogo, ar, terra e água) enquanto quatro formas psicológicas distintas de apreensão e adaptação à realidade. Na tipologia junguiana encontramos os conceitos de extroversão e introversão que se baseia no movimento da libido em direção aos objetos. Podemos observar esse mesmo dinamismo nos chamados signos femininos e masculinos, que são terra e água, fogo e ar, respectivamente.

C) Introduzir os conceitos de Complexos , sombra e os quatro tipos psicológicos; em seguida fazer relações com as subpersonalidades do mapa, que podem ser a dinâmica dos aspectos, elementos que faltam ou predominam, ênfases em casas, planetas sem aspectos, stelliuns marcantes. Saturno e Plutão como possíveis manifestações da sombra e suas implicações no não desenvolvimento da personalidade.


D) Processo de Individuação: Conceito central na teoria junguiana, é o processo de desenvolvimento da personalidade através da vida,um padrão de realização básico inerente a cada indivíduo. No simbolismo astrológico observamos que o processo de individuação está representado nas fases de desenvolvimento que podem ser observados e compreendidos pelos ciclos planetários. O mapa natal como uma estrutura de tempo e espaço, pode indicar, através dos trânsitos e progressões, como e em que ritmo esse potencia estará em maior evidência. Dito de outra maneira, indicará a manifestação ou a constelação de certos arquétipos em diferentes momentos de vida.

E) Sincronicidade:O pensamento ocidental privilegia a razão e o pensamento linear e causal . Jung chamou de sincronicidade os eventos que ocorrem simultaneamente, sem uma relação causal, e sobretudo, guardam uma relação de significado entre si. São as coincidências significativas. Todos já vivemos estas experiências que têm um quê de magia, abrangem duas dimensões, uma física e a outra psíquica, que também chamamos de “ paralelismo psicofísico”.
Essas percepções estão nos sonhos, eventos cotidianos, encontros e estão também na Astrologia, que lida com os conceitos de tempo qualitativo e com o princípio das correspondências. Sem dúvida, é uma forma mais criativa de olhar e compreender a realidade, uma vez que os símbolos têm o poder de transformar a energia psíquica.
“ Na minha maneira de ver, a constelação de conteúdos arquetípicos e acontecimentos sincrônicos ocorre em coordenação com trânsitos e progressões planetárias; o significado da experiência e suas qualidades essências são refletidos pelos trânsitos envolvidos”.


Liz Greene, em Astrologia do Destino.
O curso será ministrado com apresentação de power point, bastante didático e com belas imagens. Se quiser, envie os dados de seu nascimento: data, horal e local, para levantarmos o seu mapa astrológico, sem custos.
Tereza Kawall
Contatos e mais informações:
tekav@uol.com.br e terezakawall@gmail.com
(011)3814.1449 (SP)


Trânsitos e progressões: a melodia do cosmos, a música das esferas que orientam nosso crescimento e revelam o significado das experiências que passamos. A astrologia em si, é teleológica, pois aponta na direção de um propósito e de uma finalidade, o sentido para estarmos aqui. Cada um de nós deverá achar o seu próprio sentido para o viver.


“Tanto os trânsitos quanto progressões indicam a realização de várias fases dessa intenção original ( mapa de nascimento). Embora eu penetre com freqüência no vocabulário causal, não acredito que os planetas “ causem” qualquer coisa.
Eles meramente são signos da manifestação da intenção original, parte da qual é experimentada como vontade fluindo através de você. Essa é a intenção da qual você tem consciência. A outra parte da intenção é experimentada como o que vem de fora; você pode chamar isto de fatalidade, destino ou circunstancia fora do seu controle. Mas isto também vem de dentro de você, e tudo o que precisa para saber disso é aumentar a sua consciência. Parte da função da astrologia é elevar a consciência do indivíduo nessa direção”.
Robert Hand“ Os trânsitos e progressões revelam o que o Eu interior quer fazer para nós- o que o Eu profundo pretende trazer à nossa atenção para desenvolvermos ou trabalharmos. Para cooperarmos com o nosso crescimento e desenvolvimento interiores, precisamos ouvir o que se passa dentro de nós”
Howard Sasportas.“ O astrólogo humanista usa ambos, transito e progressões ou direções - mas os define em categorias distintas. Visto que esse livro trata principalmente dos trânsitos, não se encontrará aqui nenhuma discussão prolongada a respeito de progressões. Basta dizer que, do ponto de vista humanístico, elas se referem essencialmente a um processo interno ou subjetivo do desenvolvimento individual. Elas se relacionam com as transformações graduais que ocorrem à medida que o propósito e o caráter do indivíduo, revelados em seu mapa de nascimento, realizam-se através da própria vida.
As progressões mostram a maneira pela qual toda a estrutura natalícia se desenrola por si mesma, segundo a necessidade individual e o ritmo do seu desenvolvimento, de modo que aquilo que no nascimento é uma entidade arquetípica abstrata pode tornar-se, aos poucos, uma pessoa plenamente realizada e integrada.
Isto não acrescenta nenhuma pressão interior;essa pressão é provocada pelos trânsitos. As progressões referem-se às transformações do ritmo do próprio EU, ao passo que os trânsitos dizem respeito ao impacto do meio ambiente, como um todo, sobre o EU.

Embora ninguém tenha liberdade para mudar o seu potencial de existência ( seu mapa de nascimento), o indivíduo é livre para decidir o que fará com esse potencial.
Na realidade, todos nos fazemos parte um ambiente coletivo, e nosso sucesso individual, na realização do nosso potencial, depende desse coletivo.


Considerações planetárias, raciais, sociais, culturais e familiares exercem, todas elas, pressões constantes e poderosas, especialmente nos anos de infância; embora forneçam materiais brutos para o crescimento da mente consciente e para o desenvolvimento necessário de um senso de individualidade, elas, por outro lado, podem obscurecer, sufocar, distorcer ou adulterar o potencial de nascimento,
Essas pressões externas são medidas pelos ciclos dos trânsitos, que mostram como a mente consciente poderá ser desenvolvida por meio da experimentação de uma multidão de impactos e relacionamentos.

O potencial de nascimento – a essência arquetípica do EU – permanece aquilo que é desde o começo até o fim da vida. É o fator permanente que existe em cada individuo – a forma-semente do seu ser e do seu destino. Tudo o que, durante a vida, cerca esse individuo tenderá a mudar a qualidade do seu ser essencial. Dia após dia sua integridade será ameaçada.

....Resumindo: as progressões relacionam-se com o desenvolvimento interna da personalidade, ao passo que os trânsitos se referem essencialmente ao impacto externo da sociedade e do cosmos sobre s essa personalidade. Nenhum dos dois deverá ser considerado isoladamente.Uma pessoa nasce como uma semente de potencial sem paralelo. O universo, contudo, não se detém nesse instante do nascimento. Todas as coisas que ocorrerão no universo a partir desse momento, exercerão também, astrologicamente, na forma de trânsitos, uma influência sobre essa personalidade em desenvolvimento,e esta deverá reagir a eles. Este é o sistema eterno.
O homem não é prisioneiro do destino. Novas situações surgem no universo a cada momento que se sucede, mas ninguém é obrigado a reagir a elas de maneira predeterminada.
Sua liberdade está aí, mas ele deve escolhê-la”.Alexander Ruperti, em Ciclos de Evolução- Modelos planetários de desenvolvimento.
As mudanças são inexoráveis, fazem parte da vida de todos nós, temos que fluir com elas e acreditar que em tudo há um propósito maior, e que será compreendido mais tarde.
Nas crises, temos que, nas sábias palavras de Roberto Assagioli, " colaborar com o inevitável".

O QUE É UMA CRISE?
Os ciclos são medidas de mudança. Para que qualquer propósito se realize, devem ocorrer mudanças e, necessariamente, mudanças envolvem crises. Muitas pessoas interpretam mal a palavra crise; confundem-na com “ catástrofe”. Elas estudam astrologia, acreditando que o conhecimento antecipado dos “ maus aspectos” ou dos “aspectos maléficos”, fará com que possam evitar as crises.
Contudo, uma crise não é uma calamidade terrível. Ela deriva da palavra grega KRINO, “decidir”, e significa, simplesmente, um momento de tomar uma decisão. Uma crise é um momento decisivo – aquele que precede a MUDANÇA.
Para evitar uma crise, teríamos que evitar a própria mudança, o que constitui uma impossibilidade óbvia.

Embora toda matéria, tanto viva quanto inanimada, esteja mudando constantemente, somente o homem tem a capacidade de tomar uma decisão consciente. Com o fito de evoluir, ele deve abandonar o comportamento instintivo, que serve apenas para a sobrevivência ou as compulsões sociais, em favor da escolha consciente. A barreira para a escolha consciente é ver o “ego”, aquilo que a sociedade disse ao individuo que ele deveria ser, em oposição à experiência do Eu, que lhe diz o que ele realmente é.
É na adaptação social que o indivíduo assume padrões de comportamento habituais.Assim, quando chega o momento de tomar uma decisão ( crise) permitimos que esses padrões determinem a nossa escolha, em vez de seguirmos as linhas de orientação emanadas da nossa própria verdade pessoa.

Infelizmente, está sempre presente a tentação de se evitar o ato de tomar ma decisão, na esperança de que a necessidade desapareça e as coisas permaneçam num confortável estado “normal”. Às vezes esta técnica da á impressão que funciona, e o fio do status quo parece não ter sido rompido; contudo, não importa quão pequenina a decisão ou quão insignificante a crise, este ato de evitar representa, de qualquer modo, uma derrota espiritual.

O fato de recusar-se a decidir, não exime o indivíduo da responsabilidade. Toda vez que uma decisão deixa de ser tomada, os padrões inconscientes e instintivos tornam-se mais profundos.
O que na infância era uma ranhura transforma-se, mais tarde, num sulco e finalmente, numa cova.
Esta repetida ausência de decisão consciente pode, numa determinada circunstancia, aumentar a tensão, fazendo-a finalmente explodir.
O indivíduo será então obrigado a reagir a circunstancias difíceis ou dolorosas, que poderiam ter sido evitadas, caso tivesse ele enfrentado as crises anteriores e menores com objetividade e coragem.
A catástrofe resultante não é uma conseqüência inevitável das crises, mas sim das decisões evitadas.Assim sendo, para os astrólogos humanisticamente orientados, as crises não são eventos externos, embora os eventos externos possam precipitá-los ao condicionar o seu desenvolvimento.

As crises, tanto as grandes como pequenas, representam essencialmente, oportunidades para o desenvolvimento – as únicas oportunidades que realmente temos”.

Ciclos de Evolução
Alexander Ruperti
Editora Pensamento, SP.


A TERCEIRA INTELIGÊNCIA

No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana.
Só em meados da década de 90, a "descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse
lidar com as emoções."
A ciência começa o novo milenio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual.
Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Drª DanaZohar - Oxford

No livro QS - Inteligência Espiritual, lançado no ano passado, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico:
a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida.
Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.
O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune.

Afirma Dana:
"A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna.
Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".*

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes.
Formada em fí¬sica pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford.
É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português.


QS - Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho.
Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo.
Eis os principais trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos.
Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal.
O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos.
É uma inteligência que nos impulsiona.
É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor.
O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida.
É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.*

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira inteligência?

Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas.
É uma área ligada à experência espiritual.
Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais.
Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico.
Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual.
Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo.
É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional.
Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras.
É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Qual a diferença entre QE e QS?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação.
A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular.
Implica trabalhar com os limites da situação.
Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções.
Inteligência espiritual fala da alma.
O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção e como eu reajo a isso.
A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo

2. São levadas por valores. São idealistas

3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade

4. São holísticas

5. Celebram a diversidade

6. Têm independência

7. Perguntam sempre "por quê?"

8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo

9. Têm espontaneidade

10.Têm compaixão

Na terra do SE




Na Terra do SE

Se quem luta por um mundo melhor
soubesse que toda revolução começa por revolucionar antes a si próprio.

Se aqueles que vivem intoxicando sua família e seus amigos com reclamações fechassem um pouco a boca e abrissem suas cabeças,
reconhecendo que são responsáveis por tudo o que lhes acontece.

Se as diferenças fossem aceitas naturalmente
e só nos defendêssemos contra quem nos faz mal.

Se as pessoas fossem seguras o suficiente para tolerar opiniões contrárias às suas sem precisar agredir e despejar sua raiva.

Se a gente percebesse que tudo o que é feito em nome do amor ( e isso não inclui o ciúme e a posse)
Teria 100% de chance de gerar reações e resultados positivos.

Se fôssemos mais divertidos para nos vestir e mobiliar nossa casa, e menos reféns de convencionalismos.

Se não tivéssemos tanto medo da solidão
e não fizéssemos tanta besteira para evitá-la.

Se todos lessem bons livros.

Se quem não tem bom humor reconhecesse sua falta
e fizesse dessa busca a mais importante da sua vida.

Se em vez de lutar para não envelhecer, lutássemos para não emburrecer.
SE.....

Martha Medeiros




Enviado pela Liane Leipnitz.

MEDITAÇÃO DA ABUNDÂNCIA

MEDITAÇÃO DA ABUNDÂNCIA

Recomenda-se fazer todos os dias no mesmo período, manhã, tarde ou noite.

Eu agora respiro, relaxo meu corpo, permitindo que minha respiração abra todas as áreas do meu corpo que possam estar bloqueadas.
Eu me sinto em paz. Minha mente está clara e alerta, eu estou em paz comigo e com o mundo.
Coloco minha mão no meu coração e afirmo:
“Eu agora estou aberto(a) para receber somente o melhor em minha vida”
Eu me abro para receber luz, permitindo que meu coração seja preenchido com a luz da minha alma.
Eu agora atraio cada vez mais luz em minha vida.
Eu preencho minhas células em luz, preencho cada parte do meu corpo em luz.
Eu me abro para receber alegria, Eu me preencho com alegria da minha alma.
Eu me abro para receber paz, Eu sinto a serenidade da minha alma. Ondas de paz fluem através de mim.
Eu me abro para receber abundância, Eu aceito abundância.
Eu agora permito que a abundância flua em todas as áreas da minha vida.

(Concentrar-se agora na abundância que precisa e quer receber – pense em tudo o que queira manifestar, e depois continue)

Conforme me concentro, sinto a presença da minha alma ao meu redor. Abro-me agora para receber o que estou pensando. Recebo o melhor em minha vida agora.
Aceito que a partir de agora tudo se manifesta sem esforço e de forma alegre em minha vida.
Eu sou um imã. Eu atraio, acredito e mereço ter o melhor em minha vida agora e sempre.
Eu permito que as bênçãos de Abundância façam parte de minha vida.
Eu agradeço ao universo por receber tudo o que eu mereço.
Eu reconheço minha habilidade em receber.
Eu me abro para receber todos os presentes que minha alma queira me proporcionar.
Eu mereço uma vida boa e alegre, uma vida abençoada.
Eu me abro para receber Amor de todos os seres, do Universo e de tudo ao meu redor.
Eu me abro para receber bênçãos especiais e sei que tudo, mas tudo mesmo o que acontece, é para o meu próprio bem.
E de alguma forma, eu colaboro para que estas coisas ocorram através de meus pensamentos e atitudes.
A partir deste momento, deste instante sagrado, eu atraio todas as coisas que sejam para meu bem maior e para o bem de todos.

EU SOU ABUNDÂNCIA, EU SOU FELIZ, EU SOU SAUDE, EU SOU AMOR, EU SOU PAZ, EU SOU FÉ, EU SOU LUZ!







Carl Gustav Jung( 1875-1961)











"Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico.
Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga.
A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente".
(Jung, Cartas, volume II).


“ A ciência do I Ching não se baseia no princípio da causalidade, mas em outro princípio, até o momento sem nome –por não existir entre nós – ao qual chamei experimentalmente de princípio de sincronicidade. Minhas pesquisas no campo da psicologia dos processos inconscientes levaram-me a procurar outras explicações para esclarecimento de certos fenômenos de psicologia profunda, uma vez que o princípio da causalidade me parecia insuficiente.

Descobri, inicialmente que existem manifestações psicológicas paralelas que não se relacionam absolutamente de modo causal, mas apresentam uma forma de correlação totalmente diferente.
Tal conexão parecia basear-se essencialmente na relativa simultaneidade dos eventos, dai o termo sincronicidade...


A astrologia seria considerada como um exemplo mais abrangente de sincronicidade, se ela apresentasse resultados universalmente seguros. Existem entretanto, alguns fatos comprovados por ampla estatística, que tornam a astrologia digna de questionamento filosófico.


Sem dúvida, seu valor psicológico é inexorável, pois representa a soma de todo o conhecimento psicológico da antiguidade”.
(Jung, O segredo da flor de Ouro )

Self e suas manifestações



Texto de Roberto Gambini


" Então, se alguém me pergunta à queima roupa: " De que modo o Self se manifesta em sua vida?, respondo: o Self se manifesta na minha vida inesperadamente, quando sinto um amor no coração, quando percebo em mim uma força de lutar contra as forças antivida; quando sei que há uma clareza em minha mente; quando olho para o mundo e parece que o entendo, ou entendo as pessoas; ou sinto uma conexão com inexplicáveis fios que a tudo unem num sutil tecido de sentido; aí o Self está se manifestando na minha ou na sua vida.


Mas pensando bem, para que usar esse estranho termo mal traduzido do alemão, " Self"?

Você pode chamar do que quiser, não faz diferença. Eu acho que isso é uma experiência humana eterna.

Provavelmente, os índios do Xingu sabem o que é isso. Na Antiguidade sabiam, no Oriente bramânico e budista sabiam. Jesus sabia. Krishnamurti sabia.


Nós somos feitos assim, a pérola se faz em nossa ostra. E prefiro - é uma questão de gosto - manter o vocabulário e a teorização nos nos termos do mais simples possível. Tendo sempre como referência uma experiência vivida e vivível.


Nada de hipostatizar, de postular, de dizer; " se você fizer assim e assado, você chegará lá" - porque fica parecendo que está todo mundo tentando subir a escadaria dos escolhidos e dos iniciados... daí você começa a beirar o misticismo, o esoterismo, a religião, a ascese, criando-se inevitavelmente uma tabela olímpica de colocações progressivas, segundo grau, terceiro, quarto, e desse ponto em diante já não somos mais cuidadores e pesquisadores da alma, mas roza-cruzes e maçons. Isso jamais!!


Do livro:
A Voz e o Tempo
Ateliê Editorial