Miséria na cultura

Leonardo Boff, foto da Carlos Stein

Miséria na cultura: decepção e depressão

Em 1930 Sigmund Freud escreveu seu famoso livro “O mal-estar na cultura”e já na primeira linha denunciava: “no lugar dos valores da vida se preferiu o poder, o sucesso e a riqueza, buscados por si mesmos”. Hoje tais fatores ganharam tal magnitude que o mal-estar se transformou em miséria na cultura.


A COP-15 em Copenhague trouxe a mais cabal demonstração: para salvar o sistema do lucro e dos interesses econômicos nacionais não se teme pôr em risco o futuro da vida e do equilíbrio do planeta já sob o aquecimento que, se não for rapidamente enfrentado, poderá dizimar milhões de pessoas e liquidar grande parte da biodiversidade.

A miséria na cultura, melhor, miséria da cultura se revela por dois sintomas verificáveis mundo afora: pela generalizada decepção na sociedade e por uma profunda depressão nas pessoas. Elas têm razão de ser.
São conseqüência da crise de fé pela qual está passando o sistema mundial. De que fé se trata? A fé no progresso ilimitado, na onipotência da tecno-ciência, no sistema econômico-financeiro com seu mercado como eixos estruturadores da sociedade.

A fé nesses deuses possuía seus credos, seus sumos-sacerdotes, seus profetas, um exército de acólitos e uma massa inimaginável de fiéis. Hoje os fiéis entraram em profunda decepção porque tais deuses se revelaram falsos. Agora estão agonizando ou simplesmente morreram. Os G-20 em vão procuram ressuscitar seus cadáveres.


Os professantes desta religião de fetiche, agora constatam: o progresso ilimitado devastou perigosamente a natureza e é a principal causa do aquecimento global; a tecnociência que, por um lado tantos benefícios trouxe, criou uma máquina de morte que só no século XX matou 200 milhões de pessoas e hoje é capaz de erradicar toda a espécie humana; o sistema-econômico-financeiro e o mercado foram à falência e se não fosse o dinheiro dos contribuintes, via Estado, teriam provocado uma catástrofe social.

A decepção está estampada nos rostos perplexos dos lideres políticos, por não saberem mais em quem crer e que novos deuses entronizar. Vigora uma espécie de niilismo doce.Já Max Weber e Friedrich Nietszche haviam previsto tais efeitos ao anunciarem a secularização e a morte de Deus. Não que Deus tenha morrido, pois um Deus que morre não é “Deus”. Nietszche é claro: Deus não morreu, nós o matamos.
Quer dizer, Deus para a sociedade secularizada não conta mais para a vida nem para coesão social. Em seu lugar entrou um panteão de deuses, referidos acima. Como são ídolos, um dia, vão mostrar o que produzem: decepção e morte.

A solução não reside simplesmente na volta a Deus ou à religião. Mas em resgatar o que eles significam: a conexão com o todo, a percepção de que o centro deve ser ocupado pela vida e não pelo lucro e a afirmação de valores compartidos que podem conferir coesão à sociedade.

A decepção vem acolitada pela depressão. Esta é um fruto tardio da revolução dos jovens dos anos 60 do século XX. Ai se tratava de impugnar uma sociedade de repressão, especialmente sexual e cheia de máscaras sociais. Impunha-se uma liberalização generalizada. Experimentou-se de tudo. O lema era: “viver sem tempos mortos; gozar a vida sem entraves”. Isso levou a supressão de qualquer intervalo entre o desejo e sua realização. Tudo tinha que ser na hora e rápido.

Disso resultou a quebra de todos os tabus, a perda da justa-medida e a completa permissividade. Surgiu uma nova opressão: o ter que ser moderno, rebelde, sexy e o ter que desnudar-se por dentro e por fora. O maior castigo é o envelhecimento. Projetou-se a saúde total, padrões de beleza magra até a anorexia. Baniu-se a morte, feita espantalho.
Tal projeto, pós-moderno, também fracassou, pois não se pode fazer qualquer coisa com a vida. Ela possui uma sacralidade intrínseca e limites. Uma vez rompidos, instaura-se a depressão. Decepção e frustração são receitas para a violência sem objeto, para o consumo elevado de ansiolíticos e até para o suicídio, como vem ocorrendo em muitos países.

Para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se notam por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da “condição humana”. Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a busca do “bem viver”, base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer ter menos para ser mais.

Isso é esperançador. Nessa direção há que se progressar.
Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível
(3 vol.) Editora Vozes, 2008.
Visite o site: www.leonardoboff.com
.

Cada um tem seu deserto a atravessar

Texto de Jean-Yves Leloup


O que evoca para nós a palavra deserto?
Silêncio, imensidão, vento abrasador? Não apenas. Evoca também sede, miragens, escorpiões... e o encontro do mais simples de si mesmo no olhar assombrado e surpreso do homem ou da criança que brota não se sabe de onde – entre as dunas? Existem os desertos de pedras e de areias, o deserto do Hoggar, de Assekrem, de Ténéré e do Sinai e de outros lugares ainda... o deserto é sempre o alhures, o outro lugar, um alhures que nos conduz para o mais próximo de nós mesmos.
Existem os desertos na moda, onde a multidão se vai encontrar como um pode tagarela, em espaços escolhidos, onde nos serão poupadas as queimaduras do vento e as sedes radicais; deles se volta bronzeado como de uma temporada na praia, mas ainda por cima, com pretensões à “grande experiência”, que nos transformaria para sempre em “grandes nômades”.
... Existem, enfim, os desertos interiores. Temos que falar deles, saber reconhecer o que apresentam de doloroso e tórrido, mas tentando também descobrir, aí, a fonte escondida, o oásis, a presença inesperada que nos recebe, debaixo de uma palmeira sorridente, em redor de uma fogueira onde a dança dos “passantes” se junta à das estrelas.
Pois o deserto não constitui uma meta; é, antes, um lugar de passagem, uma travessia.
Cada um, então, tem a sua própria terra prometida, sua expectativa que deverá ser frustrada, sua esperança a esclarecer. Algumas pessoas vivem esta experiência do deserto no próprio corpo; quer isto se chame envelhecer, adoecer ou sofrer as conseqüências de um acidente. Esse deserto às vezes demora muito a ser atravessado.
Outras pessoas vivem o deserto no coração das suas relações, deserto do desejo ou do amor, das secas ou dos aborrecimentos que não aprendemos a compartilhar. Há também os desertos da inteligência, onde o mais sábio vai esbarrar no incompreensível e o mais consciente no impensável. Só conseguimos conhecer o mundo e as suas matérias, a nós mesmos e às nossas memórias quando atravessamos os desertos.
Temos, finalmente, o deserto da fé, o crepúsculo das idéias e dos ídolos, que havíamos transformado em deuses ou em um Deus, para dar segurança às nossas impotências e abafar as nossas mais vivas perguntas. Cada pessoa tem seu próprio deserto a atravessar.
E a cada vez será necessário desmascarar as miragens e também contemplar os milagres: o instante, a aliança, a douta ignorância e a fecunda vacuidade.


Editora Vozes

Vênus e Júpiter no Céu





Por Tereza Kawall


"A astrologia é uma linguagem simbólica, e seu intuito é estabelecer as relações que
existem entre o cosmos e a Terra.

Na antiguidade o Zodíaco era considerado por astrólogos e filósofos como sendo a “ Alma da Natureza” ou a “Anima Mundi” , aquela que dá forma e ordem à vida.

Os signos e os planetas guardam relação com todos reinos da natureza, seja ela
humana, animal, vegetal ou mineral.

É bastante comum encontrarmos em livros e revistas atuais toda esta sorte de inter-relações, incluindo aí as cores, dias de sorte, etc.

Ainda que o conhecimento da Astrologia não esteja fundamentado nos moldes científicos cartesianos ou tradicionais, sabemos que desde a sua origem ela é transdisciplinar, pois caminhou ao longo dos séculos e em diferentes culturas ao lado de outras ciências, como astronomia, botânica, agricultura, medicina e da própria alquimia, que lançou as bases para a química moderna.

Assim vemos que o princípio básico da Astrologia está ancorado na analogia da lei das correspondências ou das semelhanças.

De forma bastante simplificada, encontramos estas correlações entre os signos, planetas, metais, minerais , e cores:

Leão e o Sol: ouro, diamante, e cores dourado/amarelo

Câncer e Lua: prata, pérolas, e cor branca

Gemeos e Mercúrio: mercúrio, opala,turquesa, e cor amarela

Libra e Vênus: cobre, esmeralda, e quartzo rosa, cores verde e rosa

Áries e Marte: ferro , granada ou rubi, cor vermelha

Capricórnio e Saturno: chumbo, a ônix, cores cinza e preta

Sagitário e Júpiter: estanho, lápis- lázuli , topázio e cor azul índigo.

Nesta semana, entre os dias 13 e 21 de fevereiro temos no céu que nos protege, uma bela conjunção de Vênus e Júpiter no signo de Peixes, e cujo momento exato será nos dias 16 e 17 deste mês.

Na Idade Média, esperava-se o dia em que Vênus ( cobre) e Júpiter( estanho) estariam juntos no céu para se fazer a fundição do bronze, que era utilizado na feitura dos SINOS. Acreditava-se que desta forma, eles teriam o som mais bonito e harmonioso.

Sempre é bom lembrar que há uma íntima relação de Vênus com o amor, as artes, com a estética em geral, e com a música; e que Júpiter por sua vez nos remete ao contato com o divino, simbolizando a fé, a filosofia, a teologia.

O badalar dos sinos nas igrejas já perdeu sua importância nos grandes centros, ou já foram substituídos por sinais sonoros, mas não importa: não há como negar a beleza destes sons, e mesmo as memórias que suscitam em nós, de diferentes maneiras.

A conjunção Vênus e Júpiter é também um convite ao entendimento, a cooperação, aos encontros amorosos, à diplomacia inteligente, ao interesse por tudo que é belo, justo, espiritual e verdadeiro.

“ O sentimento das pessoas não são expressos somente pela feição ou postura. A voz que ressoa de nossa boca, a letra que escrevemos, um desenho que pintamos, o som de instrumento que tocamos, assim como o som do sino que tocamos, tudo expressa nosso sentimento, cada qual de maneira única e verdadeira.
Deixemos ecoar o belo som de nossa compaixão e a pureza de nossos corações para onde o vento puder levar”.

Este texto( último parágrafo) é uma compilação da coletânea de Shunmyo Sato, comentado por seu discípulo, bispo Sosho Saikawa, superintendente da Sotoshu na América do Sul.

É Carnaval!!

Charge de Angeli








Ano do Tigre de Metal


Jovem asiático em protesto contra a extinção dos tigres
























Erica Poonam


2010 Ano do Tigre de Metal Yang


I Ching: "Trillhando sobre a cauda do tigre.

Ele não morde o homem. Sucesso".

Dizem os antigos mestres chineses que o mundo é quadrado e que nesse quadrado existem quatro grandes montanhas sagradas. No sopé de cada uma dessas montanhas vive um animal de poderes especiais. Na montanha do sul encontra-se a Fênix. Ao leste, o Dragão Celestial. Ao norte a Serpente de Fogo, e na montanha do sul encontra-se o grande Tigre Branco


O Tigre, para as antigas culturas orientais, era considerado o símbolo da pura energia da natureza e, em tempos remotos, era cultuado pelos taoístas como o grande Rei da montanha. Há muitos séculos, tanto na China como na Índia, este animal vem sendo cultuado e venerado por representar a fé mais pura e a confiança inabalável capaz de atravessar grandes dificuldades sem se contaminar pelos pecados do mundo.

Neste ano de 2010, a partir do dia 14 de Fevereiro, estaremos iniciando o ano 4707 Chinês - Ano Geng Yin (Tigre de Metal Yang - Tigre que trará redobradas doses de energia, vigor e ousadia). Dentre todos os animais do zodíaco chinês este é o mais notado e respeitado por suas inatas qualidades de liderança, agressividade, combatividade e assertividade. Este é o signo das pessoas sempre determinadas a atingir seus objetivos. Custe o que custar.


O elemento Metal acrescenta a este tigre uma dose ainda maior de impetuosidade e agressividade, com uma tendência a julgar o mundo e as pessoas de forma um tanto quanto árida, o que os levar a tomar atitudes implacáveis e aplicar uma justiça "cega".


De forma geral, e especialmente os nascidos nos anos do tigre, devemos evitar a excessiva pressa em fazer julgamentos, o que pode trazer "cortes" e rupturas, gerando brigas e litígios judiciais, complicados de serem resolvidos.

Portanto, a minha primeira sugestão para este ano é: calma!
Este é um ano para andar mais rápido, mas não para correr.

Por outro lado, esta vibração favorece as atitudes claras e objetivas. Nada de adiamentos e deixar as coisas para depois. As regras do jogo deverão ser estabelecidas desde o começo para que os projetos frutifiquem.


As pessoas do tigre são aquelas que sempre têm algo a dizer e, quando o fazem, não medem as palavras, que por vezes podem ser excessivas e diretas demais. Mesmo assim um ano regido por esse grande e rebelde pioneiro traz o potencial para muitas novidades e novos começos. Principalmente na esfera das relações afetivas.

Para as pessoas mais maduras e comprometidas, poderá ocorrer a renovação e fortalecimento de seus relacionamentos íntimos. Porém para os tigres jovens (de corpo ou espírito) a promessa poderá ser de fortes e arrasadoras paixões regadas a chuvas e trovoadas.

Na esfera mundial, o mapa do ano mostra a possibilidade dos países monárquicos terem um grande papel na economia e na esfera política, de forma geral.

E falando em finanças, paradoxalmente este não é um ano que se devam correr riscos em aplicações especulativas, e sim dar preferência aos investimentos mais tradicionais, pois além de mais rentáveis serão, sem dúvida, os mais seguros. Principalmente a partir do mês Maio o ano promete gerar mais prosperidade em quase todos os setores.


Dentro do horóscopo astrológico taoísta o signo Yin (Tigre), rege o primeiro mês do ano e, portanto, muitos acontecimentos marcantes podem ocorrer já no alvorecer dessa nova fase. Porém uma ressalva importante, a respeito dessa energia anual exuberante e "eletrizante": devemos nos cuidar com os raios.


Pela antiga cosmologia chinesa esse ano é regido pelo trigrama do trovão, e há que se fazer temer acidentes e incidentes fortes relacionados a raios, trovões e trovoadas. Este é o início da primavera energética em nosso planeta, o que de certa forma simboliza um suave e perfumado frescor jovial sobre nossas vidas, regado a entusiasmo e promessas de esperança dentro de uma nova era. Mas também, muitas explosões.

Do ponto de vista climático inclusive, o planeta inteiro, principalmente o hemisfério norte, poderá notar a estação da Primavera mais bem delimitada e contar com um inverno muito menos rigoroso comparado aos que têm se dado nos últimos 3 anos.


Outro aspecto interessante do ano é que o "Supremo Yang", O Sol, estará mais brilhante este ano. Isto significa ascensão e força do principio masculino, que estará mais forte e ativo nos meses que se seguem. O Sol representa o Pai e este parece ser o ano em que a assumir a paternidade, será um marco na vida da maioria dos homens. Mas, para todos nós, de forma metafórica, a força de ser Pai representa em sua essência, a capacidade de assumirmos mais responsabilidades, nos doando sem reservas e medos. Este será um ano para equilibrar nossa energia masculina interna, o que repercutirá numa facilidade maior para nos relacionar com os homens no mundo exterior.


Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno que foi o Ano do Boi, o Sol volta a brilhar e a primavera chega outra vez, trazendo a explosiva eletricidade da semente que urge por se tornar flor. Para nós o mais importante, a meu ver, é cuidar com sabedoria dessa nova semente que está a germinar regando nosso jardim interno com serenidade, confiança e fé. Com os devidos cuidados e preparativos, podemos esperar o melhor desta nova fase que favorecerá e nutrirá a vida.


Principalmente para os nascidos nos anos do Tigre, este será um ano especial, que marca a conclusão de uma fase de vida muito significativa e um começo ainda mais marcante. Para estas pessoas 2010 não será apenas um ano, mas O Ano, onde velhas crenças, atitudes, posturas e padrões de relacionamento serão certamente colocados a prova, forçando e promovendo a possibilidade de mudanças que podem transformar por completo a vida dessas pessoas - ou seja, para os nativos do tigre uma nova fase evolutiva irá se iniciar.


Outros 3 signos também sentirão de forma singular este ano, são eles: o Macaco, o Cavalo e o Cão. Para o Macaco o ano promete prosperidade, porém recomenda-se não tentar muitas estripulias, seduções ou artimanhas (clássicas do macaco), pois as garras do Tigre poderão cair sobre ele ferozmente. Já para os nativos do Cavalo e do Cão o ano promete muitas mudanças positivas, crescimento e abertura.


De forma geral todos nós devemos observar em nossas cartas astrais onde recai a regência do Tigre pois sem dúvida este será um setor profundamente ativo e marcante este ano. No mais nossa missão principal será acompanhar a brisa mansa e fugir dos raios e trovões.


Os primeiros 4 meses do ano tendem a ser mais agitados do que produtivos. Já a partir de Maio as grandes obras e empreendimentos podem - e devem - ser iniciados com vigor, pois terão muitas chances de um desenvolvimento vitorioso.


Feliz ano novo do tigre de Metal Yang a todos nós!

Erica Poonam.

A Travessia

The Crossing, tela, 1987
Antonio Peticov



"Viver no mundo sem tomar consciência do significado do mundo é vagar por uma imensa biblioteca sem tocar nos livros. "

Quem sabe não existe uma verdade universal embutida na alma de todas as pessoas?
Talvez todos carreguemos a mesma história dentro de nós como uma constante compartilhada em nosso DNA.
Talvez esta verdade coletiva seja a responsável pela semelhança em todas as nossas histórias.


A verdade tem poder. E, se todos gravitamos em torno de idéias semelhantes, talvez isto se dê porque elas sejam VERDADEIRAS... e estejam escritas no fundo do nosso ser.
Revelar a verdade nunca é fácil.
Plutão em Capricórnio revelará a VERDADE.


Ao longo da história, todos os períodos de iluminação foram acompanhados por trevas lhe opondo resistência. Tais são as leis do equilíbrio. E, olhando a escuridão que hoje se espalha pelo mundo, somos obrigados a admitir que isso significa que uma quantidade de luz equivalente está crescendo.
Estamos às vésperas de uma era de iluminação realmente grandiosa e somos abençoados por estarmos vivenciando esse momento decisivo na história. De todas as pessoa que já viveram, em todas as eras, nós estamos nesta estreita janela de tempo que nos permite testemunhar nosso derradeiro renascimento. Após milênios de trevas, veremos a ciência, a mente e a religião desvendarem a verdade.


A paixão é um catalisador importante das mudanças que estão por vir. As trevas se alimentam da apatia. A CONVICÇÃO É O NOSSO MAIOR ANTÍDOTO.

APOCALIPSE quer dizer REVELAÇÀO. O apocalipse não é o fim do mundo, mas sim, o fim do mundo tal como nós o conhecemos.
E ele está chegando... e não vai se parecer em nada com o que nos ensinaram".

Trechos do livro O Símbolo Perdido
- Dan Brown

Resiliência

Flores do cerrado brasileiro: resiliência pura!


Não podemos evitar as ondas do oceano, mas podemos aprender a surfá-las!


Por Tereza Kawall

Sob a tirania implacável do relógio, nosso dia a dia contemporâneo exige muita energia, competências, inúmeras e crescentes habilidades. Sobreviver é uma tarefa difícil e complexa, especialmente nos grandes centros urbanos onde vivemos de um lado para outro, sobressaltados e estressados. Muitos de nós talvez ainda se lembrem da imagem daqueles malabaristas de circo, que ofegantes, faziam girar vários pratos simultaneamente, correndo de lá pra cá, girando-os mais uma vez para eles não caíssem no chão.

O capitalismo, é um modelo econômico que empurra o cidadão sem nenhuma cerimônia para o consumo desnecessário, quer ele queira , perceba ou não. Há uma felicidade artificial e inadiável que é oferecida pela mídia, um verdadeiro “ canto das sereias”, cuja melodia tem em seu refrão várias vezes a palavra “ comprar”.


A competição, o transito caótico, as más notícias e todos os tipos de decepções permeiam nosso cotidiano. Como conseqüência, ficamos fragilizados e repetitivos, desesperançosos e perdemos muita energia vital .


Haja resiliência!

Seria essa a expressão mais adequada aos dias de hoje. A paciência por si mesma já não basta, além dela precisamos ser determinados, confiantes, ousados e ao mesmo tempo flexíveis, conscientes para manter os problemas em perspectiva; alguns têm solução e outros não, e deixar que o tempo se encarregue de mostrar os caminhos e, sobretudo aprender a olhar de forma diferente para eles, achar novas maneiras e estratégias de contornar as adversidades.


O indivíduo pode ser mais ou menos resiliente, se levarmos em conta fatores intrínsecos de personalidade, valores, educação ou heranças parentais. Nossa cultura ocidental sempre deu um enorme valor à figura do herói como um ser que deverá superar situações de extrema dificuldade para proteger a própria vida, salvar algo ou alguém. Na mitologia temos o arquétipo do herói que passa por inúmeras provações, desafios físicos e morais, e que ao final de sua saga voltará transformado trazendo uma mensagem de verdade e esperança.

O sofrimento, as perdas e frustrações são inevitáveis durante a vida, e não há ninguém que possa dizer que não passou por eventos difíceis e traumáticos durante seu desenvolvimento.


No entanto, a atitude resiliente não é sinônimo de força ou coragem no sentido mais egóico ou heróico do termo. Ela pressupõe também uma sabedoria e criatividade, um discernimento que aparece como conseqüência de experiências anteriores, algo que também é um ganho, à medida que as adversidades vão criando uma espécie de “ musculatura interior”.

Numa pessoa resiliente devem estar presentes uma capacidade de adaptação e flexibilidade perante o seu destino, e de fazer as mudanças necessárias quando elas são inevitáveis.
Nossa idéia é que a resiliência pode e deve ser exercitada, não é algo simplesmente herdado ou uma traço de personalidade. Como seria isso?

Treinando a resiliência

Aceitação
Em primeiro lugar, não negar o problema quando ele bate à sua porta; a negação só faz aumentar o seu tamanho, assim como acentuar a resistência para as mudanças.
As soluções podem começar a aparecer a partir dessa compreensão; como posso mudar aquilo que não vejo?

Controle
Uma vez que a vida é inexoravelmente mutável e transitória, as reações de controle apego são ineficazes. Muito ao contrário do que se pensa exercer muito controle sobre tudo e todos não é uma solução; há um curso próprio da vida e dos eventos que independente da minha vontade e da minha opinião.
O criticismo exagerado e altas expectativas de resultados são a porta aberta para desilusões. Assumir fraquezas ou incompetências para si mesmo é antes de mais nada, um ato de coragem.

Aprendizado
Adotar uma perspectiva de entendimento e aprendizado, quando algo traz muita contrariedade ou angústia; há formas distintas também para o sofrer, posso sofrer com inteligência ou com burrice!
Na primeira há mais crescimento dignidade, na segunda há uma vitimização e uma busca incessante de culpados que acabam por paralisar a vida.
Os trabalhos psicoterapêuticos eficientes podem mostrar que não precisamos nos identificar com o sofrimentos ou padrões negativos, mas sim, examiná-los e aprender com eles.

Pré-ocupação

John Lennon disse:
“Vida é uma coisa que acontece, enquanto você fica preocupado, fazendo planos” .

Não se preocupar demais com o futuro. Sofrer por antecipação é um dos males do homem contemporâneo, a ansiedade é corrosiva para a saúde, afeta o sistema imunológico, e sua base é o medo e a falta de confiança. Não há fórmulas mágicas para superar crises e dificuldades sejam elas quais forem, mas individuo resiliente tem um diferencial na forma de atravessar esses momentos. Concentração, foco e tolerância podem moldar uma forma diferente de olhar um problema pois nossa mente é maleável, e a felicidade é também uma forma de interpretar a realidade.

Disse um mestre: Não podemos evitar as ondas do oceano, mas podemos aprender a surfá-las”

O surfista sabe muitas coisas, tem jogo de cintura, agilidade, presença de espírito, amor pelo esporte, conhece o mar, conhece os ventos favoráveis e sabe a hora de pular fora da onda, pois logo atrás já vem vindo outra!


Conclusão
Na filosofia budista muito se fala da natureza transitória da vida, que é uma sucessão de ciclos, tudo está em constante mudança, nada é definitivo; essa percepção é fundamental para vivermos uma vida de mais qualidade. Para um bebê o desafio é andar e falar, para um jovem é decidir-se pelo estudo e profissão; se a cada nova etapa pudermos fazer sempre o melhor, já fizemos muito.

Quando falamos de fortalecer o espírito falamos de conhecimento e prática, senão corremos o risco de cair em retóricas evasivas. Um corpo para ser forte e vigoroso precisa de exercícios, movimentos e boa alimentação.
Nossa mente e nosso espírito também podem ser cultivados com bons pensamentos, boas palavras e boas ações, da mesma forma que um solo fértil e arado com boas sementes trará, na hora certa, as flores e os frutos esperados.

A prática da meditação de forma disciplinada, assim como a yoga e técnicas de respiração e relaxamento podem ser fundamentais para o desenvolvimento desta visão ou postura mais resiliente perante a vida. Os seus resultados aparecem de acordo com a dedicação, assim como tudo em que desejemos ter maestria.

Essas práticas levam a um maior poder de concentração, nos tirando do conhecido “ piloto automático”, em que atarefados caímos na mesmice, fazemos várias coisas sem nenhuma atenção. A concentração, diferentemente da tensão, nos ajuda a valorizar sentimentos de alegria e prazer, onde moram nossas reservas de clareza, criatividade e sabedoria, e que tão pouco acessamos.
.
Está na moda cuidar do corpo, malhar, correr, mas essas atividades quando viram obrigação ou obsessão, são fontes de stress. Que tal uma caminhada mais tranqüila num parque, numa mata, ouvindo os sons que dela vem, percebendo a sua respiração, os tons de verde que estão à sua volta? Sem relógio e sem celular, claro!

Curtir a natureza, conviver, estar perto de animais, brincar com eles produz sensações de prazer e alegria que nos tornam mais calmos e relaxados. Se a impermanência é uma das características da existência, seguramente a valorização do momento presente é uma forma de exercitarmos a resiliência.
E claro, todas as atividades prazerosas como ouvir boa música, dançar, cantar, estar com amigos.

Podemos ser artistas da nossa própria existência, cuidando a cada dia de nosso maior patrimônio, nossa saúde física, emocional e espiritual.
De forma bem simples podemos dizer que a “ máxima” resiliente é: “
Levanta , sacode a poeira e dá volta por cima”!


Publicado na revista Planeta, janeiro 2010
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BibliografiaAprenda a relaxar
Mike George
Editora Gente
Mente alerta
Kabat-Zinn
Editora Objetiva

Stress a seu favor
Susan Andrews
Editora Agora

Em busca do Sentido
Viktor E. Frankl
Editora Vozes


Afresco de São Francisco,
Basílica de SFrancisco,
Assis, Itália




"O homem ecológico, o irmão universal que se confraterniza com tudo, que religa todas as coisas, religa as mais distantes às mais próximas.
Francisco casa os céus com os abismos, as estrelas com as formigas e faz uma síntese, das mais fascinantes e das generosas da humanidade, a partir de dentro. Une a ecologia interior com a ecologia exterior”.

“Por que São Francisco hoje? Por que a sua relevância e sua atualidade hoje? Então trata-se de buscar além da biografia e da subjetividade de Francisco; trata-se de captar o modo de ser de Francisco que é relevante para nós. Se ele tornou-se um arquétipo, isto é, se ele penetrou no mais profundo do nosso inconsciente cultural, ocidental, global, humano, significa que ele entrou na dimensão do símbolo.
Quando uma pessoa vira símbolo, ela se eterniza. Podemos até esquecer sua biografia mas ela se torna uma realidade coletiva e começa a viver no inconsciente coletivo com uma energia poderosa, que emerge continuamente em mil fulgurações.

Podemos dizer como diria Jung: É preciso despertar o São Francisco e a Santa Clara que estão sepultados dentro de nós, que estão dormindo dentro de nós. Para que eles venham à tona e nós possamos viver com aquele modo de ser que eles viveram, que é um modo de ser integrador e profundamente humanizador”.

... “ Tenho todo um filão franciscano em minha formação, em minha autoconsciência, mas talvez seja por este caminho que a humanidade encontre uma certa luz. E talvez seja nesta direção que encontraremos, quem sabe, a solução de graves problemas de preservação do planeta, de convivência das culturas que se entrechocam, da tolerância e da jovialidade no viver este momento dramático da existência. E também com alegria e serenidade enfrentar os riscos que teremos nesta travessia, com profunda certeza que o fim é bom e está garantido. Por mais que a travessia seja arriscada e tenebrosa. Isso me faz lembrar de um verso de Camões que diz:

“ Depois de procelosa tempestade,
Sombria noite, sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento”.

São Francisco é uma espécie de porto e salvamento, para muitas buscas do ser humano, não somente do ser humano ocidental, mas dos ser humano planetário, terrenal.

São Francisco é um homem seráfico, quer dizer, é homem, menor, pequeno e ao mesmo tempo angelical, que transfigurou sua vida. Eu diria que ele é um homem reconciliado.
Reconciliou o dentro com o fora, o alto com o baixo, Deus com a humanidade, a dimensão angelical com as dimensões animal e vegetal do ser humano.Viveu tudo isso com uma profunda leveza”.
Do livro: Terapeutas do Deserto
Jean-Yves Leloup e Leonardo Boff
Editora Vozes.