O Numinoso na natureza


“ Em alguns casos, esta experiência foi vivida na grande natureza.
Não foi somente uma experiência de beleza, a beleza estética de um por do sol ou de uma paisagem magnífica. Foi um momento, enquanto caminhávamos na floresta, ou ao pé de uma montanha, e de repente, nós paramos.
Estávamos lá.
Sentíamos nossos pés no chão , sentíamos o cheiro do musgo.
Não estávamos em um estado alterado de consciência, em um estado secundário.
Estávamos mesmo lá. Ao mesmo tempo havia um silêncio no coração e na inteligência.
Compreendíamos com o corpo o que líamos nos livros de física.
Havia uma interconexão com todos os elementos do universo. Neste momento, não era eu que olhava a árvore, mas eu sentia também que a árvore me olhava, que me envolvia com a sua presença.
Que a seiva que estava nela e o sangue que estavam em mim eram da mesma família.

Pode-se traduzir esta experiência em termos científicos. Pode-se traduzi-la em termos poéticos. Pode-se traduzi-la nas palavras de São Francisco de Assis, quando fala de sua comunhão com a natureza, do seu irmão-Sol , de sua irmã-Lua.
Neste caso existe uma experiência de onde o sujeito e o objeto não estão mais separados.


Onde o infinito e o finito não estão separados.
O ar que está no interior do cântaro e o espaço que preenche todo o universo vivem num momento de unidade”.
Terapeutas do Deserto
Jean-Yves Leloup
Editora Vozes

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