Benéfica solidão


Mosteiros de Meteora na Grécia.












Por Martha Medeiros


Geralmente a solidão é larga, esgarçada, como uma camiseta que poderia vestir outros corpos além do nosso.


E costuma ser com outros corpos que se tenta combatê-la, mas combatê-la por quê?

Se nossa solidão pudesse ser visualizada, ela seria um vasto campo abandonado, um estádio de futebol numa segunda-feira de manhã. Dói, mas tem poesia. Por isso ela não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido.

Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia.

A solidão costuma ser tratada como algo deslocado da realidade, como um tumor que invade um órgão vital. Ah, se todos os tumores pudessem ser curados com amigos. Uma pessoa que não fez amigos não teve pela sua vida nenhum respeito.

Nossa solidão é nossa casa e necessita abrir horários de visita, hospedar, convidar para o almoço, cozinhar com afeto, revelar-se uma solidão anfitriã, que gosta de ouvir as histórias das solidões dos outros, já que todos possuem seus descampados.

Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. "

2 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 9 de junho de 2010 20:27

    Tereza Querida, texto muito significativo. A solidão "vestida" torna-se solitude, na qual nos sentimos muito bem e o proveito de tais monetos é magnífico. Adorei as imagens! Beijo. Meu afeto.

  • Denise | 12 de junho de 2010 22:20

    Osho coloca a solitude de um jeito apaziguador, como este texto da fabulosa Martha. Seu livro "Amor, liberdade e solitude" oferece um aprendizado precioso. A solitude, diz ele, é nossa natureza. E É INATINGÍVEL E INTOCÁVEL. Somos observadores das multidões - mesmo no meio delas. Em solitude, em contato íntimo conosco mesmo. Essa consciência abrevia a angústia do pertencer aos sistemas de que fazemos parte, nos mostra que não precisamos ficar reféns das pessoas, e nossas carências são superáveis. Nada fácil, mas possível.

    Bjos, minha amiga.
    Um ótimo domingo!