No Freezer, Fogão ou Coração


Foto de André Correa( direita)

Por Tereza KawallQuando alguém diz: “ Põe (ou guarda) no freezer”
Logo me vem à mente
A simples idéia daquilo que será adiado ou digerido algum tempo depois.
O mesmo vale para pessoas
Das quais, temporariamente,
Precisamos “ dar um tempo”.
Ou seja, isso vale tanto para os alimentos
Ou para vida pessoal, subjetiva.

E o quê dizer de sentimentos, crenças e aflições
Com as quais não queremos lidar?
Lá no nosso “ freezer” psíquico
Vivem um sem número de sensações, memórias, conflitos adiados
E nem sempre reconhecidos como tal.
Lembranças que, embora congeladas,
Ainda possuem vida, cor e sabor.

Esses tempos de final de ano
Fazem-no deparar, de um jeito ou de outro,
Com algum tipo de reflexão.
Precisamos (re)desenhar os próximos passos, a direção a seguir.
Terminar algo inacabado, avaliar entraves,
Inovar, ousar,
Redefinir estratégias para o VIVER.

A encrenca é que, para seguir em frente
Muito provavelmente, ainda precisaremos
Daqueles ingredientes ou alimentos
Estocados na nossa geladeira mental.
Sendo boa parte deles crenças, valores, imagens, modelos ou dissabores
Precisarão ser descongelados da memória emocional
Escapar do gelado, e reviver no aqui agora.

Nem sempre lidamos bem com a nossa saúde física e mental.
Sabemos muitas coisas a respeito, mas a prática.... deixa a desejar!

Adiando e entulhando tudo em nosso “ freezer”
Estocamos o passado em potinhos bem fechados, “ para não entrar ar”..
E nos rótulos de identificação lá estão:
Raiva, inveja, ressentimentos, medos, sonhos frustrados,
Palavras não ditas, aflições, e sabe-se lá o que mais.
O melhor destino para os que têm o prazo de validade vencido: lixo.
Para os que ainda estão OK,
Cheirar, olhar, sentir, repensar, olhar novamente...
Isso aqui serve para alguma coisa, afinal?

Mãos a obra!
Um a uma, do freezer para a pia, para a mesa, para as facas,
Passando pelos temperos, panelas
Fogo médio ou alto, forno, não importa
Até que cheguem ao seu destino: nossos olhos, olfato, boca e estômago,
Devidamente digeridos e transformados em energia
Agora atualizada, disponível para o presente e para a alma.

Para facilitar as coisas, recomenda-se, claro,
Uma boa dose de vinho
E duas outras doses também generosas de honestidade e coragem.
Será um ato de amor próprio
E que ninguém poderá fazê-lo por você!
Mas acredite, o corpo agradecerá, aliviado
E as janelas de um espírito mais oxigenado também.

... mas voltemos novamente ao nosso freezer agora esvaziado...
Um punhado de pedras de gelo no balde...
Uma champanhe deliciosa está à nossa espera,
Um brinde à VIDA, à alegria
Um brinde à compaixão por tudo o que é vivo,
A todos que acompanham e curtem esse blog,
Um brinde ao ano de 2011!!!

OUVIR ESTRELAS!




Que 2011 nos informe a melhor melodia; que possamos ouvi-la
e desfrutá-la com olhos e corações
receptivos , compassivos e otimistas!


ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS!


OLAVO BILAC

XIII


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...


E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."



Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br
Por Guido Nunes Lopes

A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma. A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior. A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior. A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro! A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre. A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras. A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la. A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé. A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser. A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele. A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora. A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência. A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

"Não estamos aqui,somente para apreciar a paisagem, mas para concentrarmo-nos na trilha"(Taisha Abellar)

O GUARDADOR DE REBANHOS

Pintura de Gerard von Honthorst

Guardador de rebanhos
VIII- Num Meio Dia de Fim de Primavera

Alberto Caieiro


Sobre o Menino Jesus

..." Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
Meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhes histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo par o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

O DESCANSO DA BUSCA

Foto de Clark Little

"Mesmo que o mutante esteja convencido de que o transpessoal se encontra em seu mundo interior, um obstáculo inesperado se apresenta em seu caminho.
É a fantasia da separatividade, própria do paraíso perdido do qual acabamos de falar.Pelo fato dele se sentir separado do mundo exterior, projeta essa separação no mundo interior.
Da mesma forma que o sonhador vê um sonho como exterior a si mesmo – embora o sonho esteja dentro dele e o próprio sonhador seja também um sonho -, e imagina a experiência ou o estado transpessoal como algo exterior.
Inicia então um processo de experiências fora de si mesmo. Precisará compreender que o que ele procura está mais perto do que imagina, já que se trata dele mesmo, de seu próprio espírito. Ele se encontra na situação de um jovem gato querendo agarrar a própria cauda –
o objeto do transpessoal é a descoberta do espírito pelo próprio espírito.

Diz Ken Wilber sobre isso:
... “ O Espírito não pode ser pego, ou alcançado ou buscado, ou visto: ele é o visionário sempre presente.
VOCÊ é esse algo! Você não pode sair por aí buscando o buscador....
Em vez disso posso descansar como observador, que já está livre dos objetos, livre do tempo, livre da busca. Quando não sou objeto, sou Espírito.
Quando descanso como observador livre e sem forma, estou com Deus agora mesmo, neste momento eterno e atemporal.
Provo o infinito e fico pleno, precisamente porque não estou mais buscando mas apenas descansando como que sou...”
Depois de Abraão existir,eu sou. Antes da grande explosão eu sou. Depois que o universo se dissolver, eu sou. Em todas as coisas grandes e peuqenas, eu sou.
E ainda assim, nunca posso ser ouvido, sentido, conhecido ou visto.
EU SOU é o Visionário sempre presente”.

Há uma história que simboliza de modo magistral essa visão.
“ Era uma vez uma onda que encontrou outra onda, aflita e apressada.
Aonde é que tu vais tão afobada?
Eu vou por aí em busca do mar....
Mas você é o mar!”

Nós somos ondas que se esqueceram que são mar.

Do livro: Os mutantes
Pierre Weil
Editora Verus, 2003.

OS MUTANTES


O "mutante" Alex Grey, artista plástico














O " mutante" Pierre Weil, educador,
escritore psicólogo transpessoal



“Provavelmente o nome “ mutante” foi escolhido por o terem relacionado com o fenômeno a que, em genética, se denomina mutação de genes.
O Ponto de Mutação, de Fritjof capara, inscreve-se nessa perspectiva. Sua publicação em inglês data daquela época ( anos 60 e 70), assim como “ A conspiração aquariana”, de Marilyn Ferguson. Estes e muitos outros autores são a principal fonte de inspiração e constituem modelos para a grande mutação pessoal.
São teólogos, físicos, antropólogos, psicólogos, romancistas, entre outros, todos eles mutantes, também.

Encontramos, ao longo dos anos o, ou melhor , os denominadores comuns a esses autores, o que pode nos dar uma pista para traçar o perfil do nosso mutante. A essa visão comum chamamos holística e transdisciplinar.
Todos os mutantes, caracterizam-se por uma nova visão do Divino. A versão primitiva de um Deus antropomórfico, para eles, é relegada a estória para embalar o sono das crianças. A nova visão divina não é apenas mais um conceito, mas faz parte de uma vivência.

Essa postura é fortemente influenciada por um conjunto de evidências colocadas em relevo por ciências de ponta, entre as quais, convém citar a microfísica e a física quântica, a parapsicologia, a psicologia transpessoal e a antropologia das religiões.

O que caracteriza o nosso mutante será o resultado do trabalho sobre si mesmo, visando a uma transformação profunda em direção a superconsciência. Seus heróis e modelos são os grandes sábios, místicos e santos da história ou da contemporaneidade. As práticas transformativas é que determinam sua nova forma de ser consigo mesmo e com os outros, isso é, a qualidade de suas relações amorosas e da vida profissional e social, caracterizadas pela prática da compaixão”.

Do livro: Os Mutantes
Pierre Weil
Editora Verus, 2003
Inscrição na porta de entrada na casa de Jung, em Küsnacht, perto de Zurich.
" VOCATUS ATQUE NON VOCATUS, DEUS ADERIT"(*)



“ Assim, em última análise, a vida de Jung era a de uma pessoa profundamente religiosa, imbuída de um propósito verdadeiramente religioso, por mais que seu trabalho se voltasse para a ciência. Gastou seus últimos anos de vida quase que inteiramente na e exploração de relação entre o homem, de per si, e o padrão de Deus no espírito humano.
Convencera-se de que nossos seres gastos e nossas rotas sociedades não poderiam renovar-se sem a definição de seus conceitos de Deus, e assim, de toda a sua relação com eles.

Na jornada empreendida em seu próprio ser inconsciente, Jung descobrira outro “ padrão de arquétipo” da maior significação, que chamou de “sombra” – um padrão que dispunha de todas as energias que o homem desprezara, rejeitara ou ignorara conscientemente nele mesmo.
Percebe-se imediatamente a propriedade com a qual o termo foi escolhido, porque é a imagem daquilo que acontece quando o ser humano se posiciona entre ele mesmo e sua própria luz.

Se essa sombra poderia ser apropriadamente considerada um arquétipo em si mesmo, ou se trata de outra sombra de arquétipo, é uma questão quase acadêmica.

As forças escuras e rejeitadas que se avolumam na sombra do inconsciente e que clamam violentamente por vingança, por causa de tudo o que o homem e suas culturas sacrificaram conscientemente neles no processo das tarefas especializadas e conscientes que ele mesmo se impôs, são reais e suficientemente ativas para que não tenhamos tempo para escolástica.

Demonstram que toda nossa história é uma progressão que se dá em dois níveis – consciente e inconsciente, manifesto e latente. O nível manifesto fornece todas as justificações racionais e plausíveis e as desculpas para as guerras, revoluções e desgraças infligidas aos homens em suas vidas coletivas e particulares.


Mas, na realidade, é no nível latente que podem ser encontrados os verdadeiros instigadores e conspiradores incógnitos que se erguem contra uma regra consciente demasiadamente estreita e rígida”.

“Por isso, todos os seres humanos tendem a tornar-se aquilo que se opõem”

Do ponto de vista de Jung, a resposta era abolir a tirania e encontrar os dois opostos, lado a lado, para servir ao padrão- mestre, não se opondo ou resistindo ao mal, mas transformando-o e redimindo-o.
Nas negações do nosso tempo, os dois opostos se transformam em inimigos trágicos, mas, se encarados de forma mais apropriada, nos termos da psicologia, ou, talvez, até mesmo nos termos não-emotivos da física, são como as induções positivas e negativas da energia observadas na dinâmica da eletricidade. São as duas correntes paralelas e opostas sem as quais seria impossível o clarão do relâmpago, que sempre foi o símbolo da consciência tomada imperativa”
Do livro: JUNG, e a história de nosso tempo
Laurens van der Post
Editora Civilização Brasileira, 1992
Obs: Publicado originalmente em 1976.


(*) No inglês: " Summoned or not, the god will be there"
No português: " Invocado ou não invocado Deus aqui estará".

A MORTE COMO PASSAGEM

Foto: Paulo Kawall


" Os aspectos mais atrozes do sofrimento - miséria, a fome, os massacres- costumam ser menos visíveis nos países democráticos, onde o progresso material permitiu remediar alguns males que continuam a afligir os países pobres e politicamente instáveis.

Mas os habitantes deste " melhor dos mundos" parecem ter perdido a capacidade de aceitar os sofrimentos inevitáveis que são a doença e a morte.

É comum no Ocidente, considerar o sofrimento como uma anomalia, uma injustiça ou derrota.No Oriente ele é menos dramatizado e visto com muita coragem e tolerancia.


Na sociedade tibetana, não é raro ver pessoas fazendo brincadeiras junto à cabeceira de um morto, o que pareceria chocante no Ocidente. Isto não é sinal de falta de afeição, mas de compreensão de inelutabilidade de provações como essas, e também da certeza de quye existe um remédio interior para o tormento e a angústia de se encontrar sózinho.


Aos olhos de um ocidental, muito mais individualista, tudo o que perturba, ameaça e finalmente destrói o indivíduo constitui um mundo por si só.


No Oriente, onde prevalece uma visão mais holística do mundo e onde se dá uma importancia muito maior às relações entre todos os seres, bem como a crença em um continuun de consciência que renasce, a morte não é um aniquilamento, mas uma passagem".



Do livro:Felicidade: a prática do bem estar

Autor: Matthieu Ricard

Editora Palas Atena, SP

Amar a sombra


"Existe um Mago dentro de todos nós.
Esse Mago tudo vê e tudo sabe.
O Mago está além dos opostos da luz e das trevas,
do bem e do mal, do prazer e da dor. Para viver mais plenamente, é preciso morrer para o passado. As moléculas se dissolvem e se extinguem, mas a consciência sobrevive à morte da matéria na qual ela viaja.
A consciência do Mago é um campo que existe em toda a parte. As correntes de conhecimento contidas no campo são eternas e circulam eternamente.

Todos possuímos um eu-sombra que é a parte da nossa realidade total.
A sombra não está presente para magoá-lo e
sim para mostrar-lhe onde você está incompleto.
Quando a sombra é abraçada, ela pode ser curada.
Quando ela é curada, ela se transforma em amor.
Quando você puder viver com todas as suas qualidades opostas,
você estará vivendo seu eu total como o Mago.

O Mago é o mestre da alquimia.
A alquimia é a transformação. É através da alquimia que você começa a busca da perfeição. Você é o mundo. Quando você se transforma, o mundo em que você vive também será transformado.

As metas da busca – o heroísmo, a esperança, a graça e o amor –
são a herança do atemporal.

Deepak Chopra em
“ O Caminho do Mago”


Citações de Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, líder espiritual do Tibet

Para os tibetanos, Dalai Lama é uma espécie de ' emissor cósmico", um nó de forças através do qual as energias divinas, as energias da compaixão são difundidas sobre o universo e mais particularmente sobre o povo tibetano.

* Aquele que semeia e cultiva a verdade, aquele que é compassivo para com todos os seres humanos, aquele que ama os seus inimigos, só este conhece a luz.

* Os objetos não são vazios em si mesmos. A concepção justa da vacuidade não se refere ao objeto, mas ao sujeito. O estado de vacuidade é um estado de não-apego. As coisas são vistas como elas são, sem buscar encerrá-las nos nossos conceitos ou nos nossos desejos.

* O fato de haver uma grande diversidade de religiões no mundo é uma boa coisa boa.

* Um coração humilde e doce não é propriedade de nenhuma religião, de nenhuma raça.
Todas as pessoas, sem excessão, têm o dever e a capacidade de desenvolver em
si mesmas esta doçura e esta compaixão que fará delas verdadeiros seres humanos.

*No meio dos crimes mais atrozes que os chineses cometeram em nosso país,
jamais senti ódio no meu coração.
Não tentaremos nos vingar. O desejo de todos os humanos é a paz de espírito.
Minha esperança está na coragem do povo tibetano e neste amor pela verdade
e pela justiça que ainda continua vivo no coração da vida humana.

* O importante, porém, não são as questões metafísicas nem as análises, mas a prática; é o amor de todos os seres, é tudo o que pode livrar o mundo do sofrimento.

Do livro: Enraizamento e Abertura
Jean Yves Leloup
Editora Vozes


Objetivos do Curso

Fazer aproximações e entrelaçamentos entre os fundamentos da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e os fundamentos da Astrologia Psicológica.
Do ponto de vista teórico, quais seriam os pontos que existem em comum entre estes dois abrangentes campos de conhecimento?

Tópicos teóricos da Psicologia Analítica

-Inconsciente Coletivo e Arquétipos

-Quatro tipos Psicológicos ou quatro funções da consciência: pensamento, sentimento, sensação e intuição.

-Complexos, Sombra

-Processo de Individuação

-Sincronicidade- Coincidências “a-causais”, que têm um significado.


Tópicos teóricos relacionados à Astrologia:

-Zodíaco, Signos , Planetas .

-Os quatro elementos: Fogo, Ar, Terra e Água.

-Subpersonalidades do mapa natal. Saturno e Plutão.

-Ciclos planetários e o desenvolvimento da personalidade.

-Sincronicidade e tempo qualitativo.


INTRODUÇÂO

As incursões no campo da Psicologia começaram a influenciar a astrologia de forma marcante a partir da década de 30. Essa gradual assimilação começou a tomar forma a partir da publicação do livro A Astrologia da Personalidade, pelo conhecido escritor, músico e astrólogo francês, Dane Rudhyar. A partir desta importante publicação, teve início um positivo entrelaçamento conceitual com aproximações teóricas entre a astrologia e a Psicologia Analítica.
Este processo começou a dar frutos e inúmeras obras surgiram, sedimentando, anos mais tarde,
o que hoje chamamos de Astrologia Psicológica, e que conta atualmente com renomados
estudiosos na Europa e EUA.
Alguns dos seguidores desta abordagem humanista e psicológica: Alexander Ruperti, Liz Greene, Howard Sasportas, Richard Idemon, Stephen Arroyo, Roberto Sicuteri, Karen Hamaker-Zondag, Erin Sullivan.

Professora: Tereza Kawall
Mais informações veja no link da GAIA ESCOLA DE ASTROLOGIA:

Os quatro elementos - Terra

Por Tereza Kawall

É comum aos indivíduos com ênfase nesse elemento um contato estreito com os sentidos físicos e com a realidade do mundo material e tangível. Seu universo precisa de direção e utilidade, pois têm um forte senso de dever.
A natureza construtiva dos signos de terra é direcionada para a praticidade: ocupam-se com tudo aquilo que pragmático e sólido.

Seu enfoque básico é a funcionalidade das coisas. Norteado pelas sensações, deixa as considerações teóricas e intuições para segundo plano. Esta atitude acaba por restringi-los, pois lhes dá uma visão mais estreita, presa ao mundo das formas, o que anula qualquer outra maneira de apreensão da realidade. Por serem cautelosos, tudo o que empreendem é minuciosamente calculado e organizado.
São dignos de confiança, disciplinados, amantes da ordem e da precisão.

O tipo terra sente-se à vontade com o seu corpo, sabendo expressar sem dificuldade seus desejos físicos.
É bem típico dos signos de terra a inclusão do corpo e seus processos em todas as experiências psíquicas .
Sua medida de valor baseia-se no grau de rendimento que se traduz materialmente, ou sob a forma de posses, ou da consideração alheia geral. Por sua marcante necessidade de segurança ou por querer sempre manter os pés fincados no chão, esses tipos astrológicos podem se tornar escravos de uma rotina maçante e repetitiva.

Os quatro elementos - Ar


Por Tereza Kawall
Na Astrologia, o ar é o elemento do intelecto e simboliza o mundo das idéias e das palavras. É considerado um elemento positivo ou masculino, cuja função é estimular as trocas com o meio ambiente, a comunicação e a expressão.
Os signos de as são os mais sociáveis e tem a habilidade de se afastar da experiência mais concreta, o que lhes dá a visão de perspectiva sobre o mundo e as pessoas. São por isso ótimos companheiros e amigos.
Necessitam partilhar as experiências da vida e são ávidos por todo o tipo de estímulo intelectual e cultural, adaptando-se rapidamente às situações novas.

No nível pessoal raramente demonstram os seus sentimentos mais íntimos: são vistos como pessoas frias ou indiferentes, que racionalizam os sentimentos e não gostam de excessos emocionais. Precisam entender e questionar tudo, esquivam-se de formas de pensamento toscas ou primitivas.

Na vida social e profissional os tipos aéreos são atraídos por atividades na área da comunicação, pois são versáteis, curiosas e originais, adoram a informação rápida.Essas características dão a eles uma eterna jovialidade.

Dentre todos os elementos, o ar é o mais civilizado: curiosamente são os únicos cujos símbolos gráficos não são representados por animais e sim por figuras humanas( Aquário e Gêmeos) ou objetos criados pela mão humana( Libra).

Os quatro elementos - Água


Por Tereza Kawall

No conhecimento astrológico, a água representa o mundo dos sentimentos, a vida instintiva, íntima a subjetiva. Pessoas cujos mapas têm ênfase nesse elemento falam a língua do coração e por isso são muitas vezes irracionais, permeáveis e mesmo imprevisíveis.

Suas atitudes ás vezes infantis, pois como crianças esperam do mundo respostas de aprovação e afeto. Os signos de água são os mais enigmáticos do Zodíaco. Receptivos, envolvem-se profundamente nos relacionamentos pessoais, pois sabem “ mergulhar” na intimidade do outro.



Sua noção de realidade depende daquilo que podem sentir, o que os torna aptos a grande a decepções amorosas. Em nome da paixão e da entrega, os tipos de água absorvem tanto o parceiro que terminam por paralisá-lo, sendo notadamente este o elemento que desconhece os limites na relação amorosa.
De temperamento sensível e intuitivo, possuem uma imaginação muito criativa, deliciam- se com suas próprias fantasias e devaneios.


Na vida social são afáveis e cordiais, não tem receio de expor as suas fraqueza. Tornam-se cativantes porque, mais que ninguém, os signos de água captam as necessidades dos outros, sem fazer julgamentos ou discriminações.

“ Em alguns casos, esta experiência foi vivida na grande natureza.
Não foi somente uma experiência de beleza, a beleza estética de um por do sol ou de uma paisagem magnífica. Foi um momento, enquanto caminhávamos na floresta, ou ao pé de uma montanha, e de repente, nós paramos.
Estávamos lá.
Sentíamos nossos pés no chão , sentíamos o cheiro do musgo.
Não estávamos em um estado alterado de consciência, em um estado secundário.
Estávamos mesmo lá. Ao mesmo tempo havia um silêncio no coração e na inteligência.
Compreendíamos com o corpo o que líamos nos livros de física.
Havia uma interconexão com todos os elementos do universo. Neste momento, não era eu que olhava a árvore, mas eu sentia também que a árvore me olhava, que me envolvia com a sua presença.
Que a seiva que estava nela e o sangue que estavam em mim eram da mesma família.

Pode-se traduzir esta experiência em termos científicos. Pode-se traduzi-la em termos poéticos. Pode-se traduzi-la nas palavras de São Francisco de Assis, quando fala de sua comunhão com a natureza, do seu irmão-Sol , de sua irmã-Lua.
Neste caso existe uma experiência de onde o sujeito e o objeto não estão mais separados.


Onde o infinito e o finito não estão separados.
O ar que está no interior do cântaro e o espaço que preenche todo o universo vivem num momento de unidade”.
Terapeutas do Deserto
Jean-Yves Leloup
Editora Vozes

Por Tereza KawallA Astrologia é a leitura da linguagem simbólica, da energia criadora que se manifesta na natureza como um todo. Os quatro elementos - terra, ar, fogo e água- representam diferentes formas de expressão dessa energia e são os construtores invisíveis das estruturas da vida. Cada elemento é portanto, um tipo básico de consciência ou atividade que opera em cada indivíduo. Cada pessoa responde a essa influencia de um modo particular, conforme o padrão básico que corresponde ao seu mapa de nascimento. Cada um dos quatro elementos é representado
por três signos:FOGO: Áries, Leão e Sagitário
TERRA: Touro, Virgem e Capricórnio
ÁGUA: Câncer, Escorpião e Peixes
AR: Gêmeos, Libra e Aquário
Nesta postagem falaremos das características essências do
elemento fogo:O Fogo é a energia radiante, fonte de calor, luz e expansão. Exatamente como sua expressão na natureza, os indivíduos que tem ênfase nesse elemento são exuberantes, ardentes, espaçosos e apaixonados. Sua energia flui espontaneamente, surgindo de uma forma dinâmica, criativa e voluntariosa.

Esta auto-expressão de caráter intuitivo é fundamental para a as pessoas de fogo. Para estes indivíduos, a vida é um infinito mar de possibilidade a serem exploradas, sem fronteiras ou limites. Na afirmação da vida e da individualidade, estes signos tendem a seguir sempre em frente, superando a cada momento o que ficou no passado, pois é no futuro que estão as suas metas.


São capazes de inspirar, conduzir, liderar e apoiar os outros e é aí que se encontra grande parte de seu carisma. Possuem fé inabalável na generosidade do destino, jogando com a vida, dinheiro e emoções, muitas vezes de forma irrefletida, sem avaliar as conseqüências de seus atos.
Têm o hábito de exagerarem suas atitudes, dramatizando as situações até mesmo quando estão sozinhos. Na verdade, eles precisam deste colorido teatral das suas fantasias para se sentirem vivos.

Se porventura entram em contato com a monotonia da vida são capazes de entrar em pânico. Em seu lado sombrio, o fogo é demasiadamente auto-centrado, o que pode tornar o indivíduo insensível às condições ou sentimentos dos outros.
O orgulho, a vaidade ou a dificuldade de aceitar limites dificultam o reconhecimento de seus erro e esta característica infantil pode às vezes impedir ou retardar a sua maturidade psicológica.
“Os quatro elementos da astrologia ( fogo, ar, terra e água) são os blocos básicos para a construção de todas as estruturas materiais de todos orgânicos. Cada elemento representa um tipo básico de energia e consciência, operando em cada um de nós.
Assim como a física moderna demonstrou que energia é matéria, os 4 elementos se entrelaçam e combinam para formar toda a matéria”.

Stephen Arroyo, em Astrologia, Psicologia e os quatro elementos.

A NOTÍCIA QUE QUEREMOS VER




















Por Tereza Kawall

Passados 70 dias..
30+30+10 dias...
Assistimos todos emocionados
O desfecho surpreendente para um fato, que seria entre outros milhares,
mais um com um final “ não feliz”.
Esses 33 homens foram soterrados física, mas não espiritualmente,
Quanta força!

Se a fé move montanhas,
Nesse caso, aliada à tecnologia
A fé também abriu a montanha
E esta, perfurada, deu à luz, como uma mãe
Permitindo que seus filhos fossem ejetados do escuro
Para uma nova vida.

A despeito de toda exploração comercial deste evento
Que continuará jorrando em torno desta notícia, convites, presentes
E inúmeros documentários sobre os “ mineiros já celebridades”,
Creio que há um esgotamento
Emocional, visual e até existencial
Por parte de nós, telespectadores, em função do excesso
De notícias tristes e desesperançosas do nosso noticiário.

Esse fato poderia levar toda a mídia a repensar
Um tipo de “ bordão”, que faz a “ pauta” ser sempre mais do mesmo:
Notícia boa não vende!
Não vende o quê exatamente?
Shampoo, cortina, terrenos e salsichas?
E a vida se reduz a isso?

Se assim fosse, não teríamos ficado horas a fio
Tão encantados e emocionados vendo estas fortes imagens
Do resgate desses bravos homens.
De solidariedade, companheirismo, de fé, e os gritos da torcida!
Para cada “ recém-nascido” uma explosão de alegrias e lágrimas.
A vida não tem valor?
Então o abraço de reencontro entre o pai e seu filho de sete anos
Não vende o quê?

Sentir orgulho por homens corajosos
Importantes e heróicos porque tem caráter e dignidade nas adversidades
Se não vende, faz um bem danado à alma da gente!

Já é hora de se repensar e sobretudo mudar
Esses paradigmas da comunicação
Que engessam a qualidade da informação.
Nossas televisões deveriam ser mais corajosas,
Mostrar mais beleza, mais artes, mais conquistas,
Mais lutas a favor da natureza e dos animais
Exibir menos filmes violentos e mais pessoas inspiradoras.

Deveriam abrir espaços diferentes em nossas mentes
Empobrecidas e anestesiadas pela violência da miséria urbana.

Nossa sobrevivência,as relações pessoais, e toda a jornada humana
Já têm, por si mesmas, complexidades, desafios e espinhos de sobra.

Porque não o espontâneo e o verdadeiro?
Porque não o bom e o belo?





"Durante o século XVIII, as ciências e as tecnologias que haviam surgido no Ocidente a partir do renascimento, começaram a mudar a face do mundo. Inventos rapidamente se sucederam uns aos outros: o motor a vapor, a máquina debulhadora, o descaroçador de algodão e o antigo telégrafo; a impressora de rolo, o motor eletromagnético, a colhedeira e o telefone. Logo as descoberta da das células, das bactérias e do raio-X transformou o mundo da medicina.
Neste século, a teoria quântica, a teoria da relatividade e a fissão do átomo inauguraram a nova era da tecnologia nuclear, revolucionando nossos conceitos de tempo e espaço.

Século após século,a cultura humana se construiu sobre si mesma. O relâmpago que pôs fogo na floresta de onde o homem primitivo roubou as suas primeiras chamas, foi mais tarde utilizado para provar a existência da eletricidade. Carroças de rodas maciças inspiraram a criação de bigas com rodas de aros e,posteriormente , trens de ferro foram sendo refinados e movidos sucessivamente por cavalos e bois, vapor, eletricidade e gasolina.
Hoje combustíveis mais potentes propulsionam aeronaves que navegam para o espaço exterior, explorando planetas que nossos ancestrais apenas podiam admirar no céu da noite.

Emergindo da utilização de ferramentas de pedra, fogueiras, jarros de barros e peles de animais, a civilização humana ascendeu a um plano inimaginável a nossos ancestrais.

... A Terra e o Sol que a alimenta, foram criados por uma conjunção de circunstancias que não compreendemos inteiramente. Elementos formados em partes desconhecidas do universo juntaram-se e estabilizaram-se dentro de um equilíbrio dinâmico para dar forma ao nosso mundo e às suas características.


No curso do tempo, eles deram origem a uma variedade especial de moléculas, dotadas de códigos capazes de gerar células vivas. Num processo que ainda hoje parece milagroso, a Terra foi sendo preenchida por inúmeras formas de vida. Dentre estas, somos a mais recente e, possivelmente a mais inteligente.

Embora não seja possível sabermos a duração do nosso tempo, neste momento temos uma oportunidade preciosa de participar plenamente da vida e preencher o destino do ser humano.
Qual seria a melhor maneira de acrescermos àquilo que nos foi dado pela natureza e pelos esforços daqueles que nos precederam? Que futuro vamos construir para nós mesmos e para aqueles que nos sucederão? Que sabedoria informará as nossas ações? Que visão irá nos guiar e nos inspirar a preservar todo o que há de bom para os seres humanos e para a Terra, pondo de lado tudo o que era destrutivo?

Se as nações do mundo se unissem por laços de paz e amizade, compartilhando conhecimentos, tecnologias e recursos para elevar a qualidade de vida de todos os seres humanos, que limites haveria para os benefícios que poderiam ser colhidos?


Utilizando o poder da inteligência humana, em toda a sua extensão, podemos buscar as causas que estão na raiz das dificuldades entre pessoas, culturas e nações, e descobrir o conhecimento de que precisamos para criar o melhor futuro possível para todos os povos do mundo”.
Autor: Tarthang Tulku
Livro: Conhecimento da Liberdade: Tempo de Mudança
Editora Dharma, 1990
Instituto Nyingma do Brasil

ASAS PARA QUÊ?

Foto de Araquém Alcantara



" O simbolismo do vôo traduz uma ruptura efetuada no
universo da experiência cotidiana.
A dupla intenção desta ruptura é evidente e a um
só tempo a transcendência e a liberdade que se obtém
com o vôo.
O vôo expressa a inteligência , a compreensão das coisas secretas
ou das verdades metafísicas.

Aquele que compreende tem asas"

Mircea Eliade

Sincronicidade


Cito Jung:

“ A ciência do I Ching não se baseia no princípio da causalidade, mas em outro princípio, até o momento sem nome –por não existir entre nós – ao qual chamei experimentalmente de princípio de sincronicidade.
Minhas pesquisas no campo da psicologia dos processos inconscientes levaram-me a procurar outras explicações para esclarecimento de certos fenômenos de psicologia profunda, uma vez que o princípio da causalidade me parecia insuficiente.


Descobri, inicialmente que existem manifestações psicológicas paralelas que não se relacionam absolutamente de modo causal, mas apresentam uma forma de correlação totalmente diferente.
Tal conexão parecia basear-se essencialmente na relativa simultaneidade dos eventos, dai o termo sincronicidade...


A Astrologia seria considerada como um exemplo mais abrangente de sincronicidade, se ela apresentasse resultados universalmente seguros. Existem entretanto, alguns fatos comprovados por ampla estatística, que tornam a astrologia digna de questionamento filosófico.
Sem dúvida, seu valor psicológico é inexorável, pois representa a soma de todo o conhecimento psicológico da antiguidade”.


Carl Gustav Jung

Livro: O Segredo da flor de ouro.

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Árvores: Santuários da Vida

Por Tereza Kawall

As árvores para mim sempre tiveram
Uma magia particular
Como não se encantar com sua imponência e generosidade?
Símbolo da vida e da maternidade
Seus longos braços elevam-se em direção à luz,
E embalados pelo vento,
São como um doce abrigo para seus habitantes aéreos,
Seus ninhos e pássaros, num constante vai e vem.

Sem dúvida, as árvores estão sob a regência de Eros
Em seu amoroso intercambio
Seiva da vida que flui entre flores, abelhas,
Pássaros, frutos e homens.
Elas contornam as nascentes
E nos oferecem sua sombra em dias quentes.

A força de suas sementes traduz a sua vontade,
Triunfo da verticalidade
A vida que na terra se sustenta
E ao céu se levanta
A árvore é um milagre da natureza
Nela se fundem nossa vida terrestre
E nossa vida celestial,
Nossa unidade fundamental.

ACREDITO EM DEUS?

Rubem Alves


Ah, tanta gente quer saber se acredito em Deus! Mas eu não entendo tal pergunta porque não sei o que elas querem dizer com essa palavra “ acreditar”.
As palavras são enganosas.... Palavras são bolsos vazios. À medida que a gente vai vivendo, vai pondo coisas dentro do bolso. O bolso que tem o nome “ Deus” fica cheio de quinquilharias que catamos pela vida”.

“ Acreditar” no sentido comum que as religiões dão a essa palavra, refere-se a entidades que ninguém jamais viu, tais como anjos, pecados, santos, milagres, castigos divinos, inferno, céu, purgatório... No meu bolso sagrado “ acreditar é palavra que não entra. Ele está cheio é com palavras que têm a ver com amor, mesmo que o objeto do meu amor não exista.
Lembro-me das palavras de Valéry: “ Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem? Muitas coisas que não existem têm poder....

Eu amo a beleza da natureza, da música, de um poema. Amo a beleza das palavras de amor que os apaixonados trocam. Uma criança adormecida é, para mim, uma revelação, uma ocasião de espanto.
Acho que Bachelard adoraria nos mesmos altares que eu: “ A inquietação que temos pela criança”, ele escreveu, “ sustenta uma coragem invencível”.
Uma criança é um pequeno deus.

Para mim, a beleza é sagrada porque, ao experimentá-la, eu me sinto possuído pelo Grande Mistério que nos cerca. Sinto-me como uma aranha que constrói a sua teia sobre o abismo.
O abismo está à volta de nós, o abismo está dentro de nós.

De Deus só temos a suspeita. A beleza é a sombra de Deus no mundo.

...Estou de acordo com Alberto Caieiro: “ Pensar em Deus é desobedecer a Deus, porque Deus quis que não o conhecêssemos...”
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo e entraria pela porta dizendo-me: “ Aqui estou”.

E de acordo também com Walt Whitman... “ Escuto e vejo Deus em todos os objetos, embora Deus mesmo eu não entenda nem um pouquinho.” “Já percebi que estar com aqueles de quem gosto é o quanto basta...”
Buber concordaria. Estar junto é divino. Deus mora nos intervalos entre as pessoas que se amam.

Amo a sombra de Deus. Mas ele mesmo eu nunca vi. Sou um ser humano limitado. Só sou capaz de amar as coisas que vejo, ouço, abraço, beijo...

Tenho, isso sim, um bolso com o nome de “ O Grande Mistério”.
Mas não sei o que está dentro dele. Por vezes suspeito que é o meu coração....

Rubem Alves
Livro: Desfiz 75 anos
Editora Papirus.
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Roberto Sicuteri


“ Referindo-nos à linguagem astrológica, nós vemos que os símbolos se agrupam para formar um discurso e ativam um dinamismo capaz de provocar formações arquetípicas além do nível de alcance racional mental, para chegar às camadas mais inconscientes, onde as imagens e os símbolos operam através do tempo para então modificar a atitude consciente do sujeito.

E qual a função dos símbolos astrológicos no campo da psicologia do homem? A resposta mais imediata é esta: os símbolos da astrologia são capazes de estimular a realidade interior do homem em suas estruturas mais profundas, colocando-o em relação com os objetos projetados para o exterior na representação planetária ( relação entre o microcosmo e o macrocosmo).

A linguagem astrológica está estruturada na relação existente entre o céu e o homem, onde o céu é o significante e o homem é o significado. Assim, o céu, no momento exato de uma nascimento, com a sua particularíssima configuração astral ( base do horóscopo), é o significante do indivíduo que nasce, e este, através da leitura do próprio mapa, é levado a entrar em contato com o seu firmamento interior arquetípico.
Esse símbolos operam, portanto, na base científica astronômica( uma vez que os planetas no céu são uma realidade!), e no princípio de sincronicidade e analogia, conforme expressa Carl Gustav Jung.

Os símbolos astrológicos, assim, não são de forma alguma causais e deterministas. Ao contrário, queremos categoricamente especificar que no discurso astrológico não existe de forma alguma uma relação de causa e efeito. Pelo contrário, existe a realidade segundo a qual cada homem, no momento de nascer, é “ enquadrado” em uma determinada configuração astral e essa configuração é como que fotografada na psique inconsciente sob a forma de mensagem ou memória arquetípica”.

Roberto Sicuteri
Livro: Astrologia e Mito: símbolos e mitos do zodíaco na psicologia profunda.
Editora Pensamento
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AMIGO DE SI MESMO

Martha Medeiros


"Em seu recém-lançado livro Quem Pensas Tu que Eu Sou?, o psicanalista Abrão Slavutsky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como “Se o Cigarro de García Márquez Falasse”, “Somos Todos Estranhos” ou “A Crueldade é Humana”. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria.

Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: "Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo".

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito.

A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor.


Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: "Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza". É uma frase genial.O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende.

Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.
Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será?

Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso.


Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.
Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo".

ELEMENTAR


Elementar : Tela de Marco Mariutti, 2008.
Zero fogo; pouca terra, muita água, muito ar.


OS QUATRO ELEMENTOS


Os quatro elementos da astrologia ( fogo, terra, ar e água) são os blocos básicos para a construção de todas as estruturas materiais e todos orgânicos. Cada elemento representa um tipo básico de energia e consciência, operando em cada um de nós. Assim como a física moderna demonstrou que energia é matéria, os quatro elementos se entrelaçam e combinam para formar toda a matéria.

Quando a centelha de vida deixa um corpo humano na ocasião da morte, os quatro elementos de dissociam e voltam ao seu estado primitivo. Somente a vida, manifestando-se num todo organizado, e vivo, é que mantém unidos os quatro elementos.
Todos eles estão nas pessoas, embora cada um esteja, conscientemente, mais afinada com alguns tipos de energia do que as outras.
Cada um dos quatro elementos se manifesta em três modalidades: cardeal, fixa e mutável. Daí quando combinamos os quatro elementos com as três modalidades, temos doze padrões primários de energia, que são chamados de signos zodiacais”.
Stephen Arroyo
Livro: Astrologia, Psicologia e os quatro elementos.
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VIVER SEM MEDO




Meditação

Rudolf Steiner

Nego-me a ma submeter ao medo
Que me tira a alegria da minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada
Que me torna pequeno e mesquinho
Que me amarra
Que não me deixa ser direto e franco
Que me persegue
Que ocupa negativamente a minha imaginação
Que sempre pinta visões sombrias

No entanto
Não quero levantar barricadas por medo do medo
Eu quero viver e não quero encerrar-me
Não quero ser amigável por medo de ser sincero
Quero pisar firme porque estou seguro
E não para encobrir o meu medo
E quando me calo
Quero fazê-lo porque amo
E não por temer as conseqüências de minhas palavras

Não quero acreditar em algo
Só pelo medo de não acreditá-lo
Não quero filosofar
Por medo de que algo possa atingir-me de perto

Não quero dobrar-me
Só porque tenho medo de não ser amável
Não quero impor algo aos outros
Pelo medo de que possam impor algo a mim
Por medo de errar
Não quero me tornar inativo
Não quero fugir d e volta para o velho, o inaceitável
Por medo de não me sentir seguro de novo

Não quero fazer-me importante
Porque tenho medo de que se não, poderia ser ignorado.

Por convicção e amor
Quero fazer o que eu faço
E deixar de fazer o que deixo de fazer

Ao medo quero arrancar o domínio
E dá-lo ao amor
E quero crer no reino que existe em mim.

Existe ambiente inteiro

O fotógrafo Guido Sterkendries, que nos

presenteia com fotos espetaculares do


nosso amado planeta Terra .

LEONARDO BOFF



"Hoje mais do que nunca se faz necessária uma ética do cuidado, porque tudo está descuidado. A cada dia cerca de 20 espécies de seres vivos desaparecem de forma definitiva dada a presença agressiva do ser humano. Ele se fez um homicida das grandes expressões da biodiversidade da vida".


As palavras são do teólogo e escritor Leonardo Boff, em suas reflexões no Espaço Cultural CPFL. Ao participar das discussões sobre a vertigem do mundo contemporâneo, que produz desencontros e provoca dúvidas quanto ao próprio futuro da vida na Terra, Boff propôs o resgate da ética e do sentido da responsabilidade humana com relação ao equilíbrio perdido da natureza.

"Não existe meio ambiente. Existe ambiente inteiro", alertou, para definir:

"Esse ambiente inteiro é a comunidade de vida da qual somos parte e parcela, com a responsabilidade e missão de cuidar disso".


Para Boff, é urgente a correção de rumos, uma revisão de postura das ações humanas em relação à biodiversidade, à atmosfera, para que seja garantida a continuidade da vida. Ele lamentou:
"O ser humano veio sistematicamente agredindo e pilhando os recursos da natureza. Só que hoje ele chegou a um limite. A continuar essa lógica, ele pode ir ao encontro do pior. Pode ir ao encontro do destino dos dinossauros."



Em suas ponderações, ele manifestou esperança em que o ser humano assuma nova postura em relação à natureza, à vida toda, retomando o sentido da transcendência inerente a sua condição. Disse o teólogo:

"É essa dimensão do ser humano que transcende o princípio da pura necessidade, do puro desejo de postos de dominação, para dimensões de amorosidade, de cuidado, de generosidade.

E de solidariedade."
Blue Virgin Window, Catedral de Chartres, França.


“Religião e espiritualidade não são a mesma coisa.
Todavia são comumente confundidas. Equivale à declaração: “ Ela é um cantora excelente, faz aula de canto há anos”. É certo que existe uma ligação entre fazer aulas de canto e se tornar uma cantora profissional, mas não necessariamente. A verdade é que podemos fazer algo maquinalmente por toda a vida e nunca nos tornar de fato aquilo que tínhamos a intenção de fazer.

Com religião e espiritualidade é também assim. A primeira, a religião, tem a ver com nos conduzir a uma consciência de Deus, com nos dar as ferramentas, as disciplinas para nos prepararmos para a experiência de Deus. A outra, a espiritualidade, tem a ver com transformar a modo como vivemos como resultado daquela consciência, com infundir na vida toda um senso de Presença que transcende o imediato e lhe dá significado”.

“ A religião sem o espírito que ela deve preservar pode se tornar positivamente irreligiosa: marginalizamos os fracos, os feridos, os viciados, os outros religiosos, colocando-os fora dos limites da nossa vida perfeita. Com medo de tocar o que poderia nos contaminar. A religião – quem já não viu isso acontecer? – pode ser algo muito pecaminoso.

Se a religião em si é necessariamente tão santificadora, porque há tantas guerras, tanta matança, tanta opressão ilimitada, e tudo em nome de Deus? Talvez seja porque a própria religião às vezes perde a espiritualidade, o espírito de deus que ela prega. Apenas quando o nosso próprio coração é tão grande quanto o Deus que nos fez é que nos tornamos religiosos e espirituais.

A diferença entre religião e espiritualidade, então, é a diferença entre a ortodoxia neurótica e o misticismo. Uma é a religião para sua própria causa. O outro é a imersão de si próprio em Deus, até nos tornarmos o que dizemos estar buscando. A religião verdadeira não é para a auto-satisfação. Ela existe pelo bem do mundo – no senso hinduísta, para a criação de um tipo de carma pessoal que traz ao mundo a plenitude da vida”.

Autora: Joan Chittister
Livro: Bem-vindo à sabedoria do mundo – o que as grandes religiões nos ensinam para viver melhor.
Editora: Thomas Nelson Brasil

JUSTIÇA É UMA SÓ

Com olhos abertos
ou fechados?






















Eduardo Gianetti

“ A idéia de perfeição é obviamente uma ficção humana. Seu grande mérito – como no caso das utopias em geral- é servir como um contraste que inspire e permita realçar com tintas fortes a expressão do hiato entre o que é e o que pode ser: a distancia que nos separa do nosso potencial. Mais que um sonho,o ideal é uma arma com a qual se desnuda um mundo injusto , corrompido e opressivo”.

“ O caminho do inferno” acusava o militante São Bernardo do século XII, “ está repleto do boas intenções”.
O problema é que o imobilismo e a resignação também chegam lá. Se agir é muitas vezes perigoso, deixar de agir pode ser fatal.
A arte da convivência externa em sociedade está ligada à arte da convivência interna de cada uma a sós consigo. As regras impessoais da ética cívica são um mal necessário. Elas existem não para nos salvar, mas para nos proteger uns dos outros e de nós mesmos.

“ Poderia alguma coisa revelar uma falta de formação mais vergonhosa” indaga Platão na República “ do que possuir tão pouca justiça dentro de nós mesmos que se torna necessário obtê-la dos outros, e desse modo se tornam nossos senhores e juízes?”

Mas muito mais grave e terrível que isso, pode-se argumentar, seria uma situação na qual, embora os cidadãos reconheçam a necessidade de obter justiça de fora, esta lhe é negada ou é pervertida por um judiciário inoperante e/ou corrupto.
O grau zero da ética social cívica , contudo, seria uma situação na qual os cidadãos sentem-se de tal forma certos e convictos de que possuem dentro de si toda a justiça de que necessitam que eles passam a julgar e agir por conta própria, ou seja, sem precisar incorrer na vergonha platônica de ter que recorrer a qualquer tipo de árbitro externo para a solução de seus conflitos e desavenças”.

“ A experiência mostra que a progressiva anemia da ética cívica pode tornar-se tão corrosiva e destruidora da liberdade individual – minando a confiança, que nos sentimos justificados em depositar nos outros na vida prática e afetiva- quanto a sua hipertrofia totalitária.

O grande desafio é encontrar um equilíbrio entre as exigências da ética cívica e as demandas da ética pessoal- uma grama´tica da convivência que de alguma forma encontre o ponto adequado para a inevitável tensão entre os dois imperativos de melhor sociedade: liberdade e justiça”

Eduardo Gianetti
Auto-Engano
Companhia das Letras

31 DE AGOSTO: CELEBRANDO O BLOGDAY

APRESENTANDO CINCO BLOGUES



http://www.blogday.org/

No dia 31 de agosto festeja-se o BlogDay, uma iniciativa para podermos conhecer e apresentar cinco novos blogues as leitores.
Vamos celebrar a descoberta de novas pessoas e novos blogues!!

Cova do Urso: http://cova-do-urso.blogspot.com/ - Portugal

Antonio Rosa, astrologo, geminiano, criador da Escola de Astrologia Nova-Lis.
Seu blog é sofisticado, com belas fotos e imagens, e com matérias sérias e didáticas a respeito de astrologia, assim como artigos sobre economia, política, animais, meio ambiente, relacionamentos amorosos e espiritualidade. Um presente para a alma.
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Blog do Luís Pellegrini: http://www.luispellegrini.com.br/ - Brasil

Geminiano de carteirinha, Luís Pellegrini é jornalista, escritor, livreiro, editor; atualmente é diretor de redação da revista Planeta. Já rodou o mundo todo sob as bençãos de Mercúrio. Escreve sobre vários temas, seja política, astrologia, meio ambiente, comportamento, animais ou espiritualidade sempre de forma instigante, original e inteligente.
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Árvores de São Paulo: http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/ Brasil

Ricardo Cardim, botanico e ambientalista, fundador da Associação dos Amigos das Arvores de São Paulo, entidade que reúne pessoas interessadas em preservar o verde da capital paulistana. Contém belas fotos, farto material didático para orientação para poda, plantio, e reconhecimento das espécies de nossa flora urbana. Imperdível!
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Despertar: http://katiabueno.blogspot.com/ - Brasil

Katia Bueno, leonina, em suas palavras: Sou amante dos mistérios, dos aprendizados e da vida. Tudo é evolução, tudo é manifestação da Luz.
Neste blog a autora compatilha belas imagens, poemas, rituais, poesias, espiritualidade, astrologia, Tarot e lindas músicas .
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Ana Cristina Abbade: http://anacristinaabbade.com.br/ - Brasil
Ana Cristina é budista, aquariana - é estudiosa e praticante de Astrologia, Tarot, meditação e reiki do Budismo Tibetano. Escreve colunas de astrologia para várias revistas.Gosta de poesias, música, gatos.

http://technorati.com/tag/blogDay2010

ILUMINADOS


Iluminados

Ser capaz de experimentar a realidade como ela é, sem distorcê-la com nossas esperanças e medos, recebe, com freqüência, o nome de “ iluminação” ( enlightenment). Dizemos que uma mente que recebeu iluminação é uma mente ‘ iluminada”. É uma mente que “ viu luz”( light) ou que vê as coisas sob uma nova luz.

Mas existe um outro sentido para a palavra light, igualmente apropriado: “ leve, tornar mais leve, aliviar”. Por exemplo, “ tornar a carga mais leve”.
As cargas mais pesadas nesta vida não são nossas cargas físicas, mas nossas cargas mentais. Somos esmagados por nossa preocupação pelo passado e por nossas inquietações sobre o futuro. Essa é a carga que suportamos, a fadiga que vem da nossa temporalidade.

Iluminar a mente é libertá-la dessa carga. Uma mente iluminada Não mais é esmagada pelos apegos; é uma mente livre.
Sendo livre, essa mente deixa de ser tão séria a respeito das coisas – ela encara as coisas com mais “ leveza”, sob uma “ luz” mais leve.
Será por isso que as pessoas iluminadas riem e sorriem mais do que o resto de nós?

Sob qualquer uma dessas perspectivas – “ iluminar-se” ou “ tornar a carga mais leve” – a essência da iluminação é uma mudança de percepção. A transição do modo de ver o mundo através dos olhos da inquietação ( com todas as suas seduções, restrições e interpretações) para o modo de ver o mundo sem julgamento; ver o que é, em vez de ver aquilo que deveria ou poderia ser”.

Do livro: O Buraco branco no tempo
Auto: Peter Russel
Editora Aquariana, SP, 1992.

Padamsambhava

Padmasambhava, o "Mestre precioso", " Guru Rinpoche" é o fundador do budismo tibetano, e o Buda da nossa época.


O mestre Padmasambhava disse:

A consciência fresca no presente

Tem uma essência vazia, o Corpo Absoluto;

Uma natureza luminosa, o Corpo de Felicidade,

E um modo de emergência variado, o Corpo de Aparição.

Não podemos procurar o Buda alhures.

Mesmo meditando, permaneçamos no frescor de quem não medita;

Mesmo olhando, permaneçamos no frescor de quem não olha;

Mesmo nos apegando, permaneçamos no frescor de quem não se apega;

Mesmo nos projetando, permaneçamos no frescor de quem não se projeta;

Mesmo reabsorvendo, permaneçamos no frescor de quem não reabsorve;

Mesmo distraídos, permaneçamos no frescor não distraído;

O que quer que surja, esse frescor que está em nós.

É um estado claro como o oceano límpido;

Onde felicidade, claridade e ausência de discursividade estão espontaneamente presentes.
Enviado por Hélio Biesemeyer


Na antiga Grécia, o monte Olimpo era a morada dos deuses- nesta ilustração de Monsiau ( século 18), vemos todos eles , possivelmente discutindo o destino dos mortais: Esquerda: Hera, Hades, Dionisio, Ares, Afrodite, - direita Cronos, Helios, Ártemis, Hermes, Poseidon; acima o todo poderoso Zeus.


"Visto através das lentes planas da observação do comportamento humano, o mapa astrológico é estático: nada mais é do que uma série de traços fixos característicos, ou um mapa de potencialidades, muitas das quais, por motivos inexplicáveis, parecem não poder ser desenvolvidas perfeitamente pelo indivíduo.

No entanto, visto através das lentes tridimensionais de uma dualidade consciente-inconsciente, surge um jogo completo – repleto das curvas e reviravoltas de uma trama surpreendente, povoada de caracteres shakesperianos e tragicômicos, de tramas ornamentadas com palcos e trajes engenhosamente modificados, pontilhadas de sugestões perfeitamente sincronizadas, em que cortinas se abrem e se fecham, havendo intervalos em que todos saem para tomar uma xícara de chá.

O mapa astrológico é, de fato, um mapa de potencialidades e de traços de caráter, e revela uma imagem detalhada de personalidade do individuo como um todo. Todavia, como as personagens de uma peça teatral, todos os planetas não aparecem em cena simultaneamente; os papéis podem ser representados de várias maneiras, conforme a interpretação e a habilidade dos atores; a sincronização precisa ser coordenada por um diretor de cena que se preocupe com a opinião do público.

E alguns caracteres são incapazes de subir no alço, trancados nos bastidores pela imperiosa vontade do ego ou pelos ditames das vozes paternas, entorpecidos e acorrentados, incapazes de falar, salvo através de explosões temperamentais, de sonhos, de doenças e de compulsões, e capazes, unicamente, de usar de sabotagem para comunicar o fato de que ainda estão vivos, `a espera de serem ouvidos, a despeito dos esforços que o individuo faz para se tornar aquilo que não é.

Em todos os horóscopos há dimensões conscientes – qualidades e valores com os quais a pessoa se identifica – e há dimensões que permanecem inconscientes, em parte devido às repressões durante a fase da infância, em parte devido às expectativas e pressões sociais, e também devido a alguma convicção moral mal orientada, ou por mera ignorância do que esses caracteres realmente são”.

Liz Greene e Howard Sasportas,
Em a Dinâmica do Inconsciente
Editora Pensamento, 1990.
OBS: Correspondência dos nomes das divindades greco-romanas:
Juno, Plutão, Baco, Marte, Vênus, Saturno, Mercurio, Apolo, Diana, Netuno, Júpiter.

JARDIM DA FÉ



Jardim da fé

“ Qual é esse processo do espírito e da semente cheio de fé que toca o solo nu e o torna rico de novo?
Não tenho a resposta completa.
Só sei o seguinte: aquilo a que dedicamos nossos dias pode ser o mínimo que fazemos, se não compreendermos também que algo espera que a gente abra espaço para ele, algo que paira perto de nós, algo que ama, e que espera que o terreno certo seja preparado para que ele possa se revelar.


Só estou certa de que, enquanto estivermos aos cuidados dessa força de fé, aquilo que pareceu morto não estará morto, aquilo que pareceu perdido também não estará mais perdido, aquilo que alguns alegaram ser impossível tornou-se nitidamente possível, e a terra que está sem cultivo está apenas descansando – descansando à espera de que a semente venturosa chegue com o vento, com todas as bênçãos de Deus, e ela chegará.
Clarissa Pinkola Estés
Do livro: O jardineiro que tinha fé
Editora Rocco, 1996.

DE MANHÃ CEDO




De manhã cedo


"Uma das principais virtudes de uma disciplina diária é uma transparência adquirida em relação aos apelos de estados de espírito transitórios. Um empenho em se levantar cedo para meditar se torna independente de querer ou não querer agir assim, em qualquer manhã em especial.
A prática nos chama a um nível mais alto- aquele de lembrar da importância do estar desperto, e da facilidade com que podemos escapulir para um padrão automático de viver em que faltam atenção e sensibilidade.
Acordar cedo para praticar o não- fazer em si é um processo de equilíbrio espiritual. Ele gera calor suficiente para reorganizar os nossos átomos, entrelaça corpo e mente de um modo novo, mais forte e cristalino, entrelaçamento esse que nos mantém honestos e nos lembra de que a vida é bem mais do que fazer coisas.

Fixando-se na concentração de manhã cedo, você está se recordando de que as coisas estão sempre mudando, que as coisas boas ou ruins vem e vão, e que é possível incorporar uma perspectiva de constância, sabedoria e paz interior quando você enfrenta quaisquer condições que se apresentem”.

Jon Kabat-Zinn, em Mente Alerta.


“ Manhã é quando estou desperto e há uma madrugada em mim....
Precisamos aprender um novo despertar e nos manter despertos, não através de auxílios mecânicos, mas por uma infinita espera da madrugada, que não nos desampara no nosso mais profundo sono.
Não conheço fato mais estimulante do que a inquestionável capacidade do homem de elevar sua vida através de um empenho consciente. É algo como ser capaz de pintar um quadro especial ou esculpir uma estátua ou fazer alguns poucos objetos lindos; mas é bem mais magnífico entalhar e pintar a própria atmosfera e o meio pelo qual olhamos...
Ter influência sobre a qualidade do dia, esta é a mais sublime das artes”.

Henry David Thoreau, em Walden.