Maternidade, eis a questão

Semana passada me pediram um depoimento sobre mulheres que decidiram não ter filhos.

Tenho duas filhas planejadas e amadas. Mas nunca fui obcecada pela maternidade. Acredito que qualquer mulher possa ser feliz sem ser mãe. Existem diversas outras vias para distribuirmos nosso afeto, diversos outros interesses que preenchem uma vida: amigos, trabalho, paixões, viagens, literatura, música - até solidão, se me permitem a heresia.
Conheço mulheres que se sentem íntegras e felizes sem ter tido filhos e mulheres rabugentas que tiveram não sei por que, já que só reclamam. Há de tudo nesta vida.

Mas tenho pensado nisso, porque, dia desses, uma amiga inteligente, realizada e linda completou 50 anos e se revelou meio abatida por certos questionamentos que chegaram com a idade - uma idade que está longe de ser das trevas, mas que é emblemática, não se pode negar. Ela nunca quis ter filhos. Escolha, não impossibilidade. Tem uma vida de sonho, mas anda se perguntando: não tive filhos, será que fiz bem?

Ninguém tem a resposta. Mas é fácil compreender o dilema. Quando entramos nos 30, o relógio biológico exige uma decisão: ter ou não? Algumas resolvem: não. Criança dá trabalho, criança demanda muita atenção, criança é dependente, criança interfere no relacionamento do casal, criança dá despesa, criança é para sempre.

Tudo é verdade, a não ser por um detalhe: crianças crescem.
Crianças se transformam em adultos companheiros, crianças são quase sempre nossa versão melhorada, crianças não herdarão apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história, e isso é explosivo, intenso, diabólico, fenomenal. Aos 30 só pensamos na perda da liberdade, mas aos 50 conseguimos entender que a maternidade é muito mais do que abnegação, é uma aposta no futuro.
Não estou fazendo a apologia da maternidade, sigo acreditando que todas as escolhas são legítimas.Sendo que a escolha mais legítima poderia ser a adoção. Ou a transferência do amor para sobrinhos.

E é um investimento que, diga-se, pode ser uma pedreira e nenhum mar de rosas? Nessas horas é que faz falta uma bola de cristal. O problema é a dúvida vir nos atazanar mais adiante. A gente nunca sabe como teria sido se...
É por isso que, compensa queimar bastante os neurônios antes de decidir. Por que não ser mãe também pode ser para sempre.

Martha Medeiros










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RECEITA PARA UMA SAUDÁVEL LONGEVIDADE:

UM CORPO ALONGADO

E CONSTANTE CURIOSIDADE!

BOA SEMANA PARA TODOS.


Sobre a Curiosidade
Oriunda do latim CUR? que significa “por quê?”.Donde se formou, dentro do vernáculo, o adjetivo “curiosus”, o que indaga sempre o porquê. A curiosidade foi considerada pelos romanos “a alavanca do saber”, uma espécie de motor da evolução da pessoa.

Na orelha do meu livro de fotos “Vila Olímpia” coloquei o seguinte:
Diz a lenda que ao ser procurado para uma entrevista, o poeta americano Ezra Pound, próximo de seus últimos dias e após manter imenso silêncio durante anos, concordou, depois de muita insistência do entrevistador, em proferir uma única palavra, que considerasse significativa como mensagem:
CURIOSIDADE – Conselho aos jovens.
Comentário de Fernando Stickel, obrigadíssima!

Psicoterapia - Irving Yalom


Neste livro, Irving Yalom(foto) traz narrativas surpreendentemente verdadeiras, o escritor disseca a delicada relação entre médico e paciente. Longe de se mostrar um observador distante, Yalom se coloca no olho do furacão, confidenciando aos leitores suas fraquezas, seus preconceitos, suas antipatias e até mesmo erros. Ao contrário do que se imagina, os bons terapeutas também se entediam, se envolvem, se identificam, são involuntariamente seduzidos e repelidos, amam e odeiam os seus pacientes.


“Descobri que são quatro dados são particularmente relevantes para a psicoterapia: a inevitabilidade da morte para cada um de nós e para aqueles que amamos, a liberdade de viver como desejamos, nossa condição fundamental de solidão e, finalmente, a ausência de qualquer significado óbvio para a vida. Embora esses dados possam parecer terríveis, eles contém as sementes da sabedoria e da redenção. Espero demonstrar, nestes dez contos sobre psicoterapia, que é possível enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu
poder para a mudança e o crescimento pessoal”.

“ À medida que envelhecemos, aprendemos a tirar a morte da mente; desviamos a atenção do tema; nós a transformamos em algo positivo ( prosseguir, voltar para casa, reencontrar Deus, paz finalmente); a negamos com mitos confortadores; lutamos pela imortalidade por meio de obras imortais, lançando nossa semente no futuro por meio de nossos filhos ou abraçando um sistema religioso que ofereça perpetuação espiritual”.

“ Na verdade, a capacidade de tolerar a incerteza é um pré-requisito para a profissão.... A poderosa tentação de obter uma certeza abraçando uma escola ideológica e um sistema terapêutico hermético é traiçoeira: essa crença pode bloquear o encontro incerto e espontâneo necessário para uma terapia efetiva.

Esse encontro, o verdadeiro âmago da psicoterapia, é um encontro afetuoso, profundamente humano entre duas pessoas, uma delas ( geralmente, mas nem sempre, o paciente) mais perturbada do que a outra. Os terapeutas possuem um duplo papel: devem tanto observar quanto participar da vida de seus pacientes. Como observadores, devem ser suficientemente objetivos para oferecer a orientação rudimentar necessária ao paciente. Como participantes, entram na vida do paciente, são afetados por ela, e algumas vezes, modificados pelo encontro”.


“Devo aceitar que conhecer é melhor do que não conhecer, aventurar-se é melhor do que não se aventurar; e que magia e a ilusão, por mais magníficas e fascinantes que sejam, no final enfraquecem o espírito humano.
Eu encaro com profunda seriedade as poderosas palavras de Thomas Hardy: “Se existe um caminho para o Melhor, ele exige uma visão completa do Pior”.

“Uma vez que os terapeutas, não menos que os pacientes, precisam se confrontar com esses dados da existência, a postura profissional de objetividade desinteressada, tão necessária ao método científico, é inadequada.
Nós, psicoterapeutas, não podemos simplesmente tagarelar com simpatia e exortar os pacientes a se debateram corajosamente com os seus problemas. Nós não podemos dizer a eles você e seus problemas.
Ao contrário, devemos falar de nós e de nossos problemas, pois a nossa vida, a nossa existência, estará sempre presa à morte, do amor à perda, da liberdade ao temor e do crescimento `a separação.
Nós, todos nós, estamos juntos nisso”.

“ Mas existe o momento certo e o julgamento adequado. Jamais tire qualquer coisa se você não tiver nada melhor para oferecer em troca. Tome cuidado ao desnudar um paciente que não pode suportar o frio da realidade. E não se canse combatendo o encantamento religioso: você não é páreo para ele. A sede pela religião é forte demais, suas raízes profundas demais, seu reforço cultural poderoso demais.

No entanto, eu não deixo de ter fé, minha Ave-Maria é a invocação socrática: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”.


Do livro “ O carrasco do amor – e outras histórias sobre psicoterapia”
Irvin D. Yalom
Ediouro, Rio de Janeiro.

Sol e Criatividade















-Templo de Apolo, Grécia
-Apolo (Sol) subindo a abóboda celeste em sua carruagem



Por Tereza Kawall
A emblemática frase que havia no templo do deus Apolo, em Delfos,
“ Conhece a ti mesmo”, atravessa os tempos e está sempre sussurrando algo que soa para nós como algo muito desejável, porém indefinido, quem sabe abstrato ou inatingível.

Hoje somos tão estimulados a saber e conhecer tantas coisas que tão pouco nos interessam,
a buscar definições de formas estéticas muito distantes daquilo que realmente somos.
Desejos fortuitos se impõem por todas as frestas da mídia, invadem nossa mente, nosso cotidiano, criando “ necessidades” que de fato não temos, mas a elas nos curvamos.
E a vida, por sua vez, tem a tendência de curvar-se às nossas expectativas...

Até e espiritualidade se tornou algo assim “ prêt -à- porter” – intuímos que é importante, mas o uso que dela fazemos é meramente funcional e utilitário, pois temos fé, meditamos e oramos para conseguir coisas imediatas, e esse pragmatismo está sempre tangenciando o sentido maior e mais profundo desta experiência.

Criar o que?
Na mitologia greco-romana o deus Apolo é o próprio Sol, a representação da luz, do brilho, da visão e da consciência, pois é ele que tudo vê, iluminando nossos dias trazendo a luz e a alegria depois da passagem da noite escura.
Na Grécia antiga Apolo também foi cultuado como o deus da música e da cura ; seu filho Asclépio era o deus da medicina.
Seu santuário em Delfos era um lugar de peregrinação, muito procurado por pessoas de várias classes sociais, que ali estavam atrás de orientações ou de uma “luz” para o seu caminho futuro.
Eventualmente todos nós consultamos os oráculos, e há uma infinidade deles à nossa disposição.

“ A orientação de Delfos, não era conselho no sentido rigoroso da palavra, e sim, um estímulo para que o indivíduo e o grupo se analisassem, consultando a sua própria intuição e sabedoria. Os oráculos colocavam o problema sob um novo ponto de vista, num novo contexto onde possibilidades ainda não imaginadas se tornavam evidentes.

É um erro pensar que esses oráculos bem como a psicologia moderna, façam com que o indivíduo se torne mais passivo. Isso significaria erro terapêutico e interpretação falsa dos objetivos do oráculo.
Fazem exatamente o contrário; levam o indivíduo a reconhecer as suas possibilidades, trazendo `a luz novos aspectos de si mesmos e do seu relacionamento com os outros.
Esse processo abre as portas da criatividade.
Faz com que o indivíduo se volte para os seus mananciais criativos.”(1)

Na astrologia o Sol é o regente da casa cinco, que vem a ser a área ligada à criatividade, auto-expressão, amor, filhos; é também onde podemos perscrutar o sussurro do “quem sou eu afinal?”
É importante pensar que esse “EU” é sempre um vir- a -ser e como tal, pode ser criado e recriado em diferentes etapas da vida.Essa construção é uma árdua tarefa para toda a vida, e é preciso que se diga que o auto-conhecimento tem caminhos estreitos, subidas e descidas, dias de sol e dias de chuva. Ás vezes temos boa companhia, ás vezes estamos no deserto.

Fatos, circunstancias, geografia, genética e origem nem sempre são passíveis de mudança; há uma parcela de destino que a todos se impõe, quer aceitemos ou não.

O Sol astrológico nos informa sobre esse EU a ser revelado, que se cria a partir da mudança do OLHAR, pois a partir daí, mudo a consciência de algo, alguém e de mim. A partir da nova visão, mudamos valores, crenças , essa é a riqueza do mundo dos símbolos .
Descortinar horizontes mais ricos, sonhar mais alto, saber-se merecedor das tão desejadas mudanças.

O Sol e o signo de Leão também representam o amor, cujo poder de transformação é inegável. Feliz daquele que conheceu o poder de Eros e sucumbiu ao seu encanto. Feliz daquele que tem amor genuíno por si mesmo.

Assim, as revelações do Sol que nos chegam através destas experiências da “ criação humana” – sejam os filhos, as artes, a consciência ampliada do si-mesmo e os romances, são inequívocas e inexoráveis – espelhos para a alma refletir o que sou e o que não sou.

É preciso ter muita coragem para criar uma vida que possa refletir a essência única que habita o coração de cada pessoa. Se temos uma impressão digital, única e intransferível, ela vive e pulsa em cada um de nós, e lá está o nosso Sol natal: nossa impressão celestial”


(1) Do livro: A coragem de criar
Autor: Rollo May
Editora Nova Fronteira, RJ

Treinar a Mudança
























Bailarinas coreanas

“ É importante sublinhar o fato de que o treinamento para se obter a excelência em qualquer domínio requer uma dose considerável de prática. As abordagens ocidentais não incluem esse esforço persistente e a longo prazo para se fazer mudanças duradouras nos estados ou traços emocionais.
A idéia de treinar a mente não figura entre as preocupações que pressionam o homem moderno, como o trabalho, as atividades culturais, os exercícios físicos e o lazer”.

“ O ensino dos valores humanos é em geral considerado uma incumbência da religião ou da família. A espiritualidade e a vida contemplativa são reduzidas, assim, a meros complementos vitamínicos da alma. Os conhecimentos filosóficos que adquirimos são quase sempre distantes da nossa prática, e cabe ao indivíduo escolher suas próprias regras de vida.



Mas em nossa época, a pseudoliberdade de fazer tudo o que passa pela cabeça e a falta de referências deixa o indivíduo infeliz e desamparado. As considerações abstratas em geral incompreensíveis da filosofia contemporânea, somadas ao ritmo febril da vida cotidiana e a supremacia da diversão e do entretenimento, deixam pouco lugar para a busca de uma fonte de inspiração autêntica quanto à direção que podemos da à nossa vida.



O Dalai Lama enfatiza: “ Gostaríamos que a espiritualidade fosse fácil, rápida e barata”. Ou seja, inexistente.
É o que Chögyam Trungpa denominou de “materialismo espiritual”. Pierre Hadot, especialista em filosofia antiga, sublinha que “ a filosofia não é senão um exercício preparatório para a sabedoria”, e que uma verdadeira escola filosófica corresponde antes de tudo a determinada escolha de vida.

É necessário reconhecer que oferecemos uma resistência fenomenal à mudança. Não falamos apenas da alegria e do vigor com que nossa sociedade adota como tendência as novidades superficiais, mas de uma inércia profunda no que tange a qualquer transformação genuína do nosso modo de ser. A maior parte do tempo não queremos nem ouvir falar da possibilidade de mudar e preferimos tratar com escárnio aqueles que buscam soluções alternativas


Então, porque mudar? Seja você mesmo! Divirta-se bastante, compre um carro novo, mude de ares, consiga uma nova amante, tenha tudo, farte-se de tudo o que é estúpido e supérfluo, mas, acima de tudo, jamais toque no essencial, porque isso exige um trabalho duro, um esforço verdadeiro. Uma atitude como essa seria justificada se estivéssemos satisfeitos com o nosso destino. Mas estamos mesmo? Citando Alain mais uma vez: “ os insanos são mestres no proselitismo e, principalmente , relutam em curar-se”.

Como o ego é recalcitrante e revolta-se cada vez que a sua hegemonia é ameaçada, preferimos proteger esse parasita que nos é tão caro e nos perguntamos que seria da nossa vida sem ele- não ousamos nem pensar! Eis uma lógica do tormento bastante curiosa.

E, no entanto, uma vez que iniciamos o nosso trabalho de introspecção, descobrimos que a transformação não é nem de longe tão dolorosa quanto havíamos imaginado. Ao contrario, tão logo decidimos empreender essa metamorfose interior, mesmo que tenhamos que passar por algumas dificuldades, percebemos neste trabalho uma alegria que faz de cada passo uma nova satisfação.
O sentimento de insegurança dá lugar a uma confiança repleta de alegria de viver, e o egoísmo crônico, a um altruísmo amistoso”.






Do livro: Felicidade



Matthieu Ricard



Palas Athena Editora

Interdependência


Zen Master Thich Nhat Hanh


"Se você for um poeta.. verá claramente que há uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem uma nuvem, não haverá chuva; sem chuva, as árvores não podem crescer e, sem árvores, não podemos fazer papel. A nuvem é essencial para que o papel exista.


Sem uma nuvem, não podemos ter papel, assim podemos afirmar que a nuvem e a folha de papel intersão.

Se olharmos ainda mais profundamente para dentro desta folha de papel, nós poderemos ver os raios do sol nela. Se os raios do sol não estiverem lá, a floresta não pode crescer. De fato, nada pode crescer. Nem mesmo nós podemos crescer sem os raios do sol. E assim nós sabemos que os raios do sol também estão nesta folha de papel. O papel e os raios do sol intersão.

E, se continuarmos a olhar, poderemos ver o lenhador que cortou a árvore e a trouxe para ser transformada em papel na fábrica. E vemos o trigo. Nós sabemos que o lenhador não pode existir sem o seu pão diário e, conseqüentemente, o trigo que se tornou seu pão também está nesta folha de papel. E o pai e a mãe do lenhador estão nela também. Quando olhamos desta maneira, vemos que, sem todas estas coisas, esta folha de papel não pode existir.

Olhando ainda mais profundamente, nós podemos ver que nós estamos nesta folha também. Isto não é difícil de ver, porque quando olhamos para uma folha de papel, a folha de papel é parte de nossa percepção.
A sua mente está aqui dentro e a minha também. Então podemos dizer que todas as coisas estão aqui dentro desta folha de papel.
Você não pode apontar uma única coisa que não esteja aqui- tempo, espaço, a terra, a chuva, os minerais do solo, os raios do sol, a nuvem, o rio, o calor. Tudo coexiste com esta folha de papel. É por isto que eu penso que a palavra interser deveria estar no dicionário.

"Ser" é interser.
Você simplesmente não pode "ser" por você mesmo, sozinho.
Você tem que interser com cada uma das outras coisas. Esta folha de papel é porque tudo o mais é.Suponha que tentemos retornar um dos elementos à sua fonte. Suponha que nós retornemos ao sol os seus raios.
Você acha que esta folha de papel seria possível? Não, sem os raios do sol nada pode existir.
E se retornarmos o lenhador à sua mãe, então também não teríamos mais a folha de papel.

O fato é que esta folha de papel é constituída de "elementos não-papel".

E se retornarmos estes elementos não-papel às suas fontes, então absolutamente não pode haver papel.
Sem os "elementos não-papel", como a mente, o lenhador, os raios do sol

e assim por diante, não existirá papel algum.

Tão fina quanto possa ser esta folha de papel, ela contém todas as coisas do universo dentro dela.
Thich Nhat Hanh é autor de mais de cem livros de poesia, ficção e filosofia, fundou universidades e organizações de serviço social. Liderou a delegação budista vietnamita nas Conferências de Paz em Paris e foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz .
Nina Lima,1980.

MAMY


Tudo na minha vida.
O que me realiza.
Me mostra; tudo de bom
Que o mundo gosta.
Na sua sabedoria
Tudo aquilo que eu queria,
Se transforma, se cria
Tornando a minha vida:
Cheia de alegria.
Você é a base de minha vida,
Neste beco com saída.
Tudo o que fizeres te admirarei
E, com certeza,
Teus passos seguirei.
Tudo o que aprendi
Com você, ensinarei.
Pois tudo que saberei
No decorrer da vida,
Serão lições que tive,
De quem eu,
Sempre amarei.
Para o resto da vida
A palavra chave é
MÃE
Sempre,
Eternamente,
Claramente,
Na minha mente
Você está e estará
Sempre presente;
No meu corpo
Na minha alma
No meu ser
Por eu saber
Que o difícil será
Algum dia te esquecer.
Isso não!
Nunca irá acontecer.
Só me resta dizer:
Te amo
Mais que tudo
Na minha vida.
Sem pudor, sem rancor.
Simplesmente
Só com amor.

Por Nina Lima, 1990.

Dor da Alma

Roberto Gambini, no lançamento do livro: A Voz e o Tempo, novembro 2008.
A obra recebeu o Premio Jabuti de 2009 na categoria: Educação, Psicologia e Psicanálise.


“... então, devemos sempre nos perguntar se aquilo que inicialmente se manifesta como dor, ainda que muitas vezes negada e não nomeada, não poderá conter seu âmago uma matéria misteriosa e transformadora, que no entanto nenhuma psicologia define nem conceitua, como se fosse um território inaccessível à elaboração mental e ao entendimento.

Portanto, encaro a terapia como um trabalho capaz de tocar um cerne obscuro que nos apavora, e que até preferiríamos ignorar, que é o coração da agonia, porque lá, em seu mais íntimo, pulsa e vibra uma força de renascimento e restauração do que foi destruído e caiu nas trevas da sombra.

Algo portentoso: mas é difícil chegar nessa medula psíquica geradora de energias vitais, assim como os grandes físicos, dentre os quais Einstein, descobriram que no interior do átomo estavam aprisionadas energias descomunais. A fissão da dor e do átomo podem levar à bomba, ao suicídio e ao massacre – ou à energia nuclear.

A verdade é que mal se conhece a extensa dessa força criativa ou letal contida em estado potencial no átomo da dor.Fica assim evidente que a reflexão que vai e vem no pequeno espaço entre duas poltronas, ao longo do tempo, fundamentalmente gira em torno desse tema. Como chegar nesse caroço?....

"... queria ainda acrescentar que a alma doída adquire uma força, uma radicalidade surpreendente em sua maneira de se expressar e de entender as coisas. É como se, por sofrer, a alma se tornasse mais ousada e mais corajosa nos comentários que tem a fazer sobre esse mundo, suas desgraças, verdades e belezas.

A dor a torna mais eloqüente, mais penetrante, mais surpreendente, e esse seu modo de assim falar, podemos reconhecer em escritores, artistas, pensadores, inovadores de todos os tempos”.

“ A razão e o intelecto podem ancorar a expressão da alma; mas a origem desta expressão está nela mesma, e não nos primeiros.Essa força penetrante advém do fato de que só a alma que habitou o Hades consegue lançar luz sobre obscuridades que a luz da razão não ilumina.
Sua luz é outra.

É como se a alma que sofreu adquirisse o poder de se iluminar a si mesma, para se revelar.
O que ela faz é apenas revelar-se; o resto é com a gente. Quer dizer: a alma somos nós.
Mas quando se revela, é o nosso ego, é a nossa consciência, é o nosso humano, demasiadamente humano que tem a tarefa de fazer alguma coisa com o que foi revelado, ou a revelação se perde.
A revelação é dada, ela é o dom.
Pois ouso dizer que a origem do dom é a dor”.


Do livro: A Voz e o Tempo- Reflexões para Jovens Terapeutas
Ateliê Editorial, 2008





Dia dos Animais - 4 de Outubro




























Por Tereza Kawall
Revista Planeta, outubro de 2009.

É inegável que o interesse pela vida animal vem crescendo de forma expressivanos últimos anos.
Quem não se encanta com os bailados dos golfinhos e das baleias, com a diversidade dos peixes e dos extraordinários cenários do fundo do mar? E como não se deliciar com as estratégias de sobrevivência , o instinto de proteção e carinho entre os animais selvagens?
Documentários, fotos, aquários gigantescos, zoológicos de todo mundo exibem animais e seus filhotes como verdadeiras celebridades, fascinando público de todas as idades.


Os animais domésticos, em especial os cães e gatos tem essa deliciosa imprevisibilidade, seus humores, tristezas, a espera ansiosa por nossa volta á casa, e tantas outras situações que de uma forma ou outra sacodem nossos sentimentos, mau humor, alegria ou preocupação.


É fácil perceber que a ligação emocional com os animais se dá , basicamente, através deste mecanismo fisiológico mais instintivo e primário, que nossa comunicação com eles se dá através do corpo, são gestos, brincadeiras olhares, os inúmeros estímulos sensoriais que tanto nos fazem bem. Nos deixamos seduzir pelos seus olhares, manifestações explícitas de carinho e saudades, e claro, por sua capacidade em nos entender.
São seres que têm calor, cheiro, brincam, rosnam, pulam – nossos queridos e sedutores companheiros têm vida, enfim.


Não é novidade para ninguém que qualquer relacionamento amoroso ou de intimidade nos torna mais felizes, e sobretudo que esse bem estar tem um impacto muito positivo em nossa saúde, e na forma de superarmos as adversidades da vida.
A ligação emocional com os animais é um suporte psíquico precioso, promove o bem estar, reduz o stress.

Sabemos que a natureza é sábia, e certamente não se enganou, pois de forma geral, todos os animais de todas as espécies são sempre graciosos quando filhotes. Nossos bebês não fogem à regra. .Para nos desenvolver, como mamíferos que somos, também necessitamos de companhia, segurança, calor e alimento, seja este físico ou emocional.


Ao lado de nossos companheiros, podemos mostrar nossa fraqueza, desamparo, dor, ou a força e a coragem – saber que somos importantes na vida de alguém, ou simplesmente falando, sermos amados.


A vida moderna com sua parafernália tecnológica é capaz de sobrecarregar nosso neo-cortex ou cérebro racional, mas não podemos prescindir dela.
Por outro lado, a relação com nossos animais, com vimos, ao estimular o nosso cérebro emocional, acaba por resgatar nosso lado mais sensorial e afetivo. Entendemos que este seja um fenômeno de compensação psíquica bastante positivo, pois precisamos “ acordar” para nossa vida amorosa e instintiva, e cuja sabedoria a Mãe Natureza não nos deixa esquecer.

Bibliografia:

1.) CURAR – stress, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise .
David Servan-Schreiber
Sá Editora, S. Paulo


2.) Eu falo, tu falas ...eles falam.
Sheila Waligora
Scortecci Editora,S. Paulo
































































A linha e o linho

Bordado de Silvia Merckel

A Linha e o linho

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse pano e voce fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando, ponto a ponto, nosso dia-a-dia

E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O ziguezague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão

A sua vida, o meu caminho, nosso amor
Você e a linha, e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado a casa, a estrada, a correnteza
O Sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza.

Canção de Gilberto Gil para Flora,1983.