Ondas

foto: Clark Little

Passeio em sonhos

Pelas brancas cabeleiras das ondas

Que se estilhaçam

como ínfimos cristais aquáticos


Obedecendo aos ventos e às correntes

Avançando ligeiro, de encontro à areia.

E retornando a si mesmas,

Deslizam, num súbito encaracolar


Como uma reverência profunda, infinita

Prontas para uma nova impulsão

Um novo ciclo

Mares, rios, oceanos

Quantos mistérios e nuances

Quanta majestade

Em teu silencioso murmurar.
Tereza Kawall,1989

Inteligência Espiritual

Leonardo Boff

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência.
A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard Daniel Goleman, com seu conhecido livro "Inteligência Emocional"
(QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura debase do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos).
Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo.
Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidadese se orientar por visões transcendentais.Sua base empírica reside na biologia dos neurônios.

Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.
Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''.
Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre esteve lá, embora não perceptível conscientemente.
A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie humana. Ela constitui uma referência de sentido para a nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopóliodas religiões. As religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.


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Equilíbrio e destino





















“A tradicional imagem da Roda da Fortuna comprova a preocupação da humanidade com o destino, pela forma como vemos o mundo: subimos para cair e caímos para subir. Uma versão moderna dessa idéia é o acaso: estamos à mercê da aleatoriedade, e a má fortuna pode bater à nossa porta a qualquer momento. Não recebemos o que merecemos, e sim o que nos acontece por acidente. Se nos sentimos vulneráveis ao acaso, como podemos ser positivos o suficiente para relaxar?

Se acreditamos no acaso ou no destino, o que interessa é em que grau somos fatalistas. Existem prós e contras na resignação: aceitar coisas que acontecem e que não podem ser evitadas é uma boa coisa, mas aceitar um destino que poderia ser mudando se tivéssemos nos colocado numa marcha diferente é um triste desperdício de nosso potencial pleno.

Uma abordagem pragmática, sem nenhuma implicação doutrinária ou religiosa, é atingir um equilíbrio ponderado, baseado numa avaliação realista do que podemos e não podemos controlar em nossa vida. Pense nisso como se conduzisse um barco em águas perigosas.
Aplicando nossos conhecimentos, talentos e experiências, podemos manter em curso a embarcação e determinar a sua direção – mas só se reconhecermos o poder das correntes do oceano e trabalharmos com elas em vez de contra elas.

Por fim, podemos controlar o barco, mas não o movimento do mar. Aceitar grandes infortúnios de fato requer muita tolerância e coragem, mas aceitar infortúnios menores é algo em que todos deveríamos ser capazes de nos educar sem muita dificuldade”

Mike George
Do livro: Aprenda a relaxar
Editora Gente, São Paulo

Amor por mim!














Ilustrações: Joan Perrin Falquet

"Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo. Vivo em harmonia e equilibro com todos que conheço. Bem no centro de meu ser existe uma fonte infinita de amor. Agora deixo este amor vir à tona. Ele enche meu coração, meu corpo, minha mente, minha consciência, todo meu ser e irradia-se de mim em todas as direções, voltando-se a mim multiplicado.


Quanto mais uso e dou, mais tenho para dar.O suprimento e é infinito. Sinto-me bem com o amor, e essa sensação é uma expressão de minha alegria interior. Eu me amo.

Portanto, cuido carinhosamente de meu corpo. Amorosamente eu o alimento com comidas e bebidas nutritivas. Amorosamente exercito e arrumo meu corpo, e ele, com carinho me responde com saúde e energia vibrantes. Eu me amo.

Portanto, dou-me um lar confortável, que atende minhas necessidades e onde sinto prazer em morar. Encho seus cômodos com a vibração do amor, e assim, todos os que nele entram, eu inclusive, sentem esse amor, e por ele são nutridos. Eu me amo".


Louise Hay
Do livro “ Você pode curar a sua vida”
Editora Best Seller






Boas surpresas!



As conseqüências do avanço científico e neurotecnológico são de fato imprevisíveis. O poder que o progresso técnico confere é como um avião a jato - pode ser usado para aumentar a liberdade e o bem estar ou para a realização de atentados terroristas e o bombardeio de civis indefesos. O avanço dos meios é patente, mas e os fins?

Nenhum sistema sócio-economico, salto tecnológico, descoberta científica, dogma religioso ou pacote ideológico resolverá os nossos problemas por nós. A questão fundamental que temos pela frente é de ordem ética. A velha pergunta socrática - como viver- nunca foi mais urgente.
O saldo do século XX, estamos de acordo, não foi nada animador. Mas a esquisitice do ser humano é tamanha que dela se pode esperar qualquer coisa, inclusive – porque não?- boas surpresas.

Quem sabe a banalização da felicidade não leve os homens se darem conta de que, nesta vida, nada é tudo, nem mesmo a felicidade? Foi graças ao sofrimento e à dor que o animal humano adquiriu a autoconsciência. É a consciência do sofrimento e do júbilo compartilhados que nos une e nos vincula uns aos outros.

A dor e o mistério de existir são prerrogativas das quais a humanidade jamais consentirá em abrir mão. A magia e o encanto da existência - estar vivo e viver entre os vivos - se renovam nessas fontes.
O absurdo e a inquietude têm suas compensações”.


Eduardo Gianetti
do livro: Felicidade
Companhia das Letras, SP.

Humildade e Felicidade


Fotos: James Nachtwey


Sua Santidade, o Dalai Lama, em sua residência em Dharamsala, India.


“A humildade é um valor esquecido no mundo contemporâneo. A nossa obsessão com a imagem que temos que projetar de nós mesmos é tão forte, que paramos de questionar a validade das aparências e passamos a buscar incessantemente uma aparência melhor.
Diz o adágio tibetano: “ A água das boas qualidades não se acumula no topo do rochedo do orgulho”.

Os jornais dedicam cada vez mais espaço às colunas sociais, sobre as “pessoas que são notícia”, publicando as suas avaliações sobre quem está na moda e quem na está. Diante disso, que lugar resta para a humildade, um valor tão raro que poderia ser relegado ao museu das virtudes obsoletas?

O conceito de humildade é muitas vezes associado ao desprezo por si mesmo, `a falta de confiança nas próprias capacidades, um sentimento de inferioridade, sentimento de menos-valia ou de não ser digno. Isso é subestimar consideravelmente os benefícios da humildade, pois se a suficiência é privilégio do estúpido, a humildade é a virtude fecunda daquele que sabe quanto ainda tem a aprender e a extensão do caminho a ser percorrido.
Na ausência do sentimento de ser o centro do universo, o homem humildade está aberto para os outros e se situa na perspectiva justa de interdependência.

A humildade também se traduz em uma linguagem corporal desprovida de arrogância e ostentação. Nas viagens que fiz com em companhia de Sua Santidade o Dalai Lama, vi com meus próprios olhos a imensa humildade, cheia de um amor bondoso, que tem esse homem universalmente reverenciado. Ele sempre está atento a todos e jamais se coloca como uma pessoa importante.

Certo dia, quando entrávamos em uma sala onde o Parlamento Europeu oferecia um banquete em sua honra, ele percebeu que os cozinheiros o observavam de trás de uma porta semi-aberta. Antes de mais nada, dirigiu-se a eles para visitar a cozinha e pouco depois reapareceu, dizendo ao presidente e aos quinze vice-presidentes do Parlamento: “Que cheiro delicioso!”
Uma excelente maneira de quebrar o gelo em um refeição tão solene”.

Matthieu Ricard
Do livro: Felicidade, a prática do bem estar
Editora Palas Athena, São Paulo

AMAR


Amar: Libertar o julgamento

Amar não é algo que fazes
Não é como te comportas.
Não há nada que faças que constitua amar alguém,
Nenhuma ação que seja em si, de amor.
Amar é um modo de ser.
É simplesmente ser.
Ser com o outro, seja ele como for.
Não manter julgamentos, nem planos.
Sem necessidade de fazê-lo experimentar teu amor.
Sem desejo de demonstrar amor.
Sem intrusão na alma do outro.
Nada, senão a total aceitação do ser do outro,
Nascida da tua aceitação de teu próprio ser.

Peter Russel
Do livro: O buraco branco no tempo
Editora Aquariana