Caminho do Meio

Por Tereza Kawall


Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, em sua extrema simplicidade e plena de sabedoria, diz que muito se surpreende com a forma que nós, ocidentais, temos de nos posicionar perante as situações da vida: é tudo ou nada, é oito ou oitenta.

De fato, uma das premissas budistas é alcançarmos gradativamente o Caminho do Meio”.


“Caminho do Meio (Madhyama Pratipad, em sânscrito) é uma tradicional expressão budista que procura, de um modo sucinto, apontar o rumo àqueles que se propõem a dar seus primeiros passos em direção à sabedoria ou, pelo menos, ao alívio de seus conflitos.

As margens de um caminho não são opostas por si mesmas, tornam-se opostas em função do ponto de vista do caminhante. O lado direito e o esquerdo são os do caminhante, não os do caminho. Vale dizer, os da alma do caminhante, que facilmente projeta neles suas tensões em conflito. E é bom que o faça, pois a metáfora do caminho traz consigo diagnósticos e esperanças de transformação.” ( Rogério Malaquias)
O que assistimos em Copenhagen ( COP 15) nos últimos dia me fez lembrar a balbúrdia e o caos de uma moderna Torre de Babel, onde todos querem falar, todos têm suas razões, mas as suas necessidades e suas motivações são muitíssimo diferentes, ou seja, não falam a mesma língua.A complexidade e o tamanho dos problemas seria e foi o grande entrave para os acordos acontecerem.
Os radicalismos e protestos são necessários para despertar dos governantes e mandantes do mundo cuja sonolência é sempre embalada por interesses econômicos, uma vez que a língua do “ dinheiro” todos conhecem muito bem!
Os temas ambientais e suas inúmeras formas de preservação e equilíbrio aí estão, bem de frente ao nosso nariz. Vieram para ficar e serão a tônica de grandes decisões no cenário político e econômico par as próximas décadas.

Embora um grande e efetivo acordo não tenha acontecido, o evento em si teve uma função muito importante em promover a escuta, a preciosa troca de informações. Pudemos ver que as ONGs como um poder paralelo têm grande força, e uma resposabilidade heróica e histórica, e que muito devemos à elas pelas conquistas do passado e do futuro.
Ainda que outros encontros já tenham acontecido e que a frustração tenha sido geral, lembro das palavras de um filósofo latino americano, ao afirmar que as ONGs são pequenas, mas parecem milhares de mosquitos em cima de um rinoceronte, não passam desapercebidas!

Melhor haver uma “ carta de intenções” do que a negação de um problema; enterrar a cabeça na terra, como prefere o avestruz, tem sido a orientação mundial, o que fez o problema tornar-se mais emergencial e dramático.

Na COP 15, pudemos assistir um grande “ ensaio” : havia diretores, um espaço, um cenário, um
roteiro com um script a ser seguido, as falas dos muitos atores, cada um fazendo o seu papel, de acordo com a sua consciência e visão de mundo.


Mais uma vez : luz, câmera, ação!

Quem sabe, num futuro próximo, possamos assistir um espetáculo mais bem coordenado, pautado pelo bom senso e decisões inteligentes.

Há uma frase conhecida que diz:
“Não jogue fora o bebê e a água do banho juntos”
Um bebê, antes de andar, só sabe mesmo engatinhar.
Aguardemos!

Link: http://www.rubedo.psc.br/artigos/camimeio.html

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