Qualidade de vida = Qualidade do pensamento

foto: Araquém Alcantara

Por Tereza Kawall

Dê “ passagem" aos pensamentos,
Recue um pouco, observe-os, sinta-os,
Veja que eles vão e voltam, rodopiam
Cansam, repetem cantilenas monótonas
Parecem ficar pendurados na gente,
Alguns são mais encantados e articulados
Afinados com a realidade objetiva,
Querem chegar a algum lugar,
Outros nos fazem reféns
De suposições infrutíferas, caóticas
Inibem a criatividade da ação
E das novas perguntas,
E da reflexão que promove mudança.

Dê passagem aos pensamentos, não se apegue a eles,
Não se identifique muito com suas vozes
Que são estridentes e dissimuladas
Eles não são a verdade, tampouco a realidade,
São a nossa interpretação dela
Que varia de acordo com nossa paisagem interior
Quem sabe até do nosso bom ou mau humor.
Dê passagem aos pensamentos, percepções, aflições
Deixe-os ir, abra a gaiola, crie espaços
Para imaginar e deslizar mais no aqui-agora.

Nossos pensamentos negativos
Nos perseguem, inexoravelmente
Como a roda barulhenta da carroça
Que igualmente persegue os passos dos bois,
Que preferem andar sempre
Pelos mesmos caminhos, e quando empacam.....
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“Talvez o único local onde possamos realmente nos sentir livres seja em nossa mente. No entanto, o pensamento é sensível ao crescimento de rotinas restritivas.
Muitas vezes, nossas ansiedades são tão habituais que, ao pensarmos em possíveis soluções para elas, caímos nas mesmas respostas.
Ao tentar várias vezes chegar ao centro do labirinto, nada conseguimos aprender sobre as voltas erradas que demos.
Libertar o pensamento do hábito é um dos mais difíceis desafios que enfrentamos na busca por satisfação. Qualquer tentativa vai imediatamente de encontro a um obstáculo, pelo fato de que o pensamento ser tanto objeto quanto meio da nossa análise.

Facilmente ficamos emaranhados no paradoxo, com uma sensação frustrada de nó comprimindo a mente.
Se isso ocorrer, pare de pensar e dedique-se a alguma coisa mais física e rotineira. A meta é abrir caminho por entre as camadas da complicação, e não adicionar mais.
Para ajudar o pôr ordem num cenário mental caótico, o ideal é identificar quatro níveis de pensamento.

Níveis de pensamento

O primeiro ( mais baixo) nível é o pensamento negativo. Ele é crítico, bravo, medroso, egoísta e preguiçoso. Só causa tristeza e desconforto.
O segundo nível é o pensamento inútil, no qual a tendência é ficar chocando o passado.
Preocupamo-nos sobre o que aconteceu ou o que poderia ter acontecido e gastamos tempo nos sentindo ansiosos a respeito de coisas que não podemos ter controlar.
Em seguida, temos o pensamento necessário, como “ preciso comprar comida” e “ preciso apanhar meus filhos na escola”.
No entanto, o nível mais elevado é o pensamento positivo. Ele cria paz, amor e criatividade; encoraja a harmonia e a felicidade.
Conhecendo esses níveis, podemos liberar nossos pensamentos, elevando-os ao nível mais alto, libertando assim, das algemas do hábito”.

Mike George
Aprendendo a Relaxar
Editora Gente, SP

“ Os pensamentos podem ser nossos melhores aliados ou piores inimigos.Quando fazem com que sintamos que o mundo inteiro está contra nós, cada percepção, cada encontro, e a própria existência do mundo tornam-se fontes de tormento. São os nossos próprios pensamentos que se erguem como inimigos. Eles percorrem a nossa mente como o estouro de uma boiada; cada um cria seu pequeno drama, causando uma confusão que aumenta cada vez mais. Nada vai bem do lado de fora, nada vai bem no interior”.

Do livro: Felicidade
Matthieu Ricard
Editora Palas Athena



“ O simples fato de nos perguntarmos se existem outras possibilidades, faz com que a visão da nossa situação se amplie; podemos parar, ver e refletir, antes de nos comprometermos, de forma mais inteira, com as nossas maneiras habituais de conhecer. Se reconhecermos que, apesar dos fatos que provocam frustração ou dor, é dentro da nossa própria mente e do nosso coração que os sofrimento ocorre, podemos começar a avaliar os nossos recursos internos e aprender a confiar neles de uma nova forma”.


Do livro:Conhecimento da Liberdade
Tarthang Tulku
Editora Palas Athena

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 26 de novembro de 2009 18:16

    Seu texto, Tereza, é muito gostoso de se ler e de se fazer sentir. A realidade externa, passa pelo filtro da interpretação de nosso interno. Os pensamentos, atrelados a conceituações equivocadas, distorcem a realidade e provocam mal-estar.Além disso, quando a cabeça é o senhor absoluto, com pensamentos que tagarelam sem parar, o ser fica esmagado e comprometido. Quando isto ocorre, é interessante se ter consciência do fato e procurar recursos que auxiliem ao restabelecimento do equilíbrio interno. Imagem serena , que transmite a sensação do "dar passagem". Ótima composição no arranjo deste post! Beijos.