Apagou o quê?











A luz necessária

Por Tereza Kawalll
O medo do escuro caminha ao lado história da humanidade, está na memória da nossa genética ancestral, ou no Inconsciente coletivo, para quem assim preferir.

Somos cada vez mais dependentes de uma tecnologia que de um lado nos serve, e por outro nos escraviza. Somos consumidores ou seres consumidos pela voracidade e por um sistema social que prioriza acima de tudo a eficiência e a produtividade
Em seu afã cientificista ou iluminista, o homem moderno acreditou ter dominado a natureza através e do conhecimento e da tecnologia, tornando-a mais previsível e “domesticada”.

Quanta ilusão! A natureza tem, claro, muito ciúmes de seus mistérios, e que vem sido desvendados pela ciência de forma espetacular por um lado, mas o preço a ser pago pelos excessos , em nome de um suposto “ desenvolvimento” e riqueza de poucos, já foi longe demais.

A saturação e o esgotamento na Mãe Natureza é algo absolutamente visível e palpável, mas a miopia e a inércia, mesclados com a ganância igualmente indomável dos poderosos não priorizam a urgência e gravidade do problema.

A mesma natureza , em forma de furacões, maremotos, raios e tempestades que tanto aterrorizava o homem das cavernas, é a mesmíssima que hoje nos deixa impotentes e horrorizados com a força e sua violência, seja em ciclones, incêndios, tsunamis, inundações e por aí vai.
Antes eram fenômenos naturais, e atualmente ainda o são, mas levam consigo muito da estupidez e do imediatismo que tanto caracterizam a cultura ocidental moderna.
Progresso a qualquer custo, e lá se vão nossas árvores, gramados, pássaros,
rios, noites estreladas....


Na mitologia grega, encontramos o mito de Prometeu, o herói semidivino que roubou o fogo sagrado de Zeus para entregá-lo aos homens.


“O fogo é o símbolo do espírito humano e das suas criações posteriores. Esse elemento foi fundamental para a evolução das civilizações. Permitiu ao homem cozinhar seus alimentos, forjar matérias primas em artefatos da cultura, fazer armas, se proteger do frio - a fogueira sempre esteve ligada aos processos de socialização. Por analogia, temos a imagem do fogo como a luz, símbolo do progresso e da evolução da consciência. Sem o fogo, o homem estaria condenado a viver nas grutas ou cavernas, e portanto, na escuridão.

Prometeu representa o impulso pela vida civilizada, o anseio humano de avançar através da tecnologia; rebelde com causa esse herói semi-divino é o princípio humanizador evolutivo, a inteligência humana, que ao desvendar os segredos da natureza, supostamente terá controle sobre ela.
Prometeu abriu o caminho para que os homens pudessem alcançar o progresso e tudo o que chamamos de civilização; o fogo roubado dos deuses nunca foi devolvido, significando simbolicamente que o conhecimento uma vez adquirido nunca mais se perde”.


Apagão mental?

A luz que nos parece subtraída não é de outra natureza, e não mereceria uma outra reflexão?
Nosso frágil “ homo tecnologicus” não está se privando da luz da própria consciência?
A exacerbação do conflito progresso versus natureza encontrará uma reposta?

É possível que Prometeu, um ser radical e provocativo, num momento de impaciência tenha devolvido momentaneamente o fogo sagrado à Zeus com o intuito de nos fazer acordar e repensar o que estamos fazendo em nome deste vazio frenesi tecnológico, virtual, relacional e existencial.

O homem tem uma mente extraordinariamente criativa e potente, e as suas conquistas feitas permitiram feitos maravilhosos em todas as áreas, seja social, econômica, cultura, espiritual, etc.

Precisamos urgentemente desta criatividade para tornar a vida que (ainda) temos mais qualitativa e menos quantitativa, mais real e menos virtual, mais afetiva e menos racional, mais prazerosa e menos ambiciosa.

Link: http://www.constelar.com.br/133_julho09/zeusprometeu.php

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 14 de novembro de 2009 18:38

    MA-RA-VI-LHO-SA Reflexão! Análise profunda e crítica quanto à nossa atual realidade. Caótica, por toda uma inversão de valores, distanciamento da Natureza e da natureza interna, o externo como guia e a perda de contato com nossa essência. Apagou-se a criança interna, e cristalizaram-se adultos padronizados e macanicistas. Apagou-se a consciência e cresceu a alienação. Alienação, tida como o real pecado (segundo a ótica teológica dos monges beneditinos). O alienar-se de si, em última instância, com um mergulho profundo em um apagão sem fim, faz de cada ser dito humano, como um indivíduo sem identidade e robotizado. E assim caminha a humanidade... sem seu Eu Superior como bússola, com sua embarcação totalmente à deriva. Mas, felizmente, algumas consciências ainda encontram-se neste turbilhão, que fazem a grande diferença. Bacione.