Labirinto de Chartres

Labirinto, símbolo da busca do Si-mesmo.


Vitral Rosa, Catedral de Chartres, França.

Luis Pellegrini

"Como se não bastasse, a Catedral de Chartres trouxe ainda, até nossos dias, uma herança medieval tão preciosa quanto rara: um labirinto circular que ocupa toda a largura da sua nave central. Das muitas catedrais francesas que possuíam a labirintos similares, Chartres é a única que o conservou. Além disso, esse labirinto é considerado o maior de todos os que foram realizados: faltam apenas onze centímetros e meio para que seu diâmetro atinja treze metros.

O labirinto de Chartres é até hoje perfeitamente visível com suas pedras escuras encastradas no pavimento de pedras claras. Mas, infelizmente, mesmo esse labirinto não está completo. No seu centro havia, segundo testemunhos históricos, uma grande placa de cobre com a imagem, em relevo, do combate mitológico entre o herói Teseu e o Minotauro. Esta placa foi provavelmente removida em 1792, época da Revolução Francesa, e usada para a fabricação de canhões.
Mesmo os estudiosos católicos concordam hoje que o labirinto de Chartres, bem como os que existiam em outra catedrais francesas, é uma herança do labirinto antigo, um símbolo muito importante do pensamento filosófico e religioso do paganismo.

O labirinto é também símbolo importante no contexto da moderna psicologia, particularmente a psicologia analítica que se interessa pelos símbolos arquetípicos. Está ligado ao mito da luta do princípio heróico e solar ( Teseu) contra o princípio animal e noturno( Minotauro) A busca através do labirinto torna-se a busca do próprio Ser, e a imagem do labirinto aproxima-se à das mandalas da Índia e do Tibete.
É uma representação do indivíduo, do seu centro espiritual e da emanação cada vez mais intensa desse centro em direção às zonas exteriores.

Símbolo de tipo universal, usado pelo homem desde os tempos das cavernas, o labirinto representa também um sistema de defesa, anunciando a presença de alguma coisa preciosa ou sagrada que deve ser protegida.
Pode ter também uma função militar, para a defesa do território, de uma cidade, de uma tumba, de um tesouro; ele permite o acesso apenas aos que conhecem os planos de sua construção, aos iniciados.
Tem uma função religiosa contra os ataques do Mal; o Mal não é apenas o demônio, mas também o intruso, aquele que quer violar os segredos, corromper o sagrado, destruir a delicada intimidade das relações com o divino.

Mas o labirinto conduz também ao interior do si-mesmo, na direção de um santuário interior escondido, no qual encontra-se o aspecto mais misterioso da pessoa humana.
O labirinto é, finalmente, a imagem do homem e do seu destino; aquele que sabe ler, interpretar e desenhar o labirinto do seu espírito, esse é um eleito dos deuses.
Conhece o segredo dos mundos e a estrada que o levará de volta ao seio de essência primordial e indiferenciada: o núcleo central de todo labirinto.

Os sábios católicos da Idade Média sabiam de tudo isso. Conheciam a o significado profundo desses símbolos arcaicos, como a Madona Negra, o poço subterrâneo, o labirinto. E por isso introduziram e conservaram suas representações na própria estrutura interior de um dos maiores lugares sagrados da Cristandade: a Catedral de Chartres".

Do livro: Os pés alados de Mercúrio
Luis Pellegrini
Editora Axis Mundi, SP.













3 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 1 de novembro de 2009 22:54

    MA-RA-VI-LHO-SO! Sou apaixonada por este tema e pela arquitetura da Catedral de Chartres. Tereza, um livro que também aborda sobre este tema é: "A Caminho de Avalon" de Jean Shinoda Bolen. Conhece? Beijinhos.

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 2 de novembro de 2009 13:02

    Tereza, a imagem do labirinto, qe você selecionou, é sensacional! A visualização e a mentalização da mesma, produz uma sensação intensa de conexão interna fabulosa. Linda! Um ótimo feriado! Beijos.

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 5 de novembro de 2009 16:28

    É esta imagem dos vitrais que tinha em minha agenda. E novamente ao contemplar este labirinto, "vejo" nele também, a sua sacralidade interna, Tereza. Ela pertence a você e à sua menina. Sua alma é dotada de muita riqueza, que já se manifestava desde sua infância. Beijinhos.