Sol e Criatividade















-Templo de Apolo, Grécia
-Apolo (Sol) subindo a abóboda celeste em sua carruagem



Por Tereza Kawall
A emblemática frase que havia no templo do deus Apolo, em Delfos,
“ Conhece a ti mesmo”, atravessa os tempos e está sempre sussurrando algo que soa para nós como algo muito desejável, porém indefinido, quem sabe abstrato ou inatingível.

Hoje somos tão estimulados a saber e conhecer tantas coisas que tão pouco nos interessam,
a buscar definições de formas estéticas muito distantes daquilo que realmente somos.
Desejos fortuitos se impõem por todas as frestas da mídia, invadem nossa mente, nosso cotidiano, criando “ necessidades” que de fato não temos, mas a elas nos curvamos.
E a vida, por sua vez, tem a tendência de curvar-se às nossas expectativas...

Até e espiritualidade se tornou algo assim “ prêt -à- porter” – intuímos que é importante, mas o uso que dela fazemos é meramente funcional e utilitário, pois temos fé, meditamos e oramos para conseguir coisas imediatas, e esse pragmatismo está sempre tangenciando o sentido maior e mais profundo desta experiência.

Criar o que?
Na mitologia greco-romana o deus Apolo é o próprio Sol, a representação da luz, do brilho, da visão e da consciência, pois é ele que tudo vê, iluminando nossos dias trazendo a luz e a alegria depois da passagem da noite escura.
Na Grécia antiga Apolo também foi cultuado como o deus da música e da cura ; seu filho Asclépio era o deus da medicina.
Seu santuário em Delfos era um lugar de peregrinação, muito procurado por pessoas de várias classes sociais, que ali estavam atrás de orientações ou de uma “luz” para o seu caminho futuro.
Eventualmente todos nós consultamos os oráculos, e há uma infinidade deles à nossa disposição.

“ A orientação de Delfos, não era conselho no sentido rigoroso da palavra, e sim, um estímulo para que o indivíduo e o grupo se analisassem, consultando a sua própria intuição e sabedoria. Os oráculos colocavam o problema sob um novo ponto de vista, num novo contexto onde possibilidades ainda não imaginadas se tornavam evidentes.

É um erro pensar que esses oráculos bem como a psicologia moderna, façam com que o indivíduo se torne mais passivo. Isso significaria erro terapêutico e interpretação falsa dos objetivos do oráculo.
Fazem exatamente o contrário; levam o indivíduo a reconhecer as suas possibilidades, trazendo `a luz novos aspectos de si mesmos e do seu relacionamento com os outros.
Esse processo abre as portas da criatividade.
Faz com que o indivíduo se volte para os seus mananciais criativos.”(1)

Na astrologia o Sol é o regente da casa cinco, que vem a ser a área ligada à criatividade, auto-expressão, amor, filhos; é também onde podemos perscrutar o sussurro do “quem sou eu afinal?”
É importante pensar que esse “EU” é sempre um vir- a -ser e como tal, pode ser criado e recriado em diferentes etapas da vida.Essa construção é uma árdua tarefa para toda a vida, e é preciso que se diga que o auto-conhecimento tem caminhos estreitos, subidas e descidas, dias de sol e dias de chuva. Ás vezes temos boa companhia, ás vezes estamos no deserto.

Fatos, circunstancias, geografia, genética e origem nem sempre são passíveis de mudança; há uma parcela de destino que a todos se impõe, quer aceitemos ou não.

O Sol astrológico nos informa sobre esse EU a ser revelado, que se cria a partir da mudança do OLHAR, pois a partir daí, mudo a consciência de algo, alguém e de mim. A partir da nova visão, mudamos valores, crenças , essa é a riqueza do mundo dos símbolos .
Descortinar horizontes mais ricos, sonhar mais alto, saber-se merecedor das tão desejadas mudanças.

O Sol e o signo de Leão também representam o amor, cujo poder de transformação é inegável. Feliz daquele que conheceu o poder de Eros e sucumbiu ao seu encanto. Feliz daquele que tem amor genuíno por si mesmo.

Assim, as revelações do Sol que nos chegam através destas experiências da “ criação humana” – sejam os filhos, as artes, a consciência ampliada do si-mesmo e os romances, são inequívocas e inexoráveis – espelhos para a alma refletir o que sou e o que não sou.

É preciso ter muita coragem para criar uma vida que possa refletir a essência única que habita o coração de cada pessoa. Se temos uma impressão digital, única e intransferível, ela vive e pulsa em cada um de nós, e lá está o nosso Sol natal: nossa impressão celestial”


(1) Do livro: A coragem de criar
Autor: Rollo May
Editora Nova Fronteira, RJ

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 22 de outubro de 2009 20:43

    Querida Tereza, desde a primeira linha deste maravilhoso texto, senti um espelho de mim mesma. À medida em que fui prosseguindo a leitura, a emoção foi tomando meu ser. Meu signo: leão e a presença do sol como regente, com toda sua influência poderosa tão lindamente analisados. O real significado da Vida é atingido, através do meu contato estreito e profundo com minha essência divina. A ela reverencio e me sinto abençoada. E através dela, sinto o Amor do Divino em minha Vida. Parabéns pelo lindo texto! Beijo.