Sol e Individuação

Prometeu, de Henrich Friedrich


“ A tarefa do herói consiste em combater o dragão da inércia a fim de destravar o fluxo da vida para o corpo do mundo, na direção de um lugar ronde a vida secou, tornando-se uma vida estéril.

Se recusamos a chamada para viver nossas próprias vidas, ficamos deprimidos, sem vitalidade. O Sol simboliza a potência criativa; seus raios põem fogo no mundo, iluminam a escuridão primordial, espírito penetrando na matéria, tudo vai ganhando vida. O Sol nos liga com a força vital e bruta que existe em nós, oferecendo um canal para sua manifestação, um princípio universal superior que nos livra da dominação da natureza, liberta-nos das garras da vida instintiva.Assim, tornamo-nos recipientes para o poder fálico do Sol.

O deus egiípicio Atun penetra em sua criação, e o faraó é chamado de o “Sol vivo”, o filho de Deus pelo qual o reino da eternidade penetra no tempo.
A meta da jornada do Herói é nada menos do que a descoberta da imortalidade, que os alquimistas chamam de “Pedra Filosofal” ou “Lápis”, a transformação do chumbo em ouro, o encontro do “deus interior”, de nosso centro criativo, o Self.
O artista procura se manter aberto à experiência da inspiração, iluminação e visão.

O Sol no mapa astrológico é a nossa experiência do “eu”, a minha vida, não a sua, minha contribuição pessoal, enquanto que a Lua é nossa experiência da humanidade que temos em comum: eu sou como você e podemos, por isso ter empatia mútua. Assim, a Lua nos oferece uma base prática para nossa visão solar, permite dar vida à luz.

Contudo, é com a elaboração de um senso de “eu’ ou ego que nos tornamos conscientes de nossa dualidade essencial, de que há em nós mais do que “eu’ e que devemos procurar o “outro’ caso queiramos nos tornar íntegros e descobrir nosso verdadeiro centro.
Esse é o processo de individuação de Jung, a descoberta do Self, e o Sol é o seu veículo.O Sol não é uma meta em si, nem a garantia de que a meta será cumprida. É o centro da consciência, não da psique como um todo, e abrange a vontade pessoal condicionada pelos desejos, apegos e considerações pessoais – ou seja, nosso orgulho solar.
Nas palavras de Joyce Cary – “ a vontade nunca é livre – está sempre ligada a um objeto, um propósito”.

Do livro: As imagens da psique
Christine Valentine
Editora Siciliano, SP.

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 18 de setembro de 2009 15:47

    O Sol me traz a vitalidade, a energia, a alegria, a disposição,o impulso para empreender minha jornada. A Lua traz o brilho terno e acolhedor abrigando e me predispondo às minhas inspirações, ao encantamento e à magia do viver introspectivo. Sol e Lua, dia e noite, consciência e metaconsciência, o eu e os outros, lindas facetas do Ser, do Sentir. Tereza Querida, tenho imensa afinidade com seu blog. Nele encontro tudo (textos, imagens, a energia magnífica harmônica com meu ser. Beijo Afetuoso.