Felicidade











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“Já que é a mente que traduz o sofrimento em infelicidade, é da responsabilidade de mente dominar a percepção que tem do sofrimento. A mente é maleável. Uma mudança, mesmo que pequena, no modo como lidamos com os nossos pensamentos, como percebemos e interpretamos o mundo, pode transformar significativamente a nossa existência.
Mudar o modo como experimentamos as emoções provisórias leva a uma alteração da nossa disposição, do nosso ânimo, provocando uma transformação duradoura na nossa maneira de ser. Essa “ terapia” tem como alvo os sofrimentos que afligem a maior parte de nós e busca promover o nosso florescimento, dando-nos uma nova orientação para a vida”.

“Terá sido tão excessivo o uso da palavra felicidade que as pessoas desistiram dela, ignorando-a por causa das ilusões e chavões que ela evoca? Para alguns, falar sobre a procura da felicidade é quase mau gosto. Protegidos por uma armadura de complacência intelectual, escarnecem dela como o fariam em relação a uma novela sentimental.

Porque ocorreu uma desvalorização como essa? Seria um reflexo da felicidade artificial oferecida pela mídia? O resultado dos insucessos de nossos esforços para encontrar a felicidade genuína? Será que teremos que nos haver com a infelicidade, em vez de fazer uma tentativa verdadeira e inteligente de desenredar a felicidade do sofrimento?

A felicidade não pode se limitar a algumas sensações agradáveis, a um imenso prazer, a uma erupção de alegria ou em efêmero sentimento de serenidade, a um dia animado ou um momento mágico que passa por nós no labirinto da nossa existência.

A felicidade, como será tratada neste livro, é a profunda sensação de florescer que surge em uma mente excepcionalmente sadia. Isso não é meramente um sentimento agradável, uma emoção passageira ou uma disposição de ânimo: é um estado de ser. A felicidade é também uma maneira de interpretar o mundo, pois, se às vezes pode ser difícil transformá-lo, sempre é possível mudar a maneira de vê-lo”.
Do livro: Felicidade – a prática do bem estar
Matthieu Ricard
Editora Palas Athena, SP.

1 comentários:

  • Adelia Ester Maame Zimeo | 21 de setembro de 2009 15:17

    A felicidade "é um estado de ser". Depende de nossa lente interna: como visualizamos e posteriormente como decodificamos o que vivenciamos. O fato é o mesmo, porém diversas pessoas expostas a ele, interpretarão segundo seu arcabouço interno e assim o sentirão. Portanto, um trabalho interno que auxilie a melhor configurar tal interpretação, auxilia bastante no estado de ser feliz. Lindas e inspiradoras imagens! Beijos.