O chifre do Unicórnio




“ Não se pode confundir ciência com espiritualidade. Não se trata de misturá-las.Como recomenda um princípio da holística: não confundir, não misturar, não mesclar, não um e não dissociar, não separar, não dividir, não dois. Neste Koan e neste fio da navalha é que ensaiamos a dança da holística.

Fritjof Capra dizia que a ciência não precisa da espiritualidade, ela tem seu próprio caminho, o caminho analítico.
Por sua vez a espiritualidade não precisa da ciência, ela tem o seu caminho próprio, o caminho sintético.
O ser humano precisa de ambos.
São as duas asas que o pássaro necessita para voar.

Qualquer que seja a forma da espiritualidade ele terá a ver com a consciência de participação que na essência é amor e na prática é solidariedade.

Quando, no século XVII, a ciência foi separada da religião, o conhecimento se desvinculou da dimensão do amor, da compaixão e da solidariedade. É preciso ousar e ir além destes esquemas, destas paredes, destas divisórias e desenvolver em nós, o chifre do unicórnio.

Nós temos um hemisfério central esquerdo, que é nosso hemisfério científico, tecnológico e filosófico; e temos um hemisfério cerebral direito, que é da arte, da poesia e da mística. Entre os dois existem milhões de neurônios conectados formando o corpo caloso.
O substrato neurofisiológico da abordagem transdisciplinar holística não é nem o hemisfério direito, nem o esquerdo.
É a superação dos dois.É o que os antigos chamavam de terceira visão.
É o chifre do Unicórnio.
O futuro de nossa espécie depende do chifre do unicórnio, preciosa metáfora indicando um salto qualitativo da consciência que emerge da visão holística da realidade”.


Do livro: O espírito na saúde
Roberto Crema
Editora Vozes, RJ.


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