Fé ou crença?



"Em grego, a fé se traduz por pistis que significa “ refleti; pensei; analisei; sei, portanto, que é verdade e posso acreditar nisso”. A fé é, então, um ato de inteligência, uma inteligência exercitada. É a própria abertura de minha inteligência ao incompreensível. Com minha inteligência é como se eu acendesse uma lâmpada, enquanto com a fé é como se eu aproveitasse da claridade do sol. Eu me abro para a luz mais ampla do que a luz de minha simples razão. Eis o motivo pelo qual foi adotada a expressão Luz da Fé.

Fé e crença não são sinônimos.
A crença é um resíduo, consiste em conceitos, palavras, representações. Enquanto a fé é um movimento do coração e da inteligência em sua união ao real, e essa realidade não é simplesmente da ordem do visível, do tangível, do acessível. Um movimento do coração e da inteligência que se liga às profundezas da realidade que não poderá ser apreendida.

Por outro lado, a crença faz parte de inteligência comum, das representações.
Perder a fé seria perder a inteligência. No próprio momento em que perdemos nossas crenças começa a fé. No momento em que perdemos as nossas expectativas, começa a esperança. E no momento que deixamos de amar de maneira possessiva, livres de expectativas e desejos; no momento em que estamos para além de tudo isso, começamos a amar no sentido do ágape. Começamos a amar de forma divina....

Não cessamos de tentar tapar o buraco, preencher o nosso nada, nossa carência!
Quando afinal, esse buraco é simplesmente o espaço do outro.
Deus vem ao nosso encontro em nossas carências...

Depois de ter me machucado, Deus nos abençoa; depois de ter escavado profundamente nossa carência, Deus me faz transbordar de felicidade. Às vezes, Ele nos ama... depois de nos ter devastado. Nesse deserto, o Espírito Santo é um a brisa ligeira ou um vento violento. Ora, é este vento violento que limpa nosso espaço, nosso quarto... após sua passagem, estamos vazios, vacantes; assim nessa vacância, o Ser que é, poderá revelar-se a nós.
No próprio âmago de nossa carência, a plenitude pode oferecer-se para ser vivenciada”.
Jean-Yves Leloup
Do livro: Amar... apesar de tudo
Editora Verus, SP.

1 comentários:

  • Adelia Ester | 1 de julho de 2009 22:25

    Tereza Querida, grata por sua visita em meu novo blog. Fiquei muito feliz! Ainda não sei muito bem manejar a configuração dele. Veja que interessante, depois que escolhi o modelo, percebi que era o mesmo que o seu. Coincidimos nisto, também! Beijos.