Humildade e Felicidade


Fotos: James Nachtwey


Sua Santidade, o Dalai Lama, em sua residência em Dharamsala, India.


“A humildade é um valor esquecido no mundo contemporâneo. A nossa obsessão com a imagem que temos que projetar de nós mesmos é tão forte, que paramos de questionar a validade das aparências e passamos a buscar incessantemente uma aparência melhor.
Diz o adágio tibetano: “ A água das boas qualidades não se acumula no topo do rochedo do orgulho”.

Os jornais dedicam cada vez mais espaço às colunas sociais, sobre as “pessoas que são notícia”, publicando as suas avaliações sobre quem está na moda e quem na está. Diante disso, que lugar resta para a humildade, um valor tão raro que poderia ser relegado ao museu das virtudes obsoletas?

O conceito de humildade é muitas vezes associado ao desprezo por si mesmo, `a falta de confiança nas próprias capacidades, um sentimento de inferioridade, sentimento de menos-valia ou de não ser digno. Isso é subestimar consideravelmente os benefícios da humildade, pois se a suficiência é privilégio do estúpido, a humildade é a virtude fecunda daquele que sabe quanto ainda tem a aprender e a extensão do caminho a ser percorrido.
Na ausência do sentimento de ser o centro do universo, o homem humildade está aberto para os outros e se situa na perspectiva justa de interdependência.

A humildade também se traduz em uma linguagem corporal desprovida de arrogância e ostentação. Nas viagens que fiz com em companhia de Sua Santidade o Dalai Lama, vi com meus próprios olhos a imensa humildade, cheia de um amor bondoso, que tem esse homem universalmente reverenciado. Ele sempre está atento a todos e jamais se coloca como uma pessoa importante.

Certo dia, quando entrávamos em uma sala onde o Parlamento Europeu oferecia um banquete em sua honra, ele percebeu que os cozinheiros o observavam de trás de uma porta semi-aberta. Antes de mais nada, dirigiu-se a eles para visitar a cozinha e pouco depois reapareceu, dizendo ao presidente e aos quinze vice-presidentes do Parlamento: “Que cheiro delicioso!”
Uma excelente maneira de quebrar o gelo em um refeição tão solene”.

Matthieu Ricard
Do livro: Felicidade, a prática do bem estar
Editora Palas Athena, São Paulo

1 comentários:

  • Adelia Ester | 5 de junho de 2009 17:23

    A grandiosidade de um ser, é refletida em sua humildade. Já atingiu a sabedoria por comungar com a verdadeira essência. O Dalai Lama é um destes maravilhosos exemplos de ser. Beijos.