Em tempos insanos



Liane Leipnitz


Em tempos insanos, de tanta gente maluca por vaidade, maluca por juventude, maluca por dinheiro, maluca por poder, os lúcidos destacam-se pela raridade. São aqueles que não inventam personagens de si mesmos ( se inventam, sabem), não trapaceiam, não criam fantasias. Comprometem-se com a realidade. Comprometem-se com a verdade.
E se envolver assim com a transparência dos fatos requer uma integridade diabólica. Para olhar o bicho nos olhos é preciso ser bicho também. Enfrentar a verdade é quase um ato de selvageria.
No ano do SOL, poderíamos dizer ano da LUZ, ano de Lúcifer, ano dos lúcidos, ano dos loucos...

Um amigo "en passant" na festa do Ano-Novo disse: "Ah este é o ano do SOL?
Então isto significa que tudo vai ficar claro? "
Gostei. Simples assim.

E daí vem os ditos:
O sol que ilumina, também cega.
O sol que aquece, também queima.
O sol que ilumina, ilumina, por mais que seja toldado por nuvens negras.

E com a força de raio-X de Plutão em Capricórnio, a verdade prevalecerá. Nos resta saber que verdade é esta? Acho que uma verdade desestabilizadora: a de que não existe verdade absoluta. Nossos pensamentos não estacionam, nossos desejos variam, o certo e o errado flertam um com o outro, não há permanência, tudo é provisório, e buscar um porto seguro é antecipar o fim: a única segurança está na morte, será ela nosso único endereço definitivo. Durante o percurso da vida, tudo é movimento, surpresa e sorte.

O lúcido faz parte do time - cada vez mais desfalcado - dos que se desesperam como todo mundo, porém de um modo mais íntimo e refinado. O lúcido organiza sua loucura e sabe que lucidez é uma falácia. Como são falácias as nossas verdades.

Quando minha mãe, que já está num mundo particular (no entre-mundos/bardo), diz que não quer mais ficar aqui, quer ficar na sua casa, com seu pai, sua mãe e seu marido, eu brinco e digo que eles estão comendo bolo de laranja numa outra frequência e, que daqui a pouco ela estará com eles. Ela me responde num lapso de racionalidade: "Tá brincando "? Eu não quero morrer!"
Daí eu me deparo com a fragilidade das minhas verdades. Verdades inventadas para explicar o inexplicável. Verdades inventadas para que eu possa seguir com minha vida. É uma "leela", uma sagrada brincadeira do universo. Como diz o OSHO, sou eu.
E neste ano do SOL, de lúcifer, dos lúcidos, dos loucos, vamos surfar nas ondas do imprevisto, do imponderável, do inominável...

com alegria e bom humor!!!
Bjs da LILI

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