Aí vem 2010!





E vamos entrando em 2010...

Desejo à todos

Boas companhias,

Solidariedade

Alegrias, discernimento

E MUITA FÉ!

Lá está ela!

foto: TKawall














foto: Ricardo Cardim





Por Tereza Kawall

As árvores são um doce refúgio
Para os meus pensamentos
Que às vezes se parecem com as andorinhas
Ficam todos espalhados, voando de lá pra cá,
Ziguezagueando no ar...

Quando contemplo uma árvore
Meu pensamento pode ali se aninhar, descansar,
Minhas inquietações vão se apaziguando
Porque vejo nelas um sentido, um propósito
De proteger e abrigar a vida
Pacificar as cidades e amenizar o seu calor.
E como são vaidosas, ao exibirem suas flores!

Sabem embelezar a vida com seu verde bailado,
E assim nos acalmar,
Como dedicadas Grandes Mães que são.

A árvore também se oferece
Para o besouro, para minhoca, para a abelha e o pássaro
Para o sorveteiro, o descanso, e para o beijo roubado.

O tempo passa, mudam as ruas, mudam as cores,
Mudam as casas, mudam as nuvens e os passantes,
Bem diferente das árvores, pois se deixarem,
Lá estão elas,
Altivas, sempre belas.


















Caminho do Meio

Por Tereza Kawall


Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, em sua extrema simplicidade e plena de sabedoria, diz que muito se surpreende com a forma que nós, ocidentais, temos de nos posicionar perante as situações da vida: é tudo ou nada, é oito ou oitenta.

De fato, uma das premissas budistas é alcançarmos gradativamente o Caminho do Meio”.


“Caminho do Meio (Madhyama Pratipad, em sânscrito) é uma tradicional expressão budista que procura, de um modo sucinto, apontar o rumo àqueles que se propõem a dar seus primeiros passos em direção à sabedoria ou, pelo menos, ao alívio de seus conflitos.

As margens de um caminho não são opostas por si mesmas, tornam-se opostas em função do ponto de vista do caminhante. O lado direito e o esquerdo são os do caminhante, não os do caminho. Vale dizer, os da alma do caminhante, que facilmente projeta neles suas tensões em conflito. E é bom que o faça, pois a metáfora do caminho traz consigo diagnósticos e esperanças de transformação.” ( Rogério Malaquias)
O que assistimos em Copenhagen ( COP 15) nos últimos dia me fez lembrar a balbúrdia e o caos de uma moderna Torre de Babel, onde todos querem falar, todos têm suas razões, mas as suas necessidades e suas motivações são muitíssimo diferentes, ou seja, não falam a mesma língua.A complexidade e o tamanho dos problemas seria e foi o grande entrave para os acordos acontecerem.
Os radicalismos e protestos são necessários para despertar dos governantes e mandantes do mundo cuja sonolência é sempre embalada por interesses econômicos, uma vez que a língua do “ dinheiro” todos conhecem muito bem!
Os temas ambientais e suas inúmeras formas de preservação e equilíbrio aí estão, bem de frente ao nosso nariz. Vieram para ficar e serão a tônica de grandes decisões no cenário político e econômico par as próximas décadas.

Embora um grande e efetivo acordo não tenha acontecido, o evento em si teve uma função muito importante em promover a escuta, a preciosa troca de informações. Pudemos ver que as ONGs como um poder paralelo têm grande força, e uma resposabilidade heróica e histórica, e que muito devemos à elas pelas conquistas do passado e do futuro.
Ainda que outros encontros já tenham acontecido e que a frustração tenha sido geral, lembro das palavras de um filósofo latino americano, ao afirmar que as ONGs são pequenas, mas parecem milhares de mosquitos em cima de um rinoceronte, não passam desapercebidas!

Melhor haver uma “ carta de intenções” do que a negação de um problema; enterrar a cabeça na terra, como prefere o avestruz, tem sido a orientação mundial, o que fez o problema tornar-se mais emergencial e dramático.

Na COP 15, pudemos assistir um grande “ ensaio” : havia diretores, um espaço, um cenário, um
roteiro com um script a ser seguido, as falas dos muitos atores, cada um fazendo o seu papel, de acordo com a sua consciência e visão de mundo.


Mais uma vez : luz, câmera, ação!

Quem sabe, num futuro próximo, possamos assistir um espetáculo mais bem coordenado, pautado pelo bom senso e decisões inteligentes.

Há uma frase conhecida que diz:
“Não jogue fora o bebê e a água do banho juntos”
Um bebê, antes de andar, só sabe mesmo engatinhar.
Aguardemos!

Link: http://www.rubedo.psc.br/artigos/camimeio.html

COP 15 !!


Londres


Copenhagen


I









India


Canadá




















































Descansando!

















E AGORA QUE JÁ COMEMOS MUITO BOLO
E ESCALAMOS A MONTANHA,
VAMOS DESCANSAR,
TCHAU, MIAU!




!

Descanso1

Escalar a Montanha



" Há montanhas exteriores e montanhas interiores. A própria presença delas nos acena, nos chama a subir. Às vezes você busca e busca a montanha sem achá-la até que chega a hora em que você se sente suficientemente motivado e preparado para encontrar um caminho para chegar a ela, primeiro à sua base, e depois ao cume. A escalda de uma montanha é uma poderosa metáfora para a indagação da vida, a jornada espiritual, a trilha para o crescimento, transformação e compreensão.

As dificuldades espinhosas que encontramos ao longo do caminho compreendem os próprios desafios de que precisamos para nos desenvolver e, desse modo, expandir nossas fronteiras. No final, a própria vida é a montanha, o professor, provendo-nos com oportunidades perfeitas para fazer o trabalho interior crescer com força e sabedoria.E temos muito o que aprender e crescer, uma vez que escolhemos fazer a caminhada.

Os riscos são grandes, os sacrifícios aterrorizantes, o resultado sempre incerto. Enfim, a própria escalada é a aventura, não simplesmente estar de pé no topo.

Primeiro aprendemos como é a base. Somente depois encontramos as inclinações e finalmente o topo. Mas você não pode permanecer no topo da montanha.
A caminhada montanha acima não é completa sem a descida, o voltar e ver tudo à distancia. Tendo estado no cume, contudo, você ganhou uma nova perspectiva, e pode mudar seu modo de ver para sempre".

Do livro: A mente alerta
Autor: Jon Kabat-Zinn
Editora Objetiva

Bolo Resiliência

Receita de Bolo Resiliência


Para começar, misture os seguintes itens na mesma proporção:

Exercícios, 20 minutos de meditação diária
Atividades prazerosas, boa música
Bons amigos
Tolerância, paciência
Vá mexendo devagar

Depois adicione aos poucos:

Auto-estima, confiança
Respeito aos próprios limites
Perseverança
Oportunidade para crescer,
Inteligência emocional
Novas atitudes, e por fim,
Fé à vontade.

Para finalizar a massa, duas pitadas
Uma de calma, outra de bom humor.
Experimente na palma da mão,
Se não estiver no ponto, aumente o bom humor.

Cozinhe no fogo brando da compaixão, o tempo que for necessário.

Como esse bolo é imaginário e subjetivo
Você pode usar na cobertura o que quiser
Sugiro um sorvete geladinho ou calda de chocolate quente, tanto faz.

Sirva para os amigos
Sirva para você,
Celebre a vida!

Tereza Kawall.

Gaia Viva! (2)


The Explanation, por Antonio Peticov.
1987

“Nosso intelecto criou um novo mundo que domina a natureza, e ainda a povoou de máquinas monstruosas. Estas máquinas são tão incontestavelmente úteis que nem podemos imaginar a possibilidade de nos descartarmos delas ou de escapar à subserviência a que nos obrigam.
O homem não resiste às solicitações aventurosas de sua mente científica e inventiva, nem cessa de congratular-se consigo mesmo pelas suas esplendidas conquistas. Ao mesmo tempo, sua genialidade revela uma misteriosa tendência para inventar coisas cada vez mais perigosas, que representam instrumentos cada vez mais eficazes de suicídio coletivo” .
Carl G Jung

“A vida do ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro.
Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a
sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode.
Todos levam consigo, até o fim, viscosidades e cascas de ovo de um mundo primitivo. Há os que não chegam jamais a ser homens, e continuam sendo rãs, esquilos e formigas. Outros que são homens da cintura para baixo.
Mas cada um deles é um impulso em direção ao ser”.
Hermann Hesse


“ Cada cultura assemelha-se a um jogo. Há o jogo da girafa, o jogo do hipopótamo, o jogo do canguru, sem falar nos diversos jogos humanos. Alguns desses jogos não servem. Suas regras estão em contradição flagrante, umas com as outras.
Quando um jogo humano está a caminho do que denomino trajetória de colisão, ele ameaça a destruir o planeta. Esse jogo não presta.
Por isso necessitamos de sentimentos novos, de novas regras, novos conceitos para definir o que significa estar vivo, o que significa a ser homem.
Em outras palavras, devemos deixar de nos considerar na Terra como estrangeiros num mundo estranho.
Essa é a minha idéia fundamental”.
Allan Watts

Gaia Viva!

Gaia, de Alex Grey


“ A história intelectual da humanidade tem triunfos incríveis. Conseguimos aprender os segredos da energia nuclear, enviar espaçonaves à lua e todos os planetas do sistema solar, transmitir sons e imagens coloridas para todo o globo e todo o espaço cósmico, romper o código do DNA e começar a fazer experiências de clonagem e engenharia genética. Ao mesmo tempo, essas tecnologias superiores estão sendo usadas a serviço de emoções primitivas e impulsos instintivos que não são muito diferentes daqueles que dirigiam o comportamento das pessoas na Idade da Pedra”.


“ Parecemos estar envolvidos em uma corrida dramática contra o tempo, sem precedentes em toda a história da humanidade. O que está em jogo não é nada menos do que o futuro da vida no planeta. Se continuarmos com as antigas estratégias que têm claras conseqüências extremamente auto-destrutivas, é improvável que a espécie humana sobreviva. Contudo, se um número suficiente de pessoas passar por um processo de profunda transformação interna, talvez seja possível alcançar um nível de evolução da consciência no qual possamos merecer o nome suntuoso que demos à nossa espécie: homo sapiens”.


Stanislav Grof
Do livro: Psicologia doFuturo

Saiba mais:

www.alexgrey.com



Stanislav Grof


“ Negociações diplomáticas, medidas administrativas e legais, sanções econômicas e sociais, intervenções militares e outros esforços semelhantes têm obtido muito pouco sucesso. Na realidade, eles freqüentemente têm produzido mais problemas do que soluções. Torna-se cada vez mais claro porque estavam fadados ao fracasso. As estratégias usadas para aliviar essa crise estão desde o inicio enraizadas na mesma ideologia que a criou. Em ultima análise, a atual crise global é basicamente de natureza psicoespiritual: ela reflete o nível de evolução da consciência da espécie humana. É portanto, difícil imaginar que ela possa ser resolvida sem uma radical transformação interna da humanidade, em larga escala, e sua elevação a um nível mais alto de maturidade emocional e consciência espiritual.

Considerando o papel proeminente da violência e da ganância na história da raça humana, a possibilidade de transformar a humanidade moderna em uma espécie de indivíduos capazes de coexistência pacifica com outros homens e mulheres sem distinção de raça, cor, credo religioso ou convicção política, sem falar nas outras espécies, certamente não parece muito plausível. Estamos perante a necessidade de instilar a humanidade com profundos valores éticos, sensibilidade às necessidades alheias, aceitação voluntária da simplicidade e uma consciência aguda dos imperativos ecológicos.À primeira vista, tal tarefa parece demasiado fantástica, até mesmo um filme de ficção científica.

“Após mais de quarenta anos de estudos intensivos de estados holotrópicos de consciência, cheguei à conclusão de que os conceitos teóricos e as abordagens práticas desenvolvidas pela psicologia transpessoal, uma disciplina que está tentando integrar a espiritualidade no novo paradigma emergente na ciência ocidental, podem ajudar a aliviar a crise que estamos enfrentando.
Essas observações sugerem que uma transformação psicoespiritual da humanidade não só é possível, mas já está ocorrendo. A pergunta é apenas se ela pode ser rápida e extensiva o suficiente para reverter a atual tendência auto-destrutiva da humanidade moderna”.


Stanislav Grof
Do livro: Psicologia do Futuro
Editora Heresis
Stanislav Grof nasceu em 1931, Praga. É psiquiatra, fundador da ITA, International Transpersonal Association, professor de Psicologia na Integral Studies, no departamento de Filosofia, Cosmologia e Cosciência; e na Pacifica Graduate Institute, Santa Barbara, California.

Saiba mais:
http://www.stanislavgrof.com/

Amiga

Mary e eu, um dia feliz.

Tudo já foi dito a respeito
Da maravilha de ter bons amigos
O mesmo acontece com o amor,
Nunca nos cansamos de enaltecê-lo
Mesmo porque se é verdade
Que Eros tem muitas faces,
O amor que vai para o amigo
Ou que vem dele pra gente
Não é menos especial.

Tem uma espécie de ritmo,
A cumplicidade dos segredos
Uma deliciosa, ( e necessária) falta de intransigência
E claro, alguma paciência.
Porque para aprender, precisamos repetir, repetir...
Quantas vezes falamos a mesma coisa,
E ele ( o amigo/a) “simplesmente” ouve?
Sem falar no colo, onde entregamos
Nossa cabeça, nossas as aflições,
Desejos e sonhos desfeitos.

Assim é minha amizade
Assim é minha amiga
Tem um pouco de tudo
Mas cada tudo é muito!
Afeto, saudades, conselhos, silêncio, trocas, aceitação...
Assim, creio que esta amizade
É verdadeiramente “ holística”!
Tereza Kawall




Qualidade de vida = Qualidade do pensamento

foto: Araquém Alcantara

Por Tereza Kawall

Dê “ passagem" aos pensamentos,
Recue um pouco, observe-os, sinta-os,
Veja que eles vão e voltam, rodopiam
Cansam, repetem cantilenas monótonas
Parecem ficar pendurados na gente,
Alguns são mais encantados e articulados
Afinados com a realidade objetiva,
Querem chegar a algum lugar,
Outros nos fazem reféns
De suposições infrutíferas, caóticas
Inibem a criatividade da ação
E das novas perguntas,
E da reflexão que promove mudança.

Dê passagem aos pensamentos, não se apegue a eles,
Não se identifique muito com suas vozes
Que são estridentes e dissimuladas
Eles não são a verdade, tampouco a realidade,
São a nossa interpretação dela
Que varia de acordo com nossa paisagem interior
Quem sabe até do nosso bom ou mau humor.
Dê passagem aos pensamentos, percepções, aflições
Deixe-os ir, abra a gaiola, crie espaços
Para imaginar e deslizar mais no aqui-agora.

Nossos pensamentos negativos
Nos perseguem, inexoravelmente
Como a roda barulhenta da carroça
Que igualmente persegue os passos dos bois,
Que preferem andar sempre
Pelos mesmos caminhos, e quando empacam.....
--------------------------------------------------------------------------------

“Talvez o único local onde possamos realmente nos sentir livres seja em nossa mente. No entanto, o pensamento é sensível ao crescimento de rotinas restritivas.
Muitas vezes, nossas ansiedades são tão habituais que, ao pensarmos em possíveis soluções para elas, caímos nas mesmas respostas.
Ao tentar várias vezes chegar ao centro do labirinto, nada conseguimos aprender sobre as voltas erradas que demos.
Libertar o pensamento do hábito é um dos mais difíceis desafios que enfrentamos na busca por satisfação. Qualquer tentativa vai imediatamente de encontro a um obstáculo, pelo fato de que o pensamento ser tanto objeto quanto meio da nossa análise.

Facilmente ficamos emaranhados no paradoxo, com uma sensação frustrada de nó comprimindo a mente.
Se isso ocorrer, pare de pensar e dedique-se a alguma coisa mais física e rotineira. A meta é abrir caminho por entre as camadas da complicação, e não adicionar mais.
Para ajudar o pôr ordem num cenário mental caótico, o ideal é identificar quatro níveis de pensamento.

Níveis de pensamento

O primeiro ( mais baixo) nível é o pensamento negativo. Ele é crítico, bravo, medroso, egoísta e preguiçoso. Só causa tristeza e desconforto.
O segundo nível é o pensamento inútil, no qual a tendência é ficar chocando o passado.
Preocupamo-nos sobre o que aconteceu ou o que poderia ter acontecido e gastamos tempo nos sentindo ansiosos a respeito de coisas que não podemos ter controlar.
Em seguida, temos o pensamento necessário, como “ preciso comprar comida” e “ preciso apanhar meus filhos na escola”.
No entanto, o nível mais elevado é o pensamento positivo. Ele cria paz, amor e criatividade; encoraja a harmonia e a felicidade.
Conhecendo esses níveis, podemos liberar nossos pensamentos, elevando-os ao nível mais alto, libertando assim, das algemas do hábito”.

Mike George
Aprendendo a Relaxar
Editora Gente, SP

“ Os pensamentos podem ser nossos melhores aliados ou piores inimigos.Quando fazem com que sintamos que o mundo inteiro está contra nós, cada percepção, cada encontro, e a própria existência do mundo tornam-se fontes de tormento. São os nossos próprios pensamentos que se erguem como inimigos. Eles percorrem a nossa mente como o estouro de uma boiada; cada um cria seu pequeno drama, causando uma confusão que aumenta cada vez mais. Nada vai bem do lado de fora, nada vai bem no interior”.

Do livro: Felicidade
Matthieu Ricard
Editora Palas Athena



“ O simples fato de nos perguntarmos se existem outras possibilidades, faz com que a visão da nossa situação se amplie; podemos parar, ver e refletir, antes de nos comprometermos, de forma mais inteira, com as nossas maneiras habituais de conhecer. Se reconhecermos que, apesar dos fatos que provocam frustração ou dor, é dentro da nossa própria mente e do nosso coração que os sofrimento ocorre, podemos começar a avaliar os nossos recursos internos e aprender a confiar neles de uma nova forma”.


Do livro:Conhecimento da Liberdade
Tarthang Tulku
Editora Palas Athena

Tudo respira em uníssono








RICHARD TARNAS

Nascido em Genebra (21 de fevereiro de 1950), Richard Tarnas é graduado da Universidade de Harvard e do Harvard do Instituto Saybrook. Trabalhou durante dez anos como diretor de Programas do Instituto Esalen. Ele é o fundador do programa de pós gradução de filosodofia, Cosmologia e Consciência do Califórnia Institute of Integral Studies e membro do corpo docente adjunto da Pacífica Graduate Institute.É casado, tem dois filhos, de 20 e 33 anos.

Seu livro: “A Epopéia da Mente Ocidental" (publicado no Brasil pela Bertrand Brasil ) , Richard Tarnas relata a evolução do pensamento ocidental desde a Grécia antiga até a Renascença, e a revolução cientifica até o alvorecer do século XXI, mostrando as idéias centrais da filosofia, religião e ciência que forjaram nossa perspectiva cultural única.
Hoje, diz ele, nos encontramos desconsolados, vagando entre dois mundos – um que morre e outro que está lutando para nascer.
Por um lado, as certezas espirituais e intelectuais já não são suficientes. Por outro lado, as promessas de uma visão mais integral, uma cosmologia do amanhã- baseado em um relacionamento mais profundo com a natureza e com o cosmos maior exigem de nós um salto de fé, que poucos querem assumir.

A editora espanhola Atalanta , publicou Cosmos e Psique, extenso livro que documenta a cartesiana cisão do cosmos, muito utilizada para isolar a Astrologia. Mas nos dias de hoje alguns voltam a intuir que não há uma psique dentro e um cosmos fora, há uma dinâmica integrada que a Astrologia pode traçar em seus mapas.

Para mim, por hora, basta-me ver a astrologia como prova da fértil imaginação de nossa psique, insaciável leitora do cosmos...”

“Mas também é certo que nossa imaginação é a eclosão do muito imaginativo do cosmos..”.

"Tenho um sentido profundo do divino, que descubro desdobrando-se na psique, no cosmos”.

Entrevista feita por Vitor M. Amela

Os astros influem em minha vida?
Você e eles estão conectados.
E determinam o que faço?
Não é isso. Verá: que horas são?
Doze e meia...
E como soube disto?
Olhando aquele relógio.
E os ponteiros daquele relógio causam as doze e meia?

Não
Pois assim acontece com os astros: não causam nada, os ponteiros de relógio nos quais podemos ler as horas são os arquétipos do cosmos.
Mas uma coisa é o cosmos, e outra, eu.
Ah, aqui você expressa a paixão da mente ocidental que quis despender-se do cosmos até sentir-se autônoma e considerar o cosmos como um mecanismo externo e inanimado. Algo que é absolutamente irreal!
Por que?
Porque somos cosmos em forma humana! Nós somos o modo através do qual o cosmos se faz consciente de si mesmo. Eu gosto de como o formulou o filósofo Plotino (III d.C.):
“Tudo respira em uníssono”.

Mas Saturno é uma pedra bruta inanimada, enquanto que eu sou minha psique.
O que você chama “minha psique” não é mais do que a respiração do cosmos. Cosmos e psique são duas formulações de uma mesma e única realidade. E as conjunções dos astros viabilizam a dinâmica cósmica, quer dizer, a dinâmica arquetípica da psique. Isto é o que estuda a astrologia arquetípica.

Ela é muito diferente de outras astrologias?
Seu enfoque esta de acordo com os atuais enfoques da psicologia transpessoal, da física quântica, da teoria do caos e dos fractales, a ecologia e Gaia, a filosofia holística...
Há lugar para a liberdade pessoal?
É precisamente a visão participativa do homem no cosmos: cada um de nós é o cosmos atuando. Há uma dinâmica cósmica, uma melodia que cada um interpreta com um estilo. Veja o Hitler e o Chaplin.
O que acontece com Hitler e Chaplin?
Nasceram quase ao mesmo tempo e compartilharam aspectos de suas cartas natais, mas podemos ver como foram tão distintas as maneiras como os desenvolveram!
Em que eles se pareciam?
Ambos tinham dificuldades com a autoridade, tendências tirânicas, potenciais para as artes, atração por jovens emocionalmente imaturos, e grande capacidade de comunicação.
Fale-me de uma dinâmica cósmica: como funciona, com que mecânica?
É um mistério! A ciência não alcança isto.
Para que serve a astrologia arquetípica?
Para intuir a dinâmica profunda das coisas, como o bom surfista intui a dinâmica das ondas: compreender o passado e o presente ajuda a surfar melhor na onda do futuro.
Desde quando há astrólogos?
Sempre, são observações antiqüíssimas. Antes de ser açoitado por sustentar que a Terra orbitava ao redor do Sol, Galileu tinha sido açoitado por ser astrólogo!
Eu não sabia disso...
A Igreja se assustou com as precisas predições de Galileu: onde ficava a vontade divina se tudo estava nos astros?
Houve outras mentes eminentes interessadas na astrologia?
Platão, Aristóteles, Dante, Goethe, Yeats, Jung, Kepler.! A curiosidade de Newton pela astrologia o conduziu à matemática. Nos momentos mais criativos do Ocidente a astrologia sempre aflora.
Como você chegou à astrologia?
Durante umas indagações psicológicas junto com o Stanislav Grof nos assombrou a constatação de como cartas astrais indicavam episódios de transformação psíquica. Então decidi estudá-la, sem considerar o incômodo que isto causa, como fizeram os que vituperaram contra Copérnico...
Que evidências o fascinaram mais?
Tantas... Impressiona-me a correlação entre as configurações planetárias e a era axial.
O que é a era axial?
Os séculos VI e V a.C. são assim denominados em função da formidável eclosão vivida pela humanidade: Sócrates, Buda, Confúcio, Pitágoras, Lao Tse, Zoroastro, jainismo, os profetas hebreus... Não há um período histórico igual!
E o que nos dizem os astros a respeito daquilo?
Urano, Netuno e Plutão estavam alinhados de modo quase perfeito. Observei que os alinhamentos entre dois destes três planetas correspondem sempre a revoluções de consciência. Os três de uma vez...
E como andam agora estes planetas?
Plutão e Urano se alinham, o que assinala inovações criativas e culturais.
Possivelmente como esta que postula você?
As mudanças de paradigma não são de um dia para outro, vão impregnando as consciências… Copérnico fazia esta mesma reflexão a respeito de seu revolucionário giro.
O ano de 2012 será apocalíptico, dizem...
Pode acontecer algo que venha colorir o processo de transformações no qual já nos encontramos, como antes escolhermos o ano de 1789 para simbolizar aquele extenso processo revolucionário.
Que devo esperar dos horóscopos da imprensa?
Só entretenimento. Eles focalizam o Sol no momento do nascimento: isto equivale a querer abranger o estado integral de nosso organismo observando apenas o coração.
Tem sentido dizer: “Sou Libra”?
É como se você disesse “sou jornalista”: isto não expressa à complexidade da sua pessoa.
Somos leitores do cosmos: a astrologia é uma leitura, e ler é criar. Sim?
Ficou bonito, mas não entenda o cosmos como uma projeção mental: o desenvolvimento da consciência é o desenvolvimento do processo de auto-revelação do cosmos.


A CONTRA VANGUARDA, 19 de fevereiro de 2008.


“Há uma íntima conexão entre as coisas dos homens e os planetas.”

“A física quântica mostrou que o edifício da razão tinha gretas”

Os planetas estavam alinhados da mesma maneira no dia em que Jimi Hendrix arrasou ante as multidões com sua forma heterodoxa de tocar o violão e o dia em que Viena se rendeu aos pés de Beethoven pela profundidade de seus concertos de piano. Explica-o Richard Tarnas, professor de filosofia e psicologia na Califórnia, formado em Harvard e doutorado pelo Instituto Saybrook. Certamente, um tipo pouco habitual no mundo acadêmico.

Em “Cosmos e Psique” o que Tarnas defende é que tudo está relacionado e que há uma íntima conexão entre o microscópico e o macroscópico, entre as coisas das criaturas humanas e a marcha dos planetas, e insiste em assinalar a extrema complexidade do mundo e a pluralidade das perspectivas através das quais pode ser analisado.
Tarnas considera que nos tempos atuais reina uma profunda insatisfação e os homens não encontram uma maneira coerente para explicar as grandes questões.

“O reinado da razão foi avassalador, e foram tantos os lucros tecnológicos que propiciou que parecia que se impunha um progresso irreversível”, explica.

“Logo vieram os excessos e hoje parece claro que isto foi muito longe. Aí estão as crises ecológicas e a ameaça cada vez mais real de que a Terra tem os dias contados”.
Nos anos setenta, na Califórnia: a contracultura questionou os valores sagrados e os jovens se abriram a novas experiências.

Tarnas viveu aqueles dias e confessa que só pôde embarcar neste projeto por ensinar em uma área na qual existem menos prejuízos acadêmicos.

“A própria filosofia, a literatura e a física quântica já revelaram que o edifício da razão tinha fendas. Depois de Freud, Jung descobriu a riqueza dos arquétipos para explicar alguns conflitos psicológicos. Aí havia um caminho a percorrer”. E nesse caminho ele descobriu a astrologia.

“O primeiro surpreso fui eu”, diz Tarnas, “quando comecei a comprovar que existiam muitos paralelismos entre as cartas natais das grandes figuras e que havia também uma relação entre a posição dos planetas e o momento no qual, por exemplo, Galileu, Darwin e Einstein realizaram seus descobrimentos mais revolucionários”.

Em “Cosmos e Psique”, Tarnas propõe um percurso atípico pela história, pelas obras dos grandes professores, pelas crises e as guerras e pelos momentos de esplendor. A chave mestra que o guia é a astrologia e constata que “há uma íntima conexão entre as coisas dos homens e os planetas”. Não fala nunca de uma relação causal, não pretende estabelecer que um mundo determina o que acontece no outro.
“Só proponho uma maneira distinta de ver as coisas que nos permita nos reconciliar com a natureza”.


E se o cosmos, tivesse sentido? E se a idéia de que a existência humana transcorre sobre um fundo cósmico frio e inerte fosse uma miragem moderna? E se o universo impessoal de Kafka e Beckett, Dawkins e Dennet fossem uma projeção do século XX?

Perguntas como estas aguçaram a imaginação e a investigação do Richard Tarnas dos anos setenta, e após trinta anos de trabalho deram como fruto Cosmos e Psique, um audaz e detalhado ensaio no qual convivem psicologia, astronomia e história cultural.


“Ter múltiplas facetas a nível pessoal e profissional é parte da vida pós- literatura.”

Segundo Tarnas, a falta de sentido da visão contemporânea do mundo “criou um vazio no qual o mercado, o consumo e a hiperatividade colonizam e empobrecem a imaginação humana”.
Esta primeira parte de “Cosmos e Psique” vale por si só, como uma pequena jóia da filosofia da cultura. A partir de sua própria fascinação pela história e pelo cosmos (sempre há sentido, como Kant, verdadeiro assombro ante “a beleza do céu estrelado”), Tarnas começou a comparar possíveis ressonâncias entre o microcosmo humano e o universo, em uma espécie de astropsicologia que, longe de ser ingênua e pré-moderna, integra intuições chave da psicologia, da ciência e da filosofia contemporâneas.

O grosso de “Cosmos e Psique” traça inúmeros percursos pela história cultural da Europa e América do Norte, com uma ênfase especial na história da ciência (de Copérnico e Galileu a Planck e Einstein), a filosofia (de Descartes e Rousseau a Schopenhauer e Nietzsche) e a literatura (de Shakespeare e Blake a Melville e Salinger).

Tarnas detecta épocas e momentos com um Zeitgeist semelhante (assim a Revolução Francesa e os anos sessenta do século XX), analisa-os à luz da psicologia arquetípica de James Hillman e (aqui está a surpresa) argumenta como determinados tipos de clima cultural, psicológico e político (segundo dados históricos que ninguém questiona) tendem a manifestar-se em sintonia com determinadas configurações astronômicas (segundo dados da Nasa).

Apesar de Tarnas nunca mencionar os signos do zodíaco, seu trabalho vai de encontro com a tradição astrológica em dimensão intelectualmente sofisticada e culturalmente pós-moderna. Não se sabe como as decisões chave de numerosos personagens públicos (e de algumas das melhores agencias literárias) apóiam-se em dita prática inominável, por mais que seja incompatível com a visão moderna do mundo e freqüentemente ganhou impulso em sua imagem de ingenuidade e falta de rigor, como assinala o próprio Tarnas, que longe de qualquer posição determinista defende um cosmos aberto, criativo e participativo.
“O modo pelo qual cada geração enfrenta uma determinada provocação cultural ou sócio-política transforma o modo como as energias arquetípicas semelhantes se apresentarão à geração seguinte.”

Talvez as profundezas da Psique e as profundezas do cosmos estejam menos distantes do que pensamos.
Saiba mais:

Beijos para você!


foto Ron Draine

































Cuidar do outro

Cuidar do outro

“Uma outra motivação que se pode colocar na moldura das motivações interessadas: “ Se os seres vivos conhecessem os frutos da recompensa final da generosidade e das doações como eu os conheço, certamente eles não gostariam de cessar de doar aos outros, de partilhar com os outros até mesmo o último bocado de alimento”.

Buda toma o exemplo do alimento, mas podem-se acrescentar outras realidades: tudo o que eu possuo, se não o partilho, não posso saboreá-lo na sua essência. Posso ser feliz totalmente só. Mas menos bem; posso olhar uma paisagem completamente só, é evidente, mas eu a degustarei melhor, se estiver acompanhado da presença e do olhar do outro; posso viver sem você, mas talvez um pouco menos bem...

Alguém pode viver a sua própria libertação, trabalhando sobre si mesmo, mas viverá menos intensamente quando se fecha aos outros. O próprio Buda faz observar que esta abertura aos outros é uma das condições de nossa felicidade, de nosso progresso nessa vida e nas seguintes. Ele não faz apelo diretamente a esta qualidade interior de gratuidade, mas enumera um certo número de considerações para dizer até que ponto fazer o bem aos outros resulta em fazer o bem a si mesmo.

Amar seu próximo como a si mesmo é tratá-lo com se trata a si mesmo.Tratar o outro com a mesma atenção que temos para com nosso corpo não pode senão ser de proveito ao nosso próprio corpo - cuidar do outro é cuidar de um membro de si mesmo, é uma visão não egocêntrica, não fechada no “eu”.


Jean Yves Leloup
A Montanha no Oceano
Editora Voz
es

Santosha



Três Atos positivos do espírito ( 1)

A satisfação

Trata-se presentemente de desenvolver as qualidades contrárias à negatividade. O que vai corresponder `a possessividade é a satisfação, saber estar contente com aquilo que a gente tem.
“ Deseja aquilo que tu tens e terás tudo o que desejas”.

Desejar, gostar daquilo que a gente tem, se diz santosha em sânscrito: o contentamento.Há pessoas que nunca estão contentes com aquilo que elas têm, que sempre encontram o que é melhor em outro lugar; outras estão contentes com um copo de água, com um raio de sol, com um sorriso.

Ao lado da necessidade de possuir sempre mais, de não estar nunca contente com o que a gente tem, há esta satisfação que não é auto-satisfação, mas reconhecimento em relação àquilo que nos é dado. É alguma coisa que devemos desenvolver em nós: saber acolher com gratidão aquilo que nos é dado. É então, que nos tornamos nós mesmos capazes de doar”.
Jean Yves Leloup
Do livro: A Montanha no Oceano- meditação e compaixão no budismo e no cristianismo.
Editora Vozes.

Apagou o quê?











A luz necessária

Por Tereza Kawalll
O medo do escuro caminha ao lado história da humanidade, está na memória da nossa genética ancestral, ou no Inconsciente coletivo, para quem assim preferir.

Somos cada vez mais dependentes de uma tecnologia que de um lado nos serve, e por outro nos escraviza. Somos consumidores ou seres consumidos pela voracidade e por um sistema social que prioriza acima de tudo a eficiência e a produtividade
Em seu afã cientificista ou iluminista, o homem moderno acreditou ter dominado a natureza através e do conhecimento e da tecnologia, tornando-a mais previsível e “domesticada”.

Quanta ilusão! A natureza tem, claro, muito ciúmes de seus mistérios, e que vem sido desvendados pela ciência de forma espetacular por um lado, mas o preço a ser pago pelos excessos , em nome de um suposto “ desenvolvimento” e riqueza de poucos, já foi longe demais.

A saturação e o esgotamento na Mãe Natureza é algo absolutamente visível e palpável, mas a miopia e a inércia, mesclados com a ganância igualmente indomável dos poderosos não priorizam a urgência e gravidade do problema.

A mesma natureza , em forma de furacões, maremotos, raios e tempestades que tanto aterrorizava o homem das cavernas, é a mesmíssima que hoje nos deixa impotentes e horrorizados com a força e sua violência, seja em ciclones, incêndios, tsunamis, inundações e por aí vai.
Antes eram fenômenos naturais, e atualmente ainda o são, mas levam consigo muito da estupidez e do imediatismo que tanto caracterizam a cultura ocidental moderna.
Progresso a qualquer custo, e lá se vão nossas árvores, gramados, pássaros,
rios, noites estreladas....


Na mitologia grega, encontramos o mito de Prometeu, o herói semidivino que roubou o fogo sagrado de Zeus para entregá-lo aos homens.


“O fogo é o símbolo do espírito humano e das suas criações posteriores. Esse elemento foi fundamental para a evolução das civilizações. Permitiu ao homem cozinhar seus alimentos, forjar matérias primas em artefatos da cultura, fazer armas, se proteger do frio - a fogueira sempre esteve ligada aos processos de socialização. Por analogia, temos a imagem do fogo como a luz, símbolo do progresso e da evolução da consciência. Sem o fogo, o homem estaria condenado a viver nas grutas ou cavernas, e portanto, na escuridão.

Prometeu representa o impulso pela vida civilizada, o anseio humano de avançar através da tecnologia; rebelde com causa esse herói semi-divino é o princípio humanizador evolutivo, a inteligência humana, que ao desvendar os segredos da natureza, supostamente terá controle sobre ela.
Prometeu abriu o caminho para que os homens pudessem alcançar o progresso e tudo o que chamamos de civilização; o fogo roubado dos deuses nunca foi devolvido, significando simbolicamente que o conhecimento uma vez adquirido nunca mais se perde”.


Apagão mental?

A luz que nos parece subtraída não é de outra natureza, e não mereceria uma outra reflexão?
Nosso frágil “ homo tecnologicus” não está se privando da luz da própria consciência?
A exacerbação do conflito progresso versus natureza encontrará uma reposta?

É possível que Prometeu, um ser radical e provocativo, num momento de impaciência tenha devolvido momentaneamente o fogo sagrado à Zeus com o intuito de nos fazer acordar e repensar o que estamos fazendo em nome deste vazio frenesi tecnológico, virtual, relacional e existencial.

O homem tem uma mente extraordinariamente criativa e potente, e as suas conquistas feitas permitiram feitos maravilhosos em todas as áreas, seja social, econômica, cultura, espiritual, etc.

Precisamos urgentemente desta criatividade para tornar a vida que (ainda) temos mais qualitativa e menos quantitativa, mais real e menos virtual, mais afetiva e menos racional, mais prazerosa e menos ambiciosa.

Link: http://www.constelar.com.br/133_julho09/zeusprometeu.php

Zodíaco na fachada externa da Catedral










Vitral de Libra

Vitral de Áries

"Chartres é chamada de “ A Catedral dos Vitrais”. Nada mais justo. São vitrais admiráveis, que tornam irreal a atmosfera no interior da basílica e fazem dela, nas palavras do poeta francês
Edmond Joly, “ o navio encantado de uma música silenciosa, celebrando com suas cores e sua luz o segredo da eterna travessia”.

Há vitrais do século 12, exibindo azuis que parecem roubados ao céu: Nossa Senhora do Belo Vitral, o Vitral da Paixão, o Vitral da Infância e vida de Nosso Senhor; o vitral da Árvore de Jessé.
Há vitrais do século 13, múltiplos quadros que contam historias da Bíblia ou da vida dos santos e as imensas rosáceas sobre os pórticos. Foram oferecidos por reis ou por grandes senhores feudais, ordens eclesiásticas ou corporações de profissionais. Foram todos fabricados no interior da própria catedral, e instalados à medida que o edifício se completava. Aos olhos dos seus construtores, toda aquela incomparável riqueza de formas, cores e luzes apresentava a imagem e sustentava a esperança mítica da Jerusalém Celeste.

Há inclusive um magnífico vitral astrológico, representando os doze signos do Zodíaco. Quando eu o observava, aproximou-se um grupo de turistas ingleses acompanhado por um guia que informou: “ Este é o vitral Astrológico, considerado um dos mais bonitos! E complementou, certamente ignorante do fato que a astrologia era objeto do maior interesse dos construtores das catedrais medievais: “ Mas vocês não acreditam nessa bobagem da astrologia, não é verdade”? Ao que um dos ingleses retrucou: “ Nós até podemos não acreditar. Mas os construtores da catedral certamente acreditavam. Se não, por que dariam um lugar de honra para o vitral astrológico”?

Texto de Luís Pellegrini
Livro : Os pés alados de Mercúrio
Editora Axis Mundi.
Link :http://www.sacred-destinations.com

Labirinto de Chartres

Labirinto, símbolo da busca do Si-mesmo.


Vitral Rosa, Catedral de Chartres, França.

Luis Pellegrini

"Como se não bastasse, a Catedral de Chartres trouxe ainda, até nossos dias, uma herança medieval tão preciosa quanto rara: um labirinto circular que ocupa toda a largura da sua nave central. Das muitas catedrais francesas que possuíam a labirintos similares, Chartres é a única que o conservou. Além disso, esse labirinto é considerado o maior de todos os que foram realizados: faltam apenas onze centímetros e meio para que seu diâmetro atinja treze metros.

O labirinto de Chartres é até hoje perfeitamente visível com suas pedras escuras encastradas no pavimento de pedras claras. Mas, infelizmente, mesmo esse labirinto não está completo. No seu centro havia, segundo testemunhos históricos, uma grande placa de cobre com a imagem, em relevo, do combate mitológico entre o herói Teseu e o Minotauro. Esta placa foi provavelmente removida em 1792, época da Revolução Francesa, e usada para a fabricação de canhões.
Mesmo os estudiosos católicos concordam hoje que o labirinto de Chartres, bem como os que existiam em outra catedrais francesas, é uma herança do labirinto antigo, um símbolo muito importante do pensamento filosófico e religioso do paganismo.

O labirinto é também símbolo importante no contexto da moderna psicologia, particularmente a psicologia analítica que se interessa pelos símbolos arquetípicos. Está ligado ao mito da luta do princípio heróico e solar ( Teseu) contra o princípio animal e noturno( Minotauro) A busca através do labirinto torna-se a busca do próprio Ser, e a imagem do labirinto aproxima-se à das mandalas da Índia e do Tibete.
É uma representação do indivíduo, do seu centro espiritual e da emanação cada vez mais intensa desse centro em direção às zonas exteriores.

Símbolo de tipo universal, usado pelo homem desde os tempos das cavernas, o labirinto representa também um sistema de defesa, anunciando a presença de alguma coisa preciosa ou sagrada que deve ser protegida.
Pode ter também uma função militar, para a defesa do território, de uma cidade, de uma tumba, de um tesouro; ele permite o acesso apenas aos que conhecem os planos de sua construção, aos iniciados.
Tem uma função religiosa contra os ataques do Mal; o Mal não é apenas o demônio, mas também o intruso, aquele que quer violar os segredos, corromper o sagrado, destruir a delicada intimidade das relações com o divino.

Mas o labirinto conduz também ao interior do si-mesmo, na direção de um santuário interior escondido, no qual encontra-se o aspecto mais misterioso da pessoa humana.
O labirinto é, finalmente, a imagem do homem e do seu destino; aquele que sabe ler, interpretar e desenhar o labirinto do seu espírito, esse é um eleito dos deuses.
Conhece o segredo dos mundos e a estrada que o levará de volta ao seio de essência primordial e indiferenciada: o núcleo central de todo labirinto.

Os sábios católicos da Idade Média sabiam de tudo isso. Conheciam a o significado profundo desses símbolos arcaicos, como a Madona Negra, o poço subterrâneo, o labirinto. E por isso introduziram e conservaram suas representações na própria estrutura interior de um dos maiores lugares sagrados da Cristandade: a Catedral de Chartres".

Do livro: Os pés alados de Mercúrio
Luis Pellegrini
Editora Axis Mundi, SP.













Maternidade, eis a questão

Semana passada me pediram um depoimento sobre mulheres que decidiram não ter filhos.

Tenho duas filhas planejadas e amadas. Mas nunca fui obcecada pela maternidade. Acredito que qualquer mulher possa ser feliz sem ser mãe. Existem diversas outras vias para distribuirmos nosso afeto, diversos outros interesses que preenchem uma vida: amigos, trabalho, paixões, viagens, literatura, música - até solidão, se me permitem a heresia.
Conheço mulheres que se sentem íntegras e felizes sem ter tido filhos e mulheres rabugentas que tiveram não sei por que, já que só reclamam. Há de tudo nesta vida.

Mas tenho pensado nisso, porque, dia desses, uma amiga inteligente, realizada e linda completou 50 anos e se revelou meio abatida por certos questionamentos que chegaram com a idade - uma idade que está longe de ser das trevas, mas que é emblemática, não se pode negar. Ela nunca quis ter filhos. Escolha, não impossibilidade. Tem uma vida de sonho, mas anda se perguntando: não tive filhos, será que fiz bem?

Ninguém tem a resposta. Mas é fácil compreender o dilema. Quando entramos nos 30, o relógio biológico exige uma decisão: ter ou não? Algumas resolvem: não. Criança dá trabalho, criança demanda muita atenção, criança é dependente, criança interfere no relacionamento do casal, criança dá despesa, criança é para sempre.

Tudo é verdade, a não ser por um detalhe: crianças crescem.
Crianças se transformam em adultos companheiros, crianças são quase sempre nossa versão melhorada, crianças não herdarão apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história, e isso é explosivo, intenso, diabólico, fenomenal. Aos 30 só pensamos na perda da liberdade, mas aos 50 conseguimos entender que a maternidade é muito mais do que abnegação, é uma aposta no futuro.
Não estou fazendo a apologia da maternidade, sigo acreditando que todas as escolhas são legítimas.Sendo que a escolha mais legítima poderia ser a adoção. Ou a transferência do amor para sobrinhos.

E é um investimento que, diga-se, pode ser uma pedreira e nenhum mar de rosas? Nessas horas é que faz falta uma bola de cristal. O problema é a dúvida vir nos atazanar mais adiante. A gente nunca sabe como teria sido se...
É por isso que, compensa queimar bastante os neurônios antes de decidir. Por que não ser mãe também pode ser para sempre.

Martha Medeiros










Click!




RECEITA PARA UMA SAUDÁVEL LONGEVIDADE:

UM CORPO ALONGADO

E CONSTANTE CURIOSIDADE!

BOA SEMANA PARA TODOS.


Sobre a Curiosidade
Oriunda do latim CUR? que significa “por quê?”.Donde se formou, dentro do vernáculo, o adjetivo “curiosus”, o que indaga sempre o porquê. A curiosidade foi considerada pelos romanos “a alavanca do saber”, uma espécie de motor da evolução da pessoa.

Na orelha do meu livro de fotos “Vila Olímpia” coloquei o seguinte:
Diz a lenda que ao ser procurado para uma entrevista, o poeta americano Ezra Pound, próximo de seus últimos dias e após manter imenso silêncio durante anos, concordou, depois de muita insistência do entrevistador, em proferir uma única palavra, que considerasse significativa como mensagem:
CURIOSIDADE – Conselho aos jovens.
Comentário de Fernando Stickel, obrigadíssima!

Psicoterapia - Irving Yalom


Neste livro, Irving Yalom(foto) traz narrativas surpreendentemente verdadeiras, o escritor disseca a delicada relação entre médico e paciente. Longe de se mostrar um observador distante, Yalom se coloca no olho do furacão, confidenciando aos leitores suas fraquezas, seus preconceitos, suas antipatias e até mesmo erros. Ao contrário do que se imagina, os bons terapeutas também se entediam, se envolvem, se identificam, são involuntariamente seduzidos e repelidos, amam e odeiam os seus pacientes.


“Descobri que são quatro dados são particularmente relevantes para a psicoterapia: a inevitabilidade da morte para cada um de nós e para aqueles que amamos, a liberdade de viver como desejamos, nossa condição fundamental de solidão e, finalmente, a ausência de qualquer significado óbvio para a vida. Embora esses dados possam parecer terríveis, eles contém as sementes da sabedoria e da redenção. Espero demonstrar, nestes dez contos sobre psicoterapia, que é possível enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu
poder para a mudança e o crescimento pessoal”.

“ À medida que envelhecemos, aprendemos a tirar a morte da mente; desviamos a atenção do tema; nós a transformamos em algo positivo ( prosseguir, voltar para casa, reencontrar Deus, paz finalmente); a negamos com mitos confortadores; lutamos pela imortalidade por meio de obras imortais, lançando nossa semente no futuro por meio de nossos filhos ou abraçando um sistema religioso que ofereça perpetuação espiritual”.

“ Na verdade, a capacidade de tolerar a incerteza é um pré-requisito para a profissão.... A poderosa tentação de obter uma certeza abraçando uma escola ideológica e um sistema terapêutico hermético é traiçoeira: essa crença pode bloquear o encontro incerto e espontâneo necessário para uma terapia efetiva.

Esse encontro, o verdadeiro âmago da psicoterapia, é um encontro afetuoso, profundamente humano entre duas pessoas, uma delas ( geralmente, mas nem sempre, o paciente) mais perturbada do que a outra. Os terapeutas possuem um duplo papel: devem tanto observar quanto participar da vida de seus pacientes. Como observadores, devem ser suficientemente objetivos para oferecer a orientação rudimentar necessária ao paciente. Como participantes, entram na vida do paciente, são afetados por ela, e algumas vezes, modificados pelo encontro”.


“Devo aceitar que conhecer é melhor do que não conhecer, aventurar-se é melhor do que não se aventurar; e que magia e a ilusão, por mais magníficas e fascinantes que sejam, no final enfraquecem o espírito humano.
Eu encaro com profunda seriedade as poderosas palavras de Thomas Hardy: “Se existe um caminho para o Melhor, ele exige uma visão completa do Pior”.

“Uma vez que os terapeutas, não menos que os pacientes, precisam se confrontar com esses dados da existência, a postura profissional de objetividade desinteressada, tão necessária ao método científico, é inadequada.
Nós, psicoterapeutas, não podemos simplesmente tagarelar com simpatia e exortar os pacientes a se debateram corajosamente com os seus problemas. Nós não podemos dizer a eles você e seus problemas.
Ao contrário, devemos falar de nós e de nossos problemas, pois a nossa vida, a nossa existência, estará sempre presa à morte, do amor à perda, da liberdade ao temor e do crescimento `a separação.
Nós, todos nós, estamos juntos nisso”.

“ Mas existe o momento certo e o julgamento adequado. Jamais tire qualquer coisa se você não tiver nada melhor para oferecer em troca. Tome cuidado ao desnudar um paciente que não pode suportar o frio da realidade. E não se canse combatendo o encantamento religioso: você não é páreo para ele. A sede pela religião é forte demais, suas raízes profundas demais, seu reforço cultural poderoso demais.

No entanto, eu não deixo de ter fé, minha Ave-Maria é a invocação socrática: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”.


Do livro “ O carrasco do amor – e outras histórias sobre psicoterapia”
Irvin D. Yalom
Ediouro, Rio de Janeiro.