Conhece a ti mesmo



Tereza Kawall

Quem já não teve muitas dúvidas, medos e frio na barriga na hora de escolher uma profissão e, sobretudo, se preparar para enfrentar o pente fino do vestibular?
Resposta fácil: ninguém!

As diversas etapas que atravessamos durante a vida vão acontecendo de forma mais ou menos consciente.
A ingenuidade e as descobertas da infância, a adolescência e suas saudáveis transgressões, o inesquecível primeiro amor, as novas amizades que vão se entrelaçando com nossos novos interesses. Tudo vai mudando: nós, os cenários, os desejos e as pessoas.
De um jeito ou de outro, somos levados pelas ondas do viver, surpresas, frustrações e conquistas se sucedem. Vamos “ surfando” ora em mares mais azuis, ora em mares com ventos e estranhas correntezas.

Ao chegar a hora do vestibular e da escolha profissional.... bem, aí as coisas mudam, e como!
É tão difícil parar para pensar, abraçar o não-saber, fechar os ouvidos para todas as “ sábias” sugestões e opiniões que chegam por todos os lados.
O mundo faz tanto barulho, fala alto, coisifica nossos sonhos – quanto custará o meu?
Claro que a informação é necessária e especialmente aquela que pontua, esclarece e confirma um dom ou interesse pessoal.


No entanto, há uma outra informação que está DENTRO de nós, ás vezes até meio escondida, e que de alguma forma sempre esteve lá. Talvez vestida de fantasias e devaneios fortuitos, não disponíveis para a consciência.
E é para esse “ dentro” que tenho que me voltar, abrir espaço, e dar permissão para ouvir este desejo,ou vocação.

Afinal, quem sou eu?
Sejamos realistas: erros, dores e obstáculos não emitem diploma nem certificados, mas também ensinam muito!
Hoje se fala muito em “ auto-conhecimento”, o que obviamente não acontece num súbito lampejo ou estalar de dedos.
É um processo contínuo, que desafia a razão, tem atalhos, retas e curvas fechadas, descidas e subidas, e como diz a música, acontece “ num indo e vindo infinito”...

Conhecer a si mesmo não é uma tarefa simples, mas um passo importantíssimo em todas as escolhas que faremos na vida, seja na área pessoal, amorosa ou profissional.

Compreensão





Voar para a vida




A verdadeira consciência do eu é ver e aceitar o completo ciclo de vida de mudanças - que é a lagarta, o casulo, e então, a borboleta; assim como o alquimista que usa o chumbo para fazer ouro e a luz do dia que sempre segue a noite.

Uma perspectiva espiritual dá uma compreensão dessa história completa e o permite ver a história de algum lugar "fora de" ou "além de" você, sem se prender muito a qualquer pormenor.

Isso lhe permite ver fraqueza e força com equanimidade e estabilidade: vendo a fraqueza como uma realidade temporária, mas não a parte final da verdadeira identidade; é ver a fraqueza como o avesso da força e estar sempre fazendo a escolha para se mover de encontro à luz, movendo-se para o ouro e movendo-se para o vôo.

Lesley Edwards

Link: www.bkwsu.org/brasil

MISS IMPERFEITA















Martha Medeiros

‘Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso épossível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer .
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão, e ainda faço escova toda semana - ah, e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero,o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero!
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada.. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não serábem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado!) podem ser prazeres cinco estrelas, e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’.










O riso e o absurdo





MIKE GEORGE

O riso sincero estimula uma química benéfica ao corpo, preservadora inclusive da vida. Os efeitos a curto prazo são excepcionais: a tensão é dispersada, a apreensão é eliminada, a habilidade de pensar positivamente aumenta e o contentamento é restaurado.

A incapacidade de rirmos de nós mesmos pode ser um indício de que achamos difícil reconhecer nossas próprias debilidades. Então tornamo-nos suscetíveis à ostentação, orgulho, á vaidade.
A vida, como uma comédia, pode ser absurda e imprevisível, os eventos podem tomar rumos inesperados e indesejáveis. Se perdemos o roteiro, esquecemos nossa fala ou se somos puxados para a ação de formas imprevisíveis, a perda de controle não deveria ser, necessariamente lamentada. O que precisamos é mudar de perspectiva, ver o absurdo de nossa condição e rir disso tudo.

A importância do cômico é que ele pontua nossas pretensões e permite que uma corrente de ar fresco invada a nossa consciência. É, portanto, uma técnica de relaxamento por excelência. Muitas vezes, vamos rir apesar de nós mesmos. Em outras palavras, o espírito cômico derruba completamente as barreiras internas e atua contra a força da gravidade, enfraquecendo nossa resistência ao prazer. A conseqüente sensação de alívio é palpável.
As piadas, como os mitos, têm um propósito na sociedade. Contar uma, especialmente num grupo, é assumir um importante papel – a de contador de histórias. Eliminando inibições, unindo a audiência numa resposta involuntária e compartilhada, o contador de piadas é um agente de relaxamento.


http://diversao.uol.com.br/album/a_megera_domada_album.jhtm